21/03/2018

Estudo aponta carreiras que não correm risco de desaparecer

 

Elas podem até ser impactadas pela tecnologia, mas não serão substituídas pela automatização. Um levantamento feito pela a plataforma de busca de empregos Indeed identificou cinco áreas de atuação que, ao contrário de outras, não correm risco de terem trabalhadores trocados por máquinas. Segundo a Indeed, as profissões que vão continuar existindo envolvem gestão de pessoas, trabalho criativo e habilidades de cuidado e tratamento.

O estudo listou as carreiras ligadas a culinária, recursos humanos, saúde, marketing e comunicação, como destaca o vice-presidente de Vendas do Indeed para Brasil e Ásia Pacífico, Chris McDonald. “É fato que haverá automação em diversos setores, mas algumas profissões dependem muito do fator humano e do seu talento. São áreas em que os profissionais poderão prosperar e crescer junto com elas”.

Aliada

No entanto, o fato de não correr risco de desaparecer não exime o profissional de se adaptar a mudanças. Para garantir o seu lugar, o trabalhador vai ter que se reinventar. “O profissional precisará ser cada vez mais especializado, estratégico e tecnológico”, diz McDonald.

O diferencial para permanecer no mercado é focar, desde agora, nas relações e habilidades humanas, entre elas a criatividade, a liderança e a comunicação. “O fator humano terá um papel estratégico para os negócios, contando com o apoio de tecnologias na execução e operação”, analisa o especialista.

O chef de cozinha e proprietário da Cantina Du Vini e do restaurante  Ko Phai, Vinicius Figueira, não nega que um dos principais motivos que o fizeram optar pela carreira foi o de não ter que disputar vaga com uma máquina. “Na gastronomia, até na parte da criatividade, você faz tudo com muito sentimento. É uma profissão muito artesanal”.   

Formado há nove anos, desde o inicio ele viu a tecnologia muito mais como uma aliada do que uma inimiga. “Hoje existem máquinas que modelam rapidamente 50 mil salgados, um ultracongelador que permite o congelamento sem água e evita que esse mesmo salgadinho estoure na fritura. Se o cozinheiro for resistente a isso vai  ficar para trás. Uma coisa acompanha a outra”, diz.

Chance

Quem quer agarrar uma boa oportunidade em uma dessas áreas de atuação (e permanecer nela) tem que sair da zona de conforto. A dica é da responsável pelo escritório da Lee Hecht Harrison (LHH) no Nordeste Mariângela Schoenacker. A empresa é especializada no desenvolvimento de talentos e transição de carreira.

“Não espere a tecnologia avançar demais na sua área para então compreendê-la, senão você perde o trem. O que o mercado quer é que o profissional busque novos aprendizados, trabalhe em equipe, tenha capacidade de resolver problemas complexos de maneira colaborativa, inspire pessoas para a ação e crie soluções”, orienta.

Outro ponto importante é ter fluência no uso de dispositivos móveis. Cultura digital e conhecimento de análise de dados são mais diferenciais.  “Não cabe mais responder ‘faço isto, por que sempre foi feito assim’. Quanto mais tecnologias, mais são requeridas as habilidades humanas”, acrescenta.

ÁREAS TAMBÉM SÃO PROMISSORAS NA OFERTA DE VAGAS

As áreas que não serão ocupadas por robôs no futuro já são, no presente, muito promissoras. Segundo dados da pesquisa, no setor de cozinha, por exemplo, o Indeed registrou aumento de mais de 66% no número de vagas abertas em 2017 comparado com 2016, ao mesmo tempo em que observou uma queda de mais de 70% na procura por postos feitas pelos profissionais do setor.

Ou seja, têm mais vagas sendo ofertadas pelas empresas que procuradas pelos trabalhadores. Em outras palavras: a oferta existe, mas falta quem se encaixe nos requisitos da vaga. Isso porque a posição de líder de cozinha teve um crescimento anual de 96%, o que coloca o profissional na lista dos cargos mais difíceis de preencher.

Outra profissão que está  com boas perspectivas é a de recrutador, que cresceu 193% em número de vagas publicadas na plataforma entre 2016 e 2017. As áreas de Marketing Digital e Relações Públicas também experimentam um crescimento significativo. 

Saúde e educação não ficam atrás. O volume de vagas ligadas à educação cresceu quase 10%. Por outro lado, a busca por esse tipo de emprego por parte dos trabalhadores caiu 15%. A área de saúde é mais uma que apresenta dificuldades em contratar: mais de 10% das vagas em áreas como enfermagem levam mais de 60 dias até serem preenchidas.

Para o vice-presidente de Vendas do Indeed para Brasil e Ásia Pacífico, Chris McDonald, o cenário reforça a necessidade de qualificação. “Isso mostra que por mais que o mercado oferte as vagas é possível que falte capacitação por parte de quem busca um emprego”, pontua McDonald.

EM UM FUTURO NÃO TÃO DISTANTE

Recursos humanos

A estratégia de RH orientada em cima de dados já existe, mas não diminui a necessidade do julgamento humano para uma tomada de decisão assertiva. No entanto, o profissional de RH do futuro vai precisar combinar suas habilidades interpessoais e inteligência emocional com experiência em software e capacidade de análise.

Marketing e comunicação

A inteligência social e a alfabetização de novas mídias são habilidades fundamentais a serem cultivadas por quem quer trilhar o caminho na área.

Educação e treinamento

A demanda continua forte justamente por conta da explosão da aprendizagem online e da educação continuada, o que abre grandes possibilidades para o setor.

Profissionais da saúde

A expectativa de vida longa da população também tem favorecido a atuação no campo da saúde. Segundo o Indeed, a atividade está longe de se tornar automatizada por estar quase sempre atrelada a habilidades interpessoais.

Culinária

Algumas coisas nunca irão mudar: a refeição vai sempre exigir criatividade, personalidade, sensibilidade e conhecimento. Apesar de serem capazes de produzir em grandes quantidades, as máquinas não vão mandar na cozinha nem no paladar.

Argentinos lideram em ocupação de vagas de empregos na Bahia

Os argentinos são os estrangeiros que mais tem vindo trabalhar na Bahia nos últimos anos: em 2006, eram 104 hermanos atuando no estado com empregos formais, chegando em 2016, dez anos depois, a 205 profissionais. Nesses dez anos, o número estrangeiros de modo geral trabalhando com carteira assinada na Bahia teve pouco avanço, passando de 1.013 para 1.687 trabalhadores. Mesmo com o aumento, o contingente representa apenas 0,08% do mercado de trabalho local.

A preferência dos trabalhadores argentinos pela Bahia faz o estado destoar dos dados nacionais: os haitianos são os imigrantes com maior presença no mercado formal de trabalho brasileiro, principalmente após 2010, quando um terremoto devastou a ilha. Enquanto nos dados nacionais constam que, dos 115.961 trabalhadores não brasileiros contratados formalmente no Brasil em 2016, 26.127 pessoas eram originárias do Haiti (22,53% do total); na Bahia, registrava-se apenas 19 haitianos trabalhando no estado.

Depois dos argentinos, os estrangeiros que mais se fizeram presentes no mercado de trabalho formal baiano foram: portugueses (192), espanhóis (119); norte-americanos (100), italianos (97) e chilenos (84). Os dados são os mais recentes da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) relativos aos empregos formais na Bahia e foram analisados pela superintendência estadual de estudos econômicos e sociais (SEI).

Venezuelanos

Os números da Rais, de 2016, ainda não retratam eventuais impactos na Bahia do caso da imigração em massa de venezuelanos, fugindo da crise político-econômica de seu país - dados que só constarão da Rais de 2017, ainda em apuração. Em 2016, eram apenas 18 deles trabalhando formalmente no estado. Em todo o país, haviam, até então, 1.293 vínculos formais de profissionais oriundos da Venezuela, de Nicolás Maduro.

“Na Bahia, os estrangeiros estão principalmente no setor de serviços (1.114) e, na Região Metropolitana de Salvador, são 1.110, contra 577 no interior”, informa o diretor de pesquisas da SEI, Armando Castro. “O contingente de trabalhadores estrangeiros no estado representa apenas 0,08% do mercado de trabalho baiano, pois, segundo a RAIS, em 2016 tínhamos um estoque de 2.171.345 trabalhadores formais”, completa.

“São trabalhadores geralmente bem qualificados e que falam duas ou mais línguas e, por isso, são muito presentes no setor de turismo”, diz o empresário baiano Isaac Lima, que contratou argentinos, sírios, marroquinos, uruguaios e venezuelanos em sua rede de agências de viagens Cassi Turismo. Segundo ele, os estrangeiros já representam 15% do total de funcionários da empresa.

“A Bahia tem muitos atrativos que encantam o argentino, dentre eles, a particular receptividade do povo. Ao mesmo tempo, em Salvador, por exemplo, ainda se tem uma carência de profissionais qualificados para algumas áreas, daí porque muitos argentinos escolhem o estado não apenas para turismo, mas também para morar e trabalhar”, conta o argentino Henrique Paciotti, um dos funcionários da empresa de Isaac Lima.

Peso regional

A imigração latino-americana é explicada, pelo Ministério do Trabalho, como resultado do peso da economia brasileira na região, respondendo por cerca de 40% do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo o ministério, o País só não vem atraindo mais estrangeiros da América Latina, devido à crise brasileira.

O ministro do Trabalho em exercício, Helton Yomura, diz que o Brasil é um dos países mais acolhedores do mundo, o que se reflete não apenas no turismo, mas também no mercado de trabalho. “Somos um país privilegiado porque não temos aqueles conflitos por causa de religião e de etnia como ocorre em outros países. E isso faz com que sejamos referência para muitos imigrantes”, conclui.

Falta de mão de obra qualificada é o gargalo do agronegócio

A falta de trabalhador qualificado é um gargalo que pode comprometer o crescimento do agronegócio no médio prazo, pressionando custos, sobretudo em lavouras com uso intenso de tecnologia, como a soja.

No Mato Grosso, o maior produtor de soja do País, que neste ano deve colher 32 milhões de toneladas, existe um déficit de mão de obra especializada, conta o diretor executivo da Associação dos Produtores de Milho e Soja (Aprosoja), Wellington Andrade. "Não tenho números sobre o tamanho do déficit, mas ouço relatos de produtores sobre a dificuldade de encontrar trabalhadores qualificados."

Ele conta que a quantidade de mão de obra qualificada formada pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Mato Grosso não é suficiente para atender à demanda.

Não é por acaso que o estudo da FGV sobre o mercado de trabalho no campo aponta que a soja foi a atividade do agronegócio que melhor remunerou os trabalhadores. No ano passado, a mão de obra empregada no cultivo do grão recebeu, em média, R$ 2.610,48 por mês, uma cifra 26% maior do que a remuneração média da população ocupada em todas as atividades no País (R$ 2.078) e acima do agronegócio como um todo (R$ 1.406). Andrade, da Aprosoja-MT, e o economista Renato Conchon, da CNA, concordam que a escassez de trabalhadores qualificados tem pressionado os salários dentro da porteira.

O economista da CNA explica que a produtividade no campo considera os fatores terra, tecnologia e mão de obra. No caso da terra, há limitações na expansão de área. Na tecnologia, os ganhos de produtividade alcançados até agora podem não se repetir no futuro. É exatamente na mão de obra, segundo ele, que há espaço para crescer a produtividade. "O desempenho do agronegócio pode estar ameaçado, se não houver oferta de trabalhadores qualificados para operar máquinas e agrônomos para interpretar dados."

Herlon Oliveira, CEO da Agrusdata, empresa especializada em projetos de lavouras digitais, vê, na prática, o gargalo de mão de obra qualificada e a valorização dos profissionais com conhecimento na interpretação de uma grande quantidade de dados, que é o coração da agricultura digital.

Há dois anos e meio implantando projetos de agricultura digital, Oliveira conta que tem 40 clientes, a maioria produtores de grãos. "Há uma corrida para agricultura digital, que ampliou a demanda por projetos e profissionais treinados."

Ele explica que, com a agricultura digital, é possível cortar em até 9% o custo das lavouras, por conta do uso acertado dos dados na tomada de decisões. Mas a oferta de agrônomos digitais ainda é pequena.

 

Fonte: Correio/A Tarde/Agencia Estado/Municipios Baianos

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