13/03/2018

Bolsonaro está na lista na quebra de sigilo de Aécio

 

O torpedo lançado a partir do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta sexta-feira, na direção do senador Aécio Neves (PSDB-MG), encontrará no caminho o presidenciável de ultradireita e deputado Jair Messias Bolsonaro (PSC-RJ). Com a retomada das investigações acerca de possível suborno nas obras da sede administrativa do governo de Minas Gerais – realizadas durante o período em que ocupou o Palácio Tiradentes – o STF quer apurar a presença do parlamentar na chamada ‘Lista de Furnas’. Bolsonaro e o presidiário Eduardo Cunha (PMDB-RJ) estão citados no documento.

A ‘Lista de Furnas’, que integra o processo no qual Neves teve o sigilo quebrado, com os dados entregues ao STF, na véspera, trata-se de uma prova, assim considerada segundo laudo do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, do esquema de propina montado junto às empresas do setor elétrico brasileiro. Vazada para o jornalista mineiro Marco Aurélio Flores Carone, a matéria foi publicada no site de notícias Novojornal; hoje reduzido a uma sombra do que era, no ano 2000.

Após a publicação da denúncia contra os políticos citados, Carone foi preso por nove meses, em Minas Gerais. Posteriormente, a Justiça o absolveu, após um calvário de sofrimento na prisão. Ao sair do presídio mineiro, Carone decidiu contar à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados quais eram as denúncias que ele pretendia fazer contra o senador Aécio Neves (PSDB). Segundo Carone, o hoje presidente nacional do PSDB e senador da República liderava o esquema de corrupção no segmento que engloba as elétricas Cemig, de Minas Gerais, e Furnas, do sistema Eletrobras. O depoimento foi suspenso no último minuto.

Marcos Valério

A ‘Lista de Furnas’ revela documentos sobre as quantias pagas a políticos de PSDB, PFL (hoje DEM), PP e PTB em um esquema de desvio de verbas intermediado pelo publicitário Marcos Valério, em 2000. Trata-se do embrião do esquema que vigorou durante certo período no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e deu origem à Ação Penal 470 e culminou no julgamento conhecido como ‘Mensalão’.

O objetivo, então, era abastecer o caixa dois de campanha desses partidos nas eleições de 2002. O caso que ficou conhecido como “mensalão tucano”; em fase de prescrição. Envolve, no entanto, as mesmas personagens e operações constantes das denúncias contra o PT, em 2005.

O PSDB nega a existência do esquema, que pode ter movimentado mais de R$ 40 milhões. Também nega, até hoje, a autenticidade do documento, embora a Polícia Federal tenha comprovado, em perícia, que a lista conta com a caligrafia de Dimas Toledo. Tratava-se do então presidente da estatal de energia. Reaberto no STF, após as declarações de Odebrecht, o rito legal será ditado pela Presidência da Corte. No julgamento contra o PT, realizado entre 2012 e 2013, houve a condenação de 36 pessoas.

Virgem no bordel

A presença de Bolsonaro em uma investigação desse porte coloca por terra o discurso moralista com que tem se apresentado aos eleitores. Segundo o jornalista Kiko Nogueira, editor do site Diário do Centro do Mundo (DCM), “Bolsonaro age como se fosse uma virgem no bordel”.

“Ele era do Partido Progressista, o que mais aparecia; proporcionalmente, nas investigações da Lava Jato — mas sua campanha era irrigada com boas vibrações do Espírito Santo.  Acabou migrando para o PSC, ninho de pastores evangélicos. Um deles, Everaldo, o presidente, pediu dinheiro a Cunha, segundo a PF”.

Ainda segundo Nogueira, “depois de se desentender com a liderança do PSC; JB avisou que ia sair — juntamente com o amigão Marco Feliciano, que disputa com Magno Malta o papel de vice na chapa para a presidência em 2018”.

“Vai para o Partido Ecológico Nacional (PEN), que mudará de nome para Patriota. Bolsonaro mandou os amigos abandonarem qualquer vestígio de bandeira ambiental e eles toparam. É melhor jair se acostumando”, conclui.

'Tropa' de aliados de Bolsonaro é enrolada com a Justiça

Reportagem do jornal O Globo mostra que o pré-candidato à Presidência e deputado federal Jair Bolsonaro (RJ) tem em sua tropa colegas enrolados com a Justiça.

Filiado ao PSL na última quarta-feira (7), o capitão da reserva do Exército possui em seu círculo de apoiadores diversos casos de políticos que são ou foram alvos de processos.

Parte das ações acabou prescrevendo em razão da demora na tramitação nos tribunais. O próprio Bolsonaro fez menção indireta a isso durante seu discurso no ato de filiação.

De acordo com a publicação, vários de seus aliados “deram suas caneladas, como o Julian Lemos aqui, e são pessoas que somam o nosso exército". Uma petição no Supremo Tribunal Federal, onde a Procuradoria-Geral da República pede a apuração de uma denúncia sobre uma suposta funcionária fantasma no gabinete dele.

Segundo a denúncia, Aline Fernanda Pereira Kfouri — que ocupou o cargo entre 2015 e 2017 — doaria parte de seu salário como caixa 2 para o Solidariedade do Paraná, presidido pelo deputado. Francischini nega as acusações.

APOIOS CONTROVERSOS

Conforme O Globo, não são apenas membros do PSL que foram alvos de acusações. Parlamentares que não migraram para o partido mas fazem parte da tropa de choque de Bolsonaro também enfrentam denúncias. Um deles é Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), que chegou a negociar sua filiação ao novo partido de Bolsonaro. Ex-secretário de Saúde Pública de Campo Grande, ele é alvo de inquérito no STF por fraude em licitação, tráfico de influência e falsidade documental por conta de uma contratação para a pasta.

Já o Delegado Éder Mauro (PSD-PA) foi réu no STF em processos por tortura e ameaça. Foi absolvido no primeiro, enquanto o segundo prescreveu. Os dois foram procurados, mas não responderam aos questionamentos.

Os partidos que abrigaram Bolsonaro também acumulam problemas. O PP, onde esteve em boa parte de seus 27 anos de Congresso, é um dos que tiveram mais políticos atingidos pela Lava-Jato. O PSC, sua última sigla, também teve denúncias de caixa 2.

Em seu discurso como presidenciável, Bolsonaro costuma pregar que basta ter “não só o presidente, mas muitos parlamentares que sejam honestos”

A reportagem tentou contato com o deputado, mas não obteve retorno.

Bolsonaro encara ambiente hostil no PSL

A exemplo do que aconteceu quando tentou se filiar ao PEN/Patriota, o deputado Jair Bolsonaro (RJ) tem enfrentado resistências internas depois de ingressar no PSL, sigla nanica agora alçada à categoria de aspirante ao Palácio do Planalto. As desavenças entre integrantes do PSL e o grupo do deputado ficaram evidentes durante o giro de Bolsonaro por quatro cidades do sul de Minas na quinta-feira passada, apenas um dia depois de o pré-candidato formalizar sua filiação ao partido.

Nem a saída do grupo Livres, que debandou por discordar da chegada de Bolsonaro, foi capaz de pacificar o PSL. Em ao menos dez Estados a disputa entre bolsonaristas e ex-dirigentes impede a organização das direções locais. Os ex-dirigentes ameaçam ir à Justiça alegando que a entrega da legenda a Bolsonaro fere o estatuto partidário.

ESVAZIAMENTOS

A falta de articulação fez com que o pré-candidato tivesse eventos esvaziados, com público muito aquém do esperado, nos primeiros eventos depois da filiação. Ameaças de novas debandadas, disputas territoriais entre candidatos e até crises de ciúmes entre católicos e evangélicos que apoiam o deputado vieram à tona na primeira semana de Bolsonaro na casa nova. “Eu estava apoiando a candidatura dele, fazendo um trabalho no Estado, mas ele veio atropelando todos nós. Estamos avaliando a questão do ponto de vista jurídico”, afirmou o ex-presidente do PSL em Minas Carlos Alberto Pereira, que integra a executiva nacional do partido.

CHAPA PRONTA

Ele disse que os dirigentes da legenda foram surpreendidos no dia 1.º de fevereiro com a notícia de que deveriam renunciar para que o grupo de Bolsonaro assumisse a legenda sem que a decisão tivesse sido discutida nas instâncias partidárias. “Não fizeram reunião. Não conversaram com ninguém. Já chegaram com a chapa pronta e tentando colocar os filhos a qualquer custo. É um projeto aberto à população ou de família? É para o País ou pessoal?”, criticou. O dirigente é casado com a deputada Dâmina Pereira, única parlamentar do PSL em Minas, que deve disputar votos com o deputado Marcelo Álvaro Antônio, recém filiado, do grupo de Bolsonaro. Cenário parecido se repete no Paraná, onde o deputado Alfredo Kaefer disputa espaço com Delegado Francischini, ligado ao pré-candidato.

O presidente do PSL, Luciano Bivar, admitiu que há “algumas questões” a serem resolvidas em Minas. “Existem acomodações locais que precisam ser feitas, mas é normal. Todo partido passa por isso. Tenho certeza de que tudo será resolvido.”

CENTENAS DE CIDADES

No entanto, o próprio Bolsonaro, em mensagem de áudio enviada a uma apoiadora católica descontente com o protagonismo de pastores evangélicos no giro por Minas, disse que o PSL está com dificuldades para formar as direções em dez Estados e em “centenas de cidades”.

Quando “namorava” o PEN/Patriota, Bolsonaro sofreu resistência parecida. Em novembro, dois deputados da sigla pediram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a impugnação de alterações feitas a pedido do presidenciável no estatuto do partido. Dois pontos incomodavam: os poderes concedidos ao pré-candidato e a impossibilidade de coligações com siglas de “extrema esquerda”.

Com a entrada da família Bolsonaro no partido, o deputado Walney Rocha teria de dividir espaço (e votos) com eles no Rio. Já o deputado Junior Marreca reclamava da norma sobre as coligações. Isso porque, no Maranhão, ele é aliado do governador Flávio Dino, do PCdoB.

Em reação a adversários, deputado reforça discurso sobre segurança

Capitão da reserva do Exército e pré-candidato ao Planalto, o deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ) tem reagido à incursão de adversários no tema da segurança pública. Entre as iniciativas, está a tentativa de ao menos três deles de se aproximar de setores militares. A estratégia adotada pelo deputado foi a de reforçar o discurso sobre tema.

Na primeira semana de março, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), o governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) e o senador Álvaro Dias (Podemos) buscaram se aproximar das Forças Armadas, das polícias e dos corpos de bombeiros.

Com os adversários no retrovisor, Bolsonaro deixou, por ora, assuntos voltados à classe média, como crescimento econômico, educação e tecnologia, que predominaram em seus pronunciamentos e entrevistas no mês passado. Na semana passada, ao oficializar sua filiação ao PSL, voltou ao falar do assunto e aproveitou para atacar os adversários, como Alckmin.

“A segurança dele (Alckmin) é a vaselina. Ele falou em criar um Ministério da Segurança Pública, como o do Michel Temer. Quando a Câmara não quer resolver um problema, cria uma comissão. E quando o governo não quer resolver, cria um ministério”, disse, ao refutar comparações de seu plano de governo com o do tucano.

Os pré-candidatos miram em 1,4 milhão de famílias de agentes ativos e aposentados das Forças Armadas, das Polícias Federal, Rodoviária Federal e Militar e Corpo de Bombeiros, que, segundo associações das classes, compõem o eleitorado militar.

Ciente da importância da área, Álvaro Dias pernoitou na segunda-feira passada, dia 5, na 6.ª Brigada de Infantaria Blindada, em Santa Maria (RS), onde discutiu demandas de oficiais e soldados. Na quinta e na sexta, dias teve encontros com representantes das polícias Federal e Militar. “São forças com credibilidade neste momento de operação limpeza”, disse o senador ao Estado. “No campo da política eleitoral, eles são aval importante.”

Já Alckmin tem enfatizado os resultados de seu governo na área de segurança. Em publicação em redes sociais na semana passada, o tucano destacou a redução de homicídios durante a sua gestão, além de operações da PM no Estado.

Por sua vez, Ciro tem discutido um plano de segurança pública que conta com o auxílio de militares da PM de São Paulo. A assessoria do pré-candidato afirmou que o plano está sendo discutido também com especialistas civis da área. Após a conclusão da proposta, o ex-governador fará um tour pelas associações militares.

‘Time’

Bolsonaro, que costuma visitar unidades, minimiza a importância da tentativa de adversários de se aproximarem de setores militares. “Meu time está entrando em campo despreocupado com adversários”, disse o deputado ao Estado.

Nos últimos anos, o pré-candidato visitou especialmente associações de oficiais das polícias militares. “Eu não vou negar que sou militar, que venho dessa área”, ironizou. “Quando entro nessas unidades não é para fazer campanha. Vou porque sou convidado.”

Bolsonaro: se botar mulheres, vou ter que indicar quantos afrodescendentes?

Eram 17h dessa quinta-feira (8/3) Dia Internacional da Mulher, e o deputado Jair Bolsonaro (RJ), pré-candidato à Presidência pelo PSL, ainda tinha outros três eventos públicos pela frente em cidades do sul de Minas. Ele já tinha feito quatro saudações às mulheres pela efeméride, sempre homenageando a mãe, que completa 91 anos no dia 28. Bolsonaro abriu todas as falas na linha: "Sem vocês não seríamos nada".

Pouco depois da quarta saudação, sentado na cadeira de presidente - da Câmara Municipal de Pouso Alegre -, o deputado foi questionado se aumentaria a participação feminina em um eventual governo. "Respeito as mulheres, mas alguém aqui quer a volta da Dilma (Rousseff) por acaso?", disse o deputado. "Não é questão de gênero. Tem que botar quem dê conta do recado. Se botar as mulheres vou ter que indicar quantos afrodescendentes?", completou. A pequena plateia que acompanhava a entrevista reagiu: "mito, mito".

O próprio Bolsonaro falou sobre o "estigma" de machista que, segundo ele, a imprensa e os adversários tentam lhe imputar. "Não é isso, meu Deus do céu? Me perguntam quem vai ser meu vice. Vai ser uma mulher para tirar aquele estigma de que vocês me acusam? Me apontem um áudio disso aí. Um discurso em que eu discrimino as mulheres", desafiou.

Antes, ao ser recebido no Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), Bolsonaro fez a primeira saudação às mulheres, mas, logo em seguida, derrapou. "Não me faça pergunta idiota", disse o deputado à repórter de uma rádio que o questionou sobre o imbróglio com a deputada petista Maria do Rosário (RS), que lhe rendeu um processo por apologia ao estupro no Supremo Tribunal Federal. "Chora, Rosário", gritavam os apoiadores.

Segundo a segurança do aeroporto, cerca de 200 pessoas, entre passageiros, trabalhadores e militantes, foram especialmente para prestar apoio a Bolsonaro. Número muito inferior à previsão de mil bolsonaristas repassada na véspera pelos organizadores da recepção à administração de Viracopos.

Na rodoviária de Pouso Alegre, onde Bolsonaro fez a terceira saudação do dia às mulheres (a segunda foi em cima de um carro de som), o público também foi inferior à expectativa dos organizadores. A Polícia Militar não fez estimativas, mas, segundo policiais que estavam no local, menos de 400 pessoas acompanharam atentamente o discurso do pré-candidato e vibraram com as frases mais agudas aos gritos de "mito, mito".

Mobilização

Embora a passagem do deputado fluminense por Pouso Alegre, Borda da Mata, Ouro Fino e Monte Sião tenha sido organizada por pastores evangélicos, havia empresários, estudantes, profissionais liberais, militares, maçons e curiosos, alguns deles mulheres.

"Não gosto desse negócio de feminismo. Bolsonaro é a favor da família como era antigamente", afirmou a microempresária Monica Carvalho, de 32 anos.

 

Fonte: Correio do Brasil/BNews/Agencia Estado/Municipios Baianos

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