07/02/2018

Como seria o mundo se a Terra fosse realmente plana?

 

Essa pergunta pode parecer ridícula para muitas pessoas, e sua resposta, óbvia. Ou talvez não?

A teoria de que a Terra é plana ganhou adeptos nos últimos anos, com a primeira conferência de "terraplanistas" realizada no fim do ano passado nos Estados Unidos. Há inclusive celebridades de Hollywood que a defendem. E, apesar de haver muitas provas (gráficas e físicas) de que o nosso planeta é redondo, o debate ressurge com frequência.

Por isso, a fim de acabar com as especulações, o geofísico James Davis, da Universidade de Columbia, em Nova York, membro do Observatório Terrestre Lamont-Doherty, idealizou um cenário de como seria a Terra se ela fosse de fato plana, tendo como base pressupostos dos terraplanistas.

1. A gravidade

Quem acredita que a Terra tem a forma de um disco parte do pressuposto de que a gravidade exerceria sua força diretamente para baixo, mas não é assim que funciona esse fenômeno. Davis esclarece que, segundo o que sabemos sobre a força gravitacional, ela puxa tudo para o centro.

Então, quanto mais longe do centro do disco, mais a gravidade puxaria as coisas horizontalmente. Isso teria efeitos estranhos, como sugar toda a água do mundo para o centro do disco, e fazer com que árvores e outras plantas crescessem diagonalmente, já que elas se desenvolvem na direção oposta à da gravidade.

Caminhar também seria uma tarefa complicada, com uma força que nos empurraria rumo ao centro quando tentássemos chegar à borda do disco. Seria como subir uma encosta muito inclinada.

2. O Sistema Solar

O modelo de Sistema Solar que prevalece hoje situa o Sol no centro da nossa galáxia e a Terra circulando ao seu redor, graças uma órbita que nos aproxima e nos distancia desse astro de acordo com a época do ano.

Os terraplanistas colocam a Terra no centro do Universo, onde o Sol opera como uma lâmpada que irradia luz e calor de lado a outro do planeta, mas não falam de uma órbita.

Davis acredita que, sem essa órbita ou a força gravitacional do Sol, nada impediria que o planeta fosse expelido para fora do Sistema Solar.

Uma Terra plana teria outra incongruência. Se o Sol e a Lua circulam sobre o planeta, seria possível haver dias e noites, mas não as estações, eclipses e outros fenômenos astronômicos que dependem do formato esférico da Terra.

Além disso, o Sol teria que ser menor do que a Terra, caso contrário poderia nos queimar ou cair sobre nós. Davis destaca, no entanto, haver medições suficientes que mostram que o Sol tem 100 vezes o diâmetro da Terra.

3. Campo magnético

As leis da física que conhecemos hoje em dia estabelecem que o núcleo da Terra gera seu campo magnético.

Em um planeta plano, segundo os defensores desse modelo, esse campo não existe. Sendo assim, diz o especialista, não haveria uma atmosfera, o que faria com que o ar e os mares fossem parar no espaço. É o que ocorreu em Marte quando o planeta perdeu seu campo magnético.

4. Atividade tectônica

O movimento das placas tectônicas e os movimentos sísmicos são explicados apenas com uma Terra redonda. "Só em uma esfera as placas se encaixam de uma forma sensata", diz Davis.

Os movimentos das placas de um lado da Terra afetam os movimentos no outro lado. As áreas da Terra que criam formações para cima da crosta terrestre, como a Cordilheira dos Andes, são contrabalanceadas por outras que formam depressões, como os vales.

Nada disso seria explicado adequadamente com uma Terra plana. Não seria possível entender por que existem montanhas ou terremotos.

Também teria de haver uma explicação para o que acontece com as placas na borda do mundo. Poderíamos imaginar que elas cairiam, mas os terraplanistas defendem que existe um "muro de gelo" na borda, criado pela Antártida, algo muito difícil de acreditar, opina Davis.

Para concluir, diz o especialista, se vivêssemos em uma Terra plana, não teríamos nenhuma dúvida disso, porque tudo seria muito diferente de como conhecemos hoje.

O astrônomo amador que encontrou um satélite perdido há uma década pela Nasa

Scott Tilley estava determinado a encontrar o Zuma, satélite americano espião que, segundo o Pentágono, não conseguiu entrar em órbita e desapareceu pouco após seu lançamento, em janeiro. Mas o astrônomo amador, que vive no Canadá, foi agraciado com um golpe de sorte.

Sua busca foi interrompida no dia 20 de janeiro: Tilley se deparou com o Image, um satélite que a Nasa lançou em 2000 como parte de uma missão para analisar o impacto dos ventos solares sobre a atmosfera terrestre e do qual não tinha mais rastros desde 2005 e parou de procurar em 2007.

Depois de ver e ouvir os primeiros sinais no centro de observação que mantém em sua casa, o astrônomo amador confirmou que havia encontrado o Image.

"Contei para minha mulher durante o jantar, e perguntei a ela o que deveria fazer", contou Tilley à BBC.

O conselho dela foi entrar em contato com os responsáveis por lançar o Image. "Se foi possível encontrar um satélite perdido no céu, com certeza você consegue encontrar quem o colocou lá", disse a mulher, segundo o relato de Tilley.

Foi o que ele fez. E a Nasa confirmou, no dia 30 de janeiro, que realmente se tratava do Image.

Cientistas do Centro Espacial Goddard, da Nasa, em Maryland, afirmaram que o sistema de controle principal do satélite ainda funciona, mas que levará entre uma e duas semanas para eles terminarem de analisar o estado dele e adaptarem seus programas e a base de dados a sistemas mais modernos.

Astrônomo amador

Tilley, de 47 anos, dedicou a maior parte de sua vida a observar o espaço.

Em casa, criou seu próprio centro de operações, que descreve como "bastante modesto".

Ele calcula que entre telescópios, computadores e rádios, seu espaço, que foi pensado especialmente para rastrear radiofrequências de satélites, não custou mais do que US$ 5 mil.

E o objetivo principal de Tilley é encontrar satélites espiões.

"O espaço é como um parque nacional, pertence a todos", disse ele.

"Nenhum país tem o direito de enviar coisas ao espaço sem divulgar para as pessoas o que são e onde estão. Fazendo essa busca, eu garanto que o que está lá em cima não vai causar danos para ninguém."

Após sua descoberta, a Nasa entrou em contato com o astrônomo amdor para trocar informações. "Não me ofereceram nenhuma recompensa", afirmou.

"Mas também não estou esperando isso. Para mim, a maior satisfação é saber que estou contribuindo para algo importante."

Depois desse "golpe de sorte", Tilley pretende continuar com a missão que interrompeu por um tempo: encontrar o Zuma.

 

Fonte: BBC Brasil/Municipios Baianos

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