07/02/2018

Salvador: Rede hoteleira com quase 100% de ocupação

 

Terceiro destino mais procurado no Brasil para passar o Carnaval, Salvador deve receber 770 mil turistas e movimentar R$ 1,7 bilhão na folia momesca deste ano. A estimativa é que os hotéis alcancem 98% de ocupação, chegando a 100% nos estabelecimentos próximos aos circuitos. A projeção é do Ministério do Turismo, que comemora o recorde na movimentação turística em todo o país: 10,69 milhões de viajantes brasileiros e 400 mil estrangeiros.  No réveillon, os hotéis da cidade ficaram lotados, atingindo os 100%. Foi a maior taxa de ocupação dos últimos 22 anos.

Segundo o Ministério do Turismo, 400 mil foliões do Carnaval soteropolitanos devem vir de cidades do interior e 300 mil de outros estados, como Rio de Janeiro, São Paulo e Pernambuco. Além dos brasileiros, 70 mil estrangeiros, sobretudo da Argentina, França, Chile, Alemanha e Uruguai deverão aportar na capital baiana. Durante a festa, os turistas nacionais chegam a gastar aproximadamente R$ 4,9 mil, enquanto os viajantes do exterior desembolsam, em média R$3,5 mil.

Hotelaria

Glicério Lemos, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis da Bahia (ABIH-BA), confirma a estimativa do Ministério e diz que o cenário pode até ser melhor. “Ano passado a gente alcançou 97.8%. E esse ano a gente pode alcançar isso ou mais. Vários hotéis da orla, no circuito do Carnaval, já estão lotados e outros mais próximos também. A procura está grande e existe a expectativa de confirmar até a 100%”, revelou.

Mas Lemos lembra que ainda há vagas em hotéis fora do circuito, como na Avenida Tancredo Neves, e que mesmo nas hospedagens lotadas, existe a possibilidade do hóspede desistir da vaga devido a alguma eventualidade e dar lugar a outro.

Glicério Lemos atribuiu a alta aos projetos realizados em parceria com a prefeitura, como as visitas à outras cidades e estados para divulgação de eventos e ampliar a atividade turística com foco na geração de emprego e renda, além do incentivo  ao turismo no interior do estado. ““Estamos tendo um crescimento de hóspedes no Carnaval, fruto desse trabalho que está se fazendo na cidade. Não chegaremos aos 100% de ocupação, como no réveillon, mas chegaremos aos 98%, que já é excelente”, afirmou.

A expectativa do presidente da Federação Baiana de Hospedagem e Alimentação (FeBHA), Silvio Pessoa, é manter, no estado, resultado semelhante aos anos anteriores. Para melhorar o trade turístico, ele propõe repensar o serviço de pacotes promocionais, com o objetivo de manter o turista na cidade por mais tempo. Atualmente, os dias com maior número de hospedagens é entre o sábado e a terça de Carnaval.

“Com a crise, quebramos os pacotes. Temos que tentar voltar a manter o turista pelo menos cinco dias na cidade. É uma lei de mercado, de oferta e demanda. Voltando a estabilizar a economia, precisamos repensar esses pacotes e o valor da diária, que são quase as mesmas de anos atrás”, relatou.

Melhorias

Para o ano de este ano, a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis na Bahia (ABIH-BA) vai manter a mesma estratégia adotada em anos anteriores, com o intuito de ampliar a atividade turística com foco na geração de emprego e distribuição de renda.

Entre as ações estão a promoção de FAM Shows (reunindo operadores de viagens do Brasil e do exterior), realização do Fórum de Hotelaria e Turismo, e o acompanhamento das políticas públicas voltadas para o segmento, entre outras.

O presidente da Associação, Glicério Lemos, já chegou a reclamar do alto pagamento de impostos por parte dos hotéis e da “concorrência desleal” de aplicativos e sites que atuam no segmento de hospedagem. “Importante que os nossos deputados federais se posicionem sobre a regulamentação desse tema como já acontece em países da Europa”, disse Lemos.

A instituição também pretende manter os trabalhos para incentivar ainda mais o turismo no interior do estado, como acontece em Porto Seguro, Ilhéus e Chapada Diamantina, alguns dos principais destinos baianos que possuem boas médias de ocupações.

“Nossa ideia é chegar a mais dez cidades do interior esse ano, trabalhando em prol da hotelaria. Quantos mais pólos fortes, o turismo fica mais forte. Já temos algumas cidades consolidadas e queremos buscar mais ainda”, afirmou.

Circuitos ainda têm imóveis para alugar no Carnaval

Chegou fevereiro e as fachadas de prédios nos bairros que concentram as festas de Carnaval ganham um acessório típico desta época: placas de “aluga-se por temporada”. A proximidade da folia e, consequentemente, a vinda de turistas para Salvador fazem com que os anúncios de casas e quartos durante o período apareçam nos bairros no entorno dos circuitos.

Apesar de já ter começado no final de semana, a festa só tem início, oficialmente, nessa quinta-feira. Mesmo faltando poucos dias e com o aumento na procura, ainda dá tempo: o Correio encontrou anúncios de aluguel por temporada nos dois principais circuitos do Carnaval: Dodô (Barra-Ondina) e Osmar (Campo Grande).

800% a mais

Uma olhada em sites de aluguel por temporada logo revela: a busca pelos bairros ao redor do circuito (Barra, Ondina e Campo Grande, por exemplo) aumentou em mais de 800% durante o período. Nestes bairros no entorno da folia, a ocupação hoteleira deve chegar a 95%.

Fora deles, diversos anúncios também estão espalhados. Os famosos “camarotes” das varandas, que ficam entre o Morro do Gato e o Centro de Educação Física e Esporte (Cefe-Ufba), expõem anúncios de aluguel de temporada, mesmo faltando só dois dias para a abertura da festa.

Um dos imóveis é de Maria de Fátima Pedreira, 63 anos, proprietária de um duplex no prédio Alpha, de frente ao posto Menor Preço. Com capacidade para até 18 pessoas, 4 quartos e disponível para todos os dias do Carnaval, o preço pode até assustar: R$ 23 mil, mas a conta para 18 pessoas durante o período em uma diária de R$ 300, alcançaria quase R$ 10 mil a mais do valor cobrado.

Além da vantagem na capacidade do apartamento, a vista explica tudo: a residência é duplex e tem um “terraço” em cima, que funciona como um camarote em parte da festa. Ela conta que aluga o apartamento há mais de 12 anos e que chegou a disponibilizá-lo durante 10 deles para a mesma família. A dona do imóvel começou cobrando R$ 25 mil, mas já baixou o preço. Mesmo com a redução, ela diz que prefere não alugar do que abaixar muito o valor. “Eu prefiro ficar no apartamento, não acho justo menos do que isso com a capacidade e tamanho do local”, disse.

"O apartamento tem um terraço em cima, funcionando como um camarote em parte da festa", diz Maria de Fátima, que aluga imóvel há 12 anos

Quem também aluga a casa há quase uma década é a enfermeira e estudante de Direito Priscila Mota, 26 anos. Ela conta que há 9 anos aluga a casa da avó para uma família de Barreiras, que sempre fecha o negócio com um ano de antecedência. A residência, localizada no Campo Grande, próximo à avenida, tem dois quartos e não limita um número máximo de pessoas. O valor fica em R$ 3.500 para todo o período.

Dando uma volta na Rua Carlos Gomes e na Avenida Sete de Setembro, o que mais se vê, no entanto, são anúncios comerciais: estacionamento, salões, clínicas de Odontologia e até mesmo bares completos que estão para alugar na região. Para além da quantidade de comércios no local, Priscila Mota explica: “Houve um esvaziamento do Campo Grande nos últimos anos, o que fez com que as pessoas preferissem ficar hospedadas ao redor da Barra e de Ondina, por isso não se encontram tantas residências disponíveis nos arredores”, analisa ela.

Bairros mais procurados

1 Barra

2 Ondina

3 Praia do Flamengo

4 Stella Maris

5 Itapuã

6 Jardim Armação

A movimentação de turistas durante o Carnaval gera uma grande demanda para a rede hoteleira de Salvador, que já bate 95% de média de ocupação, chegando a quase 100% no circuito. O impacto positivo, no entanto, não é sentido apenas pelos hotéis. De acordo com o presidente do Conselho Baiano de Turismo (CBTur), Roberto Duran, cerca de 70% das pessoas que vêm para Salvador se hospedam em casas de amigos ou em casas alugadas.

Além da própria capacidade da rede hoteleira de Salvador, que não absorveria a quantidade de turistas que vêm para a capital, o valor também acaba impactando nas escolhas dos foliões, que dividem casas com grupos ou famílias, fazendo com que o valor fique mais em conta. Segundo pesquisa sobre tendências de viagem em 2018, realizada pela Booking.com no Brasil, um terço dos viajantes brasileiros (34%) prefere ficar em uma acomodação de aluguel por temporada a se hospedar em um hotel.

A procura neste ano também é explicada pelo presidente da Federação Baiana de Hospedagem e Alimentação (FeBHA), Sílvio Pessoa, que lembra da importância das festas que antecedem o Carnaval para a ocupação da cidade.

Sites de buscas online, como Booking.com, AlugueTemporada e Airbnb não divulgaram um comparativo entre o ano anterior e este ano, nem mesmo chegaram a oferecer mais dados sobre a busca de casas na cidade. O AlugueTemporada informou apenas que já registra um número maior de aluguéis do que no ano passado e divulgou o ranking de locais mais procurados durante o período.

Saiba como alugar imóveis com segurança

A facilidade dos anúncios pela internet ou via sites e aplicativos de aluguel por temporada favorece também a ação de criminosos que se aproveitam dos clientes menos experientes para praticar fraudes. Recentemente, vários casos de golpes no alguel de casas por temporada foram denunciados em diversos meios de comunicação. Nas redes sociais também é possível encontrar depoimentos de quem foi vítima dessa ação criminosa. O pedido de adiantamento de parte do pagamento tem sido uma das práticas mais comuns nesse tipo de golpe. Muitas pessoas realizaram o pagamento e, ao chegar no endereço, descobriram que a casa nem existia e que as fotos que viram não passavam de cenas da fraude.

Para não passar por isso, alguns passos podem ser percorridos na hora de alugar um imóvel. O primeiro, assim como para qualquer hotel, deve ser a pesquisa. Na busca, além de eliminar ofertas suspeitas, o locatário deve considerar aspectos como localização do imóvel, avaliação do usuário no site, quantidade de quartos, capacidade de hóspedes, período disponível e os serviços que oferece. Além de confirmar que o endereço realmente existe, uma vistoria pode ser feita para ver o estado da casa e se ela realmente apresenta tudo o que o dono promete. Caso você não possa ir ao local, mas conheça pessoas que moram ao redor e que possam ir até o local realizar uma “vistoria” no imóvel, melhor. Caso não consiga, exija fotos ou faça uma ligação por meio de videochamada.

Para se livrar de qualquer dor de cabeça e deixar tudo firmado no cartório, evitando problemas futuros, é importante que um contrato seja firmado para oficializar o trâmite. Informações como data de entrada e de saída, valor, forma de pagamento, regras da casa, entre outros, devem constar no documento. E, por último, depois de todos os trâmites de segurança cumpridos, a hora do pagamento também deve ser seguro e uma das formas mais seguras de transação online é o cartão de crédito, que pode vir a ser cancelado caso algum problema ocorra. Cheques e dinheiro não são opções tão seguras. Geralmente se pede 50% de entrada e 50% na data de entrada do imóvel. Confira de que forma isso ocorrerá quando negociar com o proprietário.

  • Ficar em hotel ou alugar um imóvel? Veja vantagens de cada um

Segurança: Além do próprio sistema de monitoramento do hotel quanto aos pertences dos hóspedes e sua segurança pessoal, é mais difícil cair em um golpe de um hotel falso do que de uma casa falsa.

Privacidade: Estar em uma casa, com todos os cômodos para você, e sem a presença de outros hóspedes pode animar aqueles que querem um momento mais privado.

Alimentação: Nesse ponto, a casa pode ser uma vantagem ou uma desvantagem. No hotel, há a vantagem de acordar e já ter o café da manhã pronto. Mas em relação ao preço, em um imóvel alugado há a vantagem de poder fazer compras baratas e, com isso, não gastar tanto com as refeições principais. Outro ponto a ser observado é que alguém terá que ficar responsável pelas atividades da cozinha.

Grupos: A vantagem para quem quer passar a temporada do Carnaval em uma casa é a possibilidade de abrigar todos em um mesmo espaço. Em hotel, o grupo teria que se dividir em quartos diferentes, com uma exclusão maior. Na casa, as pessoas ficam livres para se hospedarem da forma que desejarem. Neste caso, estar em grupo é mais uma vantagem, já que quanto mais gente para se hospedar, mais pessoas para dividir a conta do aluguel.

Lavar as roupas sem custo extra: Hotéis geralmente cobram taxas para aqueles que utilizam a lavanderia. Esses e outros serviços podem ser gratuitos no aluguel de temporada. Se o grupo for passar muitos dias, é um ponto a ser considerado. Em compensação, o hotel oferece a comodidade para quem não quer se preocupar com mais esse item.

 

Fonte: Tribuna/Correio/Municipios Baianos

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