20/02/2018

O Brasil tem a 2ª gasolina mais cara do mundo

 

A política de preços dos combustíveis adotada por Michel Temer e Pedro Parente colocou o Brasil com a segunda gasolina mais cara entre os 15 países que mais produzem petróleo no mundo, segundo levantamento da consultoria Air-Inc; mesmo o Brasil tendo feito com o pré-sal a maior descoberta recente de petróleo, a política da Petrobras fez disparar a importação de derivados como gasolina e diesel; tudo isso para a estatal brasileira fazer caixa e pagar, sem condenação judicial, uma indenização de R$ 10 bilhões a investidores americanos; segundo a pesquisa, a gasolina é vendida no Brasil a US$ 1,30 por litro, quase o dobro do que é cobrado nos Estados Unidos, principais beneficiados

Desde meados de 2017, quando a Petrobras passou a reajustar os preços diariamente e o governo aumentou a carga tributária sobre o setor, os preços da gasolina subiram cerca de 20% para o consumidor final. Com o aumento, o Brasil se consolida no posto de uma das gasolinas mais caras dentre os países produtores de petróleo, enquanto União, Petrobras, distribuidoras e revendedores tentam se dissociar da escalada dos preços dos combustíveis na bomba.

Levantamento da consultoria Air-Inc, que consolida estatísticas globais de custo de vida e mobilidade, mostra que a gasolina vendida nos postos brasileiros é a segunda mais cara dentre os 15 países que mais produzem petróleo no mundo. De acordo com a pesquisa, obtida pelo Valor, a gasolina é vendida no Brasil a US$ 1,30 por litro (considerando câmbio de R$ 3,3 e preço médio de R$ 4,28). No ranking dos maiores produtores de petróleo, só não é mais cara que o combustível vendido na Noruega.

Hoje, a estatal começa a adotar nova estratégia de divulgação de reajustes nas refinarias. A companhia passará a divulgar, junto com as variação percentual diária, o preço médio do litro da gasolina e do diesel nas refinarias. A intenção é deixar claro que os preços praticados nas refinarias correspondem a 1/3 dos preços na bomba.

Na semana retrasada, distribuidoras e postos entraram no centro de um embate com o governo, que pediu ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para investigar possível formação de cartel no setor. O presidente Michel Temer chegou a acusar publicamente as empresas da cadeia de distribuição e revenda de não repassarem ao consumidor as baixas nos preços nas refinarias.

Petrobras anuncia mudanças na divulgação do preço da gasolina e do diesel

Para dar mais transparência à composição do preço final dos combustíveis, a partir de hoje (19) a Petrobras passa a divulgar o preço médio do litro da gasolina e do diesel nas refinarias e terminais do Brasil, sem incluir os tributos. Os valores estarão disponíveis no site da estatal.

Com o reajuste previsto para entrar em vigor amanhã (20), o preço médio do litro da gasolina A, comercializado pela empresa, será de R$ 1,5148 e o do litro do diesel A será R$ 1,7369. O valor médio nacional considera os preços à vista, sem encargos, praticados nos diversos pontos de venda em todo território nacional.

Como a legislação garante a liberdade de preços no mercado, as revisões de preços feitas pela Petrobras podem ou não se refletir no preço final ao consumidor, de acordo com os repasses feitos por outros integrantes da cadeia de combustíveis e derivados.

Acumulado

Segundo dados disponibilizados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio da gasolina em outubro de 2016, quando foi adotada a nova política de preços da Petrobras, era de R$ 3,69 por litro. Em fevereiro de 2018, havia subido para R$ 4,23 o litro, uma variação de 54 centavos. Segundo a Petrobras, os ajustes feitos pela empresa respondem por 9 centavos desse total.

No caso do diesel, o preço médio em outubro de 2016 era de R$ 3,05 por litro e agora está em R$ 3,40. Da variação de 35 centavos, os ajustes feitos pela Petrobras respondem por 12 centavos.

A estatal ressalta que não fez alterações na política de preços para diesel e gasolina. “Os preços dos derivados são atrelados aos mercados internacionais e podem variar diariamente, como outras commodities, a exemplo da soja, do trigo e do aço. De acordo com as cotações internacionais, pode haver manutenção, redução ou aumento nos preços praticados nas refinarias”, diz a nota da Petrobras.

Gás de cozinha

O site da Petrobras passa a informar também o valor médio do GLP residencial, vendido pela estatal para as distribuidoras que fazem o envase em botijão de gás de cozinha. Atualmente, o preço médio sem tributos equivale a R$ 23,16 por botijão de 13 quilos.

A revisão da política de preços do GLP de uso residencial foi feito em janeiro, para reduzir a volatilidade de preços do produto.

“A revisão alterou a frequência dos reajustes de mensal para trimestral e introduziu um mecanismo de compensação pelas diferenças entre os valores que seriam praticados pela política anterior e aqueles adotados pela metodologia atual, sem, portanto, impactar negativamente o resultado da companhia. A referência continua a ser o preço do butano e propano comercializado no mercado europeu acrescido de margem de 5%”.

Petrobras revisa política de preços do gás

A Petrobras anunciou a revisão da política de preços do GLP de uso residencial, com redução a partir de sexta-feira (19), de 5% nas refinarias. Assim, o preço médio sem tributos nas refinarias da Petrobras será de R$ 23,16 por botijão de 13 quilos. Entre as mudanças na política de preços, está a frequência dos ajustes, agora trimestral em vez de mensal, com vigência no dia 5.

"A Petrobras acredita que estes novos critérios permitirão manter o valor do GLP referenciado no mercado internacional, mas diluirão os efeitos de aumentos de preços tipicamente concentrados no fim de cada ano, dada a sazonalidade do produto", informou a petrolífera em comunicado ao mercado, divulgado nesta quinta-feira, 18.

A Petrobras reiterou que a lei brasileira garante liberdade de preços no mercado de combustíveis e derivados, de modo que as revisões podem ou não se refletir no preço final ao consumidor, a depender de repasses feitos especialmente por distribuidoras e revendedores. A referência continuará a ser o preço do butano e propano comercializado no mercado europeu acrescido de margem de 5%. Em 13 de dezembro de 2017, a reportagem pesquisou o preço do gás de cozinha em 20 revendas e identificou valor médio de  R$ 64,79.

Outro ponto da nova política de preços para o GLP é que reduções ou elevações de preços superiores a 10% terão que ser autorizadas pelo Grupo Executivo de Mercado e Preços (GEMP ), formado pelo presidente da Petrobras e pelos diretores de Refino e Gás Natural e Financeiro e de Relacionamento com Investidores. Nestes casos, a data de aplicação dos ajustes (dia 5) pode ser modificada. "Caso o índice de reajuste seja muito elevado, o GEMP poderá decidir não aplicá-lo integralmente, ficando a diferença para compensação conforme mecanismo adiante detalhado", explica a estatal.

O período de apuração das cotações internacionais e do câmbio que definirão os percentuais de ajuste será a média dos 12 meses anteriores ao período de vigência e não mais a variação mensal.

Mecanismo de compensação

Foi criado um mecanismo de compensação para comparar os preços da nova política com os da anterior, e as diferenças acumuladas em um ano, ajustadas pela taxa Selic, serão compensadas por meio de uma parcela fixa acrescida ou deduzida dos preços praticados no ano seguinte.

A nova política inclui uma regra de transição para 2018 "excepcionalmente", com a redução imediata de 5% no preço vigente a partir de 19/01, apurado com base nas médias das cotações internacionais e do câmbio de 1º a 12 de janeiro; e períodos crescentes de referência para apuração das variações de preço até que se chegue à média de 12 meses.

Assim, no segundo trimestre deste ano a data prevista de reajuste será 5 de abril, com base nos seis meses anteriores. E para o terceiro trimestre, a data prevista é 5 de julho, com base em 9 meses anteriores, e a partir do quarto trimestre, reajuste no dia 5 do início de cada trimestre, com base nos 12 meses anteriores.

Entenda a nova política de preços para o gás

A Petrobras anunciou domingo (18) uma nova política de preços para o gás de cozinha residencial (13 Kg), além de uma regra de transição para 2018, que reduzirá o preço vendido nas refinarias em 5% a partir de amanhã (19). A medida visa reduzir a volatilidade nos preços que estavam acompanhando mensalmente as mudanças nos preços internacionais e que atingiram em algumas regiões do país mais de R$ 100 por botijão.

Quais foram as principais mudanças na política de preços?

1) Os ajustes de preços passam a ser trimestrais em vez de mensais, com vigência no dia 05 do início de cada trimestre.

2) O período de apuração das cotações internacionais e do câmbio que definirão os reajustes será a média dos doze meses anteriores ao período de vigência e não mais a variação mensal.

3) Reduções ou elevações de preços superiores a 10% terão que ser autorizadas pelo Grupo Executivo de Mercado e Preços, formado pelo presidente da Petrobras e pelos diretores de Refino e Gás Natural e Financeiro e de Relacionamento com Investidores.

4) Criação de um mecanismo de compensação que permitirá comparar os preços praticados segundo esta nova política e os preços que seriam praticados de acordo com a política anterior. As diferenças acumuladas em um ano, ajustadas pela taxa SELIC, serão compensadas por meio de uma parcela fixa acrescida ou deduzida aos preços praticados no ano seguinte.

Esta política já está valendo em 2018?

Para 2018 será aplicada uma regra de transição com redução imediata de 5% e datas específicas para reajustes, 19/1/2018, 5/4/2018, 5/7/2018 e dia 5 do início de cada trimestre em diante.

Em breve uma medida similar deverá ser criada para a gasolina que tem apresentado ainda mais volatilidade nos preços, com sua política de reajustes diários.

Leilão de distribuidoras da Eletrobras movimenta mercado, dizem especialistas

Ao menos meia dúzia de investidores tem se movimentado para analisar seis distribuidoras de eletricidade da estatal Eletrobras que deverão ser privatizadas em um leilão que o governo pretende realizar até abril, disseram especialistas próximos das conversas em andamento.

O andar das consultas sugere que deve haver interessados por todas as empresas, que operam no Norte e Nordeste do país, com a possibilidade até de haver disputas entre mais de uma companhia por alguns ativos mais atraentes.

As empresas da Eletrobras atendem Acre, Alagoas, Amazonas, Rondônia, Roraima e Piauí, com operações fortemente deficitárias que obrigaram o governo a autorizar a holding elétrica a assumir 11,2 bilhões de reais em dívidas e possíveis passivos de até 4 bilhões de reais dessas subsidiárias junto a fundos do setor elétrico para viabilizar a venda.

"Tem algumas empresas interessadas, sim, e elas estão se movimentando... acho que vai ter uma disputa, principalmente por algumas distribuidoras. Acredito que todas receberão lances", disse à Reuters a diretora da consultoria Thymos Energia, Thais Prandini.

"Eu até achava que não haveria tanto interesse, mas está tendo... estamos vendo uma movimentação. A gente tem pelo menos um cliente que pediu proposta para olhar o data-room dessas empresas todas", disse o sócio da área de energia do escritório Veirano Advogados, Tiago Figueiró, sem citar nomes.

Entre empresas vistas como possíveis interessadas estão grupos que já atuam com distribuição de energia do Brasil e fizeram aquisições no setor ao longo dos últimos anos, como a Equatorial e a italiana Enel, além da Neoenergia, controlada pelos espanhóis da Iberdrola.

Uma fonte disse à Reuters, na condição de anonimato, que a Energisa também pretende disputar o leilão das distribuidoras e está de olho em mais de uma empresa da Eletrobras, incluindo a Ceron, responsável pelo fornecimento em Rondônia.

Uma segunda fonte disse que entre os grupos que querem disputar as privatizações estão também as financeiras Vinci Partners e GP Investments, fundos de private equity que já foram sócios da Equatorial.

A Equatorial tem como maiores acionistas atualmente Squadra Investimentos, Opportunity, Black Rock e GIC. A empresa é vista como especialista em recuperar distribuidoras deficitárias, após ter comprado a Cemar, do Maranhão, por 1 real em 2004 --a empresa hoje é considerada uma das mais eficientes do setor.

O sócio da auditoria independente Tattica, Aderbal Hoppe, disse que a operação deficitária das distribuidoras da Eletrobras pode ser revertida por novos controladores que consigam reduzir custos operacionais e investimentos e ao mesmo tempo sanear as dívidas das companhias.

"Isso é determinante, pois em casos como o da Cemar... houve capacidade e ela em pouco tempo passou a ser uma referência de excelência operacional e de distribuição de dividendos", afirmou.

Procurada, a Eletrobras disse que não iria comentar, assim como a italiana Enel. A Energisa também não comentou.

A Neoenergia não quis falar sobre o leilão das distribuidoras da Eletrobras, mas ressaltou em nota que "o grupo está sempre atento a novas oportunidades de negócios e acompanha a movimentação dos ativos disponíveis no mercado".

A Equatorial Energia disse que "está atenta às oportunidades de mercado". GP Investments e Vinci Partners não responderam a um pedido de comentário.

MODELO

O leilão das distribuidoras da Eletrobras prevê um preço simbólico para cada empresa, de 50 mil reais, associado a obrigações de investimentos e aportes de recursos nas concessionárias.

Pelas regras da licitação, o vencedor da disputa por cada concessionária deverá realizar aportes nas empresas após a compra que variam de cerca de 240 milhões de reais nas elétricas de Rondônia e do Acre a um máximo de 721 milhões, na Cepisa, do Piauí.

Somadas as seis distribuidoras, o aporte imediato de capital exigido será de 2,4 bilhões de reais.

O valor representa cerca de 30 por cento do total de investimentos previstos para os cinco primeiros anos de operação das distribuidoras, estimados em 7,8 bilhões de reais, segundo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que tem assessorado o processo de desestatização.

 

 

Fonte: Brasil 247/r7/Diário Gaucho/Agencia Brasil/Municipios Baianos

Comentários:

Comentar | Comentários (0)

Nenhum comentário para esta notícia, seja o primeiro a postar!!