15/02/2018

A sombra de Watergate mais perto de Michel Temer

 

Desde que foi empossado, no vergonhoso golpe de Estado que derrubou Dilma Rousseff, Michel Temer é acompanhado pelo fantasma de Richard Nixon, o presidente norte-americano forçado a renunciar em 1974, quando as investigações sobre o escândalo Watergate não puderam ser escondidas sob o espesso tapete de amigos influentes da Casa Branca.

A entrada em cena do ministro Luiz Roberto Barroso, do STF -- responsável pela investigação sobre Porto de Santos na qual Temer aparece bem enrolado – permite analogias novas com Watergate. Indica um agravamento óbvio de uma situação que dia a dia torna-se mais difícil de sustentar, ainda que, no Planalto, Temer possua menos de um ano de vida útil  pela frente.

No auge da crise, a Suprema Corte dos EUA deu o golpe de misericórdia para a queda de Nixon, ao exigir que ele mostrasse gravações do circuito telefônico da Casa Branca. Como os diálogos demonstravam sua culpa além de qualquer dúvida razoável, Nixon chamou o helicóptero e voou para casa, depois de tomar uma providência decisiva: negociar uma anistia que lhe assegurou um fim de vida sem incômodos.

Noblat diz que Temer será comido pela própria esperteza

O colunista Ricardo Noblat, da Veja, afirma neste domingo, 11, que a trapalhada do chefe da Polícia Federal, Fernando Segóvia, de que a tendência na PF é arquivar o inquérito contra Michel Temer relacionado ao esquema nos portos é culpa do próprio Temer. 

Noblat descreve Temer como "conspirador". "Não pode ser bobo quem conspirou com êxito para derrubar uma presidente, assumir seu cargo, aprovar medidas impopulares no Congresso, e safar-se de duas denúncias de corrupção", diz ele.

"Salve, Temer! – por ter posto na Polícia Federal um diretor-geral para chamar de seu. Em compensação, como esperteza em excesso engole o esperto, ele arrisca-se a ser alvo de mais uma denúncia de corrupção", diz Noblat.

Segundo Noblat, Segóvia precipitou-se em inocentar Temer. "Não deveria tê-lo feito. Não poderia tê-lo feito. Primeiro porque o inquérito está longe de ser concluído. Segundo porque a Polícia Federal é um órgão do Estado, não do governo, e assim deve se comportar. E assim tem-se comportado há tempos, constrangendo uma Justiça lerda por natureza e cega por conveniência, animando os que desejam que a lei seja aplicada a ricos e pobres, negros, pardos e brancos", diz ele.

"Culpa de Segóvia, estamos de acordo, afilhado de José Sarney, Renan Calheiros e outros nomes do PMDB. Mas culpa original de Temer, incapaz de entender que o país mudou apesar dele e dos seus semelhantes".

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Segóvia é culpa de Temer

De bobo, Temer não tem nada. Conserta relógio usando luvas de boxe. De refratário ao que se passa fora da caixa onde vive em berço esplêndido, tem de tudo – como, de resto, os demais políticos de sua geração.

Não pode ser bobo quem conspirou com êxito para derrubar uma presidente, assumir seu cargo, aprovar medidas impopulares no Congresso, e safar-se de duas denúncias de corrupção.

Mas avesso à vida real é de fato o presidente que recebe em audiência empresário encrencado com a Justiça, tem como assessor deputado da mala e nomeia para ministra do Trabalho cidadã de reputação duvidosa.

Salve, Temer! – por ter posto na Polícia Federal um diretor-geral para chamar de seu. Em compensação, como esperteza em excesso engole o esperto, ele arrisca-se a ser alvo de mais uma denúncia de corrupção.

Pois essa poderá ser a principal consequência da entrevista concedida por Fernando Segóvia à agência Reuters. Segóvia precipitou-se em inocentar Temer em inquérito conduzido pela Polícia Federal. Foi a segunda vez.

Não deveria tê-lo feito. Não poderia tê-lo feito. Primeiro porque o inquérito está longe de ser concluído. Segundo porque a Polícia Federal é um órgão do Estado, não do governo, e assim deve se comportar.

E assim tem-se comportado há tempos, constrangendo uma Justiça lerda por natureza e cega por conveniência, animando os que desejam que a lei seja aplicada a ricos e pobres, negros, pardos e brancos.

Culpa de Segóvia, estamos de acordo, afilhado de José Sarney, Renan Calheiros e outros nomes do PMDB. Mas culpa original de Temer, incapaz de entender que o país mudou apesar dele e dos seus semelhantes.

Segóvia tenta matar no peito inquérito da Rodrimar, agora que pode revelar o histórico de Temer no porto de Santos

Pela primeira vez desde o início da Operação Lava Jato, um diretor da Polícia Federal “arquiva” um inquérito em declarações à mídia.

Fernando Segóvia, indicado por Michel Temer, anunciou pela imprensa o provável arquivamento do único inquérito contra Michel Temer que ainda tramita no STF: aquele em que o usurpador é acusado de assinar decreto em troca de benefícios da empresa Rodrimar.

Temer sustenta que não é usurpador, mas informações encontradas em bloco de anotações do homem da mala, Rodrigo Rocha Loures, à época assessor dele no Palácio Jaburu, indicam que o vice-presidente pode ter tramado o impeachment de Dilma de maneira muito mais efetiva do que revelado até agora]

O porto de Santos é antigo conhecido de Temer, desde quando ele era deputado federal por São Paulo e indicava o presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo.

Fernando Segóvia foi superintendente no Maranhão antes de assumir a direção da PF e teria sido indicado pelo ex-presidente José Sarney, que está no poder desde antes da ditadura militar.

“No final a gente pode até concluir que não houve crime. Porque ali, em tese, o que a gente tem visto, nos depoimentos as pessoas têm reiteradamente confirmado que não houve nenhum tipo de corrupção, não há indícios de realmente de qualquer tipo de recurso ou dinheiro envolvidos. Há muitas conversas e poucas afirmações que levem realmente a que haja um crime”, declarou Segóvia à imprensa.

A declaração foi feita sem consulta aos delegados que cuidam do caso.

“Os integrantes do Grupo de Inquéritos da Lava Jato no STF informam que a manifestação do Diretor Geral da Polícia Federal que está sendo noticiada pela imprensa, dando conta de que o inquérito que tem como investigado o Presidente da República tende a ser arquivado, é uma manifestação pessoal e de responsabilidade dele. Ninguém da equipe de investigação foi consultado ou referenda essa manifestação, inclusive pelo fato de que em três de anos de Lava Jato no STF nunca houve uma antecipação ou presunção de resultado de Investigação pela imprensa”, escreveu alguém não identificado num grupo de whatsapp de policiais federais.

Entrevista de Segovia teve efeito reverso e deve aumentar holofotes contra Temer

Uma entrevista do diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia, nomeado por Michel Temer, à agência Reuters na última sexta (09), alertou para o possível comprometimento das investigações contra o mandatário no inquérito dos Portos.  A primeira publicação da Reuters dava conta de que Segóvia admitiu o arquivamento da investigação contra Temer no caso de benefício a uma das empresas que atua no Porto de Santos (São Paulo), a Rodrimar, investigada em desdobramentos da Operação Lava Jato. Posteriormente, a Reuters retificou a informação, dizendo que o diretor-geral apenas teria sinalizado para o arquivamento, ao afirmar que não havia indícios de crime e nem de pagamento de propina neste caso arrolando Temer. Ainda assim, a repercussão do caso gerou um desconforto dentro da Polícia Federal. Entre os integrantes da PF que apuram irregularidades em contratos do Porto de Santos estão o delegado Cleyber Lopes, que também auxiliou o delegado Marlon Cajado em outro inquérito, o do chamado "quadrilhão do PMDB", que mirou Temer, ministros e aliados do presidente e foi engavetado pela Câmara dos Deputados.

Cleyber assumiu, em seguida, o inquérito da Rodrimar, ao mesmo tempo que o mandatário modificava a direção-geral da PF, agora nas mãos de Fernando Segovia. A entrevista dada na última sexta fragilizou a imagem do diretor dentro da organização. Isso porque ele antecipou postura pessoal sobre o caso de Temer e a Rodrimar, de que não havia indício contra o presidente e que as investigações não comprovaram o pagamento de propinas, "indicando tendência de que a corporação recomende o arquivamento", divulgou a Reuters.

O caso recebe destaque por ser a única investigação que ainda tramita contra o peemedebista em curso no Supremo Tribunal Federal (STF). "O que a gente vê é que o próprio decreto em tese não ajudou a empresa. Em tese se houve corrupção ou ato de corrupção não se tem notícia do benefício. O benefício não existiu. Não se fala e não se tem notícia ainda de dinheiro de corrupção, qual foi a ordem monetária, se é que houve, até agora não apareceu absolutamente nada que desse base de ter uma corrupção", antecipou o diretor-geral à agência de notícias.

Após a entrevista, delegados da PF começaram a pressionar o novo diretor-geral por uma retratação mais firme sobre as declarações dada ao jornal. Com as afirmações públicas, Segovia precisará se posicionar perante o Supremo, ao ministro Luís Roberto Barroso, relator da ação que ainda mira Michel Temer.

E é na Suprema Corte que os delegados esperam uma retratação mais firme sobre as faladas dadas à Reuters neste fim de semana. Caso contrário, alguns delegados enxergam a medida como um aumento da fragilidade de Segovia no comando da organização, podendo ocasionar, inclusive, uma mobilização por parte dos delegados pela saída de Segovia do cargo.

A saída precisaria ser por parte do próprio diretor-geral, uma vez que o mandatário não dá sinais de que queira modificar a sua indicação para o comando da PF. Alguns delegados indicam, segundo reportagens de diversos jornais, que se a intenção de Segovia era minimizar a polêmica do inquérito, teve o efeito contrário: apenas aumentou o interesse por encontrar provas relacionadas ao caso.

Segóvia, aparentemente, tenta “matar no peito” a investigação

A frase ficou famosa porque o agora ministro do STF, Luiz Fux, teria prometido ao ex-ministro José Dirceu “matar no peito” o inquérito do mensalão. Fux ganhou a vaga e Dirceu foi preso.

Recentemente, segundo a revista CartaCapital, a Polícia Federal ressuscitou uma planilha mostrando que a Rodrimar pagou propina a Temer nos anos 90, em negócios do porto de Santos.

  • Ela consta de um relatório recente da Polícia Federal. Contou a reportagem da Carta:

O documento, de 15 de dezembro, propõe quebrar os sigilos bancário, fiscal e telefônico de Temer e foi usado por um delegado, Cleyber Malta Lopes, para pedir mais prazo para concluir investigações contra o presidente em um inquérito em curso no Supremo Tribunal Federal (STF).

Assinada pelo agente Paulo Marciano Cardoso, a papelada defende ressuscitar um inquérito de 2011 que investigou trambiques no Porto de Santos nos quais haveria digitais de Temer, o manda chuva político no pedaço no governo da época, o do tucano Fernando Henrique Cardoso.

O relatório integra um inquérito, o 4621, que desde setembro apura possíveis falcatruas no setor portuário que teriam ocorrido não no passado, mas na própria gestão Temer. O qual teria deixado mais do que metafóricas digitais: a assinatura em um decreto.

Com base no relatório de dezembro, a PF pediu ao STF nesta terça-feira 30 acesso ao inquérito de 2011, o 3105, arquivado pela corte naquele mesmo ano. “Documentos e provas originais” geradas nesse inquérito, diz o relatório do agente Cardoso, “aparentemente são contundentes”.

Exemplo de contundência é uma planilha que registra o que parece ser suborno decorrente de contratos do Porto de Santos.

Ela é de 8 de agosto de 1998, ocasião em que o porto era comandado por um indicado de Temer, Marcelo Azeredo. Lista “parcerias realizadas” e, ao lado, três siglas acompanhadas de percentuais e de valores em reais.

Entre os parceiros, estão as empresas Rodrimar e Libra, donas de contratos de concessão em Santos e pertencentes a amigos de Temer – Antonio Celso Grecco (Rodrimar) e a família Torrealba (Libra).

Entre as siglas, estão MT, MA e L. Segundo o relatório policial de dezembro, MT seria Michel Temer, MA, Marcelo Azeredo e L, João Baptista Lima Filho, o coronel Lima, outro amigo do presidente.

A citação da Rodrimar na planilha tem a cifra de 600 mil reais. Ao lado, aparecem a sigla “MT” e os números “300.000 (+ 200.000 p/campanha)”. “MA” e “L” surgem com 150 mil cada.

A Rodrimar é protagonista da investigação aberta em setembro pelo STF a colocar na berlinda um decreto baixado por Temer em maio de 2017 com bondades ao setor portuário. A investigação quer saber se o decreto foi assinado em troca de grana.

A suspeita nasceu de telefonemas do “homem da mala” e da confiança de Temer, Rodrigo Rocha Loures, às vésperas da edição do decreto. Em uma ligação, ele fala com Temer. Em seguida, com Ricardo Mesquita, diretor da Rodrimar, empresa com interesse particular no decreto, a fim de obter a renovação de um certo contrato.

As conversas foram gravadas durante a Operação Patmos, aquele surgida das delações de criminosos confessos da JBS/Friboi.

Outro motivo de desconfiança quanto à gênese do decreto presidencial: no dia em que pegou a mala com 500 mil reais em propina das mãos do então lobista da JBS/Friboi, Ricardo Saud, em abril de 2017, Loures foi ao local de carona com Mesquita. Depois foi resgatado pela mesma pessoa.

Mais um: nas negociações da propina com Saud em troca de facilidades dentro do governo, Loures citou “Celso” como alguém que poderia receptar dinheiro destinado a Temer. “Celso” é Antonio Celso Grecco, da Rodrimar.

Renan Calheiros usa as redes para criticar reforma e ironizar Temer

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) usou as redes sociais para, em vídeo, criticar a reforma da Previdência e o presidente Michel Temer nesta sexta-feira, 9.

Em tom humorado, Calheiros, que é do mesmo partido de Temer, usa uma das peças publicitárias encomendadas pelo governo federal para divulgar a Previdência como fundamento para a sua crítica.

No filme escolhido, o governo compara dois trabalhadores chamados João, um que é funcionário público e outro da iniciativa privada. Enquanto um é destacado como detentor de privilégios, outro é apontado como desfavorecido pelas regras vigentes do sistema público de aposentadoria.

Renan sugere aos "marqueteiros do governo" que mantenham a campanha, que ele considera "boa". No entanto, o senador pede para que troquem os personagens. "Ao invés de dois Joões colocassem dois Micheis", diz.

"O Michel privado, cidadão. E o Michel presidente. O Michel cidadão, que se aposentou aos 55 anos de idade, ganhando inicialmente R$ 48 mil de aposentadoria e hoje ganha R$ 68 (mil) e acha que fez por merecer", afirma o senador.

Na sequência, Renan Calheiros acusa Temer de deixar de atualizar as suas informações no INSS, ficando inclusive sem receber o benefício da aposentadoria por um período, para tirar o foco de si e conseguir aprovar a reforma no Congresso.

Temer não cumpriu o prazo para realizar a prova de vida, uma exigência para receber a aposentadoria como procurador do Estado de São Paulo. A falta da prova, um recadastramento anual, impede que ele receba os vencimentos. Em nota, a Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência informou que Temer "não fez por falta de tempo, mas fará assim que possível".

Renan dispara: "E o Michel presidente, que é sabido, quer a reforma e que os outros contribuam até os 75 anos. Esse é o problema dessa reforma das aposentadorias. O Michel presidente fala coisas, mas não faz as coisas que fala".

 

Fonte: El País/Tribuna da Internet/GGN/Brasil 247/BlogdeNoblat/Viomundo/em.cpm/Municipios Baianos

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