17/02/2018

Com novas recomendações, OMS tenta frear explosão de cesáreas

 

Num esforço para reduzir o número de cesáreas praticadas no mundo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou nesta quinta-feira, 15, novas recomendações sobre padrões de tratamento e cuidados relacionados a mulheres grávidas.

O objetivo é reduzir "intervenções médicas desnecessárias".

De acordo com a OMS, 140 milhões de nascimentos ocorrem no mundo a cada ano. A maioria sem complicações. "Ainda assim, nos últimos 20 anos, médicos aumentaram o uso de intervenções que eram destinadas antes apenas para evitar riscos e tratar complicações, com a infusão de oxytocin para acelerar o parto ou cesáreas", indicou a OMS.

"A crescente medicalização de um processo normal de nascimento está minando a capacidade das mulheres de dar a luz e impactando de forma negativa sua experiência no nascimento", afirmou Nothemba Simelela, diretora-geral assistente da OMS.

Para ela, não há necessidade de receber intervenções adicionais para acelerar o parto se mãe e filho estiverem em boas condições.

A entidade alerta que, nos últimos anos, uma "proporção substancial" de grávidas saudáveis foi alvo de pelo menos uma intervenção durante um parto.

Com dados de 2016, a OMS aponta o Brasil como um dos líderes em cesáreas no mundo e alerta que o aumento nas práticas em partos se transformou em uma "epidemia".

A entidade estima que a taxa média mundial de cesáreas seria de 18,6% dos partos. Em 1990, esse índice era de apenas 6%. Em média, a taxa de cesáreas hoje na Europa é de 25%, contra 15% há 20 anos. Já nos EUA, a taxa é de 32,8%.

No Brasil, os dados de 2016 mostram que 55,6% dos partos no País foram cesáreas, a segunda maior taxa do mundo, superada apenas pela da República Dominicana, com 56%.

Na esperança de reverter a situação ou pelo menos frear o aumento de casos, 56 medidas foram anunciadas pela entidade. Elas incluem uma melhor comunicação entre médicos e as mães, permitir que sejam as mulheres que também possam opinar sobre sua administração da dor durante o processo de dilatação e posições para o parto.

Um dos aspectos centrais da recomendação é a de reconhecer que cada parto é "único" e tem um ritmo diferente.

Cada grávida, portanto, deve ser informada que não existe um padrão a ser respeitado, ainda que em geral um prazo máximo possa ser estabelecido. "A duração do primeiro estágio varia de mulher para mulher e, no caso de um primeiro parto, não se estende além de doze horas", aponta.

"Em fases seguintes, ele não ultrapassa dez horas de trabalho de parto."

Para reduzir intervenções médicas desnecessárias, a OMS agora alerta que a dilatação cervical precisa ser repensada. O ritmo de 1 cm por hora de dilatação na primeira fase do trabalho de parto - padrão usado para medir o progresso do caso - seria "irrealista" para algumas mulheres e poderia ser "inexato para identificar mulheres sob risco".

Pelas novas recomendações da OMS, uma taxa de dilatação mais lenta não deve ser um indicador de rotina para determinar se uma intervenção deve ou não ocorrer para acelerar o trabalho de parto.

Na avaliação da agência de saúde da ONU, é o envolvimento da mulher nas decisões do trabalho de parto que poderia mudar essa realidade. Entre as recomendações, a entidade pede que médicos informem as mulheres sobre a duração do parto.

Para a OMS, as intervenções médicas em trabalhos de parto estão "generalizadas" em muitos países. Mas isso coloca uma pressão extra nos serviços de saúde e aprofundaria ainda mais a disparidade nos tratamentos. Na avaliação da entidade, uma redução no número de cesáreas desnecessárias liberaria recursos para casos nos quais o risco é real.

Enquanto o número de cesáreas e parto com hora marcada aumenta, a entidade destaca que 830 mulheres morrem diariamente ao dar à luz. "Isso poderia ser evitar com um cuidado de maior qualidade", aponta a OMS.

OMS divulga recomendações de boas práticas para o parto normal

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou nesta quinta-feira (15) novas recomendações para garantir que grávidas saudáveis tenham uma experiência positiva na hora do parto natural.

O principal objetivo é “reduzir intervenções médicas desnecessárias”.

A agência pede que nem a ocitocina nem fluídos intravenosos sejam aplicados para estimular contrações.

De acordo com a ONU News, a OMS aponta que a checagem da dilatação deve acontecer a cada quatro horas na primeira fase do parto, isso para mulheres com gravidez de baixo risco.

Em relação ao controle da dor, a organização pede que a anestesia peridural ou o uso de opioides sejam aplicados quando mulheres saudáveis pedirem esse tipo de intervenção.

A agência recomenda ainda várias técnicas para o alívio da dor durante o trabalho de parto, como relaxamento muscular, música ambiente, técnicas de respiração, massagem e aplicação de bolsas de água quente. Mas isso tudo deve ser feito apenas a pedido da grávida.

Além disso, se o trabalho de parto estiver ocorrendo sem problemas, a mulher deve ser estimulada a caminhar e até a receber líquidos e alimentos.

Segundo a OMS, cerca de 140 milhões de nascimentos ocorrem por ano, a maioria sem complicações para mulheres e bebês. Mas nos últimos 20 anos, os profissionais de saúde “aumentaram o uso de intervenções que antes eram utilizadas apenas para reduzir riscos ou tratar complicações”.

O objetivo das orientações é reverter essa situação, visando inclusive reduzir o número de cesarianas quando o procedimento pode ser evitado.

A Princess Nothemba Simelela, representante da a agência da ONU, explica que “o aumento da medicação durante o parto natural está minando a capacidade da mulher de dar à luz, tendo um impacto negativo na experiência do parto”. Segundo a médica, “se o parto está progredindo normalmente, com mãe e bebê em boas condições, não é necessária nenhuma intervenção para acelerar o processo”.

ONU: sem ações pela igualdade de gênero, mundo não alcançará objetivos globais

Sem o rápido progresso para a igualdade de gênero e ações reais para acabar com a discriminação contra mulheres e meninas, a comunidade global não será capaz de manter a promessa de “não deixar ninguém para trás” no caminho para pôr fim à pobreza, proteger o planeta e avançar na prosperidade até 2030, de acordo com novo relatório das Nações Unidas lançado na quarta-feira (14).

“Este é um sinal urgente para a ação, e o relatório recomenda os caminhos a seguir”, disse a diretora-executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka, no lançamento do documento “Transformando promessas em ação: Igualdade de Gênero na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável“.

Falando a jornalistas na sede da ONU em Nova Iorque, Phumzile disse ainda que “estamos comprometidos com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável para não deixar ninguém para trás”. No entanto, afirmou ela, o relatório mostra muitas áreas onde o progresso permanece devagar para atingir os objetivos globais até 2030.

Até mesmo onde houve progresso, este pode não ter atingido as mulheres e meninas que precisam mais dele, assim como aqueles que estão sendo deixados para trás, completou a diretora-executiva da ONU Mulheres.

O relatório analisa com profundidade casos em Colômbia, Nigéria, Paquistão, África do Sul, Estados Unidos e Uruguai, olhando para o que é necessário fazer para cumprir a Agenda 2030.

Focando no trabalho de cuidado não pago e no fim da violência contra as mulheres, o abrangente relatório examina todos os 17 ODS e quão profundamente entrelaçadas estão as diferentes dimensões de bem-estar e privação, afetando a vida de mulheres e meninas.

Como exemplo, aponta que uma menina nascida na pobreza e forçada ao casamento infantil tem mais chances de deixar a escola, engravidar precocemente, sofrer complicações no parto e enfrentar violência — um cenário que envolve todos os ODS.

Além disso, novos dados de 89 países revelam que existem 4,4 milhões mais mulheres vivendo com menos de 1,90 dólar por dia — o que pode ser explicado pelo desproporcional peso do trabalho de cuidado não pago, mais frequentemente realizado por meninas e mulheres, especialmente durante seus anos reprodutivos.

Ao olhar para além das médias nacionais, há importantes desigualdades entre mulheres e meninas que, mesmo no mesmo país, vivem em mundos diferentes por conta de desigualdades de renda, devido à sua raça, etnicidade ou localização.

Enquanto o relatório aborda formas de combater desigualdades estruturais existentes e o que é necessário fazer para o mundo se mover das promessas para a ação, o progresso permanece lento.

“É um problema em todos os países, desenvolvidos, em desenvolvimento, do norte, sul, leste e oeste”, disse a chefe de pesquisas e dados da ONU Mulheres, Shahrashoub Razavi.

“Temos um longo caminho para atingir a igualdade de gênero universalmente”, acrescentou, classificando a questão como “um problema que bloqueia a conquista dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”.

Mais de 200 mil crianças e adolescentes são diagnosticados anualmente com câncer

No Dia Internacional de Luta Contra o Câncer na Infância, lembrado nesta quinta-feira (15), a organização Childhood Cancer International (CCI) alertou para a necessidade de ações globais conjuntas para enfrentar o que chama de desafio crescente imposto pela doença.

Segundo a Agência Brasil, dados da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer indicam que cerca de 215 mil casos são diagnosticados todos os anos em menores de 15 anos, além de 85 mil casos entre adolescentes de 15 a 19 anos. "Apesar de o número de crianças com câncer ser bem menor quando comparado à incidência global da doença em adultos, o número de vidas salvas é significativamente maior: as taxas de sobrevivência em países de alta renda chegam a uma média de 84% e estão melhorando de forma consistente mesmo em áreas com menos recursos no mundo onde há apoio local e internacional", destacou a CCI, por meio de nota.

A campanha alerta ainda para a disparidade no acesso ao tratamento do câncer infantil em países de baixa e média renda, onde vivem 80% das crianças e adolescentes com câncer.

De acordo com o comunicado, crianças e adolescentes na África, na Ásia, na América Latina e em partes do Leste e Sul europeu não têm acesso apropriado nem mesmo a medicamentos essenciais e cuidados especializados.

"Atualmente, o local onde a criança reside muitas vezes determina sua habilidade de sobreviver ao câncer infantil", concluiu a entidade, composta por 188 organizações membro de um total de 96 países.

 

Fonte: BN/ONU Brasil/Municipios Baianos

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