16/02/2018

Como e quando falar sobre sexualidade com as crianças

 

O filho da empresária Nathália Paschoalli, Enrico, tem apenas cinco anos, mas já faz inúmeras perguntas sobre sexualidade desde muito pequeno. "Assim que começou a formular frases, o Enrico perguntava porque a mamãe era diferente do papai, por que o 'pipi' dele era menor que o do papai, por que ele não tinha pelos no corpo etc.", conta a empresária. As perguntas do pequeno começaram a ficar mais complexas desde que ele fez quatro anos. "Enrico agora tem pedido a nós um irmãozinho e pediu se podia ele carregar o irmão na barriga. Aí teve o drama de descobrir que meninos não podem engravidar." A naturalidade com que Nathália e o marido tentam explicar as questões de sexualidade para o filho vem da criação que a empresária recebeu da família. Filha de enfermeira e professora de enfermagem, Nathália conta que sempre acompanhava a mãe em palestras sobre Aids e doenças sexualmente transmissíveis. "A educação sexual que recebi dos meus pais foi muito prática, informativa e pouco romantizada", lembra. Nem toda pessoa, contudo, recebe educação sexual durante a infância. Para muitas famílias, o tema ainda é tabu dentro de casa.

Para o médico Jairo Bouer, educador e pesquisador sobre educação sexual, a falta de informação sobre sexualidade entre os jovens no Brasil contribui para que sejam altos os números de transmissão do HIV, o vírus causador da Aids, e gravidez precoce entre eles, mesmo com a pílula do dia seguinte e inúmeros meios contraceptivos disponíveis à população. "Hoje, crianças e adolescentes podem pesquisar suas dúvidas na internet ao invés de perguntar aos pais. Por isso, de modo geral, vejo que as crianças se deparam mais cedo com o tema da sexualidade. O problema não é buscar a informação, e sim se deparar com informações erradas e inadequadas para cada fase de desenvolvimento da criança", diz Bouer.

O último relatório da Unaids, programa das Nações Unidas contra a Aids, mostrou que o Brasil é responsável por 40% das novas infecções por HIV na América Latina. Dados de 2017 do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mostraram que uma em cada cinco crianças no Brasil é filha de mãe adolescente, sendo que 58% dessas adolescentes não estudavam quando engravidaram. Segundo dados de 2006 a 2015 da UNFPA, órgão da ONU responsável por questões populacionais, o país tem a 7ª maior taxa de gravidez na adolescência na América do Sul. "A educação sexual deve começar antes dos dez anos", defende Bouer. "Somente com informação correta aos adolescentes, sem tabus e julgamentos, iremos reduzir os altos números de sexo sem segurança e gravidez na adolescência na adolescência."

Desenvolvendo a identidade sexual

O primeiro contato que temos com a sexualidade, de acordo com Cláudia Bonfim, doutora em Educação e coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação e Sexualidade do Ministério da Educação e autora do livro Educação Sexual e Formação de Professores: da Educação Sexual que Temos à que Queremos, é durante a amamentação. "A sexualidade nos é apresentada de maneira não verbal: pelo toque dos pais, pelo modo como a mãe amamenta, como o bebê é embalado no colo, como o olham, se o amam etc.", explica a educadora. "Ou seja, a educação sexual nessa fase se dá especialmente por meio dos comportamentos e experiências afetivas-sexuais que o bebê vivencia através da sexualidade dos pais e do meio em que ele vive." A descoberta do próprio corpo se dá após os 18 meses de idade, quando a criança vivencia a fase anal, que vai até os três anos e meio. "A fase anal trata de um momento em que a criança começa a obter controle dos esfíncteres anais e da bexiga, controlando a micção e a evacuação. Aprender a ter o controle das suas necessidades fisiológicas significa uma nova forma de prazer e gratificação, inclusive pela atenção que lhes é dedicada e dos elogios que recebe quando passam a ir sozinhas no banheiro", explica Bonfim.

É nesse momento que a criança descobre que tem um órgão sexual, pois é quando começa a manipular estes órgãos, principalmente quando vai ao banheiro. Por isso, a fase anal pode marcar muito a sexualidade da criança, principalmente nos meninos, por terem o órgão sexual externo. "É importante que os pais a ajudem a criança a reconhecer o corpo nesta fase com naturalidade, sem reprimir suas atitudes, pois o caráter da criança nessa etapa é de reconhecimento corporal, e não erótico", orienta e educadora. Bouer explica que também é nessa fase que surgem as dúvidas dos pais sobre como agir diante de comportamentos dos filhos com o próprio corpo. "Atendo mães que costumam reclamar que o filho fica com a mão no pênis o dia todo. A maior aflição delas é não saber como agir: deveriam conversar com o filho ou fingir que não estão vendo? Eu defendo que deve haver uma conversa com a criança de maneira natural e nunca ignorar o comportamento", defende o médico.

Nathália vivenciou essa fase com Enrico - sua primeira reação foi pedir orientação ao médico do menino. "Estávamos na sala e o Enrico passou por cima de um brinquedo enquanto engatinhava. Ele tinha pouco mais de um ano. Sentiu alguma coisa ali e voltou, num movimento repetitivo. Relatamos ao pediatra e fomos orientados a não tratarmos aquilo como tabu, nem dar a ele a impressão de que masturbação era errado ou proibido", conta a mãe. A solução encontrada pela empresária e pelo marido foi tentar distrair Enrico da ação, propondo uma atividade que desviasse a atenção do órgão sexual. "Depois, com ele maior, explicamos que tocar no próprio pênis é gostoso, não tem problema, mas que não é legal fazer na frente das pessoas por ser um momento privado dele com o corpo dele", relata ela.

Quando conversar

"Em um primeiro momento, cabe aos pais ajudar a criança a construir sua sexualidade de maneira positiva", afirma Bonfim. Mas o que e quando conversar? Para o doutor Bouer, a curiosidade de cada criança deve ser o termômetro dos pais para saber sobre o que e quando falar. "As curiosidades sobre o corpo são naturais desde muito cedo, e os pais devem sempre responder as perguntas, mas não acho que nessa fase seja necessário dar uma aula para abordar o tema", explica o médico. "Os pais devem ficar atentos às curiosidades que forem surgindo e sempre explicar dentro da capacidade da criança de entender aquela conversa", completa. Os pais também devem considerar que cada criança tem uma personalidade e entender o tempo de cada uma de descobrir o mundo a sua volta. "Tem crianças mais curiosas, que perguntam sobre tudo; tem as mais tímidas, que provavelmente terão medo de tocar no assunto. De maneira geral, a criança que convive com outras mais velhas que ela começará a perceber seu corpo e o corpo do outro mais cedo que crianças que convivem somente com adultos", explica o doutor.

Independente de cada caso, para Bouer, o ideal é que conversas sobre sexualidade comecem antes dos dez anos, tanto em casa como na escola. Assim, quando chegarem na adolescência, questões mais complexas, como virgindade, sexo seguro, gravidez etc., serão tratadas com atenção e naturalidade pelo adolescente. "Se as conversas sobre sexualidade não ocorreram até os dez anos, os pais não deverão escolher estratégias muito invasivas para introduzir conversas sobre sexualidade quando os filhos se tornarem adolescentes, uma vez que eles não foram naturalizados com esse tema na infância", afirma o médico.

Aposentar a cegonha

Muitos pais se questionam se podem ficar nus na frente dos filhos pequenos e se podem tomar banho juntos. Para Bonfim, a dica é entender que a maneira como os pais lidam com o corpo refletirá no modo como a criança e o adolescente lidarão com o próprio corpo e o do outro. "Se os pais sempre tomam banho junto com a criança, geralmente esta fase é bem mais tranquila, pois essas diferenças corporais foram sendo internalizadas com naturalidade, sem a curiosidade de tirar a roupa do outro para ver como é, por exemplo", explica a educadora sexual. Nathália conta que ela e o marido sempre tomaram banho com Enrico, e que a primeira pergunta dele sobre sexualidade foi durante um deles. "Primeiro ele percebeu que eu era diferente dele e não tinha pênis. Depois, me perguntou: 'Cadê seu pipi, mamãe?'", lembra a empresária.

E como responder tal pergunta a uma criança?

Segundo doutor Bouer, muitos pais e até professores recorrem a metáforas para explicar temas sobre sexualidade, mas nem sempre essa é uma boa estratégia. "Se a metáfora ajudar a criança a entender o que está sendo falado, sem gerar mais dúvidas na cabeça dela, é válido. Porém, não vale usar uma metáfora para inventar uma situação que não existe no mundo real, como a história da cegonha que trouxe o bebê", adverte o médico. Precisamos enterrar a história da cegonha." A mãe de Enrico conta que tenta simplificar as palavras para explicar de um modo que o filho entenda, dentro do contexto da idade e da experiência de mundo que o menino tem. "O que nunca fizemos foi contar estórias de cegonha, repolho, ou coisas do tipo. Também somos objetivos: explicamos pontualmente o que satisfaz a curiosidade dele e não avançamos", conta a mãe. "Já aconteceu de uma mãe grávida de uma amiguinha de classe do Enrico tentar explicar para eles que o bebê na barriga dela era uma 'pérola' que o papai plantou com um beijo e o Enrico dizer: 'Não é não, tia. O papai planta a sementinha com o 'pipi'."

Não diferenciar objetos, cores e comportamentos "permitidos" para meninos e meninas, como forçar as meninas a cruzar as pernas quando sentam ou estimular os meninos a serem agressivos nas brincadeiras, por exemplo, também faz parte de uma educação sexual saudável física e emocionalmente. "Não ter preconceitos e tabus sexuais começa dentro de casa e na infância. Os pais não devem fazer distinção quanto à utilização de cores e brinquedos entre meninos e meninas. É provado que estes objetos e cores não determinam nossa sexualidade, mas podem interferir na maneira como vemos e respeitamos o sexo oposto e o diferente de nós", afirma Bonfim. "O maior problema da ideia da fragilidade feminina e da mulher como um ser mais sensível e do homem como um ser que deve reprimir seus sentimentos e ser forte é que geramos mulheres fragilizadas e submissas e homens insensíveis, brutos e com dificuldades de demonstrar seu afeto", completa a educadora.

O mais importante de uma educação sexual consciente para crianças é ensinar o que é amar, se relacionar, o que é afeto e privacidade, assim como identificar o que é abuso. Ou seja, a reconhecer, respeitar e defender o próprio corpo e o corpo do outro. "Por meio da educação sexual, é possível ensinar a criança a não deixar que nenhuma outra pessoa tire sua roupa, toque em seu corpo e em suas partes íntimas. Também deve-se orientar desde pequeno que, caso essas situações ocorram, ela nunca deve ter vergonha e escondê-las, devem comunicar imediatamente os pais", alerta Bonfim. "Isso é fundamental para que a criança possa prevenir um abuso ou violência sexual, pois ela saberá diferenciar carinho, afeto, privacidade, de abuso e violência."

Como falar sobre abuso sexual com as crianças

A designer Helena Vitali, de 28 anos, sofreu abuso sexual quando tinha cinco anos no condomínio do prédio em que morava, em Santa Catarina. Ela nunca tinha falado publicamente sobre isso, mas resolveu contar sua história nesta semana, após o assunto voltar à tona com a polêmica envolvendo a presença de uma criança em uma performance artística com um homem nu no MAM (Museu de Arte Moderna) de São Paulo. "Vi que estava se falando muito sobre o assunto e achei que era importante dar um ponto de vista de alguém que passou por um abuso sexual real", explica. Seu objetivo não foi só relatar a violência sexual, mas contar como foi importante sua mãe já ter conversado com ela sobre o assunto para que, com apenas cinco anos, ela tivesse coragem de contar o que aconteceu - e evitar que o abuso se repetisse. "O alarme soou porque minha mãe já havia conversado sobre isso comigo. Eu soube na hora que havia alguma coisa errada. Me senti culpada. Detestei meu corpo, me senti suja. Mas contei. Lembrei das conversas que criaram essa confiança entre nós", afirma. Ela é uma das muitas pessoas que têm compartilhado histórias sobre como os pais conversaram com elas sobre o assunto quando pequenas. Ou como elas têm falado com os próprios filhos sobre o assunto - mesmo que não tenham sofrido nenhum tipo de abuso. A postagem de Helena Vitali teve quase 4 mil curtidas e mais de 1,6 mil compartilhamentos em poucas horas. A BBC Brasil ouviu algumas dessas pessoas e especialistas que indicam qual o caminho para abordar o assunto com as crianças.

Alerta vermelho

Vitali conta que sua mãe lia livros sobre educação sexual infantil desde cedo. Ela lembra até hoje de suas palavras: "Ela disse: filha, ninguém pode te tocar aqui tá? Só você e a mamãe. Nenhum adulto, nenhum homem. Isso é errado e pode ter machucar. Quando você for adulta você pode escolher. Mas quando essa época chegar vamos juntas no médico e você não vai ter medo." Helena afirma que nunca esqueceu o que a mãe havia dito sobre fugir, gritar e pedir ajuda se algo acontecesse. "Ela disse que sempre iria me ouvir, acreditar em mim e me proteger. Não importando quem fosse, se fosse da família ou alguém que amamos. E que eu nunca poderia mentir sobre isso." A conversa foi importante para que ela conseguisse contar à mãe sobre o abuso que sofreu. "Um dos funcionários me convenceu a ir em um cômodo ver algo. Me botou sentada no seu colo e começou a abrir a própria roupa. Enquanto tentava me tocar e eu me esquivava (ou tentava), soou na minha cabeça um alarme, enorme, vermelho e piscante. Uma sirene. Eu sabia o que era aquilo", escreveu ela. "Depois que eu contei, descobriram que um menino de três anos era sempre abusado pela mesma pessoa, mas a babá e a família não acreditavam."

A designer diz achar importante que as pessoas não subestimem a capacidade de discernimento das crianças. "Com educação apropriada, elas são muito capazes de entender o que é carinho e o que abuso. Quando se despir é normal, por exemplo, quando a criança está na praia com a família, e quando a pessoa está mal intencionada", diz ela. "Tenho a clara memória de que eu sabia diferir perfeitamente a nudez comum da menção de nudez para um abuso", escreveu. "Pedofilia não é uma criança ser exposta à arte ou a nudez em um contexto não sexual. Proibir o acesso de crianças a lugares onde estarão vulneráveis e sem a tutoria de um adulto: claro. Proibir acesso a material de cunho sexual? Perfeito. Mas banir nudez e confundir tudo e qualquer coisa com pedofilia é um desserviço", escreveu ela, em referência à polêmica sobre a performance no museu.

Educação aberta

"Não é uma questão de marcar um dia para falar de abuso sexual. É preciso ter uma educação aberta desde o berço, na qual a criança sempre, a todo momento, se sinta à vontade para falar sobre qualquer assunto. E na qual se ensine a lidar com o corpo e com a questão dos limites", explica a psicopedagoga Neide Barbosa Saisi, professora da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica). "Precisa ensinar limites em coisas básicas, como respeitar se ela não quiser beijar as pessoas, por exemplo. Ela tem que aprender que o outro não tem domínio sobre ela. Se ela sabe o que são limites, ela já responde a uma intromissão", afirma. A pedagoga e mestre em educação sexual Caroline Arcari explica que, ao falar especificamente sobre abuso sexual, é preciso usar a linguagem adequada para cada idade. E ser claro. "É importante evitar termos muito abstratos. Por exemplo, dizer 'se você se sentir estranho, ou se alguém fizer algo que te deixe triste' etc. Porque quanto mais nova a criança, menos ferramentas ela vai ter para entender o que seria esse sentimento estranho, o que seriam esses atos que poderiam a deixar triste", afirma. Segundo ela, inicialmente a criança aprende que violência é algo muito concreto, que causa dor física: um beliscão, uma palmada, um puxão de cabelo. Logo, quando se fala de violência sexual, é preciso mostrar concretamente como ela pode acontecer. "É importante que a criança saiba os que são partes íntimas. Ela precisa saber que ela tem órgãos genitais, que o bumbum e os mamilos são partes íntimas. Tem que ter nome ou apelido para as partes", afirma.

Educação e confiança

A baiana Ariane Carmo contou no Facebook como seus pais conversavam com ela de forma bastante objetiva - a postagem teve 11 mil curtidas e mais de 7 mil compartilhamentos. "Uma amiga abriu debate sobre abuso sexual de crianças em seu perfil e muitas mulheres

que participaram sofreram abuso na infância. Com tantos perigos e relatos desanimadores começa a parecer impossível proteger as crianças", afirma. "Uma das moças disse que simplesmente não há muito o que fazer. Nesse ponto, eu pensei: não, calma! Há. Sei que ela queria dizer que não há como garantir plenamente a segurança. Mas eu senti que devia relatar a estratégia da minha família para fazer um contraponto, dar uma esperança."

"Meus pais me ensinaram o que era sexo e abuso sexual juntos. Minha mãe me disse que qualquer homem que tentasse fazer qualquer coisa comigo eu deveria contar pra ela e ela me protegeria, inclusive meu pai - isso na presença dele", escreveu ela. "Ela apontou pra ele. Na frente dele. Meu pai jamais me fez ou faria mal, e também não se ofendeu. Ele sabia o que eles estavam fazendo, que estavam criando o vínculo para que eu sempre sentisse segura e me ensinando a me proteger", relatou. "Eles me disseram que nunca seria culpada e não deveria acreditar se me dissessem que minha mãe ficaria brava ou me iria me castigar. Que ela me protegeria e que eu nunca deveria ter nenhum segredo com nenhum adulto, pois adultos não tem segredos com crianças. Que sempre que alguém falasse ou fizesse algo dizendo que eu não podia 'contar pra mamãe', imediatamente eu deveria falar."

Amor e carinho

Ariane diz que nunca teve nenhum tipo de trauma por ter tido essa conversa com os pais.

"Não tive uma iniciação sexual precoce por saber o que é sexo, nem tive algum tipo de bloqueio por me avisarem o que é abuso. Só fui protegida de abusadores", escreveu. A pedagoga Caroline Arcari diz que, para evitar que a criança fique com muito medo ao se falar da possibilidade de alguém machucá-la, é preciso contextualizar a conversa e falar mais sobre os aspectos positivos da interação com adultos e outras crianças. "Tem mostrar o que é bom na interação com um adulto. A parte positiva da convivência, para ela não achar que todo adulto é ruim. Para que a criança saiba o que é uma demonstração de amor e carinho e o que é abuso", afirma a pedagoga Caroline Arcari. Ariane Carmo diz que o motivou a escrever sobre sua educação foi notar que os pais "têm receio de falar claramente com seus filhos, como se eles fossem incapazes de entender - não só sobre abuso".

"Quando você senta uma criança e conversa com ela de forma clara, seja sobre o que for, sobre a importância do estudo aos riscos que o mundo oferece, incluindo abuso, ela vai entender." "Eu sei que muitos pais até conversam com seus filhos, mas o que eu gosto de destacar é que meus pais fizeram isso juntos, e que foram claros em definir que me protegeriam de qualquer um, inclusive um do outro. Nenhuma mãe ou pai espera que seu ou sua companheira(o) seja um abusador. E meus pais, claro, não eram", conta ela. "Mas se houvesse qualquer risco, a clareza daquela situação me daria confiança. Porque se sua mãe deixa claro que nem seu pai pode te fazer mal, você sabe que ninguém pode. A maioria dos abusadores é parente ou amigo da família que usa da confiança para praticar o crime. É preciso que a criança saiba que está segura - seja de quem for."

 

Fonte: BBC Brasil/Municipios Baianos

Comentários:

Comentar | Comentários (0)

Nenhum comentário para esta notícia, seja o primeiro a postar!!