08/02/2018

O naufrágio esperado do (des)Governo Temer

 

"Um transatlântico de luxo, o S.S. Poseidon, é atingido na véspera de Ano Novo por uma onda gigantesca, fazendo-o virar de cabeça para baixo. Um grupo de sobreviventes que está em um salão de baile de um convés superior (mas que depois de virar, fica abaixo da linha d'água) tenta escapar da embarcação liderados pelo reverendo Frank Scott. Para isso, devem chegar à casa de máquinas que se localiza no casco do navio (que agora está acima da linha d'água), e durante o percurso acabam enfrentando muitos perigos no navio instável que pode afundar a qualquer momento".

Essa é a sinopse do filme “O destino do Poseidon”, a metáfora perfeita para a situação atual do governo Temer, que, atingido por várias ondas gigantescas virou de cabeça para baixo e seus ocupantes, de todas as classes, enfrentam muitos perigos no navio instável que pode afundar a qualquer momento.

Os sinais de que o naufrágio está próximo são cada vez mais claros. Nem falo de seu vergonhoso e indigente périplo pelos domínios de Silvio Santos e  de Ratinho, coisa que capitão de transatlântico só cogita fazer em estado de completo delírio.

Falo, isto sim, de suas relações com o mar. Mais precisamente com a Rodrimar, a empresa do porto de Santos, foco da terceira denúncia que está em gestação, com participação ativa de Rodrigo Rocha Loures, o homem de confiança do presidente.

Está claro que seria uma aberração iniciar mais um processo de corrupção, especialmente num ano tão atípico e propenso a crises como esse.

O mais sensato seria Temer deixar o leme por vontade própria, antes que o barco afunde de vez, alegando motivos de (falta) de saúde, e, em vez de ser jogado aos tubarões, tal como merece, ganhar uma boia salvadora para flutuar no ostracismo por todo o sempre, em qualquer lugar que deseje, mas bem distante de Brasília. 

Caso contrário, corre o risco de morrer afogado por culpa das suas barbeiragens.

De pouco valeria, mas Temer ainda pode cair antes do fim do mandato. Por Tereza Cruvinel

O flerte de Geddel Vieira Lima com a delação premiada foi só mais um sinal de que o Brasil ainda pode se livrar de Temer antes do final de seu mandato, em decorrência de complicações maiores em sua situação jurídico-político. Se vier uma terceira denúncia em plena campanha eleitoral, não haverá quem convença a maioria dos deputados a salvarem Temer mais uma vez. Ele pode ser afastado pela aprovação da denúncia ou até mesmo renunciar, invocando problemas de saúde, não sem antes garantir o foro especial para ex-presidentes. Hoje estas hipóteses podem parecer delirantes mas há uma questão que lhes confere plausibilidade: o substituto seria o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que poderia disputar a reeleição no cargo, com apoio do Centrão e de boa parte do mercado-empresariado. Ou seja, a direita, e o não os brasileiros, é que ganhariam com uma queda tardia de Temer, depois de todos os retrocessos e malvadezas já cometidos.

“Vejo hoje que amigos, pessoas, de longa data me lançaram ao degredo, ao vale dos leprosos”, disse Geddel em depoimento nesta terça-feira, 6. Como ele, antes de ser preso, mandou avisos de que não perdoaria traições, a frase cheira a tentativa de acordo para uma delação. Se acontecer, ela pode implicar a cúpula do MDB e o próprio Temer. Os dois  foram unha e carne durante muitos anos. Por indicação de Temer, Geddel ocupou cargos cada vez mais altos no governo federal, desde a era PT.

Mas não só por isso a situação de Temer vem se complicando na Justiça, enquanto ele finge que faz um grande esforço para aprovar a reforma previdenciária, que a base governista também finge que deseja votar. No STF, esgotou-se o prazo para o encerramento das investigações pedidas pela Procuradora-Geral  Raquel Dodge sobre o famigerado decreto dos portos. O relator, ministro Roberto Barroso, ainda não devolveu o inquérito por conta de mais e mais indícios do envolvimento de Temer que a Polícia Federal é obrigada a investigar, gerando pedidos de dilatação do prazo. 

Ontem, o amigo e operador do presidente, coronel da PM João Batista Lima, foi novamente intimado a prestar depoimento mas deve escapar recorrendo, como tem feito, ao atestado médico. No inquérito, a PF anexou mensagens telefônicas trocadas entre Lima e uma certa Maria Helena, a quem ele diz: “Amiga, nessas condições ainda tenho esperança de receber as 'gorjetas' que você não me deu”. Já com o desconhecido Miguel de Oliveira o coronel comenta: “Recebeu pouco. Nas minhas contas deveria ter recebido R$ 120 mil. Estão 'garfando' o coitado”. A PF quer saber quem é “o coitado” e de que trata este recebimento.

Mas quando receber o inquérito de volta, Dodge deve deter-se principalmente nas gravações que envolvem o executivo da JBS Ricardo Saud, o homem da mala, Rocha Loures, e o diretor da Rodrimar Ricardo Mesquisa. A empresa, concessionária de terminal no porto de Santos, foi favorecida pelo decreto de Temer, que admitiu a renovação das concessões por “até 35 anos”, não podendo ultrapassar 70. Presentaço. Numa conversa entre Loures e Mesquita, gravada acidentalmente por Saude, o diretor da Rodrimar diz que, se o decreto sair conforme estão querendo, Loures seria “reconhecido”.

No dia 4 de dezembro  passado, Antônio Celso Grecco, sócio da Rodrimar, afirmou em depoimento à Polícia Federal que esteve três vezes com Temer, uma delas levado por seu então assessor  Rocha Loures.  Celso Grecco também disse que o decreto publicado pelo presidente no ano passado, mudando regras do setor, pode beneficiar com ampliação de prazo uma das três concessões portuárias da Rodrimar.

Já Michel Temer, ao responder agora em janeiro a uma das 50 perguntas da Policia Federal, no âmbito do mesmo inquérito, deu mostras de sua sagacidade.  Em todas as respostas ele negaceou, tergiversou, respondeu pela metade ou fingiu não entender a pergunta. E em certo momento, reclamou do caráter “ofensivo” delas. Pergunta o questionário:

8. Vossa Excelência conhece Antônio Celso Grecco, presidente do grupo Rodrimar? Se sim, qual relação de Vossa Excelência com ele? Já se encontrou com ele para tratar de concessões de terminais portuários para o grupo Rodrimar? Quando? Qual orientação foi repassada por Vossa Excelência?

Resposta: Estive com ele, rapidamente, em duas ou três oportunidades, sendo que jamais tratei de concessões para o setor portuário.

“Em duas ou três oportunidades”, diz Temer vagamente, sem com isso esclarecer as circunstâncias em que se deram os encontros. Mas, também, sem desmentir o que disse Grecco.

Fato é que a própria Raquel Dodge já declarou, quando pediu o inquérito, que em função das investigações poderia apresentar uma denúncia ou pedir o arquivamento do caso. Pelo que já se sabe, será difícil ele fingir que não encontrou elementos para uma nova denúncia no inquérito.

Se ela for apresentada, Temer estará em situação bem diferente daquela em que, comprando votos com emendas e cargos, conseguiu a rejeição das duas flechas lançadas pelo ex-PGR Rodrigo Janot. Sua base governista fez bastante água depois daquelas votações desgastantes e agora a eleição estará bem mais próxima. Deputados estarão tratando de salvar a pele, vale dizer, o mandato e o foro especial que ele propicia. Não terão a menor disposição para enfrentarem uma nova denúncia, com todo o desgaste que isso representaria em data próxima do pleito. E depois, o que tinham para ganhar de Temer, já levaram. Este é o último orçamento que ele está executando mas as verbas que importavam, com vistas às eleições deste ano, já foram liberadas.

Se tal situação se configurar, podemos ter alguns desdobramentos: aprovação da denúncia, com decorrente afastamento de Temer; não-votação, deixando “o paciente com a barriga aberta no centro cirúrgico”, como definiu Rodrigo Maia antes da votação da segunda denúncia; ou ainda a capitulação de Temer, pela renúncia, num acordo que lhe garantisse o foro privilegiado e a cadeira de presidente para Rodrigo Maia, que poderia se transformar no candidato do sistema vencedor do golpe.

O Brasil, ou melhor, os brasileiros, nada ganhariam com esta queda tardia. Todo o mal que Temer poderia fazer, em troca do cargo que lhe deram com o golpe, já foi feito. E a reforma previdenciária, o mal em pauta, dificilmente passará.

A direita, na verdade, é que ganharia mais com isso, garantindo vantagens para um candidato seu na disputa. Ainda mais se Lula tiver sido mesmo impedido, situação que favoreceria os hoje nanicos candidatos da centro-direita.

'DEM tem condição de construir candidatura própria', diz Maia

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, reiterou ontem a disposição de seu partido de construir uma candidatura presidencial e afirmou que as pesquisas mostram que a corrida ao Planalto está aberta, sem nomes consolidados além do ex-presidente Lula. "O Democratas tem condições de construir uma candidatura majoritária, (e) o cenário político brasileiro hoje está muito aberto. Tirando o ex-presidente Lula, não tem nenhuma candidatura hoje consolidada", afirmou o deputado fluminense, que concedeu entrevista coletiva na sede da Prefeitura da capital paulista, ao lado do prefeito João Doria (PSDB), que o recebeu esta tarde. Mais cedo, Maia esteve também com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, para "discutir o cenário político", segundo o presidente da Câmara.

Questionado sobre as chances de o chamado centro do espectro político construir uma candidatura unificada nas eleições presidenciais desse ano, como vinham pregando lideranças políticas nos últimos meses, Maia foi indireto. "Se você olhar as pesquisas, o indicador que precisa ser avaliado nesse momento é a rejeição. E, nesse campo, tirando o Lula, não há ninguém consolidado num patamar que agregue forças. (Então) qualquer um, se tiver apoio e vontade, tem condição de construir uma candidatura presidencial", avaliou.

Maia disse ainda que "todo mundo gostaria de ser presidente", mas repetiu que o seu partido ira avaliar, em março, se isso será uma "aventura ou risco". Sobre o governador Geraldo Alckmin, principal presidenciável tucano, o deputado voltou a dizer: "eu olho pesquisa. Não tem ninguém hoje favorito para chegar ao segundo turno. E não é que o governador Geraldo não possa construir (sua candidatura), mas é ele quem precisa fazer isso".

Ao lado de Doria, possível candidato tucano ao Palácio dos Bandeirantes, o democrata afirmou ainda que não vai sacrificar o arranjo político do DEM nos Estados em função da candidatura ao Planalto. "Nos Estados , temos que reafirmar nossas relações. Aqui em São Paulo, temos uma aliança com o PSDB na Prefeitura e no Estado. Não vamos fazer nenhuma intervenção nos diretórios e a decisão tomada pelo nosso diretório aqui será respeitada. Ninguém vai consolidar um projeto nacional querendo enquadrar os projetos estaduais", declarou. Maia se reuniu com Doria nesta tarde na sede da prefeitura de São Paulo para conhecer a proposta de reforma da Previdência municipal que o prefeito quer implantar. O texto já foi encaminhado à Câmara de Vereadores e propõe, entre outros pontos, o aumento da contribuição de servidores e a criação de um fundo complementar.

Sem possível apoio do PSD, Meirelles já pondera candidatura por outra legenda

O PSD admite que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, deve perder o apoio da sigla para disputar a Presidência da República. Para aliados de Meirelles, se esse cenário se consolidar, o chefe da equipe econômica pode migrar para outra legenda da base aliada do Palácio do Planalto para ser o candidato governista.

Com 40 deputados federais – a quarta maior bancada da Câmara – o PSD se aproximou do PSDB e tende a subir no palanque do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, na campanha pelo Palácio do Planalto. A mudança de estratégia da legenda, que tem o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, como presidente licenciado, foi divulgada nesta terça-feira, dia 6, pelo jornal Valor Econômico e confirmada pelo Estado.

CANDIDATO ÚNICO

Procurado pela reportagem, Kassab foi cuidadoso ao tratar do assunto. “O centro da política brasileira precisa ter um único candidato. Estamos nos esforçando no PSD para que seja o Meirelles, mas, na hora da decisão, se ele não for o mais viável, vamos ter bom senso e entender”, disse o ministro. “Se as pesquisas e perspectivas melhores não forem dele, mas de outro partido, aí vamos, possivelmente, caminhar com outro partido”, concluiu. Meirelles não quis se pronunciar. O Estado apurou, no entanto, que o ministro da Fazenda não considerou o gesto uma “deslealdade”, já que ocorreu em tempo de ele mudar de partido. O limite para a troca é abril.

A avaliação reservada de Meirelles é de que Alckmin não deve fazer na campanha a defesa do legado de Michel Temer. Aliados lembram que o governador paulista não trabalhou na Câmara por votos tucanos para barrar as denúncias da Procuradoria-Geral da República contra o presidente. O entorno de Meirelles acredita que ele consiga melhorar o desempenho nas pesquisas de intenção de voto se deixar o ministério e puder circular livremente como pré-candidato.

Na mais recente pesquisa Datafolha, divulgada no dia 31 de janeiro, Meirelles apareceu com 2% no melhor cenário. O ministro tem viajado pelo Brasil e investido nas redes sociais para se tornar mais conhecido, mas ainda não começou a costurar alianças partidárias para concorrer à Presidência.

ECONOMIA

O discurso de Meireles já está pronto: depois de presidir o Banco Central na gestão Luiz Inácio Lula da Silva e comandar a Fazenda de Temer, ele seria o “médico” que salvou a economia duas vezes. O ministro descarta, porém, entrar na disputa sem o apoio integral do governo Temer.

A articulação do PSD foi recebida com entusiasmo pelos tucanos. “Isso é uma indicação que o centro deve se unir em torno do Geraldo”, afirmou o deputado federal Ricardo Tripoli (PSDB-SP), ex-líder do partido na Câmara. A perspectiva de uma aliança PSD-PSDB reforça a possibilidade de Alckmin ser ungido a candidato único do centro em uma grande coligação governista que teria um tempo robusto de exposição na TV no horário eleitoral gratuito.

MDB

Pela estratégia do PSD, esse alinhamento se repetiria em São Paulo: o partido indicaria o candidato a vice (provavelmente Kassab) em uma eventual chapa para o governo estadual do PSDB. A preferência da sigla, que tem quatro pré-candidatos, é pelo prefeito João Doria. Kassab tratou do assunto em uma reunião reservada com Alckmin, em São Paulo. Por esse arranjo, o MDB também entraria na coligação, que teria um perfil “francamente governista” e preservaria Temer na campanha paulista, base do presidente.

Doria tem conversado com o presidente sobre o cenário no Estado. Para contemplar o MDB, o empresário Paulo Skaf, presidente da Fiesp, teria de concorrer ao Senado e abrir mão de tentar o Palácio dos Bandeirantes. A segunda vaga de senador poderia ficar com Marta Suplicy (MDB) ou um nome escolhido por outro partido da base, como PRB, DEM ou PPS.

Para os tucanos paulistas, esse desenho fortaleceria o número 45 na campanha, o que ajudaria a eleger uma boa bancada de deputados, e impediria o avanço do vice-governador, Márcio França (PSB). Aliado de Alckmin, França está montando uma coligação com partidos médios e pequenos que estão na órbita do governo paulista para tentar a reeleição – ele deve assumir o cargo em abril, quando o tucano pretende renunciar para disputar o Planalto. Há um setor do PSDB, porém, que resiste a uma eventual candidatura de Doria.

 

Fonte: Por Alex Solnik, no Brasil 247/Tribuna/iAgencia Estado/Municipios Baianos

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