03/04/2018

5 previsões sobre o futuro de um mundo tomado por megacidades

 

Atualmente, mais da metade das pessoas vivem em cidades e, segundo as previsões, sete em cada dez delas vão morar em um grande centro urbano até 2050.

Teemu Alexander Puutio, pesquisador da Universidade de Turku, na Finlândia, estudou durante anos o tema e concluiu, entre outras coisas, que as cidades terão no futuro um papel ainda mais imporante do que atualmente.

Em conversa com a BBC, Puutio mostra uma visão bem otimista das grandes cidades do futuro. Segundo o pesquisador, a proximidade geográfica não será um impedimento para que se criem "alianças urbanas internacionais" e para que os empreendedores fundem suas próprias multinacionais e aumentem a "soberania urbana" para acabar com a corrupção.

  • Essas são algumas das previsões dele para o futuro:

1- A 'geração C' reinventará o trabalho

A chamada "Geração C", também conhecida como geração conectada, inclui aqueles que nasceram em um mundo digital e ocupam grande parte do dia online. Alguns dizem que eles serão os sucessores dos millennials, e outros especialistas consideram que essa classificação não tem a ver com a idade, mas com o nível de produção de conteúdos digitais nas redes.

De qualquer forma, a "Geração C" trabalhará em linha, algo que impactará o funcionamento e o desenho das cidades.

Alguns dos empregos do futuro ainda não foram criados, mas outros estão crescendo pouco a pouco na internet, como é o caso dos "treinadores digitais" e os "acompanhantes digitais", que são pessoas reais que cobram para jogar videogame com você ou por outros serviços desse tipo nas redes.

"O interessante é ver como esses serviços são entregues globalmente sem restrições geográficas, tendo apenas a velocidade da internet como limitação", afirma Puutio.

"Esse tipo de liberdade - de trabalhar online - permitirá uma transformação do conceito de mobilidade para a Geração C. Em vez de se deslocar até o trabalho, as pessoas vão se mudar para comunidades onde se sintam identificados com as pessoas", afirmou.

"Essa pode ser a maior promessa da digitalização a longo prazo que teremos", acrescenta o pesquisador.

2 - A economia local será mais importante

Considerando que as cidades estão ficando cada vez mais independentes dos poderes centrais e gerando cada vez mais riqueza e inovação em comparação com os recursos que estão consumindo, elas se transformaram em uma espécie de laboratório para a busca de soluções difíceis de abordar em grande escala.

Por outro lado, as cidades também produzem mais crimes, doenças e desigualdade.

Mas diante da visão otimista de Puutio, as cidades criarão mais oportunidades para seus habitantes, porque são ecossistemas que podem economizar recursos em certas áreas.

"As cidades desperdiçam menos recursos per capita em infraestrutura e serviços. Isso faz com que elas sejam ideais para entregar soluções realistas para os grandes desafios globais", explicou.

"As cidades são a única solução realista para oferecer moradia a uma população que deve chegar a 9,7 bilhões de pessoas em 2050."

Segundo ele, a digitalização fará com que as possibilidades de solucionar esses problemas aumente. Na mesma lógica, os efeitos negativos do crescimento, como os prejuízos ambientais, tenderiam a diminuir com o desenvolvimento de novas tecnologias e de novos métodos de produção.

3 - As 'micromultinacionais' se expandirão pelo mundo

Micromultinacionais são as companhias que nascem já como empresas globais. É um conceito tão amplo que qualquer negócio pequeno que venda seus produtos a milhares de quilômetros de distância por meio de uma plataforma digital poderá ser enquadrado dentro dessa categoria.

Essas empresas serão tão comuns que "o mais provável é que o conceito micromultinacional se torne em breve algo redundante", afirmou Puutio.

"À medida que as plataformas digitais crescerem e as rotas de distribuição internacional se desenvolverem, qualquer empresa, independentemente da escala, pode começar a conquistar o mundo, só tendo o produto ou a ideia adequada."

4 - As cidades terão maior liderança que os países

De acordo com o pesquisador, serão criadas "poderosas alianças urbanas internacionais" em relação a interesses comuns.

Essa tendência é visível, segundo Puutio, em organizações como a Liga Nacional das Cidades dos Estados Unidos ou o Parlamento Global dos Prefeitos, onde as autoridades locais criaram vínculos que vão além da proximidade geográfica ou das ideologias políticas.

"Prefeitos que vão desde a Bavária até Punjab estão criando escritórios independentes para promover investimentos com uma aposta competitiva para atrair fluxos de capitais e turismo".

Por exemplo, embora não existam paralelos significativos entre o Reino Unido e a Turquia, os votos da oposição em Londres, Liverpool e Manchester no Brexit (referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia) foram motivados por forças semelhantes aos votos de oposição em Istambul, Ancara ou Izmir no referendo constitucional na Turquia", diz ele.

Inclusive nos Estados Unidos, explica o especialista, está nascendo um novo mundo de cidades globais. "Nova York e São Francisco se comprometeram com o Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas, juntamente com outras 380 cidades, ainda que o país como um todo tenha rejeitado o acordo."

"A digitalização promete fazer com que o bom seja muito melhor", segundo Puutio, argumentando que nas "cidades inteligentes", como Tallin, Singapura ou Amsterdã, os governos locais já têm uma relação digital direta com as pessoas na hora de firmar contratos, votar ou pagar impostos.

5 - Aumentar a 'soberania urbana' para frear a corrupção

Graças à internet e o acesso cada vez mais amplo à informação, os cidadãos terão mais ferramentas para exigir a prestação de contas de governos locais, com um maior poder de fiscalização de seus representantes.

"A corrupção, a ineficiência, o desprezo da opinião pública serão mais difíceis de acontecer no futuro, onde a informação fluirá livremente", diz.

"Duvido que no futuro os prefeitos ruins consigam se manter no posto por muito tempo."

A previsão de Puutio é que a discussão sobre o poder econômico começará a acontecer nas cidades e não parará apenas nas capitais.

"É difícil que possamos ver o significado dessas mudanças que estão em curso nas nossas vidas. No entanto, estou seguro de que poderemos ver governos sendo substituídos em um ritmo muito mais rápido do que há alguns séculos, quando os governantes eram praticamente intocáveis".

Provedores regionais discutem conectividade na Bahia

Empenhado em estimular ações mais ostensivas por parte do governo e refletir sobre as dificuldades que entravam o desenvolvimento e a expansão das empresas provedoras de internet na Bahia, o segmento promoveu um grande encontro nesta segunda-feira, 2 , no auditório da UPB, no Centro Administrativo da Bahia – CAB, a partir das 8:00h.

O evento, promovido pela Associação de Provedores da Bahia  - PROBAHIA  e Sindicato das Empresas de Internet do Estado da Bahia – SEINESBA, reuniu representantes credenciados de todo o estado, envolvendo, segundo levantamento das entidades, cerca de 1.200 provedores regionais que atuam nos 417 municípios baianos, sendo 430 já outorgados pela Anatel.

Na pauta de discussão foram incluídos temas considerados cruciais para a categoria, a exemplo do compartilhamento de poste de energia elétrica, o direito de passagem das fibras óticas pelas rodovias, a redução da carga tributária sobre os serviços de telecomunicações e a criação de linhas de crédito específicas para o setor.

Segundo o presidente da PROBAHIA, Othon Santana, esses assuntos são prioritários e essenciais para o crescimento e avanço das redes de infraestrutura dos provedores regionais, que veem desempenhando um papel decisivo na inclusão digital, na inovação e no desenvolvimento da economia baiana, sobretudo nas cidades do interior.

Othon Santana ressaltou que desde 2010 a PROBAHIA vem alinhando um relacionamento com o governo do estado, participando de grupos de trabalho, avaliações e reuniões com a Prodeb, Coelba e Anatel, justamente para mostrar que os provedores regionais estão fazendo uma grande diferença nos municípios baianos, abrangendo localidades rurais e cidades de pequeno porte que não são consideradas atraentes pelas grandes operadoras.

“Estamos ampliando de forma significativa o acesso digital, tornando a vida dos baianos mais produtiva e mais conectada e oferecendo internet mais barata e de boa qualidade”, disse Othon, observando que os provedores locais estão cada vez mais organizados, melhor equipados e criando grupos de cooperação técnica e parcerias que estão possibilitando investimentos conjuntos em redes de fibra óptica, tecnologia que sustenta conexões de alta velocidade.

*Eficiência na Operação Carnaval*

O presidente da associação informou ainda que a qualidade e a eficiência dos provedores pôde ser constatada no Carnaval de 2018 em Salvador, quando um pool de 8 empresas locais foi acionado pelo governo do estado para atender a maior festa popular do país, cobrindo setores estratégicos como o da Segurança, Corpo de Bombeiros, Turismo, Casa Civil e IRDEB, com  transmissão ao vivo da TVE, além dos camarotes oficiais.

A operação foi realizada com sucesso absoluto e ainda rendeu uma economia de 50% aos cofres do estado, estimativa, segundo Othon, baseada em investimentos que seriam aplicados caso o serviço fosse prestado por grande operadora.

O diretor de tecnologia de informação da Secretaria de Segurança Pública - SSP-BA, major Tarcísio Caxias, testemunhou a excelência do trabalho realizado pelos provedores regionais, destacando que pela primeira vez, ao longo dos últimos 15 anos, a Operação Carnaval contou com o suporte desses pequenos provedores que não deixaram a desejar e ainda ofereceram uma conexão mais veloz.

O major Caxias enfatizou que esse resultado abriu a necessidade de se ampliar as discussões dentro da rede governamental sobre a participação dos provedores regionais na questão da conectividade e no avanço da banda larga no interior do estado.

“Precisamos fortalecer essa ideia do compartilhamento e conseguir entregar melhores serviços a custo baixo", disse o major. “ É de suma importância que o governo e setores da iniciativa privada entendam como esse  segmento vem contribuindo para mudar a configuração das perspectivas tecnológicas das cidades e até das periferias dos grandes centros urbanos, onde as operadoras não têm rede para atender”, enfatizou Othon Santana, chamando a atenção para o fato de os provedores regionais estarem se tornando líderes de mercado em suas localidades e financiando com recursos próprios a ampliação das suas redes estruturais. 

Na prática – disse -, os provedores regionais estão cumprindo, mesmo que indiretamente, a promessa do governo de universalizar o acesso à banda larga no país.

”Então temos que ter a visão ampliada de que se a Bahia quiser estar totalmente conectada no futuro, será necessário congregar todos os agentes envolvidos – governo, pequenas e grandes empresas do segmento - buscando soluções de investimentos, compartilhamento e avanços na instalação das fibras óticas, melhorando assim as conexões e ampliando para toda a população o acesso às melhores tecnologias a custos mais baixos”, concluiu.

Dados divulgados pela Anatel indicam que em 2017 os pequenos provedores lideraram o crescimento do acesso à banda larga fixa no país. Do aumento de 7,15% em comparação a 2016, os provedores regionais conquistaram nada menos que 43,72%, com 1,28 milhão dos novos contratos.

Dos 28,67 milhões de acesso de banda larga fixa, 4,21 milhões são relativos ao segmento. Cerca de 3,2 milhões de lares são atendidos por provedores regionais, três vezes mais do que em 2011 .Levantamentos apontam cerca de 3.200 empresas operando no país com a outorga da Anatel.

Juntas, essas empresas formariam a quarta maior operadora de internet do Brasil. Estima-se, porém, que haja 10 mil empresas atuando informalmente no mercado. A massificação da banda larga no Brasil traria ganhos de R$1,4 trilhão até 2025, segundo a consultoria americana BCG.

 

Fonte: BBC Brasil/BN/Municipios Baianos

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