03/07/2012

SALVADOR: Governador é recebido no 02 de Julho, com protestos e vaias antecipando sua saida.

 

As autoridades que acompanhavam a comitiva do gobvernador Jaques Wagner tiveram dificuldades em acenar para os que se postaram às janelas do casario, durante o cortejo do 2 de Julho, que começou às 8h30, uma hora antes do previsto, a pedido da assessoria do governador, como tática para evitar que as manifestações tivessem maior repercussão.

 A Comitiva cercada por um batalhão de cinegrafistas, fotógrafos, jornalistas e seguranças, e ladeadas por um coro de professores em greve, que gritavam protestos e xingamentos, fizeram uma caminhada tensa pelo menos até a Cruz do Paschoal, monumento próximo ao Convento do Carmo.

 A partir dali os professores ficaram para trás, e foi bem mais tranquila a caminhada até a Cantina da Lua, no Pelourinho

Os professores (que chegaram em maior número ao Largo da Lapinha depois da saída do cortejo) reivindicavam do governador Jaques Wagner o cumprimento de acordo salarial e reajuste imediato de 22,22%.

 O professor municipal Maurício Souza, por exemplo, chorava e gritava, tentando se aproximar da comitiva do governador, protegida por fileiras de policiais militares e assessores. Mesmo não sendo professor estadual, Maurício se dizia "traído e solidário à situação dos colegas".

Jaques Wagner já participou do cortejo do 2 de julho, não só na condição de deputado e governador, mas também como manifestante. Segundo ele, a festa da Independência sempre foi marcada por protestos. Embora reconheça como legítimo o direito do cidadão de se manifestar, afirma que as vaias dirigidas ao seu governo são injustas.

Nelson Pelegrino (PT), candidato à Prefeitura da cidade, e sua vice, a vereadora Olívia Santana, do PCdoB, acompanhavam o governador, que estava com a primeira-dama, Fátima Mendonça

Mais de 2 mil policiais acompanhavam o cortejo ou patrulhavam as ruas paralelas e transversais, mas o único empurra-empurra registrado ocorreu logo no início da caminhada, ainda na Lapinha, em frente ao monumento a Maria Quitéria.

Poucas janelas estavam decoradas, ao longo do percurso, a maior parte já no Pelourinho.

O carro com o caboclo e a cabocla chegou a Praça Municipal às 9h50.

As autoridades se dispersaram antes, no Largo do Terreiro de Jesus.

A grande ausência do cortejo do 2 de Julho foi a dos cavaleiros que formam os Encourados de Pedrão.Eles deveriam estar em Salvador às 7h, mas o transporte contratado para trazer os 40 cavalos apareceu apenas às 7h30. Como eles só conseguiriam chegar à Lapinha por volta das 10h, desistiram de participar da festa.

Um jovem foi detido pela Polícia Militar durante as comemorações da Independência da Bahia, no Largo da Lapinha. O manifestante teria conseguido furar o cerco de seguranças que protegia o governador Jaques Wagner e outras autoridades, e arremessado uma haste de madeira enrolada em uma faixa de protesto na direção deles.

Segundo informações da assessoria da Polícia Militar, uma testemunha que estava no local teria visto o momento em que o rapaz teria atirado o objeto contra as autoridades e o denunciou à patrulha da PM.  A polícia deteve Pedro Carvalho Melo, 19 anos, - apontado como suspeito da tentativa de agressão - e o encaminhou, junto com a testemunha, para esclarecer a situação.

Os dois foram levados para o posto de apoio da 37ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/Liberdade), na Lapinha. Ainda de acordo com a assessoria da PM, como a testemunha não quis manter a denúncia e Pedro negou que havia atirado a bandeira contra o governador, ele foi liberado.

Além da tentativa de agressão contra o governador, os festejos de Dois de Julho foram marcados por protestos. Grupos de professores grevistas da rede estadual de ensino estão no local, com apitos e cartazes, reivindicando novas negociações para o fim da greve. Durante a passagem da comitiva do governador, esta foi recebida como uma das maiores sonoras vaias que um dirigente já recebeu ao longo dos festejos.

Os candidatos das três principais coligações que disputam as eleições para prefeito de Salvador enfrentaram nesta segunda-feira (2) o seu primeiro teste com o povo nas ruas. Antes mesmo do início oficial da campanha, na próxima sexta, Nelson Pelegrino (PT), Mário Kertész (PMDB) e ACM Neto (DEM) puderm sentir, no desfile do 2 de Julho, como andam suas popularidades.

“Como existe uma quantidade muito grande de gente nas ruas, acaba sendo um termômetro”, considera Neto, experiente na festa cívica. “Muito antes de ser deputado, eu já participava”.

Mário Kertész, que não se lembra a última vez em que foi ao 2 de Julho,  enxerga o evento como um treinamento para o corpo a corpo. Mas, diz ele, é cedo para medir seu “ibope”. “Está começando tudo ainda, né? Tem gente que bota pessoas para aplaudir. Não gosto de nada artificial. Durante anos participei da festa”.

Pelegrino vai ter a companhia do governador. Deve, portanto, ouvir os gritos de protesto dos professores em greve. “Independente dos professores, vou para o desfile normalmente. E não considero o termômetro que dizem”.

Termômetro ou não, o 2 de Julho será o primeiro contato com o povo, o que, confirmam os três, será marca de suas campanhas. “A presença nas ruas é tão importante quanto na TV”, aposta Neto. “O corpo a corpo já faz parte de minha maneira de fazer política”, disse Pelegrino. “Para ganhar eleição, tem que gastar sola de sapato”, afirmou Kertész.

Fonte: Municipios Baianos

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