15/02/2018

Neymar desafia as regras do bom profissionalismo

 

Há alguns anos, Neymar Júnior convidou Javier Mascherano para jantar em sua mansão de Castelldefels. O argentino compareceu acreditando que seu colega queria falar com ele em particular. Quando entrou pela porta descobriu que havia uma multidão na casa do anfitrião. Uma multidão de amigos, conhecidos e curiosos, que não só estavam sempre ali, como também viviam se divertindo, em um estado de contínua exaltação. Contam que, atônito, Mascherano lançou uma advertência: “Se você fizer isso todos os dias, sua carreira se encurtará”.

Mascherano ficou alarmado com o fato de um talento maravilhoso, uma mente e um físico privilegiados, um jovem capaz de dominar o jogo em todas suas dimensões, desenvolver hábitos que diminuíam seu dom. O Barcelona também se preocupou com esses costumes, mas, ainda assim, no final de 2016, o clube renovou seu contrato comprometendo-se a pagar 26 milhões de euros brutos (100 milhões de reais) por temporada até que completasse 30 anos. O acordo não sobreviveu ao verão.

Há sete meses Neymar foi para o Paris Saint-Germain para fazer o mesmo que fazia em Castelldefels, só que com muito mais sofisticação. Não se sabe exatamente que ideia tinham de seu caráter ao contratá-lo o príncipe Jasim Al-Thani e o xeque Nasser Al-Khelaifi, responsáveis pelos investimentos catarianos no futebol. O fato é que o fizeram convencidos de que o projeto mais ousado do século nesse setor só teria sucesso se ficasse imediatamente nas mãos de Neymar. Para estimulá-lo, fontes próximas à operação afirmam que lhe garantiram ganhos ordinários anuais de mais de 40 milhões de euros (160 milhões de reais) durante cinco temporadas. No nível de Messi.

Agora Neymar é o protagonista de um experimento pioneiro na indústria do futebol. É o primeiro jogador cujo passe supera os 200 milhões de euros (222); é o primeiro jogador contratado com a missão de transformar um clube de segunda linha na principal potência da Champions League no prazo de duas ou três temporadas; e é o primeiro jogador que, aos 25 anos, aspira se tornar o melhor jogador de futebol do planeta levando a vida como se fosse um adolescente em perpétuas férias de verão. Não por nada seus amigos dizem que a única coisa que Ney não gosta de Paris é o clima. O inverno está sendo extremamente frio e chuvoso.

O desafio de Neymar é inaudito e o primeiro degrau o obriga a eliminar o Real Madrid nas oitavas que começam a ser disputadas nesta quarta-feira no Santiago Bernabéu. Ele encara isso como se nada o preocupasse, ou como se fingisse que nada o preocupa. A jovialidade é imperativa. É sua regra não escrita e só adquire validade se pode exibi-la em público e, se possível, nas redes sociais.

Imagem de marcas como Nike, Gillette, Panasonic, Red Bull, Replay Jeans e Gaga Milano, Neymar se agita no epicentro de um terremoto socioeconômico, mas faz de tudo para se mostrar cuidadosamente relaxado. Sabe que é a manifestação displicente de um mundo histérico e, para patentear seu estado de espírito, pratica uma variante do situacionismo. Adora provocar acontecimentos que induzem à transgressão, como convidar seu treinador – o legislador em toda equipe de futebol – a uma festa que ele só terminará dois dias mais tarde, para o qual deverá faltar um treinamento e uma partida que, claro, seus colegas de equipe deverão realizar de qualquer maneira. Unai Emery, o técnico, admitiu que foi ao aniversário para não constranger o mestre: “Fui embora quando cortaram o bolo”.

“Privilégios inevitáveis”

Controlador vocacional, Emery já tem consciência de que, em Paris, há poucas coisas que pode controlar. O comandante tinha proibido a entrada de pessoas estranhas ao clube nas instalações de Saint-Germain-en-Laye durante certos treinos, até que descobriu que Neymar enchia o recinto de tois. Os tois, autodenominados dessa forma por razões que ninguém conseguiu determinar, são os amigos profissionais – todos ganham para viver com ele – do ídolo. Vão aonde ele vai. Vivem onde ele vive. Revezam-se segundo o humor do gênio. Dançam quando ele quer dançar, riem quando ele quer rir. Fazem parte de algo parecido a uma torcida ambulante pré-fabricada. São especialistas em coreografias de dança tipo flashmobs porque o dono da casa é louco por flashmobs. São sua companhia favorita. Neymar se reúne pouco com o grupo brasileiro do PSG. Nem mesmo com Dani Alves, velho cúmplice em Barcelona. Seu universo é cada vez mais intransferível. Só ele pode decidir se treina ou não, e como treina; e só a ele cabe definir quando joga uma partida e quando não.

“Inevitavelmente Neymar é alguém com privilégios”, disse Rabiot ao L'Equipe. “A gente sabe. Não me incomoda. Não dou atenção. Não tenho ciúmes”.

O dolce far niente é expressão do orgulho aristocrático. Neymar sente que se humilha quando esforça ao máximo suas capacidades físicas. Especialmente, quando joga na França contra adversários que considera muito inferiores. No sábado, em Toulouse, demorou mais de uma hora para tentar driblar seu lateral, Steeve Yago. Preferiu transferir a bola para o meia, descarregar nos volantes, mudar de direção ou colocar passes em profundidade para não ter que alterar a marcha. Jogando de vez em quando nos três torneios oficiais da França e na vigente Champions, o brasileiro foi capaz de fazer 28 gols e dar 16 passes a gol em 27 partidas.

Nesta segunda-feira publicou no Instagram seu retrato assinado por Mario Testino, fotógrafo de cabeceira da Vogue e autor de imagens icônicas de Madonna, Kate Moss e Lady Di. Estendido na parte traseira de um carro em atitude provocadora, apareceria completamente nu se não fosse pela toalha branca que cobre os genitais.

Seu agente, Wagner Ribeiro, reagiu com incredulidade quando um colega lhe perguntou se imaginava Ney no Real Madrid na próxima temporada: “Ele já sabe como são os grandes clubes. Onde mais vão deixá-lo viver como vive em Paris?”

Fifa rejeita denúncia de Neymar contra Barcelona

A Fifa rejeitou a denúncia feita pelo craque Neymar contra o Barcelona, na qual o brasileiro exigia o pagamento de 40 milhões de euros referentes à segunda parte do bônus pela renovação de seu contrato, em 2016, informou a rádio catalã "Cadena Ser" nesta terça-feira (13).

De acordo com a imprensa espanhola, a vitória do Barça perante à Fifa deve gerar um novo capítulo no litígio entre o clube e o jogador. Segundo o Barcelona, ao se transferir para o Paris Saint-Germain, Neymar descumpriu unilateralmente o acordo firmado. Sendo assim, não teria direito ao bônus.

Inicialmente, o clube catalão estaria estudando cobrar 75 milhões de euros de Neymar por não cumprir o contrato, além de cobrar uma multa por danos e prejuízos causados. Mas, segundo a rádio, já há uma certa satisfação entre os dirigentes, pois eles acreditam que a disputa começa "com 1 a 0 a favor do Barcelona". No entanto, os advogados do atacante do PSG podem tentar um recurso no Tribunal Arbitral do Esporte (TAS).

Neymar deixou o Barça no meio do ano passado após o pagamento da multa de 222 milhões de euros, na transação mais cara do futebol mundial. Ele tinha renovado contrato com o clube catalão em outubro de 2016, meses antes de sair.

Uefa adverte árbitros para "protegerem os jogadores"

O ex-árbitro e atual chefe de arbitragem da Uefa, Pierluigi Collina, garantiu que a organização mandou ordens para que os juízes protejam os jogadores das entradas mais violentas. Essa medida acontece depois que Pep Guardiola, treinador do Manchester City , perdeu alguns jogadores por lesões decorrentes de faltas duras e convocou uma reunião com a direção da Premier League para debater o assunto.

"Os jogadores têm que perceber que precisam se respeitar, para depois serem respeitados. Queremos que todos os jogadores joguem e, por isso, precisam ser protegidos. Não queremos ver ninguém fora por causa de uma entrada mais ríspida de outro atleta", disse Pierluigi Collina.

Os árbitros também foram orientados a punir as chamadas "faltas propositais" em que o atleta vai intencionalmente no corpo do outro com o intuito de parar a jogada. As "rodas" que os jogadores formam em volta dos árbitros após determinadas decisões também foram criticadas por Collina. " As rodinhas que os jogadores formam nos árbitros para reclamar é algo inaceitável. Não é essa mensagem que pretendemos que o jogo transmita", finalizou o ex-árbitro.

Pela Copa, presidente da AFA quer que Messi descanse mais no Barça

Barcelona está vivo em todas as competições possíveis na temporada e, depois de perder Neymar, duplicou a pressão sobre Lionel Messi. No entanto, o presidente da Associação de Futebol da Argentina (AFA), Claudio Tapia, revelou que pediu para que o camisa 10 jogue com menos frequência pela equipe catalã.

- Espero que todos os jogadores cheguem no nível em que estão. O problema de Sergio Agüero é terrível e Lionel Messi está sempre no topo. Isso é importante para os dirigentes e a equipe de treinadores, conversamos com Messi para cuidar dele e jogar menos em Barcelona - afirmou Tapia ao canal argentino "TYC Sports".

O treinador do Barça, Ernesto Valverde, parece não ter ligado muito para esse pedido. Na temporada, Messi atuou em 36 partidas, sendo 33 como titular.

O dirigente ainda revelou na entrevista que a Argentina quer realizar um amistoso contra a seleção da Catalunha em junho, como parte da preparação para a Copa do Mundo da Rússia. Isso colocaria Messi frente a frente com alguns companheiros como Gerard Piqué e Sergio Busquets.

Agência mundial antidoping vai recorrer em pena de Guerrero

Uma notícia vinda da imprensa peruana pode preocupar o Flamengo e toda a torcida da seleção do Peru. Segundo o apresentador Eddie Fleischman, do canal Latina Deportes, a Agência Mundial Antidoping (WADA) vai apelar na Suprema Corte do Esporte (CAS) para o jogador continuar suspenso por um ano e não por seis. Inicialmente, em novembro do ano passado, Guerrero foi condenado por doping por 12 meses. Em apelação, seus advogados conseguiram reduzir para seis meses.

Com a diminuição da suspensão, o atacante poderia estar livre para atuar na Copa do Mundo de 2018, na Rússia, pela seleção nacional, além de ainda possuir vínculo com o Flamengo até o dia 10 de agosto. Por enquanto, o vínculo do jogador está suspenso pela diretoria rubro-negra.

Com a nova punição, Paolo Guerrero já estaria pronto para atuar em maio, seja pela seleção ou pelo Flamengo. A Wada quer revogar essa decisão e deixar o jogador suspenso até novembro. O peruano está mantendo a forma na Argentina e rumores dão conta que o Boca Juniors estaria interessado em seu futebol.

O Lance! apurou Flamengo não tem a confirmação que a Wada vai recorrer no CAS para aumentar a pena, por isso o clube segue trabalhando da mesma maneira em relação ao atacante. Se ficar suspenso por seis meses, Guerrero tem chances de ampliar seu vínculo com o Fla até dezembro, pelo menos. Contudo, o jogador ainda não revelou se sua intenção é renovar ou buscar novos ares.

Em outubro do ano passado, no confronto diante da Argentina, pela seleção do Peru, Guerrero testou positivo para benzoilecgonina, principal metabólito da cocaína, em exame antidoping. A partida era válida pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2018.

Danilinho aumenta lista de jogadores que morrem em campo

A morte de Danilinho, ex-Chapecoense, que passou mal durante treino do Juazeirense-BA na terça (13) e não reagiu aos primeiros socorros no hospital, é mais um caso trágico que atinge jogadores de futebol durante suas atividades profissionais. No Brasil, a lista é grande e ganhou mais repercussão em outubro de 2004, quando o zagueiro Serginho, do São Caetano, sofreu uma parada cardiorrespiratória em jogo com o São Paulo, no Morumbi. Ele caiu no gramado e morreu uma hora depois, num hospital da capital.

Situações semelhantes ocorrem no País desde abril de 1951. Numa tarde ensolarada daquele mês, em Fortaleza, jogavam Ceará e Gentilândia, no Estádio Presidente Vargas, pelo Campeonato Estadual. Com menos de dez minutos de partida, o time mandante já vencia por 1 a 0 - gol do atacante Mitotônio. Seria o último da carreira dele, que atuou 215 vezes pelo Ceará e marcou 151. Na sequência, ele sofreu mau súbito e foi retirado de campo às pressas.

No mesmo dia teve um acidente vascular cerebral e morreu. O jogador fora acometido de uma congestão estomacal aguda, decorrente de uma panelada (cozido a base de vísceras de bode) que comera antes da partida. Três vezes campeão do Cearense (1941, 1942 e 1948), Mitotônio é apontado pela crítica local como o maior ídolo do Ceará nos primeiros 50 anos de existência do clube, fundado em 1914.

As causas da morte de outros jogadores, com problemas manifestados ainda em campo, são diversas. Waltencir, do Colorado-PR, perdeu a vida após uma dividida com um adversário, do Maringá, pelo Paranaense de 1978. Na queda, teve ruptura da coluna cervical e morreu em minutos. Anos antes, em 1971, Tininho, do Guarani-SP, não sobreviveu a um aneurisma cerebral durante treino da sua equipe.

Há casos que poderiam ser evitados. O meia Fred, com passagem pelo América-RJ e então no Mesquita, sofreu infarto durante um jogo da Segunda Divisão do Carioca, contra a Cabofriense, em maio de 2010. Não havia desfibrilador à beira do campo e o jogador morreu a caminho do hospital

 

Fonte: El País/Ansa/Gazeta Esportiva/Lance/Terra/Municipios Baianos

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