26/01/2018

Salvador sedia 7ª edição do Festival Internacional de Capoeiragem

 

Patrimônio brasileiro que ganhou o mundo, a capoeira é celebrada na 7ª edição do Festival Internacional de Capoeiragem, que acontece em Salvador até sábado (27). O evento reúne mestres renomados, capoeiristas de mais de 20 países, crianças de projetos sociais e estudantes, no Forte da Capoeira, no Largo do Santo Antônio Além do Carmo. O Festival também oferece um Tour Capoeirístico no Centro Histórico de Salvador, cenário de fatos relevantes da história da capoeira e do Brasil nos séculos XIX, XX e XXI.

Durante o festival, educadores, pesquisadores e adeptos da capoeira participarão de oficinas, vivências, palestras e apresentações para aperfeiçoarem seus conhecimentos e trocarem experiências. "Esse ano temos uma programação bem diversificada para possibilitar essas interações. Temos oficinas de capoeira Regional, Angola e Contemporânea, de berimbau, de afoxé e maculelê. Nosso festival chega à sétima edição mostrando a força da capoeira, que ajuda a divulgar nossa cultura pelo mundo afora, com a música, as tradições e a língua portuguesa", afirmou o mestre Balão, coordenador do projeto.

Capoeiristas de diversas nacionalidades aproveitam a oportunidade única de mergulhar na essência de onde tudo o começou. Caso da argentina Pilar Tica, que quer usar o festival para aprender o máximo possível. "A Bahia é o berço da capoeira e, para qualquer praticante da arte, é um lugar sagrado. Esse festival nos dá a chance de ver de perto mestres tão importantes com um conhecimento muito grande. É lindo estar aqui e quero aproveitar o máximo possível".

O Festival é uma realização do Instituto CTE Capoeiragem, em parceria com a Polo Cultural, e conta com patrocínio do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Cultura (Secult), da Fundação Cultura do Estado (Funceb) e da da Companhia de Gás da Bahia (Bahiagás). "A capoeira é um estandarte da cultura baiana, carrega a nossa mensagem de luta e resistência, leva o nome de nossos mestres e batalha do povo negro para outros países. Esse representa o fortalecimento de nosso Estado", afirmou a titular da Secult, Arany Santana.

Programação

Durante o festival também serão oferecidas atividades para crianças, espaço copoeiragem mirim, onde os pequenos de 3 a 11 anos vão poder dar os primeiros passos na capoeira. "É uma forma de estimular que mais jovens possam. Nós entendemos que trazer os garotos desde cedo para a prática da capoeira, é uma forma de difundir e consolidar a cultura para as novas gerações, ajudando a preservar essa parte tão importante da cultura da Bahia", afirmou o presidente Bahiagás, que patrocina o espaço.

Na sexta-feira (26), uma roda de conversa vai falar da mulher na capoeira, desafios e perspectivas. A mestra Patrícia, do grupo Urucungo Capoeira, vai apresentar um relato de suas experiências na jornada de muitos anos de capoeira. Como explica, Daniele Canedo, capoeirista baiana que será monitora do debate. "Vamos compartilhar experiências de mulheres que superaram os desafios sociais, físicos e econômicos , enquanto tomam conta de suas responsabilidades cotidianas e conseguiram se estabelecer no universo da capoeira".A programação completa pode ser conferida na página do evento.

Histórias de vida de mestres tradicionais são contadas em curta metragem

Financiado por recursos do Fundo de Cultura do Estado da Bahia, mecanismo gerido pelas Secretarias de Cultura e da Fazenda, através do Edital Culturas Populares 2016/Versão Simplificada, o curta documentário Histórias de Vida – Pastoras e Tocadores da Queimada da Palhinha será lançado no Barracão de Dona Pina, no sábado, 27, às 19h30, na comunidade de Palmares, em Simões Filho, Bahia. No mesmo dia, às 22h, acontecerá também a festa anual Queimada da Palhinha, tradição nesta comunidade, última jornada em honra ao nascimento do Deus Menino com cantos, danças, versos e dramatizações, contando com a presença dos Mestres e Mestras homenageados.

A jornada única de cada pessoa é um patrimônio da humanidade e conhecer histórias de vida pode ser transformador da nossa visão de mundo. Este documentário, inspirado no trabalho do Museu da Pessoa e dirigido por Wayra Silveira, nos oferta aspectos da vida de Mestras e Mestres da cultura popular da Bahia. São Pastoras e Tocadores de Simões Filho e Camaçari, todos eles artistas-devotos do Baile Pastoril Queimada da Palhinha.

O Baile Pastoril – Mulheres com saias rodadas, homens com os pandeiros na mão. A imagem de Senhor Deus Menino no presépio enfeitado de velas, frutas, flores, bonecas, brinquedos, luzes pisca-pisca, bolas de soprar, folhas da árvore São Gonçalinho e arcos de folha do dendezeiro. É o Baile Pastoril Queimada da Palhinha em homenagem ao nascimento do Deus Menino, prática cultural mestiça transmitida de geração em geração, referência de identidade cultural realizada em comunidades da Região Metropolitana de Salvador, que agora ganha o registro audiovisual da trajetória dos seus Mestres e Mestras no curta documentário Histórias de Vida – Pastoras e Tocadores da Queimada da Palhinha.

A direção é da historiadora Wayra Silveira. “Esta manifestação cultural é portadora de referências à identidade e à memória do país. Este filme valoriza a trajetória persistente de Mestre e Mestras da cultura popular da Bahia e revela aos olhos contemporâneos um Brasil profundo, quase sempre escondido”, observa Silveira.

Ação de salvaguarda – O lançamento deste filme representa mais uma ação de salvaguarda desta tradição centenária no estado e no nordeste do país, que há poucos anos se encontrava em vias de desaparecimento. Procura valorizar a história de artistas-devotos remanescentes desta festa religiosa natalina, as suas maneiras de viver e ver o mundo, profundamente ligadas ao sagrado, cheias de simplicidade, alegria e fé, de uma beleza profunda. Esses mais velhos são guardiões desta devoção que é ao mesmo tempo uma brincadeira, eles trazem na memória cantigas e versos e no corpo o baile e o samba que exaltam o renascimento, a renovação e o recomeço.

A festa é centenária nesta região e também pode ser encontrada em municípios como Madre de Deus, São Francisco do Conde e Saubara. Em Simões Filho a dona da festa é Dona Pina, Pastora desde menina. “A lapinha é armada neste local há muitos anos”, conta a Mestra. Desde 2002, o seu grupo realiza ações de salvaguarda como intercâmbios culturais, oficinas de transmissão de saberes, registro fotográfico, e em 2015, lançou com o apoio do FCBA/SECULT-BA, o livro Cantigas de um Baile Pastoril com letras e partituras de 53 cantigas e 57 versos que até então estavam guardados na memória dos anciãos e já não eram repassados facilmente para as novas gerações. Com estas ações a festa de Palmares começou a se revigorar, cresceu o grupo de moços e crianças, pastorinhas e pastorinhos, que vem aprendendo as cantigas e versos, reinventando a tradição.

As Mestras e os Mestres retratados no curta documentário Histórias de Vida – Pastoras e Tocadores da Queimada da Palhinha, apesar de residirem tanto em Simões Filho como em Camaçari, são pastoras e tocadores no baile de Palmares: Dona Pina, Seu Nilo, Seu Joaquim, Dona Arcanja, Dona Mácima, Dona Das Dores. São artistas-devotos negros, que vivem na subalternidade e possuem um rico imaginário cheio de mitos, poesias e cantigas. O filme também homenageia Mestres falecidos recentemente: Dona Sartíria, Seus Manoel e Seu Da Hora.

Museu da Pessoa – O filme teve inspiração na metodologia de Registro de Histórias de Vida do Museu da Pessoa, um museu virtual que reúne milhares de memórias de brasileiras e brasileiros comuns, e que valoriza cada trajetória de vida como patrimônio da humanidade e como fonte de conhecimento. A Tecnologia Social da Memória foi utilizada para o registro dos depoimentos, e o filme passará a compor o acervo do Museu da Pessoa.

Nas memórias registradas nas entrevistas com as Mestras e os Mestres, as emoções, os silêncios, as pausas, as repetições, as digressões foram incluídas não só como subjetividades bem-vindas, mas como a maior riqueza deste registro. O projeto contou ainda com o apoio do IRDEB e da Secretaria Municipal da Cultura da Prefeitura Municipal de Simões Filho.

  • Serviço

Lançamento do curta documentário Histórias de Vida – Pastoras e Tocadores da Queimada da Palhinha e Festa Anual Queimada da Palhinha

Onde: Barracão de Dona Pina (Palmares – Simões Filho – Bahia)

Quando: 27 de janeiro, às 19h30

BTCA apresenta "Urbis in Motus" na UFBA

Estreado no último mês de novembro, o mais novo projeto artístico do Balé Teatro Castro Alves (BTCA) inicia um circuito de apresentações em universidades de Salvador. No dia 31 de janeiro (quarta-feira), às 19h, a companhia pública de dança da Bahia leva “Urbis in Motus” para a Praça das Artes da Universidade Federal da Bahia (UFBA), localizada no campus de Ondina. Interação de performance e coreografia ao vivo, videomapping e intervenção urbana, a criação parte de temas urgentes que resguardam a diversidade e mobilizam lutas de minorias sociais: misoginia, racismo e LGBTfobia – pautas oportunas de serem refletidas com o público de estudantes acadêmicos.

“Urbis in Motus” (“cidade em movimento”, em latim) é uma proposição de Davi Cavalcanti (VJ Gabiru) juntamente com o diretor artístico do BTCA, Antrifo Sanches, e a assessora artística da companhia, Dina Tourinho, com o suporte do Núcleo de Pesquisa do Balé. Dois artistas-pesquisadores foram convidados para desenvolver as coreografias com a companhia: os professores da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e diretores teatrais Djalma Thürler, instigado pelas questões de LGBTfobia, e Meran Vargens, com o tema da misoginia. Já a pauta do racismo é abordada em um videodança, exibindo um solo do bailarino Renivaldo Nascimento (Flexa II).

Para este trabalho coletivo e reflexivo, o BTCA e sua equipe, diretores e coreógrafos, assim como os criadores do figurino e da trilha sonora, atuaram de forma dialógica e imersiva por um período de três meses. Questionar intolerâncias e acionar diferentes linguagens artísticas para expressar poeticamente a defesa das liberdades foram os guias desta produção.

ARGUMENTO – Se, por um lado, bilhões de smartphones, computadores e outros dispositivos estabeleceram um fluxo de comunicação global, a tão conceituada “aldeia global”, por outro lado, tem avançado em todo o mundo uma onda de conservadorismo – seja pelas zonas de guerra, regimes totalitários, fundamentalismos religiosos, ditaduras do mercado de capitais, avanço de ideias fascistas, retrocesso de direitos civis, sociais e trabalhistas. Distâncias foram encurtadas, mas vê-se emergir um paradoxo sobre a ideia de solidariedade. As fronteiras se enrijecem, intolerâncias ficam nítidas e a negação do outro toma o lugar da celebração e da vivência da diversidade, o que ainda ressoa no esvaziamento dos espaços coletivos de convivência nas cidades. “Urbis in Motus” propõe o diálogo entre estas tantas ideias, colocando a produção artística em seu papel fundamental de liberdade, unindo multimídia e interatividade para destacar aquilo que temos de humanidade. O BTCA vai para as ruas, para mais perto das pessoas, se alinhando a um movimento mundial de criação de obras contemporâneas que dialogam com o patrimônio histórico-arquitetônico, discutem o acesso à arte e o próprio espaço da arte no cotidiano das cidades e das pessoas.

BTCA – Companhia pública de dança contemporânea fundada em 1981, o BTCA tem o dançarino, coreógrafo, produtor e professor Antrifo Sanches como diretor artístico. Trata-se de corpo artístico estável mantido pelo TCA, Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) e Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA).

  • SERVIÇO

Urbis in Motus – Balé Teatro Castro Alves

Concepção: Davi Cavalcanti (VJ Gabiru), Antrifo Sanches e Dina Tourinho

Direção Coreográfica: Djalma Thürler, Meran Vargens e Renivaldo Nascimento (Flexa II)

Onde: Praça das Artes do Campus de Ondina da Universidade Federal da Bahia (UFBA)

Quando: 31 de janeiro (quarta-feira), 19h

Classificação indicativa: 12 anos

Acesso livremente aberto público

 

Fonte: SecultBa/Municipios Baianos

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