10/02/2018

Globo mostra que Luciano Huck mentiu ao TSE

 

É no mínimo irônico que a emissora de TV que veiculou propaganda eleitoral ilegal para seu apresentador de programa de auditório Luciano Huck integre o grupo empresarial do qual outro braço demonstrou inapelavelmente que tanto o apresentador quanto seu patrão estão mentindo à Justiça eleitoral.

Em 8 de janeiro deste ano, o Partido dos Trabalhadores representou ao TSE contra “prática de abuso dos meios de comunicação e do poder econômico cumulado com propaganda eleitoral antecipada (…) por ocasião do programa de televisão ‘Domingão do Faustao’ que foi ao ar no dia 7.1.2018’”. Naquele programa, Huck fez discurso político durante o programa.

Em 1º de fevereiro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a intimação da Globo, dos apresentadores Fausto Silva, o Faustão, e de Luciano Huck para se manifestarem diante da representação feita pela Bancada do PT no Congresso por campanha eleitoral antecipada.

Nesta quinta-feira 8, a coluna Painel, do jornal Folha de São Paulo, divulga que “Em defesa no TSE, Luciano Huck diz que não será candidato na eleição deste ano”.

A coluna diz que, “De volta ao centro das projeções eleitorais, Luciano Huck afirmou ao TSE que não entrará na disputa deste ano” e que “O apresentador abordou o assunto ao pedir à corte o arquivamento de representação movida pelo PT após sua aparição no ‘Domingão do Faustão”, em janeiro.

“Luciano Huck em instante algum apresentou-se como candidato, não pediu voto a quem quer que seja e reitera, como dito anteriormente, que não será candidato no pleito de 2018”, garantem seus defensores.

Os advogados de Huck sustentam que a ida ao “Domingão” foi “produção de entretenimento” e que os rumos do país, tema de parte da entrevista, são preocupações de todo brasileiro. “Falar de política não pode ser um monopólio de políticos”, dizem.

Porém, a mesma Folha de São Paulo relata que “As negativas oficiais não paralisam os políticos e empresários de grande quilate que inflam a candidatura de Huck”.

De fato, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não para de promover a candidatura de Huck, acima da de seu colega de partido e candidato oficioso do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin.

Agora, FHC chamou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para conversar na terça (6). O assunto: a viabilidade de uma candidatura do apresentador.

Segundo a Folha, há até testemunhas do deboche que tem sido a movimentação ilegal de Luciano Huck valendo-se do poder econômico da Globo. O jornal diz que “o governador Paulo Hartung (MDB-ES), citado como opção de vice em uma chapa de Huck” falou “Sobre a necessidade de, caso o apresentador tope disputar, criar uma rede de apoio a ele”.

Só aí, já se tem a comprovação de que Huck e a própria Globo mentem à  Justiça Eleitoral quando dizem que o uso da concessão pública com finalidade eleitoral isolada, pró Huck, não teve o escancarado viés eleitoral que todos veem.

Mas a prova definitiva mesmo de que Huck e a Globo mentem à Justiça Eleitoral foi dada até pela própria Globo na coluna do jornalista Merval Pereira. No texto intitulado “Huck vai a FH”, Pereira mostra como é falsa a conversa fiada do apresentador e da emissora de que a aparição deste último no Faustão não teve caráter eleitoral.

Diz o colunista que a fragilidade da candidatura à presidência da República do governador de São Paulo Geraldo Alckmin pelo PSDB faz com que cresçam as pressões para que o apresentador Luciano Huck volte à “liça” eleitoral.

O colunista de O Globo diz, ainda, que o quadro mais provável é que, se a candidatura de Huck decolar, Alckmin corra o risco de ser “cristianizado” em meio à campanha.

Ou seja, tanto a Folha de São Paulo quanto o próprio Globo divulgam textos que se a Justiça Eleitoral se desse ao trabalho de ser séria, deveriam provocar a condenação da tevê Globo e do seu apresentador-candidato pelo TSE.

Essa condenação deveria importar em uma pena pesada, não apenas uma multa que entes tão ricos poderiam pagar sem maiores problemas. Isso porque o uso privado de um poder como a maior rede de televisão do Brasil, que é pública, atenta contra a seriedade de todo o processo eleitoral de 2018.

Se Huck for candidato, o impulso inicial à sua candidatura terá sido dado pela peça eleitoral que a Globo exibiu para o país inteirinho em horário nobre em um espaço que é uma concessão de todos os brasileiros à emissora da família Marinho.

Luciano Huck e Globo enganaram o TSE? No blog do Esmal

O apresentador Luciano Huck jurou em sua defesa junto ao TSE que não é candidato a presidente da República. Ele foi representado pelo PT por campanha eleitoral antecipado no programa Domingão do Faustão, na Globo.

Se os ministros das cortes julgam os réus com revistas e jornalões debaixo dos braços, como o TSE não soube que Huck articula sua candidatura com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Coube a FHC, inclusive, uma incrível puxada de saco da Globo ao dizer que o pupilo dos Marinho tem jeito de tucano.

Será que Huck e Globo, mais sabidos, enganaram o TSE? Ou o tribunal superior eleitoral é tigrão com Lula e tchutchuquinha com a emissora e protegidos dos Marinho?

O risco de Huck: Aécio pode arrasar a candidatura do ex-amigo num piscar de olhos de FHC. Por Kiko Nogueira

Antes da patacoada de tentar agasalhar Huck como o “novo” na política, FHC tentou vender Aécio Neves com o mesmo argumento em 2014.

Alckmin está sendo massacrado em público e reage ao seu estilo mosca morta.

Mas Aécio sabe de Huck mais do que o apresentador gostaria.

Huck se beneficiou largamente do relacionamento enquanto lhe foi útil, inclusive nos esquemas de mordomia bancados com dinheiro público.

Para ficar apenas em um exemplo ilustrativo, em 2004 ele foi um dos amigos que utilizaram aeronaves do governo de Minas Gerais para viajar pelo interior do estado.

Estava gravando um quadro de seu Caldeirão com a dupla Sandy e Junior. O programa mostrava os três percorrendo a Estrada Real, que Aécio promovia como atração turística do estado.

Huck não viu nenhum problema em se beneficiar da grana do contribuinte.

A dupla já compartilhou de tudo em décadas de intimidade. Alexandre Accioly, investigado na Lava Jato, é padrinho de um dos filhos de Aécio e sócio de Huck em diversos empreendimentos, entre eles a academia Bodytech.

Em novembro, Aécio declarou que a candidatura de Huck à presidência era a “falência da política”.

“É um pouco do momento de desgaste generalizado pelo qual passa a política”, falou.

“O Luciano é um sujeito muito capaz, inteligente, mas agora é preciso conhecer o que ele pensa sobre as mais variadas questões que demandam a posição de um homem público”.

Para o senador tucano, “o tempo é que vai dizer se ele está ou não preparado para esta missão”.

Fernando Henrique acha que seu protegido global crescerá na terra arrasada por Aécio e pela turma que abraçou o golpe achando que se daria bem.

Huck terá que pensar bem se deseja ter um jagunço de terno como inimigo.

Aquele Aécio das baladas, cheio de amor pra dar, era um.

O outro, o real, é o que manda o primo buscar a grana com o bandido porque tinha que “ser um que a gente manda matar”.

Loucura, loucura, loucura.

“Para tudo ficar como está, é preciso que tudo mude”: o significado da insistência de FHC com Huck. Por Kiko Nogueira

Fernando Henrique Cardoso, em looping, resolveu rifar Geraldo Alckmin publicamente cortejando Luciano Huck para salvar o que restou de seu partido.

“Ele sempre foi muito próximo ao PSDB, o estilo dele é peessedebista. É um bom cara”, afirmou o ex-presidente.

“Se ele for [candidato], é bom. Areja, põe em xeque os partidos, que precisam ser postos em xeque”.

Huck apareceu fazendo campanha no Faustão, foi instado a se explicar no TSE, afirmou que não concorreria e agora promete se pronunciar oficialmente depois do Carnaval.

Fernando Henrique termina seus dias com seus homens abatidos, tentando atrair um apresentador de TV enrolado com sócios de Aécio Neves para suas hostes, num final de carreira patético.

Sem saída, procura arrumar um herdeiro que chama de “novo”, um “xeque” na política, mas que é velho como ele, apenas com mais dinheiro, mais estamina e uma casa em Angra dos Reis.

A dupla FHC e Huck é uma versão meia bomba, picareta e sem charme de Don Fabrizio Corbera, o Príncipe de Salina, e seu sobrinho Tancredi, protagonistas do romance “O Leopardo”, de Giuseppe Tomasi di Lampedusa.

Lampedusa retratou a decadência da aristocracia siciliana no Risorgimento, o movimento de unificação da Itália.

O oportunista Tancredi, príncipe de Falconeri, se junta ao exército republicano de Garibaldi. Ele explica sua lógica numa formulação imortal: “Se queremos que tudo continue como está, é preciso que tudo mude”.

Luciano Huck é a encarnação dessa filosofia e seu tio espiritual sabe disso perfeitamente.

 

Fonte: Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania/Municipios Baianos

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