18/03/2018

O estado preocupante da biodiversidade em números

 

A Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços de Ecossistemas (IPBES) deverá revelar, ao final de sua reunião em Medellín, um diagnóstico do estado da flora e fauna do planeta. Veja os dados que já são conhecidos:

- Duas espécies de vertebrados desapareceram em média a cada ano durante um século.

- A Terra está atualmente experimentando uma "extinção em massa", a primeira desde o desaparecimento dos dinossauros há cerca de 65 milhões de anos e a sexta em 500 milhões de anos.

- Cerca de 41% dos anfíbios e mais de um quarto dos mamíferos correm o risco de extinção.

- Quase metade dos recifes de corais desapareceu nos últimos 30 anos.

- As populações de 3.706 espécies de peixes, aves, mamíferos, anfíbios e répteis diminuíram 60% em apenas 40 anos desde 1970.

- 25.821 das 91.523 espécies (28,2%) listadas na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), atualizada em 2017, foram classificadas como "ameaçadas".

- Deste total, 5.583 estão "criticamente ameaçadas", 8.455 "em perigo" e 11.783 "vulneráveis".

- O número de elefantes africanos diminuiu em cerca de 111 mil entre 2006 e 2016, caindo para 415 mil indivíduos.

 - Nosso planeta tem cerca de 8,7 milhões de espécies de plantas e animais, incluindo 86% de espécies terrestres e 91% de espécies marinhas que ainda não foram descobertas.

- Das conhecidas e inventariadas, 1.204 espécies de mamíferos, 1.469 de aves, 1.215 de répteis, 2.100 de anfíbios e 2.386 de peixes estão ameaçadas.

- 1.414 espécies de insetos, 2.187 de moluscos, 732 de crustáceos, 237 de corais, 12.505 de plantas, 33 de cogumelos e seis de algas pardas também estão ameaçadas.

- As perdas econômicas decorrentes do desmatamento e da degradação das florestas representam 4,5 trilhões de dólares.

- Uma conferência da Convenção sobre a Diversidade Biológica (CBD), que surgiu da Cúpula da Terra no Rio de Janeiro em 1992, estabeleceu em 2010 em Nagoya, no Japão, um programa de 20 pontos para acabar com a perda de biodiversidade até 2020.

- Estas "Metas de Aichi" aspiram, entre outras coisas, a reduzir pela metade a taxa de perda de hábitat, expandir as áreas de conservação terrestre e marítima, prevenir a extinção de espécies ameaçadas e restaurar pelo menos 15% dos ecossistemas degradados.

Especialistas revelam ao mundo o alcance da crise da biodiversidade

Nosso planeta atravessa um episódio de extinção em massa de espécies, um desastre que os cientistas atribuem à ação humana e cujo alcance será conhecido em uma conferência na Colômbia, um dos países com a maior diversidade do mundo.

A partir de sábado, especialistas e líderes de 128 países se lançarão à tarefa titânica de buscar soluções para frear a deterioração da fauna, da flora e dos solos.

"A ciência demonstra que a biodiversidade está em crise em escala mundial", declarou à AFP o diretor-geral da WWF, Marco Lambertini, antes desta reunião da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços dos Ecossistemas (IPBES), que ocorre até 26 de março em Medellín, no noroeste colombiano.

"Dependemos da biodiversidade pelos alimentos que comemos, a água que bebemos, o ar que respiramos, a estabilidade do clima e, no entanto, nossas atividades exercem pressão sobre a capacidade da naturaleza de resolver nossas necessidades", acrescentou.

Para fazer esta avaliação, a IPBES dividiu o planeta em quatro regiões: América; África; Ásia-Pacífico; Europa e Ásia Central. Foram feitas análises de entre 600 e 900 páginas para cada região, que os 750 delegados estudarão a portas fechadas. Mas as linhas gerais de seu conteúdo serão divulgadas em 23 de março.

- Diagnóstico em cinco informes -

Um segundo balanço será divulgado em 26 de março: o estado dos solos do mundo, cada vez mais degradados pela poluição, o desmatamento, a mineração e as práticas agrícolas não sustentáveis que os empobrecem.

Cerca de 600 pesquisadores trabalharam voluntariamente durante três anos nestas avaliações, que concentram os dados de cerca de 10.000 publicações científicas.

O resultado final cobre toda a Terra, com exceção das águas internacionais dos oceanos e a Antártica.

Os especialistas da IPBES se reunirão em um país com mais de 56.300 espécies de plantas e animais, o segundo do mundo em biodiversidade, depois do Brasil, que é oito vezes maior.

A Colômbia, que lidera o número de espécies de aves (cerca de 1.920, 19% do planeta) e de orquídeas, é atravessada por três cordilheiras andinas, uma topografia complexa que permitiu o desenvolvimento de 311 ecossistemas diferentes.

O país sai aos poucos de um conflito armado de mais de meio século, cuja violência transformou enormes regiões de seu território em áreas proibidas durante muito tempo, que se mantiveram assim, paradoxalmente, bem conservadas.

Mas hoje 1.200 espécies estão ameaçadas pelo desmatamento e a poluição, consequência sobretudo da pecuária extensiva, das plantações ilegais de maconha e coca e das operações mineiras clandestinas.

"Ainda temos um enorme desafio que tem a ver com o controle do desmatamento", admitiu em fevereiro o ministro do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Luis Gilberto Murillo, que afirmou que cerca de 170.000 hectares foram desmatados no ano passado.

- Recomendações não vinculativas -

Em Medellín, os delegados elaborarão resumos, de cerca de 30 páginas, dos relatórios de cada região para que os líderes dos Estados-membros da IPBES formulem políticas de proteção da biodiversidade.

Estes resumos, que abordam assuntos que vão do transporte à educação passando pela agricultura, são recomendações não vinculativas.

São "sugestões para agir", disse à AFP a secretária executiva da IPBES, Anne Larigauderie.

"Esperamos que isto ajude na tomada de decisões para deter a perda de biodiversidade", disse Tom Brooks, diretor científico da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), que forneceu dados para os informes.

Depois da abertura oficial da conferência, no sábado à noite, os delegados se reunirão a portas fechadas para negociar "palavra por palavra" o conteúdo dos resumos.

Todo o processo até hoje custou cerca de cinco milhões de dólares.

Especialistas e membros de governos participaram nas diferentes etapas dos rascunhos. "Milhares de pessoas fizeram milhares (...) de comentários", afirmou Larigauderie, que antecipou que haverá "muita discussão" na reunião de Medellín.

"Pode ser que alguns países não estejam satisfeitos com o que o informe diz sobre sua biodiversidade", alertou.

IPBES, o guardião da biodiversidade

A Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços dos Ecossistemas (IPBES), que revelará em Medellín as grandes linhas de ação para frear a deterioração da flora e da fauna mundial, é um organismo independente criado em 2012.

- Sua tarefa consiste em compilar todo o conhecimento científico sobre o estado da biodiversidade a fim de avaliar as tendências, os desenvolvimentos futuros e assessorar os governos sobre as medidas que devem ser tomadas.

- Atualmente, conta com 128 Estados-membros. Sua secretaria tem sede em Bonn, na Alemanha.

- Não é uma agência das Nações Unidas, mas foi criada seguindo o modelo do Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (IPCC), que alertou o mundo sobre os perigos do aquecimento global e abriu caminho para o Acordo de Paris, de 2015.

- O organismo publicou sua primeira análise sobre os perigos que ameaçam as abelhas, em 2016.

- Os relatórios de avaliação da situação da biodiversidade em quatro regiões do mundo (América, África, Ásia-Pacífico e Europa-Ásia Central) e um sobre os solos serão divulgados depois da reunião do organismo em Medellín.

- Cada um desses informes precisou de três anos de trabalho, com um custo de aproximadamente um bilhão de dólares cada um.

- O painel de especialistas é financiado por um fundo que se alimenta de contribuições voluntárias de seus Estados. A contribuição mais elevada, 8 milhões de dólares, foi feita pela Noruega em 2014, informou à AFP sua secretária-executiva, Anne Larigauderie.

- As centenas de cientistas que trabalham em cada relatório são voluntários. "Calculamos que o tempo investido e doado ao IPBES representou entre 5 e 10 milhões de dólares em 2017", segundo Larigauderie.

- Os especialistas não realizam suas próprias pesquisas, e sim compilam dados de milhares de publicações científicas e as condensam em resumos para os governos, que devem anteriormente aprovar seu conteúdo.

- Esta plataforma foi alvo de polêmica quando vazou que dois dos autores do informe de 2016 sobre polinização trabalhavam para os grupos agroquímicos Bayer e Syngenta, que produzem pesticidas suspeitos de estarem relacionados com o misterioso aumento da mortalidade das abelhas. A IPBES assegurou que não havia conflito de interesses, pois eram necessários vários pontos de vista para estabelecer uma análise equilibrada.

 

Fonte: AFP/Municipios Baianos

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