10/02/2018

Odebrecht busca meios para pagar R$ 500 mi a credores

 

A construtora Odebrecht tem dois meses para garantir que haverá dinheiro suficiente em caixa para pagar seus credores internacionais. Em abril, a Odebrecht Engenharia e Construção (OEC) terá de honrar o pagamento de cerca de R$ 500 milhões referentes a títulos emitidos no exterior em 2013.

A intenção da empresa é cumprir o compromisso, mas a conta está apertada, segundo relataram ao Estado duas fontes a par dos números.

O comando da companhia fia-se no recebimento de faturas de clientes importantes, esperadas para os próximos meses, para quitar a fatura.

E segue tentando convencer o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a liberar dinheiro de obras executadas em Angola. Mas executivos do alto escalão do grupo admitem sob reserva que há preocupação e outras soluções estão sendo pensadas para garantir o pagamento caso o dinheiro dos clientes não entre no caixa até lá.

O temor é compartilhado pelas agências de risco. As três principais - Fitch, Standard & Poors e Moodys - rebaixaram as notas da Odebrecht Engenharia e Construção em 2017, deixando-as mais próximas da classificação de calote.

A Fitch vê riscos para a empresa nos próximos vencimentos. "O desafio para o pagamento é grande e preocupa", diz o analista da agência Alexandre Garcia.

Segundo ele, a empresa precisa adequar a dívida à sua nova realidade - e tamanho. "A construtora não tem conseguido repor o backlog e a qualidade da carteira é ruim. Parte dos projetos não está sendo executada e não gera caixa."

Hoje, a Odebrecht tem em carteira contratos que valem cerca R$ 45 bilhões (US$ 14 bilhões pelo câmbio atual). A dívida total - incluindo os títulos emitidos no exterior - é de R$ 11 bilhões (US$ 3,3 bilhões). Em tese, a conta fecha.

O problema, conforme o analista da Fitch, é o casamento entre a execução dessas obras e os vencimentos das dívidas. Além dos R$ 500 milhões em bonds, há mais cerca de R$ 650 milhões em juros e dívidas corporativas que terão de ser quitados ao longo de 2018.

Em setembro de 2017, a empresa tinha R$ 2,2 bilhões em caixa (US$ 700 milhões), valor considerado apertado pela companhia frente às dívidas a pagar e o dinheiro para tocar a operação.

Nos últimos anos a carteira de obras só encolheu e a empresa ainda teve de ajudar a controladora.

O estoque de projetos caiu quase R$ 9 bilhões (US$ 2,7 bilhões) em 2018.

No mesmo período, foram remetidos para a holding Odebrecht, que passa por apuros, quase R$ 1,5 bilhão (US$ 450 milhões) - dinheiro que as agências não acreditam que retornará.

Os dois movimentos são reflexo da crise enfrentada pelo grupo baiano desde que a Lava Jato descobriu sua participação em crimes, como pagamento de propina.

A companhia se viu forçada a confessar que havia montado um dos maiores esquemas de corrupção empresarial já vistos. Como consequência, clientes cancelaram obras. Novos contratos rarearam.

A holding, cuja dívida total é de R$ 75 bilhões, colocou uma série de negócios à venda, mas o caixa segue apertado - algumas negociações travaram e, em outros casos, o dinheiro de transações ainda não entrou.

Por isso, não há planos por ora de injetar dinheiro na construtora.

Movimentação

Fontes ligadas à empresa avaliam que o grupo Odebrecht passa agora por um novo momento de estresse financeiro. Após renegociar empréstimos de R$ 7 bilhões da Agroindustrial em 2016 e refinanciar outros R$ 15 bilhões da Odebrecht Óleo e Gás em 2017, ela agora terá de passar pelo teste com os credores internacionais da construtora - os chamados bondholders.

Se honrar o pagamento, terá mais tempo para focar no reerguimento do negócio. Há outros vencimentos nos próximos anos, mas apenas em 2025 haverá um grande, de US$ 500 milhões, segundo a empresa.

Mesmo assim, alguns grupos de credores internacionais já se movimentam. Segundo apurou o Estado, escritórios no Brasil já receberam contato nas últimas semanas de representantes desses investidores, antecipando-se a uma eventual necessidade de negociação.

A queda no valor de títulos da Odebrecht é indicativo da preocupação, destaca a agência S&P em seu último relatório.

"O fraco posicionamento nos mercados de capitais, como observado em seus bonds negociados a 30-35% (valor de face) afetaram a capacidade da OEC de resistir a um evento de liquidez imprevisto sem que necessite refinanciar sua estrutura de capital".

A determinação da construtora é pagar o que deve agora e focar no plano de engordar a carteira de projetos, a despeito do ceticismo do mercado.

Estimativa da companhia feita a investidores é que, em 2018, serão adicionados mais de R$ 10 bilhões ao estoque (US$ 3,2 bilhões). Procurada, a Odebrecht não quis conceder entrevista. Em nota, reafirmou que, em setembro de 2017, tinha US$ 700 milhões em caixa.

Para conseguir delação, Palocci pede ao TRF-4 para ser interrogado novamente

O ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda/Casa Civil/governos Lula e Dilma) pediu nesta quarta-feira, dia 7, ao Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) para ser interrogado novamente no âmbito da Operação Lava Jato. A defesa de Palocci afirma que o petista quer ‘cooperar na elucidação dos fatos criminosos’.

“A cooperação espontânea – ainda que nesta fase – pode ser extremamente relevante, vez que eliminará qualquer tipo de dúvida sobre a tese acusatória, viabilizando que a síntese decisória seja inquestionável e induvidosa”, solicitou a defesa. Palocci está preso desde setembro de 2016. Em junho, o ex-ministro foi condenado pelo juiz federal Sérgio Moro a 12 anos, 2 meses e 20 dias de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

ODEBRECHT

No processo, Palocci foi acusado de envolvimento no pagamentos de US$ 10.219.691,08 em propinas, referentes a contratos firmados pelo Estaleiro Enseada do Paraguaçu – de propriedade da Odebrecht – com a Petrobras, por intermédio da Sete Brasil. O dinheiro, segundo a Justiça, foi pago ao marqueteiro de campanhas do PT João Santana.

Quando foi interrogado pela Lava Jato nesta ação, em abril do ano passado, sugeriu entregar informações que seriam ‘certamente do interesse da Lava Jato’. Em outro depoimento, em setembro, o ex-ministro de fato falou. Na ocasião, Palocci incriminou o ex-presidente Lula em ação sobre propinas da Odebrecht. Este processo está, atualmente, no TRF-4, que ainda não o julgou.

A Corte vai analisar a sentença aplicada por Moro a Palocci e a outros 13 condenados, incluindo empresário Marcelo Odebrecht, e o casal de publicitários João Santana e Mônica Moura – os três, delatores da Lava Jato. Ao TRF-4, Palocci afirmou que ‘tem buscado firmar acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal’.

COOPERAÇÃO

“Independente da realização de acordo, o peticionário escolheu a cooperação imediata e espontânea como caminho para a resolução jurisdicional de seus débitos com a Justiça”, argumentou a defesa. O ex-ministro apontou alguns tópicos que pretende abordar caso o Tribunal autorize o novo interrogatório: ‘formação e financiamento da Sete Brasil, conversações das quais participou para organizar o esquema de propina decorrente das sondas, atos por ele efetivamente praticados, na operacionalização do recebimento de propinas; vantagens indevidas por ele solicitadas; indicação da origem e do destino das propinas; e apresentação e indicação de elementos de corroboração de sua fala’.

“Um segundo interrogatório do recorrente (Palocci) seria interessante não apenas para ele, mas igualmente para esse Tribunal Regional Federal. De um lado, para o Recorrente, porque este poderia dissipar a impressão errônea causada com o seu primeiro interrogatório, mostrando ao nobre colegiado que – de fato – Antônio Palocci busca apenas uma coisa: cooperar de modo pleno com a Justiça”, alegou o ex-ministro. “De outro lado, para o Tribunal, porque este poderia finalmente esclarecer os fatos que são objeto da denúncia, conhecendo qual foi a participação do acusado na empreitada delitiva e, assim, podendo melhor delimitar a culpabilidade deste no presente processo.”

 

Fonte: Agencia Estado/Municipios Baianos

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