29/03/2018

Pesquisadores brasileiros identificam sinais precoces do Alzheimer

 

Responsável por 60% dos casos de demência, o Alzheimer é visto como uma doença que assombra o fim da vida. É um mal prevalente entre os idosos e, em geral, seus primeiros sintomas são percebidos perto da terceira idade. Um novo estudo, conduzido por pesquisadores brasileiros, no entanto, questiona essa noção. De acordo com o trabalho, pessoas com alto risco genético para o desenvolvimento da doença podem apresentar sintomas ainda no começo da vida, durante a infância. A nova hipótese, defendida pelos brasileiros, é ousada: a de que o problema não começa com a degeneração do cérebro que envelhece, mas surge ainda na formação do cérebro, que se desenvolve de maneira errada.

— A gente entende que essa é uma proposta polêmica — diz Giovanni Salum, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e um dos autores do trabalho, recém- publicado no American Journal of Psychiatry, publicação científica importante do setor.

Salum e seu time decidiram sustentar a hipótese depois de conduzir uma pesquisa de fôlego. Desde 2009, ele e outra dezena de cientistas da UFRGS, da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), acompanham o amadurecimento de 2.500 crianças, com idades que tinham entre 6 e 14 anos no início da pesquisa, recrutadas em escolas de São Paulo e Porto Alegre. Parte delas – 1.500 - tem histórico de doenças psiquiátricas na família, males como esquizofrenia e transtorno bipolar. A ambição é segui-las até a idade adulta para tentar identificar se nos primeiros anos de vida há sinais de que desenvolverão transtornos psiquiátricos no futuro. E se há formas de prevenir sua ocorrência.

O acompanhamento por anos de grupos de pessoas compõe o que os cientistas são chamados de estudo de coorte. Segundo o neurocientista Rodrigo Bressan, da Unifesp, é a melhor estratégia de que a medicina dispõe para fazer descobertas.

— Você só descobre que o cigarro faz mal quando acompanha a pessoa antes de fumar, enquanto fuma, e depois de adoecer — diz Bressan, coordenador do projeto.

No caso de males psiquiátricos, o raciocínio é o mesmo. Coortes com esse fim são tradição nos Estados Unidos, Canadá e Inglaterra. De acordo com Bressan, o grupo brasileiro foi o primeiro a surgir num país em desenvolvimento.

Para estudar o Alzheimer, os pesquisadores se valeram de três ferramentas: testes de DNA, testes de cognição e exames de imagem, que avaliam a morfologia do cérebro. A primeira ferramenta permitiu descobrir qual o risco genético de cada criança desenvolver Alzheimer. Vários genes influenciam no surgimento da doença, e as chances aumentam proporcionalmente ao número deles no DNA de um indivíduo. Já os testes de cognição avaliaram a memória das crianças. Numa das atividades, os participantes observaram uma figura impressa e, minutos depois, tiveram de reproduzir o desenho. Pouco mais de 700 crianças passaram por essas avaliações. Os cruzamentos dos resultados surpreenderam.

— A gente percebeu que, quanto maior o risco genético, pior o desempenho cognitivo — diz Salum.

Os pesquisadores também notaram que, no caso de 70 crianças em risco genético elevadíssimo havia alterações no hipocampo - região do cérebro relacionada à memória, e que tende a diminuir em pacientes diagnosticados com Alzheimer. Nessas crianças, a diminuição já era perceptível.

Para ser comprovados, os achados dos brasileiros ainda precisam ser replicados por outros pesquisadores, com outros grupos, coisa que vai levar muito tempo. Para as crianças examinadas, os resultados parciais podem não significar nada. Apesar das alterações detectadas, não há garantias de que elas desenvolverão Alzheimer na idade adulta. Para a ciência, no entanto, esses achados são valiosos, pois podem modificar a forma como se pensa a doença, apontar para novas estratégias de prevenção e indicar novos caminhos de investigação de um mal ainda pouco compreendido.

A visão tradicional do Alzheimer entende que, a partir de dado momento na vida, um cérebro maduro e saudável começa a perder habilidades, se degenera. A hipótese lançada por Salum e seus colegas inverte essa lógica. Ao mostrar que alterações na forma e no desempenho do cérebro ocorrem ainda na infância, o estudo sugere que a enfermidade possa resultar de um desvio na forma como o cérebro se desenvolve e amadurece.

O Alzheimer foi descrito pela primeira vez em 1906, pelo médico alemão Alois Alzheimer, depois de examinar o cérebro de uma paciente que sofria com a demência. Mais de um século passado, ainda não se sabe com clareza o que provoca a enfermidade. A análise do cérebro de pessoas que sofreram com a doença mostrou que ela evolui conforme se acumulam placas de uma proteína chamada beta-amilóide, produzida até mesmo em pessoas saudáveis. Em abundância, essas placas interrompem as conexões entre as células nervosas, e provocam a morte dos neurônios. O processo diminui o volume cerebral. Mas ainda há várias lacunas no entendimento desse processo. A ciência não sabe explicar o porquê, tampouco entende qual gatilho provoca a acumulação da proteína deletéria.

— Algumas pessoas acumulam beta-amiloide sem nunca adoecer —diz Paulo Bertolucci, professor de neurologia da Unifesp, que não participou do trabalho de Salum.

Como não há tratamento eficiente contra o Alzheimer, a maior parte das pesquisas desenvolvidas é voltada a tentar entender as origens da doença, em busca de uma forma de preveni-la. Houve avanços nesse sentido. Sabe-se, por exemplo, que o acúmulo de placas amiloides começa cerca de 10 ou 15 anos antes da manifestação dos primeiros sintomas de demência - sinais como lapsos de memória e problemas de orientação geográfica.

Em 2006, uma pesquisa de cientistas da Universidade de Washington, nos EUA, demonstrou que o acúmulo de beta-amiloide não é resultado de produção excessiva, mas da dificuldade do cérebro doente em se livrar dela. Estudando a evolução da doença em ratos, pesquisadores descobriram que os níveis da substância tendem a aumentar conforme aumenta a quantidade de açúcar no sangue - o que pode explicar por que o diabetes é apontado como um fator de risco para o Alzheimer. Hoje, acredita-se que a doença pode ser causada - ou influenciada - por uma união de fatores, como dieta ruim, vida sedentária e predisposição genética. Algumas pesquisas sugerem uma associação entre a doença e o contato com poluentes atmosféricos. Parte desses fatores foge ao nosso controle, outros são possíveis de prevenir. A pesquisa de Salum e seu grupo pode contribuir nessa corrida pela prevenção. Por ora, diz ele, o trabalho serve mais como um alerta aos seus pares.

— A pesquisa gera uma hipótese: a de que a gente tem de prestar atenção ao desenvolvimento cerebral para entender uma doença neurodegenerativa — diz ele.

Há um componente de urgência nessa história. A Associação Internacional de Alzheimer estima que 75 milhões de pessoas terão a doença em 2030 em todo o mundo. Conforme envelhece, a população brasileira se torna mais vulnerável - e o número de casos por aqui deve aumentar.

— Ele será um dos nossos grandes desafio nos próximos anos — diz Salum.

Gravidez: praticar Pilates durante o período da gestação faz bem

O Pilates é um tipo de atividade física de baixo impacto, alto rendimento e muito benéfica para postura, alongamento e consciência corporal. A sua prática pode ser iniciada ainda na infância e ir até a velhice. A melhora na qualidade de vida de quem pratica, é mundialmente difundida. O que muitas pessoas ainda desconhecem, é o fato de que a prática do Pilates durante a gestação, faz bem não só para a mãe, mas também beneficia o neném que está para chegar.

Estudos revelam que as grávidas que praticam atividades físicas de forma correta no período da gestação, dão à luz a bebês mais enxutos, sem sobrepeso. "Ao praticar Pilates durante a gestação, trabalhamos o fortalecimento dos músculos profundos do abdômen e paravertebrais, proporcionando uma melhor estabilização da coluna e quadril e reduzindo as dores decorrentes do aumento abdominal", explica o coordenador da Rede Alpha Fitness, Igor Castro.

A conexão entre mãe e bebê aumenta ainda mais, pois quando a gestante pratica Pilates, ela utiliza a respiração o tempo todo e libera endorfinas que proporcionam uma sensação de bem-estar para a mãe e o bebê. Além disso, a modalidade traz uma melhor postura e equilíbrio muscular; ajuda no controle da respiração reduzindo a ansiedade durante a gestação e também no momento do parto; melhora a qualidade do sono; melhora da oxigenação e circulação sanguínea proporcionando uma melhor demanda de nutrientes para o bebê; controle do peso corporal, ajudando a prevenir o diabetes gestacional e aumento da pressão arterial.

Gestantes que praticam Pilates e optam pelo parto normal, tendem a ter um parto mais tranquilo. Já as que optam ou precisam fazer a cesariana, passam de maneira mais saudável pela cirurgia e acabam tendo uma recuperação menos dolorosa. “É importante que a futura mãe dê continuidade aos exercícios que praticava antes da descoberta da maternidade. Independentemente de seu condicionamento, ela deve procurar a orientação de seu médico para verificar a possibilidade da continuidade de antigos ou novos tipos de exercícios físicos durante a gravidez.", finaliza.

 

Fonte: Brasil Online/Bahia Já/Municipios Baianos

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