04/02/2018

Brasil registra 11,6% dos casos de hanseníase no mundo

 

Em evento para o Dia Mundial de Combate à Hanseníase, observado comumente no último domingo de janeiro, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) participou nesta semana (31), em Belém do Pará, do lançamento de uma campanha de conscientização sobre a doença. A iniciativa, do Ministério da Saúde do Brasil, aborda os sintomas da enfermidade. País identificou 25,2 mil casos da patologia em 2016, número que representava 11,6% do total global de novas ocorrências.

Sob o lema “Hanseníase. Identificou. Tratou. Curou”, os materiais de divulgação serão publicados em diversos veículos de comunicação para alertar os brasileiros – principalmente homens com idade entre 20 e 49 anos, grupo com o maior número de detecção de novos casos – sobre os sinais da doença.

A campanha incentiva o público a buscar orientações em caso de suspeita da patologia e também orienta os profissionais de atendimento sobre diagnóstico precoce, tratamento e prevenção das deficiências resultantes da hanseníase.

Joaquín Molina, representante da OPAS no Brasil, afirmou que a região das Américas tem observado uma diminuição gradual no número de novos casos da infecção. Entre 2011 e 2016, por exemplo, houve uma redução de 26% nos casos detectados e de 31% na quantidade de crianças diagnosticadas. Apesar das conquistas, o combate à doença não pode perder a força.

“Avançamos e podemos comemorar os progressos alcançados nos últimos anos, mas não podemos baixar a guarda. São necessários recursos financeiros adicionais e mais compromisso político para atingir o objetivo da eliminação da hanseníase”, defendeu Molina.

Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil também registrou queda na detecção de casos nos últimos anos: de 40,1 mil em 2007 para 25,2 mil em 2016 – o que representa uma diminuição de 42,3% da taxa de diagnóstico do país.

“É importante lembrar que, apesar de existirem tratamentos eficazes e cura para a hanseníase, campanhas massivas de educação em saúde pública, um aumento da consciência sobre a doença e integração dos tratamentos nos serviços de saúde, os esforços para o combate e controle dessa enfermidade ainda encontram um grande obstáculo: o estigma e a discriminação enfrentados pelas pessoas afetadas por ela”, acrescentou o dirigente da OPAS.

O representante da agência da ONU reafirmou o compromisso da OPAS de continuar trabalhando junto aos governos, parceiros, movimentos sociais e sociedade civil para assegurar um controle efetivo da doença no Brasil e em outros países das Américas.

“Em todo o mundo, os programas de combate à hanseníase e seus parceiros trabalham para promover a conscientização sobre uma doença que muitas pessoas acreditam estar extinta, quando, na verdade, 210 mil novos casos ainda são diagnosticados a cada ano”, ressaltou Isabelle Roger, assessora regional de Doenças Negligenciadas e Hanseníase da OPAS.

A especialista revelou ainda que é possível haver um grande número de pessoas com a enfermidade sem o devido diagnóstico – o que as deixa em risco de desenvolver incapacidades físicas.

Abordagens inovadoras

Desenvolvido pelo Ministério da Saúde brasileiro em parceria com a OPAS e com apoio da Fundação Nippon, do Japão, o Projeto Abordagens Inovadoras para Intensificar Esforços para um Brasil livre da Hanseníase teve início em outubro de 2017. Programa busca reduzir a incidência da doença em 20 municípios dos estados do Maranhão, Mato Grosso, Pará, Pernambuco, Piauí e Tocantins.

Essas localidades foram escolhidas por apresentaram o maior número de casos novos de hanseníase diagnosticados entre jovens com menos de 15 anos. O Pará, estado onde a campanha foi lançada, é o terceiro com o maior número de novas ocorrências (2.359), ficando atrás apenas de Mato Grosso (3.167) e Maranhão (2.715).

Saiba mais sobre a hanseníase

A hanseníase é uma doença crônica infecciosa causada por uma bactéria que se multiplica muito lentamente. O período de incubação da doença varia de nove meses a 20 anos, com uma média de cinco anos. Afeta principalmente a pele, os nervos periféricos e os olhos. A detecção precoce dos casos reduz muito os riscos de deformidades e incapacidades físicas entre os pacientes. Essa enfermidade tem cura e o medicamento é gratuito em todos os países.

A hanseníase não é muito contagiosa. É transmitida por meio de gotículas nasais e orais durante contato próximo e frequente com uma pessoa que tem a doença e não recebeu tratamento. Quando tratada em seus estágios iniciais, as chances de incapacidade diminuem consideravelmente. Hoje, o diagnóstico e o tratamento da hanseníase são simples e os países com maior endemicidade estão se esforçando para integrar plenamente o cuidado com a doença nos serviços gerais de saúde já existentes.

A doença está presente em 24 dos 35 países das Américas. Em 2016, esses Estados registraram um total de 27.357 novos casos. Isso representa 12,6% da carga global (11,6% somente no Brasil) e põe a região das Américas como a segunda em número de casos reportados, atrás apenas do Sudeste Asiático.

Estratégia Global para a Hanseníase 2016-2020

Lançada em 2016 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a Estratégia Global para a Hanseníase 2016-2020 está baseada em três pilares: fortalecer o controle, a coordenação e as parcerias do governo; combater a hanseníase e suas complicações; enfrentar a discriminação e promover a inclusão.

A estratégia fornece orientações aos gestores de programas nacionais de hanseníase para que tomem as medidas necessárias para reduzir a incidência da doença, em colaboração com vários setores, incluindo organizações que trabalham com direitos humanos e igualdade de gênero.

Câncer gera US$ 46 bilhões em perdas de produtividade nos BRICS

Um estudo produzido pela Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer (IARC), da Organização Mundial da Saúde (OMS), avalia pela primeira vez o custo das perdas em produtividade devido a mortes prematuras por câncer em economias emergentes. Segundo a pesquisa, casos da doença geraram em 2012 prejuízos de 46,3 bilhões de dólares para os países do BRICS — Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

A médica que liderou a análise, Alison Pearce, afirma que o “impacto do câncer na economia mostra a urgência de se prevenir os casos” nos países do bloco. As cinco nações abrigam 40% da população mundial e registram 42% de todas as mortes por câncer. Os cânceres de fígado e de pulmão são os tipos que têm os maiores impactos em perdas na produtividade.

A maior parte dessas perdas — 28 bilhões de dólares — afeta a China, país onde a incidência de câncer de fígado é maior que a média devido a casos de hepatite B e à ingestão de alimentos expostos a aflatoxinas.

Sobre o Brasil, o estudo da IARC alerta para as consequências do uso do tabaco, que provoca mortes por câncer de pulmão. A mesma situação é identificada na África do Sul. Apesar do sucesso de políticas brasileiras para o controle do tabaco, o fumo continua sendo um grande fator de risco, o que deve gerar mais perdas de produtividade. O documento aponta ainda para problemas ligados a mudanças no estilo de vida, como o rápido aumento dos índices de obesidade no Brasil.

Já na Rússia, as mortes prematuras acontecem principalmente por câncer no fígado e em regiões da cabeça e do pescoço, “provavelmente associadas ao alto consumo de álcool”, avalia a pesquisa.

Os autores do estudo sugerem aos países dos BRICS políticas que estimulem transformações de comportamento e que aumentem a cobertura de vacinação contra a hepatite B e contra o HPV. O câncer do colo do útero tem impactos econômicos consideráveis nos emergentes, em especial na África do Sul, gerando perdas de 1,6 bilhão de dólares.

Opas alerta sobre aumento da malária no Brasil e em países da América Latina

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) alertou nesta sexta-feira (2) sobre o aumento de casos de malária no Brasil, Equador, México, Nicarágua e Venezuela no ano passado e pediu para as autoridades da região que reforcem a vigilância e o controle. A informação é da Agência EFE.

A tendência inverteu-se após quase uma década (2005-2014) de queda da malária na América Latina, uma doença transmitida pela picada de um mosquito e pode causar infecção cerebral, insuficiência renal ou meningite. Em 2016, oito países notificaram a Opas um aumento de casos: Colômbia, Equador, El Salvador, Haiti, Honduras, Nicarágua, Panamá e Venezuela.

E no ano passado foram cinco: Brasil, Equador, México, Nicarágua e Venezuela. O Brasil notificou 174.522 casos de malária entre janeiro e novembro de 2017 na região Amazônica, um aumento em relação aos 117.832 casos reportados em 2016.

Na Venezuela, o Centro Nacional de Ligação para o Regulamento de Saúde Internacional notificou a Opas que, entre as semanas 1 e 42 de 2017, foram registrados 319.765 casos de malária, um aumento em relação aos 240.613 casos reportados em 2016. Já na Mesoamérica, o aumento de casos aconteceu na Nicarágua, onde os casos notificados passaram de 6.209 em 2016 para 10.846 no ano seguinte.

No início de 2017, a Opas alertou sobre o risco de surtos, aumento de casos e óbitos em áreas endêmicas, bem como a possível recuperação da doença em áreas onde a transmissão havia sido interrompida.

A OPAS adverte que as conquistas alcançadas no caminho para a eliminação da doença podem ser comprometidas se as ações de vigilância e controle em toda a região não forem mantidas ou fortalecidas.

 

Fonte: ONU Brasil/Agencia Brasil/Municipios Baianos

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