24/02/2018

Produção em refinaria cai 30% e impacta economia baiana

 

Em cinco anos, a Refinaria Landulpho Alves (Rlam), responsável por 99,32% do refino de petróleo na Bahia e a segunda maior refinaria do país, teve uma redução de 30% em sua produção. Em 2013, aproximadamente 109 milhões de barris de derivados eram processados na Rlam, de acordo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). No ano passado, foram pouco mais de 76 milhões. O volume produzido em 2017 retrocedeu ao mesmo patamar registrado em 2003, quando foram produzidos 75 milhões de barris. A situação da Rlam foi divulgada com exclusividade pela coluna Negócios do jornalista Flávio Oliveira no jornal Correio.

A queda no ritmo de produção da unidade, que pertence à Petrobras, impacta negativamente a economia baiana. A Rlam é responsável por 20% da arrecadação de Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), segundo a Superintendência de Estudos Econômicos (SEI). Além disso, a refinaria produz matéria-prima para outras indústrias. Nesse sentido, a redução no ritmo de produção da unidade pode ter um impacto entre 5% e 10% na arrecadação.

Apesar da Petrobras está em processo de reestruturação, após prejuízos com corrupção, especialistas indicam que a subutilização da RLAM está relacionada a uma decisão de mercado – de substituir a produção nacional por importados.

Hoje, a refinaria responde por 2% do PIB da Bahia, o que significa uma produção de R$ 5 bilhões em riquezas para o estado, além de equivaler a 10% do Valor Bruto de Produção Industrial (VBPI).

Mesmo ainda sendo extremamente relevante, a participação da Rlam já foi maior. João Paulo Caetano, coordenador de Contas Regionais e Finanças Públicas da SEI, diz que,  em 2014, o refino respondia por 12% do PIB. Ou seja, houve uma queda de 10%. “É a segunda maior do país. Ela acaba impactando diretamente em outras diversas atividades, como o setor de transporte, prestação de serviço, serviço bancário, setor financeiro, combustível, entre outros”, explica.

Transformação 

Para mostrar a importância da Rlam para a Bahia, João Paulo Caetano lembra o impacto da instalação da refinaria no estado, em 1950, impulsionada pela descoberta do petróleo na Bahia. “Nessa década, 40% da economia do PIB do estado equivalia ao setor agrícola. Com a vinda da Rlam, a indústria chegou a pesar 30% do PIB”, conta. “Com a operação da Rlam no estado, o Polo Petroquímico de Camaçari, por exemplo, se instalou na Bahia”, lembra.

O economista e professor da Universidade Federal da Bahia Oswaldo Guerra explica que a indústria tem ligação direta com a economia do estado. “Quando a refinaria não vai bem, a indústria baiana não vai bem, e o PIB baiano sofre muito. A Bahia foi um dos estados que tiveram a maior queda na produção industrial e isso tem a ver com a queda da Rlam e da metalurgia”.

Em nota, a assessoria de comunicação da Secretaria de Fazenda estadual (Sefaz) afirmou acompanhar as medidas que a Petrobras adota na refinaria. A Sefaz informa ainda que tem mantido contatos com a Petrobras sobre o assunto.

O governador Rui Costa se diz “preocupado” com a situação. “É do meu conhecimento e o estado também está preocupado. Infelizmente essa é a situação do Brasil, há um desmonte da Petrobras, enquanto empresa, investimento dos estados e isso impacta nas gerações de empregos, nas arrecadações dos estados”, avalia.

Concorrência externa

O coordenador do Comitê de Petróleo e Gás Natural da Federação das Indústrias da Bahia (Fieb), Humberto Rangel, afirma que o resultado da pouca produção da Rlam advém de uma substituição da produção nacional pela importada. “Isso acaba influenciando na geração de empregos e na arrecadação de impostos. A Rlam tem capacidade de refinar 377 mil barris/dia, mas está operando, em média, 190 mil barris”, falou. Por conta da influência do setor petroleiro, a indústria de transformação do estado fechou 2017 com uma redução de 10,9%. 

Perda de ritmo

O economista Rodrigo Pimentel, do Sindicato de Petroleiros da Bahia (Sindipetro),  explica que, em 2013, a refinaria utilizava  94% de sua capacidade, enquanto atualmente utiliza apenas 51%. A redução na produção baiana é o dobro da registrada nacionalmente. Juntamente com a produção de derivados, o volume de petróleo refinado na Rlam também sofreu uma queda:  22% a menos em cinco anos. A Refinaria Landulpho Alves, que fica em São Francisco do Conde, produz diesel, gasolina, querosene de aviação, asfalto, nafta, gases petroquímicos, parafinas, lubrificantes, GLP e óleos combustíveis.

Questionada pela reportagem a respeito da queda na produção, a Petrobras não se posicionou. Em relação à possibilidade de paralisação total na produção da Rlam (leia mais na matéria ao lado), a Petrobras respondeu que o nível de uso das suas unidades é constantemente reavaliado pela empresa.

Leilão da Ebal vai acontecer na próxima segunda-feira em Salvador

O leilão da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), que administra as lojas da Cesta do Povo vai acontecer na próxima segunda-feira, 26, às 10h, no auditório da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico (SDE), no Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador.

O valor mínimo para as propostas não foi divulgado. O governo anunciou a intenção de vender a empresa em 2015, estima-se que a dívida da Ebal seja de pouco mais de R$ 40 milhões. O edital do leilão está disponível no site da SDE.

Funcionários

Em 2017, uma ação civil do Ministério Público do Trabalho (MPT) determinou que a Ebal readmita mais de 1.700 funcionários que foram demitidos da Cesta do Povo.

Francis Tavares, presidente da Associação Baiana dos Trabalhadores da Ebal/Cesta do Povo, teme que com a venda da rede mais pessoas sejam demitidas. Francis conta que a associação quer que o estado remaneje os funcionários da rede para outros órgãos públicos. "A nossa luta não é pela manutenção da Cesta, é pela manutenção dos empregos", completa.

Segundo a assessoria da SDE, o leilão busca viabilizar o funcionamento das 49 unidades da Cesta do Povo espalhadas pela Bahia e, com isso, manter o emprego dos 787 funcionários. Porém, ainda segundo a SDE, não há garantias de que os empregos serão mantidos.

Prévia da inflação na RMS é a maior do país em fevereiro

Em fevereiro deste ano, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) ficou em 0,78% na Região Metropolitana de Salvador (RMS), sendo a maior taxa em todo o país e ficando bem acima da média nacional, de 0,38%. Os menores índices foram registrados em Brasília (-0,09%), Goiânia e na Região Metropolitana de Fortaleza, ambas com 0,13%.

Com o resultado de fevereiro, no acumulado em 12 meses, o IPCA-15 da Região Metropolitana de Salvador ficou em 1,77%. O índice desacelerou pelo quarto mês consecutivo, ficando abaixo do acumulado nos 12 meses encerrados em janeiro (1,84%) e também da média nacional (2,86%).

Dos nove grupos de produtos e serviços que formam o IPCA-15, seis tiveram altas em fevereiro, na RMS. Após desacelerar em janeiro (0,18%), os Transportes voltaram a aumentar (2,58%), registrando a maior alta no índice. Esse aumento foi puxado principalmente pelos combustíveis (7,3%), sob influência da gasolina (7,8%) e do etanol (7,6%). A variação no Transporte Público (1,63%), sobretudo no ônibus urbano (1,78%) também foi importante para esse aumento.

A alta dos gastos com Alimentação e Bebidas também foi significativa na prévia da inflação de fevereiro. Apesar de terem apresentado a terceira maior variação dentre os grupos (0,8%), como pesam muito no orçamento, Alimentação e Bebidas tiveram a segunda maior contribuição no IPCA-15 do mês.

Por outro lado, três grupos registraram deflação no IPCA-15 de fevereiro: Habitação (-0,86%), Vestuário (-0,31%) e Despesas Pessoais (-0,09%). Dentre os gastos com moradia, destacaram-se as variações negativas do gás de botijão (-8,0%) e da energia elétrica (-1,9%). Os dados foram divulgado hoje (23) pelo IBGE.

Agência Fitch rebaixa nota de crédito do Brasil

A nota de crédito do Brasil foi rebaixada nesta sexta-feira (23), de “BB” para “BB-“, pela agência de classificação de risco Fitch Ratings. Um dos principais motivos para a adoção da medida foi a desistência de votação da reforma da Previdência, informou o órgão, em relatório.

“O rebaixamento do Brasil reflete seus grande e persistente e déficit fiscal, o crescente peso da dívida do governo e a falta de legislação sobre reformas que melhorem o desempenho estrutural das finanças públicas”, escreveu a agência.

O rebaixamento da nota do Brasil pela Fitch ocorre pouco mais de um mês depois da Standard&Poor’s adotar ação semelhante.

APÓS REBAIXAMENTO, GOVERNO DIZ QUE SEGUE COMPROMETIDO COM REFORMAS

Após o engavetamento da reforma da Previdência ter levado uma segunda agência de classificação de risco a rebaixar a nota de crédito do Brasil neste ano, o Ministério da Fazenda disse que o governo federal segue comprometido em progredir com a agenda de reformas macro e microeconômicas.

A pasta ainda buscou destacar a "composição saudável" da dívida pública brasileira, capaz de mitigar riscos para sua gestão - uma reação ao comentário da Fitch sobre o "crescente fardo" do endividamento para as contas do País.

O anúncio da Fitch ocorre na mesma semana em que o governo federal admitiu oficialmente a suspensão da tramitação da reforma da Previdência, medida necessária para o equilíbrio das contas públicas e da própria dívida, que segue trajetória crescente nos últimos anos. A agência rebaixou a nota de BB para BB-, com alteração da perspectiva de negativa para estável.

Segundo a Fazenda, a agência reconhece que os fundamentos macroeconômicos brasileiros permitem a absorção de choques internos e externos e a garantia da sustentabilidade da dívida pública. A nota detalha os aspectos da dívida pública hoje que garantem essa capacidade - algo que não estava no comunicado da Fazenda quando reagiu ao rebaixamento da S&P Global Ratings em janeiro.

"O Ministério da Fazenda destaca que a Dívida Pública Federal conta atualmente com uma composição saudável, reduzida exposição cambial e baixa concentração de vencimentos no curto prazo, além de uma base diversificada de investidores para seu financiamento, o que contribui para mitigar os riscos inerentes à sua gestão", disse a pasta.

‘Todo mundo sofreu com a crise, menos os bancos’, ressalta Afif

O diretor-presidente nacional do Sebrae, Guilherme Afif Domingos, afirmou que, na crise financeira, apenas os bancos se deram bem. “Essa crise, todo mundo sofreu, menos os bancos, que tiveram os melhores lucros. Nós tivemos essa crise e eu, por exemplo, não sou a favor de toda hora ficar fazendo Refis. Para quem pagou é injusto. Mas aqui se trata de uma excepcionalidade”, pontuou em entrevista a Mário Kertész, na Rádio Metrópole.

O Refis é o mecanismo se destina a regularizar créditos da decorrentes de débitos relativos a tributos e contribuições administrados pelos órgãos federais. Afif afirmou ainda que tratou diretamente com o presidente Michel Temer (PMDB) sobre a sanção da proposta, que foi vetada pelo Congresso.

“Em uma reunião que tivemos, ele disse que iria sancionar. Foi aprovado por unanimidade na Câmara e no Senado e na última hora ficaram quietos, deixaram correr o processo para na hora da sanção dizer que não podia porque não tinha o cálculo necessário. E, se assinado, ele estaria suscetível a um crime de responsabilidade fiscal”, lembrou.

A única saída, aponta o comandante do Sebrae, é “derrubar o veto”. “Ou seja, para ele cumprir o desejo dele, o Congresso tem que derrubar o veto dele. É a burocracia. A burocracia está amarrando o país. Não se fala mais de planejamento em prol do desenvolvimento, se fala em economia fiscal, não social. É preciso o Eunício [Oliveira, MDB-CE, presidente do Senado] colocar como prioridade na sessão do Congresso. Neste caso, ele precisa colocar como primeiro item da pauta do dia 6. É importante quem esteja nos ouvindo, mandar uma mensagem para ele, dizendo que o Brasil quer”, informou.

 

Fonte: Correio/A Tarde/Bahia.ba/Bahia Econômica/Metro 1/Municipios Baianos

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