13/03/2018

No Brasil ser o 1º das eleições não vale nada

 

Vamos acordar! Nenhum partido ou candidato precisa, para se lançar a qualquer cargo, da certeza de vitória. Ele só precisa disposição para concorrer ou uma história para contar ou defender. Qualquer analista que não leve isto em conta estará falhando no seu ofício. Sobretudo num país onde os partidos e os líderes que defendem as mesmas ideias preferem (historicamente) percorrer a trilha em veículos separados. Desde o fim da ditadura militar, a opção de nossos principais líderes políticos foi a da fragmentação e a utilização da “lamela média” (ou coligação), que tem a função de fazer a ligação entre as células próximas.

O que um partido que tem um nome com 1% das intenções de voto para presidente perde ao lança-lo candidato? Nada. A maioria dos deputados federais e senadores se elegem em função da política regional, dos candidatos a governador. As eleições estaduais são descoladas da eleição presidencial. O PSDB e o PT, mesmo quando na presidência, nunca fizeram a maioria dos governadores. O eleitor não vincula o seu voto. Nem nos casos de carisma de um de seus líderes. O desempenho eleitoral do PT nas eleições para o Congresso, desde que Lula assumiu o poder, direta ou indiretamente (Dilma), está aí para nos mostrar isso.

Vamos adiante. Um candidato de um partido que fizer 2%, 5% ou 10% nas eleições presidenciais, não precisa de ninguém. Agora, quem vencer, ou for para o segundo turno, precisa de todo mundo. Tem que reunir ao seu lado o máximo de forças que puder. O primeiro turno das eleições é a fase da agitação e da propaganda. O segundo turno é a primeira fase da partilha do poder. A formação do governo pelo eleito é a segunda (e decisiva) fase da partilha do poder. A governabilidade não se monta no primeiro turno. Ela é arquitetada no segundo turno e erguida depois de escolhido o presidente.

Você duvida? Todas as previsões são de que nenhum partido terá mais de 60 deputados, nem os maiores. Isso significa que todo presidente eleito vai ter que baixar suas calças para, e colocar fraldas, naqueles que forem derrotados e se dispuserem a mamar nos seus leitosos peitos. A amamentação não é coisa NOSSA, do Brasil. Essa é uma prática de todos os países, inclusive os europeus, onde predomina a fragmentação. Só o que nos diferencia é o tamanho da mamada, a fome e a disposição do amamentado e a fragilidade e cumplicidade de quem amamenta.

Nesse contexto, especulações e análises de viabilidade eleitoral são todas muito relativas. Ninguém perde nada mesmo derrotado nas partidas amistosas. O que vale mesmo é a final do campeonato, o segundo turno. É nesta fase que será preciso ter um bom banco de reservas, uma animada e influente torcida na arquibancada, os direitos de transmissão na mídia eletrônica , a simpatia dos comentaristas e a complacência de juízes e bandeirinhas. O jogo está apenas começando.

Futuro inseguro, sem a perspectiva de um governo que possa recuperar o país. Por Merval Pereira

Mesmo os que acreditam na força da política tradicional, com seus acordos por baixo dos panos e suas coligações estapafúrdias para aumentar tempo de televisão, fogem do MDB e do próprio presidente Michel Temer. A janela de mudança partidária permitida pela legislação começou com uma evidência de debandada de políticos do maior partido do país, que bem ou mal está no poder.

Essa insegurança partidária atinge os candidatos regionais, que fazem acordos localizados que terão repercussão negativa no final das contas, ajudando a manter a incoerência intrínseca de nosso sistema político-partidário.

PALANQUES VARIADOS

Os acordos que obedecem a uma lógica local que se distancia da lógica nacional da candidatura presidencial farão com que vários candidatos frequentem palanques variados, misturando mais ainda a cabeça do eleitor.

Também o DEM e o PSDB sofrem com a corrida de políticos para outros portos mais seguros. É provável que a frágil Rede de Marina venha a recolher algumas adesões que lhe restituirão a possibilidade de participar dos debates na televisão, depois que perdeu o número mínimo de cinco parlamentares exigido pela legislação eleitoral. Sua expectativa de poder, mostram as pesquisas, são mais sólidas do que as de políticos teoricamente bem estruturados, como Geraldo Alckmin.

O deputado Jair Bolsonaro entrou para o PSL seguido por uma série de adesões de deputados que enxergam nele uma expectativa de poder viável, enquanto a esquerda e o centro estão paralisados na busca de definições. Com Lula fora da disputa, o pré-candidato do PDT Ciro Gomes é a face mais visível da esquerda na corrida presidencial, mas a ambição política leva a que a união das esquerdas seja impossível no primeiro turno.

LEGADO DE LULA

Cada candidato de esquerda acha que podem sobrar para si os restos mortais políticos de Lula, sem acreditar que ele seja capaz de transferir mais uma vez sua popularidade para outro poste, depois do fracasso em que se transformou o governo de Dilma Rousseff.

Além disso, uma coisa é eleger uma sucessora estando no poder com popularidade em alta e um crescimento de 7,5% turbinado por ações populistas que deram início à derrocada econômica que se viu a partir de 2010. Outra bem diferente é eleger um escolhido estando às voltas com condenações na Justiça, uma prisão iminente, e evidências de atividades corruptas em vários níveis.

Uma situação dessas limita a capacidade de transferência de votos a um público bastante reduzido, que pode até levar o ungido a um segundo turno, diante da fragmentação de uma eleição disputada por mais de 20 candidatos, mas não garante uma vitória ao final.

CENTRO DIVIDIDO

Também ao centro não há convergência de candidaturas, todas vendo à frente um espaço a ser ocupado pelo mais ousado. E esses ousados procuram se distanciar do governo a que até pouco tempo serviam, por mais poder que tenha a máquina partidária do MDB.

Hoje, acredita-se mais na cristianização de um eventual candidato governista, ainda mais se ele for o próprio presidente Temer, do que na ressurreição de sua popularidade devido à recuperação econômica ou ao sucesso da política de segurança nacional iniciada no Rio de Janeiro.

O mais provável é que a balcanização das influências partidárias torne mais difícil governar um país quebrado e sem projeto de futuro. Não há no tabuleiro eleitoral, nem fora dele, figura política capaz de mandar uma mensagem de reconciliação e reconstrução para o futuro. E o que tenta vender essa capacitação mais parece hoje um napoleão de hospício, falando de um passado que não existiu, e vendendo um futuro que não tem condições de entregar.

Difícil acreditar que dessa corrida maluca saia algum governo minimamente capacitado a enfrentar os graves problemas que o país tem pela frente.

“Fake news”: falso & verdadeiro sempre conseguem influenciar os eleitores. Roberto Nascimento

Duas expressões têm sido demasiadamente pronunciadas por magistrados, políticos e até por FHC –uma é “fake news” e a outra, “outsider”. As duas palavras da língua inglesa estão relacionadas às eleições de outubro de 2018. No tocante às “fake news”, importante notar que foi recurso muito utilizado na campanha americana pelos marqueteiros de Donald Trump, afinal vencedor da eleição nos EUA, porque Hillary Clinton foi massacrada por toda sorte de artimanhas dos marqueteiros republicanos. Mesmo assim, teve mais de 1 milhão de votos na frente do vencedor, que foi sagrado vitorioso pelo estranho Colégio Eleitoral. Entenda-se: O voto dos eleitores é o que menos importa nas eleições americanas, pois quem decide são os delegados de cada Estado.

Então, as elites brasileiras, temendo o mesmo processo dos EUA, começam a lançar na mídia o medo das notícias falsas, que possam comprometer um candidato do sistema de poder.

DETENTORES DO PODER

Ora, quem tem dinheiro para contratar marqueteiros milionários são os mesmos que detém o poder político e empresarial. Esses marqueteiros, denominados vendedores de ilusão, são pagos a peso de ouro para transformar um candidato pesado em palatável para o eleitor. Então, transformam uma mentira (candidato ruim) em verdadeiros mitos em favor dos pobres, os quais, após eleitos, mostram a sua verdadeira face maligna. Nem será preciso nominá-los aqui, pois os exemplos são fartos.

No Rio de Janeiro, o regime militar não deu força à candidatura de Miro Teixeira em 1982. Quando viram Leonel Brizola crescer demasiadamente nas pesquisas, tentaram a última cartada para eleger seu fiel representante, o piauiense Moreira Franco, por meio do escândalo da Proconsult. Infiltraram nos computadores do TRE/RJ um dispositivo denominado de “Delta X”, em que muitos votos brancos e nulos eram carreados para o candidato Moreira Franco. Felizmente, a burla foi descoberta a tempo e Brizola foi sagrado vencedor para governar o Rio de Janeiro.

O CASO DARCY

Na época, ainda não havia o instituto da reeleição, instituído por Fernando Henrique Cardoso em 1994, com ajuda da bancada do PSDB/PMDB e do Centrão. Brizola então indicou para candidato a governador o antropólogo, educador, ex-ministro da Casa Civil de João Goulart e ex-senador Darcy Ribeiro.

O genial Darcy, inventor dos CIEPS estava na frente das pesquisas e Moreira Franco em segundo. Um mês antes da eleição de outubro, até as pedras das ruas sabiam que Darcy seria o novo governador. Entretanto, uma notícia falsa inundou as comunidades do Rio de Janeiro. Despejaram mais de um milhão de cópias de uma página do livro “O Mulo” de Darcy Ribeiro, de teor desfocado do real panorama do livro, o que foi suficiente para reverter o resultado da eleição em favor de Moreira Franco. Não foi aberta investigação para apurar os fatos e os responsáveis seguiram impunes.

NÃO HÁ REGRAS

No TSE, o ministro-presidente Luiz Fux fala em combater as notícias falsas, mas até agora as regras desse procedimento não vieram à tona. Será que uma singela opinião, sobre este ou aquele político pode considerar-se uma “fake news”? Será proibido comentar sobre uma investigação em curso na Lava Jato, de um político ainda pendente de sentença judicial? Qual a punição para um internauta que divulgar nas redes sociais uma crítica a candidatos de A , B ou C, que não tiverem amparo na realidade fática?

Enfim, no momento o quadro está instável e pouco seguro até para que se façam análises eleitorais, porque qualquer descuido pode ser considerado “fake news”.

PECADOS MORTAIS

No fundo, o que os políticos pretendem é que se escondam seus pecados mortais, que poderiam impedir de se elegerem indefinidamente, até que a morte os separe das cadeiras legislativas e executivas. Por essa razão, O PT, quando empalmava o poder, pressionou para o amordaçamento do Ministério Público e a censura da Internet. Só não logrou êxito, pela falta de apoio do PMDB, na ocasião.

Mas, agora, quem está no Poder é o PMDB. Isso significa, que voltarão as pressões no Congresso para a censura da Internet, o amordaçamento do MP, a anistia ao Caixa 2, a punição de juízes por suposto abuso de autoridade etc…

É preciso ficarmos de olhos bem abertos, em relação a onda conservadora que sopra no horizonte do Brasil, agora e após as eleições de outubro de 2018.

Nas barbas da Justiça Eleitoral, um novo IBAD se organiza?  Por Fernando Brito

Os nossos valentes guardiões das leis eleitorais, prontos a dizer quem pode e quem não pode concorrer ao voto popular, mantêm-se em inexplicável silêncio diante do poder do dinheiro, a mais suja das fichas do jogo político.

Ontem, o reacionaríssimo empresário Flávio Rocha fez a festa de sua pré-candidatura. Por qual partido? Pelo que ele banca com seu dinheiro, o “Brasil 200”.

Hoje, na Folha, o tal “RenovaBR”, do empresário Eduardo Mufarej, financiado também por Luciano Huck, Armínio Fraga e Abílio Diniz, anuncia que está chamando “subcelebridades” para fazer delas candidatas. Por qual partido? Qualquer um, pois sua fidelidade será a quem banca candidaturas com dinheiro e prestígio.

Ficaram na história as siglas do IBAD e do Ipes, duas “pré-ONGs”criadas para fomentar a desestabilização política que nos levaria ao golpe militar. Como agora, era do “patriotismo” e do “espírito democrático” dos empresários que se bancavam candidaturas.

Agora, está proibido o financiamento empresarial de campanhas mas, nas barbas da Justiça Eleitoral, montam-se palanque com dinheiro de empresas e  oferecem-se “bolsas” de até R$ 12 mil a quem queira ser candidato.

E, bonzinhos, douram a pílula dizendo que é financiamento amplo, sem distinção ideológica.

Almoço grátis? Ninguém vai apurar como é isso? É “doação”? É contrato? Declara-se?

A imprensa trata do assunto com a naturalidade  com que trataria o fato de estarem fazendo compras no mercado.

O valentíssimo Ministério Público não dá um pio.

O dinheiro pode tudo.

Isolado, Aécio Sofre resistência em Minas

Quase um ano depois de ser gravado pelo empresário Joesley Batista, do Grupo J&F, pedindo R$ 2 milhões para pagar advogados, e ser denunciado no Supremo Tribunal Federal por corrupção passiva e obstrução da Justiça, o senador tucano Aécio Neves voltou a percorrer Minas Gerais com o objetivo de renovar seu mandato no Senado por mais oito anos.

Seu projeto político, porém, enfrenta problemas de todos os lados. Sofre resistência dos dois principais candidatos de oposição ao governador Fernando Pimentel (PT) – Márcio Lacerda (PSB) e Rodrigo Pacheco (MDB) -, é considerado um problema pela cúpula nacional do PSDB e é visto com ceticismo até por aliados próximos.

Na base, prefeitos do interior historicamente aliados a Aécio hoje temem se engajar em sua campanha. “Ficamos muito angustiados com a situação dele. A questão do senador reflete em todos os membros do PSDB e pode prejudicar o partido”, disse ao Estado o prefeito de Cataguazes, William Lobo Almeida (PSDB). Ele conta que apoiará Lacerda na campanha local.

Em conversas reservadas, líderes tucanos mineiros dizem que a postulação ao Senado pode isolar o PSDB no Estado. Interlocutores do governador Geraldo Alckmin concordam e temem que o pré-candidato ao Palácio do Planalto fique sem um palanque competitivo no segundo maior colégio eleitoral do País. O assunto dominou os bastidores de um almoço com empresários, políticos e o governador no dia 5 em Belo Horizonte. Aécio não estava presente.

“Falamos com ele que, se tiver 150 votos em cada cidade, será eleito deputado por telefone sem sair de casa”, disse um integrante da direção estadual do PSDB. No fim de evento, jornalistas locais questionaram o presidente do partido em Minas, deputado Domingos Sávio, sobre o dilema. “Essa tentativa de colocar o Aécio como carta fora do baralho parece-me um jogo muito injusto”, disse.

A estratégia do grupo de Aécio diante da ameaça de isolamento foi lançar na disputa ao governo estadual o deputado federal Marcus Pestana, que é um dos mais leais correligionários do senador mineiro.

Em 2006, quando Alckmin pensou em chegar ao Planalto, Aécio e seus interesses em Minas foram um entrave. Na época, o xadrez político mineiro cunhou a expressão “Lulécio”, uma referência ao suposto jogo duplo ligando o tucano ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Agora, quando Aécio enfrenta seu pior momento na política, seu projeto também pode ser de novo um obstáculo a Alckmin.

Plano B

Apostar em Pestana seria um plano B, já que o senador ainda não desistiu de convencer o colega e ex-governador Antonio Anastasia a disputar o governo. “Anastasia é, sem dúvida, o nome que mais aglutina o nosso campo político. Temos esperança de que, consciente do tamanho de sua responsabilidade, ele será nosso candidato. A expectativa é grande entre todos nós”, disse Aécio ao Estado. O senador conversou recentemente com Alckmin sobre o assunto e ambos ainda acreditam que Anastasia pode aceitar a missão.

Anastasia, entretanto, tem negado de forma enfática disputar novamente o cargo e, segundo aliados, tem demonstrado desconforto com a pressão. Enquanto aguarda a decisão de Anastasia, Aécio faz sua parte. Ele já promoveu quatro encontros que reuniram 140 prefeitos.

O tucano leva na bagagem números de uma pesquisa que o colocaria em primeiro ou segundo lugar ao Senado. A quem lhe pergunta, nega que esteja sendo pressionado a disputar uma vaga de deputado na Câmara. Essa hipótese, aliás, é rejeitada.

Depois de receber mais de 50 milhões de votos em 2014, Aécio afirma aos aliados que prefere não disputar cargo nenhum a voltar a ser deputado. Alega que “não precisa” ser candidato e que não é o foro privilegiado que o move.

 

Fonte: Por Apolo da Silva, em Os Divergentes/O Globo/ Tijolaço/Agencia Estado/Municipios Baianos

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