15/02/2018

Escândalos sexuais abalam ONGs internacionais de ajuda humanitária

 

Um novo escândalo sexual está abalando as ONGs que trabalham em países afetados por desastres naturais ou conflitos bélicos. O jornal britânico The Times detalhou ao menos 120 casos de abusos sexuais de funcionários das organizações, Oxfam, Save the Children, Christian Aid e Cruz Vermelha. A mais atingida pelas acusações é a Oxfam, após o jornal desvendar que funcionários seus pagaram prostitutas com dinheiro da ONG enquanto trabalhavam para aliviar as consequências do terremoto de 2010 no Haiti.

O Reino Unido já anunciou que retirará o financiamento de todas as ONGs que não cumpram os  padrões de comportamento no trabalho de campo, como alertou a ministra de Cooperação, Penny Mordaunt, em reposta às acusações de exploração sexual contra os funcionários da Oxfam no Haiti. A organização humanitária, uma das mais importantes do país, se viu envolvida em um enorme escândalo após o The Times publicar o conteúdo de um demolidor relatório interno: de acordo com ele, funcionários da missão que a ONG lançou no país caribenho após o devastador terremoto de 2010, entre eles seu chefe, Roland van Hauwermeiren, contrataram  os serviços de prostitutas — algumas, provavelmente, menores de idade — com o dinheiro da organização. “Em relação à Oxfam e qualquer outra organização que tenha problemas de salvaguarda, esperamos que cooperem plenamente com as autoridades. Cessaremos os fundos de qualquer organização que não o fizer”, disse a ministra Mordaunt através de um comunicado.

O escândalo se estendeu no domingo a outras missões humanitárias e a outras ONGs. Até o ponto de Priti Patel, predecessora de Mordaunt no ministério, alertar de que se tolerou que “pedófilos predadores” explorassem o setor de ajuda humanitária. Um ex-funcionário da Cruz Vermelha e das Nações Unidas, Andrew MacLeod, reconheceu ao The Sunday Times que existe uma falta de respostas contra a “pedofilia institucionalizada” entre os colaboradores em missões internacionais. As revelações causaram um questionamento da regulamentação das organizações dedicadas à cooperação internacional.

O The Sunday Times publicou que pelo menos 120 funcionários de organizações não governamentais britânicas foram acusados de abusos sexuais no ano passado. De acordo com os números publicados pelo jornal, a Oxfam registrou 87 casos; a Save the Children, 31 — dos quais dez “foram levados ao conhecimento da polícia e das autoridades civis”; e a organização Christian Aid registrou dois incidentes. No caso da Oxfam, com 5.000 empregados e uma rede de 23.000 voluntários, a organização enviou às autoridades 53 dessas acusações. Segundo a Save the Children, os 31 casos registrados em seu meio ocorreram no estrangeiro e 16 pessoas foram despedidas como resultado das acusações. A Christian Aid afirmou, por sua vez, que afastou um de seus funcionários e tomou “atitudes disciplinares” contra outro. A Cruz Vermelha no Reino Unido admitiu que ocorreu “uma pequena quantidade de casos de assédio”, que o jornal afirma terem sido cinco.

O jornal The Observer, por sua vez, publicou no domingo acusações de um antigo funcionário da Oxfam que detalha como os colaboradores utilizaram prostitutas no Chade em 2006. Nessa época, o chefe da missão no país era o próprio Roland van Hauwermeiren, que se demitiu em 2011 após admitir a exploração sexual de mulheres no Haiti. De acordo com o The Times, a diretora executiva da ONG à época, Barbara Stocking, ofereceu a Van Hauwermeiren uma “saída por etapas e digna” porque sua demissão teria “implicações potencialmente sérias” para o trabalho da Oxfam e sua reputação.

A Oxfam reconheceu que “o comportamento de alguns membros de seu pessoal no Haiti foi totalmente inaceitável” e destacou que iniciou uma investigação interna para chegar “ao fundo” do assunto. Também informou ao Parlamento e à agência de cooperação britânica (DFID), assim como a outros doadores, como a UE e a ONU. A ministra Penny Mordaunt adiantou que entrará em contato com todas as ONGs britânicas que estão trabalhando no estrangeiro para que a informem sobre a existência e a resolução de casos anteriores e de medidas adotadas para que não se repitam. “É absolutamente desprezível que a exploração e os abusos sexuais continuem ocorrendo no setor de ajuda humanitária”, escreveu a titular de Cooperação.

Mordaunt se reunirá na segunda-feira com responsáveis da Oxfam, que recebeu 36 milhões de euros (145 milhões de reais) do Estado no último ano fiscal. “Darei a eles a oportunidade de me dizerem em pessoa o que fizeram após os incidentes e verei se demonstram as qualidades morais que eu penso que necessitam” disse a ministra na BBC. A Oxfam afirmou que agora conta com uma equipe dedicada a detectar possíveis casos de conduta inapropriada e uma linha telefônica confidencial para denunciantes. Mas Mordaunt sugeriu no domingo que não acredita que os novos procedimentos, por si sós, sejam suficientes para convencê-la de que a ONG deve continuar recebendo fundos públicos. “Não importa se existe uma linha para denúncias. Não importa que existam boas práticas de salvaguarda. Se a liderança moral não está no topo da organização, não podemos tê-la como parceira”, disse.

Oxfam em meio a escândalo de assédios sexuais no Sudão do Sul

A ONG britânica Oxfam enfrenta novas denúncias de assédio sexual e encobrimento desses casos no Sudão do Sul, depois que a subdiretora da ONG no Haiti renunciou afirmando que o comportamento de seus funcionários foi indigno e desonesto.

As novas revelações de Helen Evans, diretora de prevenção interna da Oxfam entre 2012 e 2015, ao Channel 4 falam sobre a existência de “uma cultura de abusos sexuais em certos escritórios”, em particular estupros ou tentativas de estupro no Sudão do Sul, e agressões contra voluntários menores nas lojas da ONG no Reino Unido.

Estas novas acusações surgiram depois das revelações sobre a utilização de serviços de prostitutas e potenciais abusos sexuais por parte de certos agentes da Oxfam no Chade e no Haiti.

Segundo uma investigação interna da organização sobre 120 pessoas em três países entre 2013 e 2014, ou seja, entre 11 e 14% do pessoal atuante foram vítimas ou testemunhas de agressões sexuais. No Sudão do Sul, quatro sofreram estupros ou tentativas de estupro.

“Diz respeito a atos de funcionários contra funcionários. Não realizamos uma investigação entre os beneficiários de nossos programas de ajuda. Mas fiquie extremamente preocupada com os resultados”, comentou Evans.

Outro caso foi a agressão contra um menor por parte de um adulto cometida numa loja da Oxfam na Grã-Bretanha, revelou.

Segundo o Channel 4, cinco casos de “comportamentos inapropriados” por parte de adultos contra menores foram revelados pela ONG em 2012-2013, e sete no ano seguinte.

Evans acusou altos diretores de não terem atuado na ocasião dos fatos.

O diretor-geral da Oxfam, Mark Goldring, considerou que “não há nada a acrescentar ao relatório”.

Esta série de revelações causou indignação na Grã-Bretanha, onde a Oxfam recebeu 43,8 milhões de dólares do governo no ano passado.

A Oxfam, uma confederação de organizações humanitárias sediada no Reino Unido afirmou que iniciou imediatamente, em 2011, uma investigação interna. Quatro funcionários foram demitidos e outros três pediram demissão antes do fim da investigação, garantiu a ONG.

– Haiti –

A subdiretora da ONG Oxfam, Penny Lawrence, renunciou na segunda-feira, após assumir “inteira responsabilidade” pelo escândalo gerado após a divulgação de que funcionários da organização contrataram prostitutas no Haiti.

Após relatar sua “tristeza e vergonha pela conduta de funcionários no Chade e Haiti (…), incluindo a relação com prostitutas”, Penny anunciou sua renúncia e disse que assumia “inteira responsabilidade”.

Lawrence explicou que os comportamentos inapropriados “do diretor (da ONG) no Chade e de sua equipe” já tinha sido “apontados antes de ir ao Haiti”. “Não respondemos de forma adequada”, admitiu.

Segundo o jornal The Times, após o terremoto de 2010 que devastou o Haiti, grupos de jovens prostitutas foram convidadas para casas pagas por esta organização na ilha. Uma fonte citada pelo veículo garantiu que viu imagens de orgias em que uma das trabalhadores sexuais usavam camisetas da Oxfam.

O jornal voltou ao caso na segunda, estimando que a ONG “ignorou as advertências” e nomeou seu diretor no Haiti, Ronald van Hauwermeiren, “apesar das preocupações (suscitadas) por seu comportamento com as mulheres” durante deu trabalho no Chade.

O presidente haitiano Jovenel Moise também denunciou o escândalo em seu país, taxando a situação como “uma violação extremadamente grave à dignidade humana”.

O escândalo sexual que põe em xeque uma das maiores ONGs do mundo

Acusada de acobertar escândalos sexuais envolvendo seus próprios funcionários, a organização não governamental britânica Oxfam, uma das mais importantes instituições de caridade do mundo, tem sua reputação colocada em xeque e corre o risco de perder verbas. Na segunda-feira, o órgão regulador de ONGs no Reino Unido anunciou que iria abrir uma investigação para analisar como a Oxfam lidou um escândalo sexual ocorrido em 2011 no Haiti. O órgão disse ainda, em comunicado publicado online, acreditar que a Oxfam não prestou todas as informações que deveria.

No mesmo dia, uma ex-chefe da entidade revelou ao canal de televisão britânico Channel 4 que há indícios de que adolescentes voluntárias foram abusadas no Reino Unido e que funcionários trocaram ajuda humanitária por sexo no exterior. Segundo afirmou Helen Evans, que foi chefe do departamento de prevenção de danos da Oxfam entre 2012 e 2015, em alguns países (não especificados por ela), 1 em 10 dos funcionários foi assediado sexualmente ou testemunhou abusos envolvendo colegas.

As acusações contra a ONG estão nas manchetes de todos os jornais britânicos desta terça. Mas o escândalo envolvendo a Oxfam começou a vir à tona na semana passada.

O jornal britânico The Times foi o primeiro a revelar, na sexta, que alguns dirigentes e funcionários da instituição contrataram prostitutas e organizaram orgias em instalações financiadas pela Oxfam no Haiti, durante a missão humanitária depois do terremoto que destruiu o país em 2010.

Segundo a publicação, a Oxfam tinha conhecimento de "preocupações internas" relacionadas a Roland van Hauwermeiren, diretor da ONG no Haiti, e a outro homem quando estes ainda trabalhavam no Chade, antes de assumirem postos sêniores no país caribenho. À época, a Oxfam divulgou apenas que sérios desvios tinham sido identificados no Haiti, mas não revelou detalhes do caso.

Pedido de desculpas

Mark Goldring, presidente-executivo da Oxfam no Reino Unido, pediu desculpas e admitiu que a instituição errou ao permitir que van Hauwermeiren fosse transferido depois de ter sido alvo de acusações. Também afirmou que contratar prostitutas não é "explicitamente proibido" pelo código de conduta da Oxfam, mas sim é vedado manchar a reputação da entidade e abusar de pessoas que poderiam ter sido beneficiárias de ajuda humanitária. A Oxfam afirmou que pretende esclarecer as acusações com o máximo de transparência e urgência.

Depois que o Times noticiou que a entidade teria acobertado o escândalo no Haiti, a funcionária Penny Lawrence renunciou ao cargo de diretora dos programas internacionais da Oxfam. Ela afirmou que estava envergonhada e que assumia plena responsabilidade. Lawrence entrou na Oxfam em 2006 e, segundo o site da ONG, liderava equipes em 60 países, entre eles o Brasil.

'Haiti não era caso isolado'

Helen Evans, a ex-chefe do departamento de prevenção de danos da Oxfam, diz que, em 2012, foi encarregada de conter a cultura de abuso dentro da ONG. Uma investigação interna sobre o caso do Haiti levou ao afastamento de quatro funcionários afastados e à renúncia de outros três. No entanto, segundo Evans, o que aconteceu no Haiti "não foi um caso isolado".

Ela diz que, à medida que criou mecanismos para recolher denúncias, contabilizou 12 casos entre 2012 e 2013 e outros 39 entre 2013 e 2014, sendo que 20 deles foram comprovados por completo ou parcialmente. Evans, contudo, diz que enfrentou dificuldades não apenas para reportar as denúncias como também para conseguir mais recursos para combater a cultura de abuso sexual em alguns escritórios da entidade.

"Num determinado momento, senti que tinha exaurido todos os caminhos internos disponíveis e que meu cargo na organização e que minha presença não eram mais sustentáveis. Saí preocupada e frustrada por não haver (visto) um compromisso sério com mudanças", diz o texto publicado na conta de Evans no Twitter.

Oxfam ameaçada?

A Oxfam tem cerca de 5 mil funcionários, 27 mil voluntários e 800 mil apoiadores. Segundo relatório da entidade, suas atividades ajudam mais de 11 milhões de pessoas no mundo. No ano passado, gastou cerca de R$ 1,2 bilhão em ajuda humanitária, desenvolvimento e campanhas. Além de doações e de recursos arrecadados com a venda de produtos em lojas de caridade no Reino Unido, a ONG recebe verba do governo britânico e da União Europeia (EU).

A Comissão Europeia, que representa e defende os interesses da UE, pediu esclarecimentos e afirmou exigir o máximo de transparência da Oxfam. Ameaçou, também, interromper o financiamento a qualquer parceiro que não siga diretrizes éticas. A Oxfam recebeu cerca de 1,7 milhões de euros em financiamento da UE para o programa de ajuda humanitária no Haiti em 2011. Além das ameaças de perder dinheiro, a entidade viu sua reputação ser duramente atacada.

O embaixador do Haiti em Londres, Bocchit Edmond, classificou as revelações de chocantes, vergonhosas e inaceitáveis. Por sua vez, o presidente do Haiti, Jovenel Moise, condenou a postura dos funcionários da Oxfam e disse que "predadores sexuais exploraram pessoas carentes no momento de maior vulnerabilidade".

Will Grant, analista da BBC, diz que havia o temor dentro do governo britânico de que as alegações de abuso no Haiti pudessem ser "a ponta do iceberg" e que a Oxfam se transformasse em alvo de investigação assim como todas as agências de ajuda humanitária que atuam no Haiti. Segundo Grant, há muito ressentimento entre os haitianos em relação à impunidade relacionada às agências internacionais.

Depois do escândalo, a Oxfam assumiu compromisso público de melhorar os sistemas de prevenção e condução de denúncias de abuso e assédio sexual. Prometeu revisar os casos e adotar medidas mais rigorosas para recrutar funcionários.

 

Fonte: El País/AFP/BBC Brasil/Municipios Baianos

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