22/02/2018

'O mercado quer um candidato de direita', diz dono da Riachuelo

 

O empresário e ex-deputado federal Flávio Rocha, dono da Riachuelo, abandonou a vida parlamentar há 23 anos, mas desde o processo que culminou no impeachment de Dilma Rousseff virou voz ativa no cenário político a ponto de ser considerado uma opção na eleição presidencial.

O deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) chegou a citá-lo como uma alternativa para compor sua equipe. "Tenho conversado com os candidatos de uma forma geral e constatado uma imensa lacuna, uma lacuna que é a falta do chamado candidato óbvio", disse em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.

Na busca pelo "candidato óbvio", Rocha não parece confortável com nenhum dos nomes colocados até então.

Rocha lança nesta quarta-feira (21) em Natal, o braço nordestino do Brasil 200 - movimento de empresários que pretende pautar as eleições com um projeto liberal na economia e conservador nos costumes.

Ele confirmou que tem conversado com todos os candidatos, entre eles o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC), que o elogiou publicamente. "Fiquei lisonjeado, mas isso iria comprometer o crescimento do (movimento) Brasil 200", afirmou, ao ser questionado se seria seu vice.

Para Rocha, o parlamentar precisa ajustar "a sintonia fina".

"Bolsonaro merece o mérito de ser o único candidato que toca nos temas tabus. Pode se questionar a sintonia fina de carregar demais nas cores, mas é o único que fala de temas que têm apoio de 80% do eleitorado", avaliou.

Sobre Luciano Huck, que voltou a negar que se candidataria, foi evasivo. "Olha, o Luciano Huck é um querido amigo, que tenho admiração. Mas não concordei quando ele disse que 'não existe mais esquerda e direita'”.

Dizer que não existe esquerda ou direita é dizer que tanto faz se você está ao lado de Coreia do Norte, por exemplo", pontuou.

Para o empresário, há uma estratégia de qualificação da direita como simpatizante da ditadura militar. "Ora, a ditadura militar foi tão estatizante quanto o PT. Na economia, direita é Estado pequeno. O que é o centro? O centro é um contingente da classe política que até admite que o livre mercado é a melhor forma de criar riquezas, mas acha que precisa existir Estado para distribuí-la, como se não fosse a caridade estatal a pior que existe, a mais vulnerável à politicagem, mais nociva e barata. O centro é muito menos eficiente. Com um política de centro, uma retomada será muito mais lenta do que uma política de livre mercado autêntica", acrescentando que o mercado deseja "um candidato da direita democrática".

"É a direita dos costumes que é o discurso que toca a imensa maioria do eleitorado brasileiro. Nós ainda não temos esse candidato que tenha esse discurso coerente para tocar o coração do eleitor - aliado à fórmula eficiente para consertar a economia", salientou.

Neste sentido, acha que falta ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), ser "mais incisivo na agenda dos costumes". "Isso é o que falta a ele para chegar mais próximo a esse perfil. Ele tem convicções que não estão sendo externadas - que é de um candidato mais conservador nos costumes. Ele está migrando perigosamente para esse centro amorfo. Com isso, ele corre o risco de ser "cristianizado" entre dois polos radicais. Ao não se posicionar sobre certos temas, ele ficará esmagado entre essa polarização", analisou Rocha, que acredita em um surgimento de um outsider.

Marqueteiro afirma que ‘Temer já é candidato’ à reeleição

O marqueteiro do presidente Michel Temer (PMDB), Elsinho Mouco, apontou que a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro é vista como a principal jogada para colocar o presidente em uma possível luta pela reeleição, já que em entrevista ao jornal O Globo, Temer “Já é candidato”.

Mouco avalia ainda que a intervenção aproximou Temer de uma das principais bandeiras de Jair Bolsonaro: a da utilização das Forças Armadas no trabalho de segurança pública. “O Bolsonaro se enrolou. Errou feio, como o Ciro Gomes em 2002”, availou Elsinho após o deputado ter se posicionado contrário à intervenção nas redes sociais e ter votado a favor do decreto na Câmara.

Temer manda desmentir o marqueteiro, para fingir que não é candidato à reeleição

O porta-voz do presidente Michel Temer, Alexandre Parola, convocou a imprensa nesta quarta-feira (21) para dizer que a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro não tem caráter eleitoral. Sem citar nomes, Alexandre Parola também disse no pronunciamento que assessores ou colaboradores do governo que expressem ideias ou avaliações sobre a intervenção “não falam nem têm autorização para falar em nome” de Temer.

“A agenda eleitoral não é, nem nunca o será, causa das ações do presidente. Assim o comprovam as reformas propostas na Ponte para o Futuro [documento lançado pelo PMDB] e que têm sido implementadas desde o primeiro dia da administração”, disse Parola.

DEMANDA SOCIAL

“O presidente da República não se influenciou por nenhum outro fator, a não ser atender a uma demanda da sociedade. É essa a única lógica que motivou a intervenção federal na área de segurança pública do estado do Rio de Janeiro”, acrescentou o porta-voz.

A intervenção foi decretada por Temer na semana passada e aprovada pelo Congresso Nacional na noite desta terça (20). Pelo decreto, as Forças Armadas poderão comandar as ações de segurança pública no Rio até 31 de dezembro.

Candidato, Temer atropela Maia e irrita clube do golpe. Por Tereza Cruvinel

Na semana passada o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, anunciou que seu partido, o DEM, teria candidato próprio a presidente e definiria sua posição em março. O único candidato demista que até então existia era ele, embora como lanterninha nas pesquisas, ao lado de Henrique Meirelles. Mas Temer, ao embarcar no delírio da própria candidatura à reeleição, razão da intervenção militar eleitoreira no Rio, em busca de resultados fáceis conversíveis em votos, liquidou com a candidatura de Maia e com a de Meirelles e irritou outros membros da coalizão golpista, inclusive os tucanos de Geraldo Alckmin.

Rodrigo Maia teve a reação mais forte e indicou que daqui para a frente não vai mais facilitar a vida de Temer na Câmara. Ele, que foi decisivo para a salvação da cabeça de Temer na votação das duas denúncias; ele, que viu o cavalo passar à sua frente mas não o montou, privando-se de articular a aprovação da denúncia para ficar com a cadeira presidencial; ele, que se tivesse assumido poderia disputar a reeleição no cargo...agora colheu ingratidão e deslealdade de Temer. Este sentimento não explicitado mas compreensível, e não o caso pontual da intervenção no Rio sem consulta-lo, é que explica o esperneio de Rodrigo Maia nesta  terça-feira, ao espinafrar a  pauta econômica alternativa do governo, composta por 15 projetos que tramitam na Câmara. Foi Meirelles que apresentou esta agenda na segunda-feira, numa ridícula tentativa de compensar o arquivamento da reforma previdenciária, que já estava derrotada por falta de votos. São medidas inócuas que, mesmo se aprovadas, não triscarão no formidável rombo das contas públicas.

Os projetos, disse Rodrigo, não são do governo, como quis fazer crer o ministro. Já tramitam na Câmara, em sua maioria são de iniciativa parlamentar e serão pautados segundo a dinâmica da Casa. Quando o presidente da Câmara quiser. “Do jeito que eles apresentaram é como se fosse a pauta do governo no Legislativo, e isso é um abuso”, disse Rodrigo, queixando-se da “falta de respeito” do governo para com o Congresso.      

Espinafrou a inocuidade das medidas dizendo: “Esse é um café velho e frio que não atende como novidade a sociedade”. E num claro sinal de que não colocará nada do pacote em votação, arrematou: “O governo que apresente uma pauta econômica nova, porque (para)  a que está aqui, o tempo de discussão e votação é definido pela presidência da Câmara. Vamos respeitar a independência dos poderes. A apresentação de ontem (segunda-feira) foi um equívoco, foi um pouco de desrespeito ao Parlamento pois os projetos já estão aqui”. No Senado, o presidente Eunício Oliveira fez coro e também declarou que o Senado votará quando quiser as medidas elencadas pelo governo.

Com sua intervenção militar no Rio, temerária, populista e eleitoreira, Temer semeou discórdia entre os aliados. Meirelles enfiou a viola no saco, faltando apenas declarar que desistiu de ser candidato. Alckmin já passou recibo dizendo que nunca teve a pretensão de ser o candidato do governo. Todos eles sabem que é inglória a concorrência com quem disputa montado na máquina na Presidência. Ainda mais quando este alguém não tem o menor pudor em valer-se da coisa pública para atender aos próprios interesses, como fez Temer ao distribuir emendas, cargos e outras vantagens para aliciar deputados na votação das duas denúncias.

O plano eleitoral de Temer, o Plano Mouco, pressupõe a suplantação dos demais candidatos da centro-direita golpista e a unificação do bloco em tordo de sua candidatura à reeleição. Já se viu que esta segunda variável pode não se confirmar.

'Temer está se cacifando para ser presidente', diz Lula

O ex-presidente Lula (PT) afirmou nesta quarta (21) que o presidente Michel Temer (MDB) usa a intervenção federal no Rio de Janeiro para "se cacifar" na eleição deste ano.

De acordo com a Folha de S. Paulo, o petista ressaltou que a pauta da segurança tem apoio da população enquanto a Reforma da Previdência não tinha.

"O Datafolha faz uma pesquisa e demonstra que os deputados não iam votar a reforma porque tinha muita gente contra. O que ele fez? Ele inventa a questão da segurança, tira a reforma da Previdência e faz uma intervenção no Rio de Janeiro, que tem 90% de apelo", avaliou Lula.

Intervenção é para ‘pegar’ eleitores de Bolsonaro, diz Lula

O ex-presidente Lula acredita que o decreto de intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro é um sinal de que o presidente Michel Temer quer se candidatar à reeleição e está fazendo uma movimentação para angariar votos de simpatizantes do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ).

“Acho que o Temer está encontrando um jeito de ser candidato a presidente da República. E eu acredito que ele achou que a segurança pública pode ser uma coisa muito importante para pegar um nicho de eleitores do Bolsonaro”, disse em entrevista à “Rádio Itatiaia”. Mesmo admitindo a impossibilidade de ser contrário a uma medida emergencial em relação ao crescimento da violência no estado fluminense, Lula indicou que o decreto de Michel Temer tem mais de cálculo político do que estratégia séria para solucionar a área de segurança pública.

MUDANÇA DE AGENDA

Para Lula, a cúpula do Palácio do Planalto, após perceber que não poderia aprovar a Reforma da Previdência em razão da rejeição encontrada tanto na Câmara dos Deputados como entre a população, resolveu mudar a agenda, de um tema negativo, a mudança nas aposentadorias, para outro positivo, a intervenção federal. “O que eles pensaram? Vamos criar outro espetáculo, e criaram passando para a sociedade que agora vão acabar os problemas. Mas não vão acabar”, disse.

Lula citou outras experiências fracassadas no estado que foram bem recebidas inicialmente mas não tiveram efeitos duradouros, como a instalação das Unidades de Polícia Pacificadora em favelas e a ocupação do Complexo da Maré em 2015. O ex-presidente ainda indicou que o Exército não é preparado para enfrentar o narcotráfico e que colocar oficiais das Forças Armadas para combater a violência urbana pode levar a resultados negativos, como a corrupção entre os oficiais da corporação.

ESTRATÉGIA

Ao falar sobre uma possível candidatura de Temer, o petista também aproveitou para fazer uma análise do cenário eleitoral. Citando pesquisas de opinião, Lula afirmou que, caso seja candidato, ou ganharia no primeiro turno, ou seria presença certa no segundo. Sem sua presença na eleição, no entanto, Lula usou uma metáfora para explicar o equilíbrio entre os candidatos. Para ele, sua inelegibilidade é uma estratégia de seus adversários e da elite para deixar as duas vagas do segundo turno em aberto.

“Todo mundo é um caminhão de melancia. Um tem cinco, outro tem seis, outro tem sete. Está todo mundo igual, então todo mundo acha que tem chance”, disse Lula para explicar seu pensamento sobre Temer: “Então eu acho que o Temer está fazendo uma aposta. Ele tirou da pauta uma coisa que a sociedade era contra e colocou outra que a sociedade é favorável”, afirmou.

ACORDO COM PMDB

O ex-presidente Lula se negou a se comprometer não fazer acordos com o PMDB nas eleições de 2018. O partido foi o principal beneficiado com o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, considerado pelo PT um golpe parlamentar. No entanto, o ex-presidente afirmou que o partido irá fazer acordos com o partido no estado, citando Minas Gerais como exemplo. O PT também negocia possíveis alianças com o partido em estados como o Ceará, liderado pelo presidente do Senado Eunício Oliveira, e em Alagoas, terra natal do senador Renan Calheiros.

“Não existe essa de MDB nunca mais. Como o (Fernando) Pimentel vai trabalhar sem o MDB em Minas Gerais?”, disse. A sigla decidiu, em convenção em dezembro do ano passado, mudar o nome. Passaria, então, a ser chamado pela nomenclatura original, MDB, abandonando o P. O Tribunal Superior Eleitoral ainda precisa aceitar a mudança.

Para Lula, quem quiser ser “principista”, aqueles que rejeitam acordos por diferenças políticas, não pode fazer política. “Eu quero ganhar as eleições para melhorar a vida do povo brasileiro. Então tenho que construir uma aliança política que me permita fazer isso. Senão, serei o melhor candidato do mundo e não ganharei as eleições”, concluiu.

 

 

Fonte: Agencia Estado/Bahia.ba/Tijolaço/G1/Municipios Baianos

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