10/02/2018

Após o carnaval, Huck será a ressaca moral do Brasil

 

O animador de programa semanal, Luciano Huck, tem tudo para ser a representação esculpida e encarnada daquela velha ressaca moral que geralmente dá nos mais afoitos foliões do período carnavalesco. Imberbes nos bacanais em homenagem ao deus Baco onde recatos e pudores inexistem, não é raro que os excessos praticados sob a má influência do álcool e demais paraísos artificiais sejam imediatamente sucedidos pela vergonha daquilo que em sã consciência jamais poderia ter sido feito.

Pois bem. Intimado pelo seu chefe mundano, a Globo, Huck deu o prazo para logo depois do carnaval o anúncio se aceitará ou não concorrer à presidência da República.

O que parece um déjà vu, é só falta de palavra mesmo.

Essa não é a primeira vez que o rapazinho “decide” sobre sua candidatura. Num artigo tão cínico quanto vago publicado na Folha de S.Paulo, o atual prodígio de FHC já havia proclamado ao som de trombetas e clarins: “Contem comigo. Mas não como candidato a presidente”.

Tão válida quanto um risco n’água, a “decisão” de Huck de não ser candidato volta à pauta política nacional não pela sua expressão, mas justamente pela inexpressividade dos demais postulantes da direita na corrida presidencial.

Acontece que uma vez que decida seguir em frente, a mentira já contada para os brasileiros passa também a ser a mentira contada para o TSE.

Na defesa que fez pela representação movida pelo PT pelo seu comício em cadeia nacional no Domingão do Faustão, está lá: “Luciano Huck em instante algum apresentou-se como candidato, não pediu voto a quem quer que seja e reitera, como dito anteriormente, que não será candidato no pleito de 2018”.

Será didática a postura a ser tomada pelo paladino Luiz Fux, que tão severo se posta contra a candidatura de Lula, quando restar claro que qualquer palhaço de circo pode dizer o que quiser para o TSE e logo em seguida exigir o seu registro.

Esse é o “novo” que o velho Fernando Henrique nos apresenta.

Vivemos hoje no Brasil uma mazela generalizada criada por uma horda de borrachões inconsequentes. Passado o carnaval, esses dias em que nos damos licença para ligar o foda-se, a nossa atual realidade costuma aparecer ainda mais nua e crua.

Caídas por terra a fantasia de que vivemos num país cordial, feliz e democrático, entre dores de cabeça, desemprego e contas a pagar, a nossa maior ressaca moral deste ano pode atender pelo nome de Luciano Huck. Que caldeirão nos espera!

Candidatura de Luciano Huck a presidente já é dada como certa

O apresentador Luciano Huck segue sendo destaque no noticiário, sobretudo após declarações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que disse que Huck “sempre foi muito próximo ao PSDB e o estilo dele é peessedebista, é um bom cara”.

Conforme aponta o jornal Valor Econômico desta sexta-feira, os elogios de FHC a Huck provocaram apreensão no PSDB, que teme pela desestabilização dos palanques regionais tucanos, que devem ser configurados em torno da candidatura do governador Geraldo Alckmin, que ainda não empolgou nas pesquisas.

FHC foi procurado na tarde de ontem por dirigentes tucanos que tentam entender se o ex-presidente trabalha para viabilizar o nome do apresentador.

Já segundo a coluna Painel, da Folha de S. Paulo, Fernando Henrique Cardoso telefonou para Alckmin para minimizar o desconforto causado por suas falas.

A expectativa é de que Huck tome uma decisão depois do Carnaval. Segundo o Valor, apesar de ainda não ter se decidido, a tendência é que se ausente do processo eleitoral, decisão já manifestada em novembro, quando escreveu um artigo neste sentido.

Contudo, aponta a Folha, auxiliares do presidente Michel Temer dão a candidatura de Huck ao Planalto como certa –só há dúvidas sobre o partido escolhido enquanto que, entre os tucanos, aliados de Alckmin dizem não acreditar que o novato tenha a couraça grossa o suficiente para encarar a luta.

Já nos bastidores do PPS, sigla que negocia com o apresentador, aposta-se em uma filiação no dia 7 de abril. A Globo, por sua vez, quer dar fim ao impasse. Avisou que se Huck escolher a política, sua esposa , Angélica, também terá que sair do ar.

A emissora têm feito questão de demonstrar descontentamento com a situação, com executivos da emissora narrando ter deixado claro a Huck que não querem ser arrastados para o debate eleitoral.

Toda essa movimentação em torno de uma candidatura de Huck já mostra que ele nem bem entrou na política e já está adquirindo maus vícios dos políticos, já que todos veem que seu artigo na Folha negando que seria candidato era conversa mole.

Huck não quer brincar de candidato. FHC insiste e Alckmin dança

O jornalista Ricardo Kotscho comentou nesta quinta-feira, 8, a informação de que o apresentador da Globo Luciano Huck comunicou oficialmente ao Tribunal Superior Eleitoral que não é e não será candidato a presidente da República. Apesar de que circula informações de que após o carnaval tudo pode mufar e fique o dito pelo não dito.

"Mesmo assim, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, principal articulador da sua candidatura, insiste: chamou Huck para uma conversa em São Paulo em que pretende pressioná-lo a voltar atrás na sua desistência da candidatura", diz Kotscho. "FHC já arrumou até um vice para o apresentador, o governador capixaba Paulo Hartung, do MDB, que ele chamou para participar da conversa com Rodrigo Maia, do DEM, na tentativa de formar uma chapa", diz ele.

Para Kotscho, qualquer que seja a definição de Luciano Huck sobre a sua candidatura, a turma de FHC já atingiu seu objetivo: "detonar no nascedouro a candidatura de Geraldo Alckmin, o aliado de Mário Covas".

"É assim que o PSDB vai para mais uma campanha presidencial, depois de quatro derrotas consecutivas para o PT, justamente agora que a Justiça está cuidando de tirar o retrato de Lula das urnas eletrônicas", diz ele.

  • Leia o artigo:

O apresentador da TV Globo Luciano Huck já comunicou oficialmente ao Tribunal Superior Eleitoral nesta segunda-feira que não é e não será candidato a presidente da República.

Foi a resposta dada por Huck na ação movida pelo PT no TSE por abuso de poder econômico e campanha eleitoral antecipada, depois da sua apresentação no programa do Faustão no início do ano.

Mesmo assim, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, principal articulador da sua candidatura, insiste: chamou Huck para uma conversa em São Paulo em que pretende pressioná-lo a voltar atrás na sua desistência da candidatura.

FHC já arrumou até um vice para o apresentador, o governador capixaba Paulo Hartung, do MDB, que ele chamou para participar da conversa com Rodrigo Maia, do DEM, na tentativa de formar uma chapa.

O que deu em FHC, presidente de honra do PSDB, que agora dá entrevistas todo dia para detonar o candidato do seu partido, o governador Geraldo Alckmin?

Para entender o que se passa no ninho tucano, mais uma vez rachado numa eleição presidencial, é preciso recuar um pouco no tempo.

Alckmin e FHC nunca foram da mesma turma.

Quando o PSDB foi criado, como uma dissidência do antigo MDB, o ex-governador Mario Covas disputava com FHC a liderança dos tucanos e foi ele quem impediu o ex-presidente de ir para o governo de Fernando Collor, eleito em 1989.

Ex-prefeito de Pindamonhangaba, Geraldo Alckmin era da turma de Covas, que o fez seu vice na campanha para governador de São paulo.

Com a doença e depois a morte de Covas, Alckmin herdou seu grupo político e foi quatro vezes governador. Duas vezes presidente, FHC não deixou herdeiros políticos, daí a insistência em Huck.

O grupo de FHC nunca engoliu Alckmin, considerado caipira e provinciano pelos intelectuais e empresários que se uniram em torno do ex-presidente.

Na eleição de 2006, em que Lula disputava a reeleição, Alckmin venceu a disputa interna para ser o candidato tucano e foi cristianizado durante a campanha, exatamente como está acontecendo agora.

Na mesma noite em que FHC jantava no elegante restaurante Massimo, de saudosa memória, com José Serra, Tasso Jereissati e Aécio Neves para escolher o candidato do grupo, Alckmin foi a uma churrascaria conversar com o baixo clero do partido, mas perderia a eleição para Lula no segundo turno.

Nas eleições seguintes, Serra e Aécio também seriam derrotados pelo PT, e o PSDB só voltou ao poder com Michel Temer após o impeachment de Dilma Rousseff.

FHC e Serra, um dos autores da “Ponte para o Futuro” de Temer, logo aderiram entusiasticamente ao novo governo, enquanto Alckmin olhava de lado, achando que aquilo não ia dar certo.

Agora, com Serra e Aécio fora de combate, por conta das denúncias da Lava Jato, o caminho ficou livre para o governador paulista ser o candidato tucano, mas logo começou o fogo amigo.

Por baixo do pano, Serra incentivou o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, a também se lançar candidato para disputar as prévias com Alckmin, um problema que ainda não foi resolvido e emperra a campanha do governador.

E FHC resolveu bancar Luciano Huck para ser o candidato de “centro-direita-liberal-reformista” em nome de uma renovação da política.

Na segunda-feira, em mais uma entrevista, FHC foi explícito: “É bom ter gente como Luciano, porque precisa arejar, botar em perigo a política tradicional, mesmo que seja do meu partido(…) Eu gosto do Huck. Sou amigo dele e da família. Acho que para o Brasil seria bom”.

Precisava dizer mais?

Ao ser informado do encontro entre FHC e Huck hoje em São Paulo, um integrante do comando da campanha de Alckmin reagiu com um palavrão, chamando de “sabotagem” a articulação do ex-presidente, segundo o blogueiro Josias de Souza.

Qualquer que seja a definição de Luciano Huck sobre a sua candidatura, a turma de FHC já atingiu seu objetivo: detonar no nascedouro a candidatura de Geraldo Alckmin, o aliado de Mário Covas.

É assim que o PSDB vai para mais uma campanha presidencial, depois de quatro derrotas consecutivas para o PT, justamente agora que a Justiça está cuidando de tirar o retrato de Lula das urnas eletrônicas. Vida que segue.

Além da sombra de Huck, Alckmin enfrenta Doria. Por Josias de Souza

As coisas poderiam caminhar bem para o tucano Geraldo Alckmin, pois seu processo na Lava Jato estacionou no STJ, Lula tornou-se inelegível, Jair Bolsonaro parou de subir no Datafolha e abriu-se na sucessão de 2018 uma avenida para a passagem de uma candidatura presidencial de centro. Mas o PSDB parece ter mergulhado num processo de autodestruição. Além do fantasma da candidatura de Luciano Huck, ressuscitado por Fernando Henrique Cardoso, Alckmin toureia nos porões do partido as ambições políticas do seu próprio pupilo, João Doria.

Quanto a FHC, não há muito o que Alckmin possa fazer. Impossível controlar um ex-presidente da República cultuado como presidente de honra do ninho. Resta ao candidato digerir as juras de fidelidade do correligionário. Juras que foram renovadas por FHC num telefonema que disparou para o Palácio dos Bandeirantes nesta quinta-feira, pouco antes do horário em que receberia Huck para o jantar. A disposição é outra em relação a Doria. Operadores de Alckmin aconselham-no a desligar o prefeito de São Paulo da tomada.

Há dois dias, Doria irritou Alckmin ao tentar uma manobra na reunião da Executiva Nacional do PSDB, em Brasília. Discutia-se a regulamentação das prévias presidenciais do partido, nas quais Alckmin medirá forças com o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio. Agendou-se a eleição interna para a escolha do presidenciável da legenda para 4 de março (a data já passou para o dia 11 e ainda pode ser empurrada para 18 de março). Doria queria estender o calendário federal à prévia estadual, que definirá o nome do candidato do PSDB ao governo de São Paulo. Alckmin e sua infantaria levaram os pés à porta.

Deve-se o interesse de Doria a uma necessidade funcional. Para disputar um novo cargo público, ele terá de deixar a prefeitura paulistana até o dia 7 de abril. E seria mais confortável se pudesse renunciar ao cargo de prefeito depois de ter obtido a vaga de candidato do PSDB ao governo estadual. O problema é que Alckmin flerta com a ideia de uma candidatura única do seu grupo político em São Paulo. Nessa hipótese, a chapa seria encabeçada pelo vice-governador Márcio França, do PSB. O PSDB indicaria o vice e um candidato ao Senado.

França assumirá o governo paulista em abril. E costura sua própria candidatura à reeleição. Um eventual acerto com o PSDB em São Paulo ofereceria a França matéria prima para tentar convencer o seu PSB a apoiar o projeto federal de Alckmin, cedendo-lhe o tempo de propaganda eleitoral no rádio e na TV. Escorando-se numa banda do tucanato que não abre mão de disputar o governo, Doria rema em sentido contrário.

Vencido na Executiva Nacional, o prefeito corre contra o relógio para marcar as prévias de São Paulo. A decisão seria tomada na próxima terça-feira (13), numa reunião da Executiva estadual. Por conta do Carnaval, o encontro foi adiado para 26 de fevereiro. Se depender de Alckmin, as prévias serão marcadas para alguma data entre o final de abril e o início de maio. Desse modo, se quisesse entrar no jogo, Doria teria de trocar o certo (o cargo de prefeito) pelo duvidoso (a candidatura a governador).

Ironicamente, Doria deve justamente a Márcio França parte do seu êxito na eleição em que conquistou a prefeitura da cidade mais rica do país. Foi o vice de Alckmin quem capitaneou a costura da aliança partidária que forneceu a Doria uma vitrine eletrônica ampla na disputa municipal de 2016. Comunicador eficaz, Doria prevaleceu no primeiro turno da eleição. Agora, França move a cintura política em benefício de sua própria candidatura, encurtando a margem de manobra de Doria.

Nesta quinta-feira, Doria encontrou-se em São Paulo com Michel Temer e o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, que cogita disputar o governo paulista pelo PMDB. Realizada a portas fechadas, a reunião resultou em duas versões antagônicas. Correligionários de Temer fizeram circular a informação de que o presidente aconselhou Doria a permanecer na prefeitura, abstendo-se de disputar a poltrona de governador.

O prefeito por sua vez, desperdiçou saliva difundindo a versão segundo a qual a conversa abriu caminho para a negociação de uma coligação com o PMDB no Estado e no país. Alckmin observa o vaivém de sua criatura com um pé atrás. O governador já não confia integralmente no prefeito que apadrinhou. Em privado, rumina o receio de que Doria volte a ser mordido pela mosca azul da Presidência da República, convertendo-se numa espécie de Huck doméstico.

Como se vê, o tucanato se esforça para confirmar a fama que tornou o PSDB um partido de amigos 100% feito de inimigos.

FHC confirma proximidade com Huck, mas reafirma apoio a Alckmin

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso comentou nesta sexta-feira, 9, a proximidade dele com apresentador de TV Luciano Huck, cogitado como pré-candidato à Presidência da República. Em entrevista à Rádio Guaíba, FHC confirmou que jantou com Huck, na noite da quinta-feira, 8, mas reafirmou que vai apoiar o governador Geraldo Alckmin (PSDB), mesmo que o comunicador tenha boas ideias e empatia da população.

"Eu vi nos jornais que ele esteve comigo, ontem, e de fato ele esteve e jantou comigo. Ele de vez em quando janta comigo, eu vou na casa dele, o padrasto dele é meu amigo, a mãe dele é minha amiga, nós somos amigos de família e eu converso com Luciano. Eu não sei que decisão ele vai tomar. Agora, eu tenho partido, eu sou do PSDB, que terá o seu candidato. Então, uma coisa não implica na outra. Eu acho que ele é uma pessoa bem intencionada que tem contato com o povo e pode trazer algumas ideias para o País. Mas, eu vou seguir a linha do meu partido", afirmou.

Segundo FHC, o comunicador ainda não bateu o martelo em torno de uma possível candidatura. "Ele está considerando a possibilidade, mas ele trabalha na Globo, tem um contrato e tem que pesar essas coisas todas. Ele tem que ver por qual seria o partido e como vai ser. Que eu saiba, não há uma decisão por parte dele e não é uma decisão fácil. É uma decisão que tem que ser dele. Eu não vou imaginar que eu possa influir, pois ele sabe a minha posição", disse.

No rastro dos elogios do ex-presidente ao empresário, alas do PSDB têm externado desgosto com atual situação. "Não é só com o Luciano Huck, eu falo com muita gente. Por exemplo, eu recebi recentemente o governador do Espírito Santo, que é meu amigo e é do PMDB. Estive com Rodrigo Maia e por aí vai. Eu acho que a democracia exige que você tenha uma relação aberta com os outros. Jantei com Fernando Haddad, que foi prefeito de São Paulo e é do PT, então quer dizer que estou apoiando Haddad? Não, quer dizer que somos civilizados e trocamos ideias a respeito do País", afirmou.

FHC reforçou que o governador de São Paulo será o nome defendido durante a corrida eleitoral. "Quando Geraldo Alckmin foi designado para ser presidente do PSDB, eu apoiei. Eu sabia e não sou uma pessoa ingênua, que isso seria uma pré-condição para ele ser candidato. Então, eu apoiei com consciência isso. Claro que eu apoio Geraldo", afirmou.

 

 

Fonte: Por Carlos Fernandes, no DCM/ Balaio do Kotscho/Agencia Estado /Municipios Baianos

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