09/02/2018

São Desidério: Produtores recuperam primeira nascente de rio

 

Os produtores rurais baianos apoiaram a recuperação do primeira nascente de São Desidério, no oeste da Bahia. Teve início, no povoado de Jataí, a cerca de 25 quilômetros da sede do município, o acordo de cooperação técnica com a Prefeitura de São Desidério, por meio da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) e a Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba). A recuperação da nascente aconteceu na última quinta-feira (1º) e integrou a capacitação dos técnicos que serão responsáveis por desenvolver o trabalho em outros 16 afloramentos de lençol freático de São Desidério, segundo maior município baiano em extensão territorial e maior produtor de algodão do Brasil.

É da água da nascente recentemente protegida que o casal Levi Alves da Silva e Marialva dos Santos Silva mata a sede, toma banho e utiliza a água para as atividades domésticas. “A água vem o ano todo. E esse trabalho de proteger a nascente é uma segurança de que nunca vai faltar”, acredita o casal, que juntamente com outras 12 famílias se beneficiam diretamente da nascente de Jataí, batizada na última sexta-feira (2) com o mesmo nome da localidade, que passou a integrar uma base de dados nacional.

Depois do diagnóstico da área, os integrantes do curso utilizaram a técnica “Caxambu” que protege o afloramento do lençol por meio uma cobertura construída naturalmente com pedra e argila, evitando o acesso do afloramento do pisoteio do gado e do assoreamento com terra carregada pelas chuvas. “Estimamos que nesta nascente sejam produzidas 200 mil litros de água por dia. Embora, aparentemente, não haja nenhum tipo de obstrução do ‘veio d’água, a técnica é importante para proteção futura e melhor uso de quem precisa de água perene e potável”, explica o agrônomo Renato Rios, responsável pelo treinamento de recuperação para que seja replicado nas próximas nascentes.

Na estrada próxima ao afloramento, foram escavadas pequenas valas na lateral ´barraginhas´ para impedir o assoreamento do ‘veio’ pela força das águas das chuvas. O perímetro de 50 metros no entorno da nascente também foi cercado para impedir a circulação de animais, principalmente o pisoteio do gado. O secretário de meio ambiente de São Desidério, Joacy Carvalho, reforça a importância do trabalho executado em parceria dos agricultores por meio da Abapa e da Aiba. “Temos mais de 400 nascentes mapeadas e devem existir mais afloramentos. Já havíamos protegido outras duas nascentes. Os produtores ajudaram a impulsionar este projeto”, afirma.

Para o presidente da Abapa, Júlio Cézar Busato, os produtores da região estão cada vez mais preocupados com o meio ambiente. “Um estudo da Embrapa mostra que os agricultores são quem mais preservam o meio ambiente, e mostra que 64% do cerrado da oeste da Bahia encontra-se preservado, sendo a maioria em área dos próprios produtores. Quando falamos do uso das águas, somente 8% da produção da região é irrigada, sendo utilizado o regime de chuvas para plantar grãos. O incentivo na recuperação das nascentes, juntamente com a adoção de técnicas de produção sustentáveis, mostra o quanto somos preocupados com os rios e com o meio ambiente”, reforça. Além de São Desidério, os agricultores começam a negociar a recuperação de nascentes junto aos municípios de Barreiras e Riachão das Neves.

PESQUISADORES ARTICULAM PARCERIA NO OESTE DA BAHIA

A Embrapa Territorial, o Climatempo e associações de produtores estão desenhando a criação de uma base dados meteorológicos unificada para o Oeste da Bahia. Em dezembro, os pesquisadores Janice Leivas e Paulo Barroso estiveram em Barreiras e Luís Eduardo Magalhães, naquele estado, discutindo o trabalho com os técnicos do Climatempo José Rodrigo de Castro e Patrícia Madeira, além de profissionais da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) e da Associação dos Agricultores Irrigantes da Bahia (Aiba).

A região possui um número expressivo de estações meteorológicas em fazendas, mas há pouca integração dos dados. Por isso, o primeiro objetivo da equipe será criar uma rede de estações meteorológicas, interligando as já existentes e criando novas, onde necessário. Está em projeto também oferecer aos produtores previsão do tempo com precisão de três quilômetros bem como informações qualificadas a partir do cruzamento de dados meteorológicos com imagens de satélite.

Foi a primeira reunião de diagnóstico para conhecer a estrutura disponível, mas Barroso tem a expectativa de estabelecer uma parceria de longo prazo para trabalhos na região. Além da equipe do Climatempo, participaram das reuniões: Lidervan Mota, diretor-executivo da Abapa, Luiz Stahlke, assessor de agronegócios da Aiba, Ronei de Jesus Pereira, do Sindicato Rural de Luís Eduardo Magalhães, Sunny Aaron, do Sindicato Rural de Barreiras, e Júlio Cézar Bogiani, pesquisador da Embrapa Algodão.

Produção de 225,6 milhões de toneladas de grãos é a segunda maior da história

De acordo com o 5º Levantamento da Safra de Grãos 2017/2018, divulgado nesta quinta-feira (8) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de grãos da safra 2017/2018 pode chegar a 225,6 milhões de toneladas. Mesmo com recuo de 5,1% em relação à safra passada, que foi a maior de toda a história (237,7 milhões de t), a safra deste ano deve ficar em segundo lugar em relação à série histórica.

Com crescimento de mais de 0,2%, a área total ultrapassou os 61 milhões de hectares. Entre as culturas, a preferência do produtor segue pelo milho e a soja que representam quase 88% dos grãos produzidos no país. No caso da soja, houve queda de 2,2% na produção, ficando em 111,6 milhões de toneladas ante 114,1 milhões/t do último período. Já para o milho total, a expectativa é de redução de 10,1%, passando de 97,8 milhões para 88 milhões de toneladas. A primeira safra pode ficar em 24,7 milhões de t, enquanto a do milho segunda safra revela possível produção de até 63,3 milhões de toneladas.

“A safra ainda é grande e o importante é a área plantada. O dinamismo continua na agricultura e a redução sobre o último levantamento é insignificante. Vamos colher uma safra muito grande, largamente suficiente para abastecer o mercado interno”, comentou o secretário substituto de Política Agrícola do Mapa, Sávio Pereira. Ele acrescentou haver estoques folgados de milho, de arroz. E observou que o país continuará a exportar os recordes de grãos como tem acontecido nos anos anteriores.

O estudo mostra ainda que o cenário mais favorável é o do algodão, com aumento de 17% na produção da pluma, totalizando 1,79 milhão de toneladas e 1,1 milhão de hectares, com elevação de 17,4% na área. Este aumento, junto com o da soja, favoreceu a ampliação da área total plantada. Com maior liquidez e possibilidade de melhor rentabilidade frente a outras culturas, a leguminosa tende a elevar-se a uma média de 3,3%, podendo alcançar 35 milhões de hectares.

No quesito produtividade, a soja aponta para queda estimada em de 3.185 kg/hectare ante 3.364 da safra anterior. Uma vez que as culturas estão ainda em fase inicial de colheita, os números divulgados têm como base os rendimentos apurados nas pesquisas de campo com o acompanhamento agrometeorológico e espectral realizado pela companhia. A pesquisa foi feita nos principais centros produtores de grãos no país, entre os dias 21 e 27 de janeiro.

Quilombolas comemoram vitória histórica em julgamento de ADI. Por Maria Mello

O resultado final do julgamento da Ação Direita de Inconstitucionalidade (ADI) n° 3239 no Supremo Tribunal Federal (STF), que trata do direito à terra e território das comunidades quilombolas, teve desfecho favorável às e aos quilombolas brasileiros nesta quinta-feira (8).

Durante a sessão, que durou toda a tarde, os ministros Edson Fachin, Ricardo Lewandoswki, Luiz Fux, Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e Cármen Lúcia votaram pela integral improcedência da ação, incluindo a aplicação da tese do “marco temporal”, que prevê que o direito constitucional quilombola à terra se resumiria apenas às áreas que estivessem efetivamente ocupadas em 5 de outubro de 1988 – o que dificultaria o acesso efetivo das comunidades a seus territórios. Em seu voto, Lewandoswki chegou a classificar o marco temporal como “prova diabólica”, por ser difícil ou impossível de ser produzida.

Segundo ministro a votar no julgamento da ADI 3239, Luís Roberto Barroso também julgou pela improcedência da ação. No que se refere à tese de marco temporal, contudo, ele propõe que sejam consideradas as comunidades ocupadas quando a Constituição Federal foi promulgada, em outubro de 1988, somadas às que foram desapossadas à força (desde que sua vinculação cultural tenha sido preservada) e caso haja pretensão da comunidade em retomar a terra. Estas duas condicionantes são analisadas a partir de laudos antropológicos produzidos pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Já o ministro Gilmar Mendes acompanhou o voto de Dias Toffoli, que em sessão anterior havia se posicionado pela constitucionalidade parcial (que leva em consideração a tese do marco temporal) da matéria.

Para os representantes das comunidades quilombolas de todo o país presentes ao julgamento, o resultado é uma vitória contundente, advinda de um processo intenso de luta e mobilização.

Segundo Layza Queiroz, advogada popular da Terra de Direitos, o julgamento é um marco na história dos direitos quilombolas. “A confirmação da constitucionalidade do decreto e o rechaço da tese do marco temporal é uma vitória imensa das comunidades quilombolas, principalmente diante de um contexto de ofensiva conservadora e retirada de direitos. Ao estado brasileiro compete agora mais do que nunca o integral cumprimento da constituição e do decreto, garantindo recursos necessários para a titulação dos territórios quilombolas”.

 

 

Fonte: Ascom Abapa/Ascom Embrapa/Conab/Terra de Direitos/Municipios Baianos

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