04/04/2018

Gastronomia e cultura movimentam Casas dos Romeiros, no Bonfim

 

  • As Casas dos Romeiros, próximas à Igreja do Bonfim, abrigam novos empreendimentos, como a Vila Criativa e o Santo Café, que unem gastronomia, arte e cultura, dando mais charme à região e outras razões para   ir à Colina Sagrada

Vinham de todos os cantos, os romeiros, para agradecer pessoalmente ao Senhor do Bonfim por uma graça alcançada, ou como é mais comum entre nós, humanos, pedir por possíveis e impossíveis causas. Muitos não conseguiam voltar para as suas cidades, pense no que eram os meios de transporte naquele tempo, e aí precisavam de um lugar para pousar. Encontravam abrigo nas Casas dos Romeiros, ali no pé da igreja.  

Há estudos que mostram que as casas existem pelo menos desde 1849. Passaram um tempo longo cumprindo sua função de origem, até que viraram moradia convencional para uns poucos felizardos e, no começo dos anos 2000, quedaram vazias. A produtora cultural Simone Reis, nascida e criada na Cidade Baixa, nunca se conformou de vê-las assim fechadas. 

Acompanhando o movimento dos visitantes que iam do carro para a igreja e da igreja para os carros, pensou que as casas, tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, poderiam abrigar gastronomia, arte, cultura, fazendo com que as pessoas ficassem mais tempo por lá.

Simone apresentou o projeto de ocupar o espaço à Devoção do Senhor Bom Jesus do Bonfim, responsável pelo local, e, depois de alguma espera, a Vila Criativa, mix de restaurante, bar, espaço cultural e loja de artesanato, ganhou morada e vida.

Quando entrou pela primeira vez nas casas, em 2017, Simone assustou-se com o que viu, de tão acabadinhas que estavam. Guarda até hoje as fotos para que não digam que mente quando fala da altura em que encontrou o mato. “Se eu não acreditasse muito nisso, tinha saído correndo da porta mesmo”, ri.

Mas por obra e graça do Senhor do Bonfim, Simone ficou. A loja de artesanato abriu primeiro, no começo do ano passado, e o restaurante na forma como está hoje foi inaugurado em dezembro de 2017. Ela comanda o lugar ao lado de Lourdes, professora aposentada, sua mainha e sócia.

Lourdes volta e meia vai para a cozinha, que tem consultoria do chef Elias Marques. Servem ali uma comidinha simples e amorosa, de casa mesmo, sabe como é? Pode ser o caruru sagrado das sextas-feiras, que não pesa nada no dendê (R$ 25 o prato para uma pessoa), o godó de feijão-verde (R$ 45 para duas pessoas) ou o bacalhau à Gomes de Sá, que segue à risca a receita do pai de Simone (custa os mesmos R$ 45).

A decoração é uma atração à parte. Os objetos de barro e palha espalham-se pelo lugar, aconchegando quem chega. “Utilizamos elementos simples, que podem ser vistos por alguns com preconceito, mas nossa responsabilidade aqui é a de dignificar a cultura baiana. Por isso cuidamos do detalhe do detalhe”, Simone faz questão de ressaltar.

O público vem se dividindo entre turistas – outro dia apareceu um pessoal do Sri Lanka – e baianos, que passam lá para almoçar depois da missa. Imagine que outro dia uma família quis homenagear a matriarca que completaria 100 anos se estivesse viva. Depois de ouvir as palavras do padre, foram para lá celebrar sua memória do modo festivo como essas ocasiões deveriam ser.

Francisco Pitanga, juiz da Devoção do Senhor Bom Jesus do Bonfim, também apareceu por lá. Contou que, por ter passado a juventude na Ribeira, foi entusiasta de primeira hora do projeto. “Havia uma tristeza pela degradação em que [as Casas dos Romeiros] estavam, então quando vimos a oportunidade de fazer algo, foi fantástico. O que dá vida a um imóvel tombado é gente morando, trabalhando dentro”.

A loja reúne as produções de 30 artesãos baianos, que vão além dos objetos relacionados à fé católica, embora eles também estejam por lá. Mas alguns dos mais vendidos, repare, são os que trazem imagens ou referências aos orixás. Ó Bahia abençoada, meu pai do céu!

E além das coisinhas para a casa (mandalas, azulejos, cheiros), tem adereços diversos para se enfeitar (colares, faixas para o cabelo) e outras de alegrar o espírito, como licores e doces.  Os preços variam entre R$ 6 (um marcador feito de fuxico, por exemplo) e R$ 180 (valor dos santos enfeitados de maiores tamanhos).

Jazz e samba

Na área externa das casas, acompanhando o cair da tarde, Simone passou a promover shows às sextas e aos finais de semana. Foram batizados de Verão na Colina, com apresentações de jazz, samba e música francesa.

O verão acabou, mas os shows continuam – não vamos nos apegar a nomenclaturas e estações. “A gente começa cedo, às 17h, para terminar cedo e não incomodar ninguém. Tudo é feito com o conhecimento da Devoção”.

A loja e o restaurante são como as primeiras etapas de um projeto maior. Em breve, numa outra casa que ainda está fechada, ela quer abrir uma sorveteria em parceria com uma tradicional marca baiana.

Os outros espaços devem ser ocupados com uma loja oficial de Lembranças do Bonfim; a Sala dos Milagres (com a transferência dos ex-votos que hoje estão na igreja); uma capela de batismo  e um espaço para a administração basílica, todos esses mantidos pela Devoção.

Na vizinhança já funciona a Casa da Música,  que abriga os ensaios da orquestra da igreja, e o Santo Café Cultura e Arte, aberto em janeiro deste ano. O café virou point para quem quer tirar foto interagindo com a igreja, segurando na pontinha da torre.

Mariana Cozza, que mantém o lugar ao lado de Mário Oliveira, conta que o convite para montar o café surgiu do gestor da Devoção.  “Há essa tendência europeia de manter estabelecimentos como este ao redor das basílicas, para acolher os fiéis”.

O mobiliário do espaço é feito com madeira de demolição e outros materiais reaproveitados. Com a embalagem da vitrine fizeram uma estante para abrigar uma pequena biblioteca, com livros que os clientes podem levar para casa e devolver quando voltarem para mais um café. 

Os clientes também podem, claro, doar livros. Francisco Pitanga trouxe uma coleção de romances, entre eles um Eça de Queiroz de 1912. “Esse eu peço para as pessoas lerem por aqui mesmo”, ri Mariana.

Os doces, tortas e  pães do cardápio são preparados por Larissa Cozza, filha de Mariana. Aposte sem medo na tartalete de morango (R$ 10), delicada e nada enjoativa, com um expresso para acompanhar (R$ 5,50). Já os salgados vêm de fornecedores da Cidade Baixa, já que a ideia é também  fomentar a economia local.

Nas mesinhas sentam-se gente de fora, especialmente, mas também soteropolitanos curiosos para conhecer o lugar. No alto verão, o café abriu todos os dias, mas agora funciona na quinta (das 15h às 20h), sextas, sábados e domingos (das 10h às 20h). Na primeira e última sexta-feira de cada mês, seguindo a tradição, o movimento costuma aumentar.

Em janeiro, a prefeitura anunciou uma reforma –  ou requalificação, como preferem – na região da Colina Sagrada, além da interligação da  Basílica do Bonfim ao santuário de Irmã Dulce, em Roma. A promessa é que as obras, que irão custar R$ 28 milhões, sejam entregues antes da Lavagem do Bonfim de 2019.  Mas, de um jeito ou outro, o entorno ali já anda novo. E se você não viu ainda, não fique aí esperando um turista vir te contar.

Música Boa na Colina apresenta Roda de Choro, com o grupo Dose Sonora

Após o sucesso das apresentações do Verão da Colina, que trouxe jazz, MPB, chorinho, salsa, música francesa, blues e até um Bailinho de Carnaval para a Praça do Bonfim (Península Itapagipana), a Devoção do Nosso Senhor do Bonfim e a Vila Criativa iniciam agora o Música Boa na Colina, que acontecerá nos finais de semana, sempre com música de qualidade.

No próximo sábado (07), às 18h30, o grupo Dose Sonora apresenta uma Roda de Choro, com o melhor de Pixinguinha a Jacob do Bandolim. O show acontece no Espaço Casa dos Romeiros, em frente a Basílica Santuário do Nosso Senhor do Bonfim.

Considerado o primeiro gênero musical urbano tipicamente brasileiro, o choro resiste desde meados do século XIX e o Dose Sonora tem como objetivo estudar e divulgar a prática do estilo.

O grupo é liderado pelo flautista/saxofonista, professor de Música, Dell Barreto; Anderson Ramos (pandeirista); Leo Ramos (violonista e luthier); Alex Fabiano (cavaquista); e Carlos Rocha (bandolinista). O Dose Sonora iniciou carreira em 2016, com apresentações públicas no bairro da Liberdade, resgatando as rodas de choro que aconteciam no local há duas décadas.

O evento é gratuito e tem como opção para drinks e petiscos os espaços Vila Criativa (com comida regional) e o Santo Café. Além disso, o Espaço do Artesanato também estará aberto, com boas opções em artesanato tradicional e religioso, entre outros.

SERVIÇO: Música Boa na Colina

Local: Espaço Casa dos Romeiros, Praça do Bonfim (Itapagipe)

Data: 07/04/2018

Horário: 18h30

OSBA abre programação de abril com "Concerto de Metais" gratuito nesta sexta-feira (06)

Com destaque para o seu naipe de metais, a Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA) retoma a sua Série Carybé em 2018 com um “Concerto de Metais” no próximo dia 06 de abril (sexta-feira), às 18h, no Museu de Arte da Bahia, no Corredor da Vitória. A apresentação que traz como destaque o Quinteto de Metais da OSBA terá como solistas os músicos Heinz Schwebel e Joatan Nascimento (trompetes), Johann Pereira (trompa), Michele Girardi (trombone) e Renato Pinto (tuba). A entrada para a apresentação é gratuita, mas está sujeita a lotação do espaço.

O programa da apresentação que acontece sob a coordenação do professor Heinz Schwebel, chefe de naipe dos trompetes da OSBA, destaca duas obras do maior nome da música barroca, o compositor alemão Johann Sebastian Bach: Contrapunctus IX “Art of the Fugue” e “My Spirit Be Joyful”. O repertório traz ainda composições de Händel, Pezel e Kompanek. Completam o programa da noite peças de compositores brasileiros como a “Suíte de Bossas”, do Maestro Duda e a composição “Peguei a Reta”, de Porfírio Costa.

SERVIÇO

SÉRIE CARYBÉ I – CONCERTO DE METAIS DA OSBA

Solistas: Heinz Schwebel e Joatan Nascimento (trompetes), Johann Pereira (trompa), Michele Girardi (trombone) e Renato Pinto (tuba)

Local: Museu de Arte da Bahia – MAB, Av. Sete de Setembro, 2340 – Corredor da Vitória.

Data: 06 de abril (sexta-feira).

Horário: 18h

ENTRADA GRATUITA (sujeita a lotação do espaço*)

 

Fonte: A Tarde/Bahia Já/Municipios Baianos

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