06/03/2018

A Era do algoritmo chegou e seus dados são um tesouro

 

O que têm em comum as menções nas redes sociais ao turismo de Moçambique, a coleta de resíduos na cidade espanhola de Haro e a eficiência energética dos edifícios registrados no cadastro? Em princípio, nada. Mas uma visita à sala de monitorização de eventos da Indra basta para encontrar o nexo entre elementos tão díspares.

Aqui, nessa sala repleta de telas com luzes piscantes, um grupo de engenheiros controla 24 horas por dia, sete dias por semana, a informação que recebem de uma infinidade de processadores. Eles observam a evolução desses indicadores, e enviam suas conclusões aos clientes que contrataram seus serviços, sejam empresas privadas e administrações públicas. Esse é um excelente lugar para compreender por que os algoritmos se transformaram no segredo do sucesso de muitas grandes empresas: um segredo que lhes permite canalizar um fluxo ingente de informação para tomar decisões fundamentais para sua atividade.

Dessa sala-observatório da Indra na cidade espanhola de San Fernando de Henares, José Antonio Rubio explica que é aqui onde gigantescas quantidades de dados são transformadas em conhecimento suscetível de ser monetizado. “Os algoritmos não têm só a capacidade de explicar a realidade, mas também de antecipar comportamentos. É uma vantagem para evitar e minimizar riscos e para aproveitar oportunidades”, afirma Rubio, diretor de Soluções Digitais da Minsait, a unidade de negócio criada pela Indra para encarar a transformação digital.

Não é novidade que as empresas obtenham dados da analítica avançada para estudar características do produto que planejam lançar no mercado; o preço que se quer colocar e até decisões internas tão sensíveis como a política de retribuições aos seus funcionários. O surpreendente é a dimensão. Não é só o fato de que recentemente o número de dados em circulação tenha se multiplicado a volumes difíceis de se imaginar — calcula-se que a humanidade gerou nos últimos cinco anos 90% da informação de toda a história. Também cresceram vertiginosamente as possibilidades de interconectá-los. A palavra revolução corre de boca em boca entre acadêmicos e gestores empresariais em contato com o florescente negócio dos algoritmos e o chamado big data.

“A primeira revolução chegou há alguns anos, com o armazenamento de imensas quantidades de dados procedentes das pegadas eletrônicas que todos nós deixamos. A segunda, na qual estamos imersos, vem da capacidade que tanto os empresários como os usuários e pesquisadores têm de analisar esses dados. Essa segunda revolução procede dos algoritmos supercapazes e do que alguns chamam de inteligência artificial — mas que eu prefiro denominar de superespecialistas”, explica Esteban Moro, professor da Universidade Carlos III de Madri e do MediaLab do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), de Boston.

Segunda revolução

Essa segunda revolução conta com a ajuda de cada uma das milhões de pessoas que todo dia entregam seus dados de forma gratuita e contínua, seja publicando uma foto no Facebook, comprando com cartão de crédito ou passando pelas roletas do metrô com um cartão magnético.

Na esteira de gigantes como Facebook e Google, que baseiam seu enorme poder na combinação de dados e algoritmos, cada vez mais empresas investem quantidades crescentes de dinheiro em tudo o que se relaciona com big data. É o caso do BBVA, que aposta tanto em projetos invisíveis para clientes — como os motores que permitem processar mais informações para analisar as necessidades dos usuários — como em iniciativas facilmente identificáveis, entre elas a que permite que os clientes do banco possam prever a situação de suas finanças no final do mês.

“Faz décadas que o setor financeiro usa modelos matemáticos. Nos anos setenta, o cliente de um banco vinha definido por muito poucos atributos, como lugar de residência, idade, profissão e renda. Hoje, contudo, ele deixa uma pegada digital muito profunda que nos ajuda a conhecê-lo para personalizar nossa oferta de serviços e minimizar os riscos. A novidade é a profundidade dos dados e a capacidade analítica”, afirma Juan Murillo, responsável pela divulgação analítica do BBVA. “O grande desafio agora é ver como todos esses dados se transformam em valor, não só para a empresa, mas também para os nossos clientes e a sociedade.”

As amplíssimas possibilidades oferecidas pelos algoritmos não estão livres de risco. Os perigos são muitos: vão da segurança cibernética — para fazer frente aos hackers e ao roubo de fórmulas — até a privacidade dos usuários, passando pelos possíveis vieses das máquinas.

De fato, um recente estudo da Universidade Carlos III concluiu que o Facebook controla, para uso publicitário, dados sensíveis de 25% dos cidadãos europeus, que são categorizados na rede social em função de assuntos tão privados quanto sua ideologia política, orientação sexual, religião, etnia e saúde. A Agência Espanhola de Proteção de Dados já impôs em setembro uma multa de 1,2 milhão de euros (4,8 milhões de reais) à rede social de Mark Zuckerberg por usar informações sem autorização.

A segurança cibernética, por sua vez, transformou-se na principal preocupação dos investidores do mundo todo: 41% se disseram “extremamente preocupados” com esse assunto, segundo a pesquisa Global Investors Survey de 2018, publicada nesta semana pela PwC. “Um problema dos algoritmos é que carecem de contexto. Podem fazer maravilhosamente bem uma tarefa, mas, se você os tirar dessa atividade, vão falhar de maneira estrepitosa. Uma empresa que realizar uma fusão com outra terá que aprender a treinar de novo os algoritmos da companhia que absorver. Para isso, é preciso saber como eles foram criados”, afirma Moro, o especialista do MIT.

De volta à sala de monitorização da Indra, Rubio destaca as diversas utilidades que oferece aos clientes. Por motivos de confidencialidade, ele não pode falar das dezenas de empresas às quais fornece informação. Por isso, cita exemplos um tanto exóticos, como o turismo em Moçambique e os resíduos de Haro. Quando termina, a pergunta gira em torno da possibilidade de que os algoritmos tenham se transformado no tesouro mais valioso das empresas. “Definitivamente, sim”, responde, sem hesitar.

E os riscos? As máquinas assumirão o lugar dos humanos? “Isso é algo que preocupa. Tudo o que não conhecemos gera desconfiança. Mas a tecnologia nos permite limitar os riscos e aproximar as indústrias digitais das pessoas. O risco é inerente ao ser humano, não às tecnologias”, conclui Rubio.

O RISCO DO VIÉS DAS MÁQUINAS

Ao ser questionada sobre a diferença salarial entre homens e mulheres, Fuencisla Clemares, diretora geral do Google Espanha, disse que sua empresa não sabe o que é isso. Lá, um algoritmo cego às questões de gênero propõe quanto cada um deve receber. A frieza da matemática pode conseguir decisões mais objetivas e livres de preconceitos. Ok, mas e se as máquinas tiverem seu próprio viés? E se este for ainda mais invisível que o dos humanos?

Um recente artigo do Financial Times mostrou como, numa empresa norte-americana de atendimento por telefone, a valorização do trabalho dos funcionários tinha passado dos humanos para as máquinas. Estas davam uma nota mais baixa para aqueles que tinham forte sotaque, já que às vezes não podiam entender o que eles diziam. Exemplos como esse revelam o risco crescente de que os algoritmos despontem como os novos juízes de um tribunal supremo e inapelável.

Esteban Moro, pesquisador da Universidade Carlos III e do MIT, resume o debate numa única palavra: escala. “O problema não é que os algoritmos tenham preconceito, pois os humanos também têm. O problema é que essas fórmulas matemáticas possam afetar centenas de milhares de pessoas e tomar decisões com efeitos muito maiores que o das sentenças de um juiz”, explica. Assim, uma pessoa que procura emprego pode se livrar da tirania dos gostos ou preconceitos do diretor de recursos humanos dessa ou daquela empresa. Mas, em compensação, enfrenta os critérios compartilhados pelos grandes portais de ofertas de trabalho. O monstro se agiganta.

Juan Grancisco Gago, diretor de Práticas Digitais da Minsait, unidade de negócios da Indra, admite: na medida em que os algoritmos acabam tomando decisões, podem gerar problemas morais. Ele cita o exemplo de um aparelho de inteligência artificial capaz de fazer detecções de câncer. “Talvez com mais precisão que um oncologista humano”, pondera. “Mas, no final, a responsabilidade não pode estar numa máquina, e sim nos indivíduos que a programam. É preciso estabelecer um marco regulatório para esses casos”, diz o diretor da Indra.

O Regulamento Geral de Proteção de Dados, que entrará em vigor em maio na União Europeia, determina que os cidadãos europeus não devem ser submetidos a decisões “baseadas unicamente no processo de dados automáticos”, com uma menção expressa às “práticas de contratação digital sem intervenção humana”.

A equipe de Moro desenvolve no MIT um projeto de engenharia reversa, a fim de analisar como trabalham os algoritmos de gigantes como o Google e o Facebook. A ideia é fazer experimentos com pessoas que introduzem diversas informações nas redes, para depois ver como essas empresas reagem. Trata-se, no fundo, de tentar domar a fera e ver se é possível saber como funcionam as fórmulas matemáticas que têm um impacto em nossas vidas. Um impacto que, ninguém duvida, só crescerá nos próximos anos.

Seus dados são vendidos por 7,5 centavos de dólar

Quantas vezes por ano você clica em um quadradinho autorizando o acesso e a cessão de seus dados? Cinco? Dez? Faça as contas direitinho. Embora a Espada de Dâmocles aponte para as redes sociais, os dados são cedidos, na verdade, em qualquer transação na web: ao contratar um cartão de crédito, fazer uma compra, acessar uma rede wifi, participar de uma enquete, visitar sites... São dados que individualmente não têm valor, mas que, reunidos, constituem uma verdadeira mina, até mesmo mais valiosa do que uma mina de ouro. Não são apenas os dados particulares, mas também a atividade individual; por exemplo, cada compra ou cada emoticon usado na reação aos comentários nas redes sociais. O big data permite registrar as preferências políticas, religiosas, sexuais e alimentares, bem como a situação econômica, de saúde, policial e até mesmo emocional de cada pessoa. Os algoritmos secretos usados por essas empresas são cada vez mais sofisticados e suas possibilidades, portanto, infinitas.

Uma equipe de pesquisadores da Anistia Internacional (AI) revela a oferta, por parte de uma dessas empresas, a Exact Data, dos dados de 1,8 milhão de muçulmanos por 138.380 dólares (cerca de 430.000 reais), ou seja, à base de 7,5 centavos de dólar por pessoa. A empresa em questão “teria uma base de dados total de 200 milhões de contatos dos Estados Unidos que podem ser filtrados por 450 categorias, tais como etnia ou religião”, detalha o relatório. Os dados foram comprovados pelo EL PAÍS na web. O site, ExactData.com, também oferece “um leque de listas de contatos pré-configurados”, como, por exemplo, a de “norte-americanos hispânicos não-assimilados (referência aos que não estão integrados na sociedade dos EUA, independentemente de sua situação legal)”.

Muitas das empresas que vivem da venda de dados particulares das pessoas não se escondem na web.

“O fato de se poder comercializar essas listas e de que elas possam acabar chegando a pessoas indevidas torna possível que sejam usadas em iniciativas que poderiam atingir os direitos humanos, como a criação de perfis sofisticados que podem atentar contra a privacidade”, alerta o diretor de comunicação da AI da Espanha, Miguel Ángel Calderón.

Exatamente daqui a um ano, em maio de 2018, começará a ser aplicada uma nova regulamentação europeia de proteção de dados, considerada mais rígida do que a atual e com a qual se espera que seja melhorado o controle dos cidadãos sobre os dados pessoais cedidos a terceiros, destaca Calderón.

Uma das autoras da pesquisa, Tanya O’Carroll, consultora de tecnologia e direitos humanos da AI, explica, em Londres, que o comércio de dados privados “é um negócio crescente”. “O avanço enorme registrado pelo big data na última década permitiu que os data brokers [empresas de comercialização de dados] saibam tudo sobre você”, diz a especialista. “Dados menores e abstratos que não têm nenhuma importância isoladamente adquirem grande valor quando são cruzados com as ‘curtidas’ no Facebook, por exemplo”.

O’Carroll destaca um dos aspectos mais relevantes da situação: o anonimato no setor. “Ele não é transparente. Sabem muito de você, mas você não sabe quem está de posse dos seus dados nem o nome dessas empresas”. De acordo com uma relação elaborada pela Anistia Internacional, apenas na Europa existem em operação pelo menos 50 data brokers. E no restante do planeta? “É impossível saber quantas existem nos Estados Unidos ou na Ásia. Centenas”, responde O’Carroll. O que o usuário pode fazer, então, para se proteger desse comércio ou pelo menos para ter algum controle sobre os seus próprios dados?

Privacidade e segurança

“As pessoas se acostumaram a ceder seus dados para qualquer coisa sem pensar que isso é inseguro e que vale dinheiro”, responde Álvaro Ortigosa, diretor do Centro Nacional de Excelência em Cibersegurança (CNEC), da Universidade Autônoma de Madri. “Mas, além de pensar na privacidade, deveríamos pensar também na segurança, na vulnerabilidade dessas bases de dados, que são muito substanciosas”, alerta Ortigosa.

Para o especialista, os usuários deveriam entrar nos endereços de todos os sites aos quais cederam seus dados pontualmente “e escrever o quanto antes para que os apaguem. Pelo sistema”. Quanto aos dados vinculados a algum serviço, como a rede wifi residencial, Ortigosa avalia que a legislação deveria obrigar as empresas a limparem os dados de particulares de forma sistemática e regular.

Mas, como atuam essas empresas? Borja González del Regueral, vice-reitor da IE School of Human Science & Technology, diz que “é um setor em que, seja vendendo, seja cedendo os dados, as empresas, com as novas normas europeias, são obrigadas, entre outras coisas, a informar ao usuário a cessão de seus dados a terceiros”. O maior problema, segundo esse especialista, “é que cabe a você a responsabilidade de ler o contrato quando cede seus dados, e quem vai ler 15 páginas toda vez que comprar uma calça pela internet?”. “Por isso, é preciso aumentar a transparência”, pensa González del Regueral.

Os data brokers, porém, não obtêm informações apenas a partir das transações ou das redes sociais. “Eles reúnem muitos dados de diferentes sites”, explica o especialista. “Dos registros públicos ou de qualquer atividade que esteja registrada em documentos divulgados na internet por alguma entidade”. E também não são eles os únicos que fazem comércio com as nossas informações privadas. “Os dados constituem um ativo para qualquer empresa. A questão é saber qual é a forma mais ética de comercializá-los”.

Volte, agora, a fazer suas contas. Quantas vezes você já cedeu seus dados nos últimos doze meses? Cinquenta? “Há uma tendência de alta na incorporação desse tipo de negócio nas próprias empresas tradicionais”, diz González del Regueral.

O mundo está mudando para melhor ou para pior?

Falam dois especialistas que há muito tempo estudam o novo paradigma enfrentado pela sociedade. O primeiro: “Seria presunçoso tentar descrever com precisão a próxima era no mundo digital. Mas é razoável concluir que a internet que conhecemos há quase três décadas está em mutação, e que a próxima vai mudar o mundo mais do que sua irmã mais velha”. Estas são as palavras com as quais o acadêmico canadense Vincent Mosco, autor de obras de referência como To the Cloud, vai começar seu próximo livro.

Mais contundente é o consultor em transformação digital e inovação, o hispano-alemão Alex Preukschat. “A tecnologia blockchain, em combinação com outras tecnologias, como a internet das coisas, a inteligência artificial, o big data, os drones ou a biotecnologia, vai refazer o mundo tal como o conhecemos, muito mais rápido do que tem sido nos últimos anos, como parte da quarta revolução industrial.” Em conclusão: Não apenas estamos em meio a uma reestruturação brutal, como também é a mais rápida da história. A questão que se coloca nesta situação é: esta mudança vai ser para melhor ou para pior?

Como acontecia no romance de Umberto Eco, estamos diante de apocalípticos e integrados, especialistas que preveem um universo distópico, mescla de 1984 e Matrix, governado pelo desemprego em massa, que parecem ser maioria. E outros que preveem uma sociedade mais transparente e descentralizada, na qual a informação flui e onde os robôs farão o trabalho tedioso em nosso lugar.

O historiador israelense Yuval Noah Harari, nascido em 1976, faz parte do primeiro grupo. Não acredita que acabaremos como em Matrix, mas argumenta em livros como Homo Deus: Uma Breve História do Amanhã que,enquanto a profusão de tecnologia tem conseguido que a humanidade melhore em coisas como a fome e as doenças, as ideias fundamentais das democracias liberais correm perigo de se tornar obsoletas em um mundo de ciborgues e inteligência artificial. Nada de descentralização em sua opinião: as grandes corporações conhecerão os indivíduos nos mínimos detalhes, e algumas pessoas monopolizarão o poder econômico e político, os algoritmos e a tecnologia, para criar classes biológicas.

A eliminação de postos de trabalho é outro mantra dos apocalípticos. Carl Benedikt Frey, pesquisador da Universidade de Oxford, realizou há pouco mais de um ano um estudo que viralizou rapidamente, no qual argumentava que 47% dos postos de trabalho correm risco de desaparecer. Na mesma linha anunciada por nada menos do que o Fórum Econômico Mundial. No ano passado, um relatório apresentado em Davos afirmava que a digitalização da indústria resultará no desaparecimento de 7,1 milhões de empregos e na criação de outros 2,1 milhões em 2020. Um pouco de matemática: serão cinco milhões de empregos líquidos a menos.

O ferrenho integrado Manish Sharma, diretor de operações da Accenture Operations, tem uma visão diferente. Em sua opinião, “as pessoas fazem trabalhos chatos porque esses são os empregos que lhe são oferecidos”, afirma. “A automação dos processos proporcionará uma vida melhor para as pessoas”.

O economista José Moisés Martín Carretero, autor de España 2030: Gobernar el Futuro, compartilha a visão de Sharma: “O progresso tecnológico tem deslocado trabalhadores, mas criado muito mais empregos”, afirma. “No curto prazo, pode haver reduções, mas, no longo prazo, a criação de empregos é inquestionável”.

O dinamarquês Erik Brynjolfsson e o norte-americano Andrew McAffee, cofundadores do departamento de Economia Digital do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), lançaram em 2011 o livro Race Against the Machine (Corrida Contra a Máquina, MIT, 2011). A obra explica como atividades que, até recentemente, eram reservadas para os seres humanos já são território para as máquinas. E a mudança é vista como algo positivo. “A economia mundial está na cúspide de um período de crescimento espetacular, impulsionada por máquinas inteligentes que aproveitarão ao máximo os avanços no processamento por computadores, pela inteligência artificial, pela comunicação em rede e pela digitalização de quase tudo.” Isso, claro, sempre que estejamos de acordo de que ter um trabalho é sinônimo de ser feliz.

 

Fonte: El País/Municipios Baianos

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