22/02/2018

Governador e prefeito descartam intervenção na Bahia

 

O governador Rui Costa (PT) e o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), concordaram, ontem, que a Bahia não precisa de uma intervenção federal na segurança, mas o democrata fez questão de criticar o desempenho do governo estadual na área. Na avaliação do chefe do Palácio Thomé de Souza, o estado do Rio de Janeiro, onde a medida foi adotada, vive uma “situação extremada” que é diferente do “resto do Brasil”. Por essa razão, diz ele, há a necessidade de “intervenção constitucional”. “Agora, não acho que seria o caso de aplicar a mesma medida, neste momento, na Bahia. O que não quer dizer que as coisas vão bem, porque não vão. A segurança pública vai muito mal”, ressaltou, em entrevista à imprensa após a assinatura de contratos para entrega de unidades habitacionais do programa “Minha Casa, Minha Vida”, na Faculdade Unopar, no Parque Bela Vista.

Já o governador Rui Costa lamentou a situação do Rio de Janeiro. Disse que há um “colapso” na segurança pública do estado e que a intervenção pode ser adotada como “paliativo” para evitar que “o povo não sofra mais”. Avaliou, entretanto, que a medida serve “mais à necessidade política do governo do que à segurança”. “O Rio entrou em colapso depois de sucessivas gestões que comprometeram muito a administração. A gente fica triste. Só para se ter uma ideia. O Rio tem o dobro da arrecadação da Bahia. Enquanto a Bahia arrecada R$ 44 bilhões, o Rio arrecada R$ 88 bi. O governador Pezão, eu tenho uma admiração pessoal grande por ele, mas, infelizmente, ele jogou a toalha e entregou a gestão da segurança para uma intervenção, que, na minha opinião, não é uma medida que será duradora e trará resultados duradores”, pontuou, no “Papo Correria”, transmitido ao vivo pelo Facebook do gestor estadual.

O chefe do Palácio de Ondina disse que a Bahia não precisa de intervenção porque “aqui tem governo, aqui tem governador e a gente vai seguir o nosso caminho”. Rui Costa afirmou que, para combater a criminalidade nos estados, seria melhor que as Forças Armadas atuassem nos portos, rodovias e aeroportos para impedir a entrada de armamentos e drogas. “O Brasil fabrica aqueles fuzis que vimos há três semanas chegarem caixas e caixas no Aeroporto do Galeão?”, indagou.

Proposta do governo Temer corta R$ 40 milhões de verba federal na segurança pública da Bahia

Uma proposta de remanejamento orçamentário proposto pelo presidente Michel Temer vai cortar R$ 40 milhões que iriam para Secretaria de Segurança Pública da Bahia. A matéria (PLN 01/2018) foi aprovada nesta terça-feira (20) por deputados e senadores no Congresso Nacional, que no somatório total cortou R$ 180 milhões de investimento federal que estava cotado para o estado da Bahia em áreas de educação, saúde e tecnologia.

Pelo Facebook, o deputado federal Jorge Solla (PT-BA) criticou o movimento do Planalto que, na contramão do investimento maciço na intervenção militar no Rio de Janeiro, diminui o suporte financeiro para que Bahia consiga modernizar a inteligência policial.

Além da segurança pública, houve cortes de R$ 40 milhões que serviriam para a reestruturação e modernização do Hospital Universitário Professor Edgard Santos, R$ 40 milhões que seriam usados na inovação e produção de insumos estratégicos para a saúde”, mais R$ 30 milhões que seriam aplicados na expansão e reestruturação de instituições federais de educação profissional e tecnológica, outros R$ 30 milhões de apoio a entidades de ensino superior não federais, além de R$ 120 mil que seriam para a aquisição de veículos para o transporte escolar da educação básica - Caminho da Escola. 

“E o prefeitinho ACM Neto não diz nada? Não move uma palha para defender a Bahia? Permite que seu aliado golpista arranque tudo de nosso estado?”, provocou Solla.

Na sessão desta terça, o Congresso aprovou a proposta que libera R$ 2 bilhões para os municípios investirem em saúde, educação e assistência social. O dinheiro concretiza auxílio financeiro previsto pela Medida Provisória 815/17. Serão R$ 600 milhões para educação, R$ 1 bilhão para a saúde e R$ 400 milhões para a assistência social.

Violência na BA é mais alarmante que no RJ, mas não precisamos de intervenção federal. Por Fernando Duarte

A evolução dos índices de violência no Rio de Janeiro e na Bahia mostram que há uma diferença expressiva entre os dois estados.

Enquanto os fluminenses assistiram uma redução paulatina dos índices, os baianos acompanharam assustados a nova configuração do quadro de homicídios ao longo dos últimos 20 anos, cujos dados foram compilados pelo IPEA no Atlas da Violência.

Apenas para ficar restrito a uma das variáveis, o número de homicídios, a Bahia registrou 39,5 mortes para cada 100 mil habitantes em 2015, frente aos 30,6 do Rio Janeiro.

Em 1996, primeiro registro do Ipea, o número era bem diferente: 59,9 no Rio e 15,0 na Bahia. As razões para os números tão distintos são tão diversas que ficaria difícil exemplificá-las. Vão desde a subnotificação no passado até a notificação com categorias distintas, como acontece atualmente.

Essa última justificativa, inclusive, é uma das mais recorrentes da Secretaria de Segurança Pública da Bahia, que opta por questionar a origem dos números ao invés de provocar uma discussão sobre conteúdo dos mapas e atlas da violência disponíveis.

E a SSP, em certo ponto, está certa ao criticar a ausência de uniformização dos dados sobre o tema no Brasil. Cada estado trata, a seu bel prazer, as informações que deseja reportar, o que dificulta o tratamento sério de um dos maiores cânceres da sociedade brasileira: a violência.

Nem por isso precisamos na Bahia de uma intervenção federal para tentar coibir o problema. Essa é uma das razões pelas quais a intervenção no Rio de Janeiro não deveria ser levada completamente a sério.

A situação lá sequer estava tão descontrolada como pregou o governo federal ao decretar o ato que transferiu a segurança pública para um comandante do Exército. O Estado do Rio de Janeiro faliu ao longo dos últimos anos em virtude dos próprios governantes, que ruíram qualquer perspectiva otimista de futuro.

Talvez nesse ponto governo e oposição na Bahia concordem: estamos longe do desgoverno que os fluminenses são vítimas (olha só, não eram os nordestinos que não sabiam votar?).

Nessas horas, é até bom que os olhos do marketing federal estejam voltados para a imagem do Rio de Janeiro e não para os índices de violência. Afinal, não queremos uma intervenção por aqui. Já nos basta a briga entre Rui Costa e ACM Neto no noticiário.

Com intervenção no Rio, oposição critica número de homicídios na Bahia

Em meio a uma intervenção federal no Rio de Janeiro, justificada pelo governo por causa dos índices de violência no estado, a bancada de oposição na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) voltou a criticar o aumento no número de homicídios por aqui.

Em nota divulgada à imprensa nesta terça-feira (20), o bloco destacou números do Mapa da Violência entre janeiro de 2015 a agosto de 2017, quando a Bahia superou os estados do Rio de Janeiro e São Paulo na quantidade de assassinatos.

Segundo a oposição, nesse período, o estado teve teve 17.650 homicídios, contra 12.294 em São Paulo e 15.685 no Rio.

O líder da oposição na AL-BA, Leur Lomanto Jr. (PMDB), atacou o governo pelos números. “A violência aumentou em todo o país, mas na Bahia houve um crescimento maior e que embora o governo estadual propague o combate nós não vemos isso se concretizar na prática. Os policiais continuam reclamando sobre a falta de estrutura e baixos salários e a população está cada vez mais insegura, com assaltos na zona rural e urbana, explosões de caixas eletrônicos e assassinatos. O tráfico de drogas invadiu as pequenas, médias e grandes cidades do estado e as respostas do estado ainda são mínimas. Consequentemente, trabalhadores, cidadãos baianos estão cada vez mais a mercê da marginalidade. Uma tristeza sem tamanho”, lamentou Leur.

Deputado recomenda a colega pedir a Rui intervenção federal na Bahia

O deputado Pablo Barrozo (DEM) ao questionar o deputado Bira Coroa (PT), o qual pedira a derrubada da sessão plenária da Asembleia com galerias ocupadas por concursados da PM não nomeados, disse no plenário da Casa que o governador Rui Costa tenta fugir do debate sobre a segurança, embora a Bahia tenha os piores indices de violência do país.

Em seguida, depois de usar a expressão 'rato' para classificar o governador, sugeriu a Bira Corôa: "Peça a seu governador para pedir a intervenção federal na segurança da Bahia". O deputado líder do PT, Rosemberg Pinto, repeliu o que chamou de ofensa de Pablo ao governador no uso da expressão 'rato' e disse que "nem no tempo da ditadura, com ACM no poder, a oposição chegou a usar uma expressão dessa natureza"

POSIÇÃO DA LIDERANÇA DA OPOSIÇÃO

É inquestionável o aumento no número de homicídios, na Bahia, nos últimos dez anos de governo do PT no estado e essa tendência continua sendo mostrada nos últimos levantamentos feitos por institutos de segurança e pelo balanço feito pela Bancada de Oposição a partir dos dados disponibilizados pela própria pasta.

Essa análise é claramente reverberada pelo grupo, que destaca a fragilidade da segurança pública do estado, com a ascendência das ocorrências, não apenas na Região Metropolitana de Salvador, mas também nos pequenos e médios municípios de todas as regiões do estado. Segundo o Mapa da Violência entre janeiro de 2015 a agosto de 2017, a Bahia superou os estados do Rio de Janeiro e São Paulo na quantidade de assassinatos. Nesse período de três anos a Bahia teve 17.650 homicídios, contra 12.294 em São Paulo e 15.685 no Rio.

"A violência aumentou em todo o país, mas na Bahia houve um crescimento maior e que embora o governo estadual propague o combate nós não vemos isso se concretizar na prática. Os policiais continuam reclamando sobre a falta de estrutura e baixos salários e a população está cada vez mais insegura, com assaltos na zona rural e urbana, explosões de caixas eletrônicos e assassinatos. O tráfico de drogas invadiu as pequenas, médias e grandes cidades do estado e as respostas do estado ainda são mínimas. Consequentemente, trabalhadores, cidadãos baianos estão cada vez mais a mercê da marginalidade. Uma tristeza sem tamanho”, lamentou o líder da Bancada, deputado estadual Leur Lomanto Jr. (PMDB).

 

Fonte: Tribuna/BNews/BN/Bahia Já/Municipios Baianos

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