28/02/2018

Fevereiro fecha com índice positivo na Bacia do São Francisco

 

O mês de fevereiro chega ao fim com um cenário animador para a Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco. De acordo com as informações repassadas pelos técnicos do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), o segundo mês do ano fecha acima da média, com 206 milímetros (mm) de precipitação. O anúncio foi feito durante reunião que avalia as condições hidrológicas da Bacia do Velho Chico, na sede da Agência Nacional de Águas (ANA), em Brasília (DF), e transmitida por videoconferência para os estados inseridos na Bacia.

De acordo com os técnicos, a média da Bacia é de 175 mm. Com isso, o cenário surge de forma mais animadora, visto que é possível planejar a sua manutenção durante o chamado período seco, que vai de abril a novembro. O volume útil dos principais reservatórios instalados na Bacia do chamado rio da integração nacional atinge um índice um pouco mais confortável.

A precipitação registrada até agora indica que o reservatório de Três Marias, em Minas Gerais, deve chegar ao dia 1º de abril com até 50% de seu volume útil; Sobradinho, na Bahia, com 33%; e Itaparica, em Pernambuco, com 15%. “Com isso, estamos prevendo que o nível de armazenamento em Sobradinho deverá permanecer acima dos 10% durante o período seco e o de Três Marias, acima de 30%”, anunciou o superintendente de Recursos Hídricos da Agência Nacional de Águas, Joaquim Gondim.

Durante a reunião também foi confirmada a redução da vazão de Sobradinho para o limite mínimo autorizado, de 550 metros cúbicos por segundo (m³/s) e, também, que Itaparica será responsável por liberar a vazão para a hidrelétrica de Xingó, localizada entre os estados de Alagoas e Sergipe. Nova reunião para tratar do tema será realizada na segunda-feira da próxima semana, dia 5 de março. Os encontros acontecem semanalmente, a partir das 10h, horário da capital federal.

Rio S. Francisco está cheio e grandes reservatórios começam a se recuperar

As chuvas estão de volta, vieram para ficar, o rio São Francisco está cheio e grandes reservatórios começam a se recuperar. O nível do reservatório de 3 Marias, em Minas Gerais, já está acima de 16% de seu volume. Há um mês, mostrava tão somente 6% do volume de água armazenada.

Na cabeceira, na Serra da Canastra (sul de Minas), a nascente do S. Francisco já exibe uma queda muito mais volumosa.

Embora com números ainda tímidos, os postos de medição - estações fluviométricas - da bacia do  rio São Francisco no Estado da Bahia também começam a indicar a melhora. Quatro de seis destes postos mostram números maiores de vazão média até o último dia 21 de dezembro, segundo as últimas medições da ANA (Agência Nacional de Águas). 

Dos quatro reservatórios do maior rio de integração do país - pontos onde estão as usinas hidrelétricas de Sobradinho, Xingó, Itaparica e Três Marias - três deles um maior volume útil de água. Ao observar dados das Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais S.A), o volume útil final da usina de Três Marias é de 16,8%, contra 8% em 1º de dezembro e 6,2% em 21 de novembro.

O reservatório equivalente da bacia do Rio São Francisco, também até o último dia 21 e segundo números da ANA, mostra 8,97% de volume útil. Embora menor do que os pouco mais de 14% observados em 20 de dezembro de 2016, esse número também já mostra a melhora que as chuvas dos últimos dias chegaram para mudar o cenário e trazer um novo ciclo de prosperidade não só para o Nordeste, mas para a área em toda extensão do São Francisco.

CHAMAMENTO PÚBLICO SELECIONARÁ PROJETOS PARA A BACIA DO RIO SÃO FRANCISCO

O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), com o apoio da Agência Peixe Vivo, lança Edital de Chamamento Público de Projetos com o propósito de selecionar demandas espontâneas, tais como, diagnósticos, ações e intervenções destinadas à implantação de serviços de requalificação ambiental. Os projetos selecionados serão financiados com recursos da cobrança pelo uso dos recursos hídricos na Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco.

O período para apresentação de demandas espontâneas é de 26/02/2018 até 26/03/2018 e deverão ser encaminhadas à Câmara Consultiva Regional (CCR) correspondente ao local de atuação do proponente, devidamente protocoladas. “Esta é a primeira vez que o CBHSF selecionará projetos de forma ampliada. Antes os projetos eram escolhidos pelas Câmaras Consultivas Regionais. Entretanto, com a publicação do edital, ampliamos a participação das instituições proponentes, dando assim, a oportunidade para entidades que não frequentam as Câmaras a apresentarem projetos”, explica o presidente do CBHSF, Anivaldo Miranda.

Visando atender ao máximo de demandas apresentadas na Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, será destinado um valor de até R$ 2.500.000 (dois milhões e quinhentos mil reais) a cada uma das quatro CCR do CBHSF para o ano de 2018. O número de demandas a serem atendidas está condicionado ao limite dos recursos disponíveis. De acordo com o Edital 001/2018, não poderão participar direta ou indiretamente do processo da contratação dos serviços o autor ou proponente do projeto. Acesse a ficha de inscrição Modelo Ficha de Inscrição

Volume da barragem de Sobradinho sobe e atinge 20,42% após chuvas

Com as chuvas dos últimos meses nas cabeceiras do Rio São Francisco, a barragem de Sobradinho, no norte da Bahia, aumentou o volume. Nesta última segunda-feira (26), segundo o Operador Nacional de Energia, o nível atinge 20,42%. Depois de chegar a 2% do volume útil em novembro do ano passado, o maior reservatório do Nordeste agora atinge o nível de 20,42% da capacidade de armazenamento de água e tendência de aumentar com as águas que devem chegar de Minas Gerais.

A quantidade de água que entra na barragem é de 1800 metros cúbicos por segundo e estão saindo 630. No ano passado, por causa da estiagem, a Agência Nacional de Águas autorizou a Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf) a manter a vazão em 550 metros cúbicos, a primeira vez em 38 anos de existência da barragem. A expectativa é que o volume continue aumentando com as chuvas que devem ocorrer até abril, na cabeceira do Rio São Francisco.

Projetos combatem a escassez hídrica na Bacia do Rio São Francisco

O município de Glaucilândia, no Território Norte, tem apenas 3 mil habitantes. Apesar de pequena, a cidade tem se destacado no combate à escassez hídrica na Bacia do Rio Francisco em Minas Gerais.

O Plano de Recuperação de Áreas de Preservação Permanente - Projeto Nascentes do Rio Verde Grande, desenvolvido por uma associação de agricultores familiares da região, tem ajudado a recuperar e a preservar nascentes desse rio, que é braço do Rio das Pedras, afluente do Velho Chico.

O trabalho conferiu à Associação dos Agricultores Familiares de Cava do Curral o 1º lugar do I Prêmio de Boas Práticas “Salve o Rio São Francisco”, na categoria Cidadão e OSC.

A premiação, ocorrida no último mês de novembro, foi promovida pelo Governo de Minas Gerais, por meio do Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sisema) e também contemplou iniciativas de empresas e órgãos públicos.

Cava do Curral é uma comunidade na zona rural de Glaucilândia. Com o apoio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), do Conselho Municipal de Meio Ambiente (Codema) e de técnicos da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado Minas Gerais (Emater-MG), agricultores locais conseguiram cercar quatro nascentes localizadas na cabeceira do Rio das Pedras.

“O turismo e a agricultura são as principais atividades econômicas da cidade. Com a falta de recursos hídricos, a economia do município foi prejudicada. A união da sociedade e do poder público permitiu que realizássemos as primeiras ações. O próximo passo é cercar o Rio das Pedras em Cava do Rural”, diz o secretário municipal de Meio Ambiente de Glaúcilândia, Cleidson Carpeggiane.

Segundo o secretário, para isso, são necessários recursos e de mão de obra. “O prêmio é uma forma de valorizar nosso trabalho e conseguir novos parceiros para dar continuidade ao projeto”, afirma Carpeggiane.

“Tivemos mais de 40 inscritos em cada categoria. Como 2018 é o Ano das Águas, este número deve aumentar ainda mais na próxima edição”, ressalta Ana Paula Aleixo Alves, responsável pela Comissão Gestora do Programa Ambientação da Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam).

Educação ambiental

A Prefeitura de Contagem, no  Território Metropolitano, também tem se destacado com o projeto “Contagem das Nascentes”, por meio da recuperação de nascentes que fazem parte da Bacia do Rio São Francisco.

A medida é uma forma de preservar a estabilidade geológica, a biodiversidade e proteção do solo. A iniciativa conquistou o 1º lugar na categoria Órgão Público.

De acordo com o diretor de Planejamento Ambiental e Fiscalização de Meio Ambiente da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Contagem, Eric Alves Machado, o projeto consiste na contagem, preservação e recuperação das nascentes, aliadas à monitoração e fiscalização constantes e também à educação ambiental.

“A comunidade participa efetivamente. Temos chamado as lideranças comunitárias para caminhar conosco e nos mostrar onde estão essas nascentes e como elas são utilizadas. Também é uma forma de resgatar a história e a memória dessas comunidades”, assinala Machado.

“Até o momento já catalogamos 100 nascentes, mas acreditamos que esse número deve passar de 4 mil. Queremos mostrar que a nascente não é apenas um ponto. Ela faz parte do São Francisco. Vamos criar um banco de dados que irá mudar o mapa hídrico de Contagem para dar essa dimensão”, diz o diretor.

Tecnologia

No universo corporativo também há projetos que utilizam a tecnologia para reduzir a captação de água proveniente de lagos, rios e do lençol freático na fabricação de produtos. É o caso da unidade da Nestlé Waters Brasil Bebidas e Alimentos de Montes Claros, no Território Norte, vencedora do prêmio do Sisema na categoria Empresas.

Desde 2011 a companhia tem investido na aquisição de equipamentos de última geração para reaproveitar a água evaporada no processo industrial de fabricação de leite condensado.

Segundo o gerente técnico da Nestlé em Minas Gerais, Ramon Pinheiro Cordeiro, a iniciativa é parte do compromisso global da multinacional de reduzir 35% da água gasta para cada tonelada de produtos fabricados.

Há dois anos a planta de Montes Claros foi ampliada para a instalação de uma fábrica de cápsulas de café. É a primeira unidade fabril da marca no mundo que não utiliza água potável retirada da natureza nos processos produtivos.

“A água extraída do leite condensado é suficiente para abastecer a indústria de cápsulas e ainda sobra para usar na fabricação de leite condensado. Em um ano, mais de 66 milhões de litros de água potável deixaram de ser retirados da natureza”, frisa Cordeiro.

Premiação

O Prêmio de Boas Práticas “Salve o Rio São Francisco” contemplou três categorias: melhor projeto ou prática de órgão público; melhor projeto ou prática de cidadão, grupo de cidadãos ou organização da sociedade civil, e melhor projeto ou prática de empresa.

Os trabalhos foram avaliados por uma comissão julgadora, que considerou os critérios de facilidade de replicação da prática, facilidade na conservação das águas da Bacia do Rio São Francisco, ganho na economia e no uso racional da água, originalidade e inovação, construção e participação coletiva, impactos positivos e benefícios para o meio ambiente e a sociedade e colaboração com a execução de políticas públicas.

 

Fonte: CBHSF/BlogGeraldoJosé/Ascom Semad/Municipios Baianos

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