07/04/2018

Dono de helicóptero pego com cocaína vira diretor da CBF

 

Ex-secretário nacional de futebol, Gustavo Perrella, 34, foi nomeado diretor da CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Filho do senador Zezé Perrella (MDB-MG), ex-presidente do Cruzeiro, ele ocupa agora o cargo de diretor de Desenvolvimento e Projetos da entidade nacional.

O dirigente tomou posse na confederação há cerca de três meses, após deixar o cargo que ocupava no governo do presidente Michel Temer.

O ex-deputado estadual ficou conhecido nacionalmente em 2013, quando a Polícia Federal apreendeu um helicóptero de sua empresa com um total de 445 kg de cocaína, no Espírito Santo.

Ele e seu pai foram investigados na ocasião, mas não foram encontrados indícios de autoria criminal dos dois no caso. Por isso, eles não responderam judicialmente.

A nomeação de Gustavo foi feita sem divulgação. A CBF só colocou no seu site o nome do novo dirigente entre os seus diretores na noite desta quarta-feira (4), horas depois de a Folha confirmar a contratação e questionar a ausência do cartola na relação.

Em nota, a CBF disse que a escolha de Gustavo se deu pela sua experiência na condução de programas de desenvolvimento do esporte, mais especificamente o futebol.

A entidade afirmou que o dirigente liderou muitos projetos durante seu período no Ministério do Esporte e também destacou seu trabalho como conselheiro vitalício do Cruzeiro, onde exerceu vários cargos nos departamentos de gestão e de futebol.

Na teoria, o novo diretor seria o elo de ligação entre a entidade e os presidentes das federações estaduais.

Desde a última quarta-feira (4) a reportagem tenta entrar em contato com Gustavo, mas não obteve resposta até a conclusão desta edição.

Ele não cumpre expediente na sede da entidade. Outros diretores também não têm a necessidade de trabalhar diariamente no prédio, localizado na barra da Tijuca, zona oeste do Rio.

A diretoria da CBF conta também com presidentes de federações e outros políticos.

Em 2016, o pai de Gustavo foi um principais articuladores políticos para que a CPI do Futebol do Senado encerrasse suas atividades sem nenhum pedido oficial de indiciamento e sem apontar culpados. A comissão investigava contratos e negociações da CBF e seus dirigentes.

O trabalho teve início após José Maria Marin, ex-presidente da entidade, ser preso na Suíça. Marin, Marco Del Nero e Ricardo Teixeira, que dirigiu a CBF por mais de duas décadas, foram acusados de receber propina na venda de direitos de transmissão.

Último presidente eleito da CBF, Del Nero está suspenso pela Fifa. Ele deve ser banido do esporte neste mês por causa das acusações do FBI.

Apesar de ter sido escolhido por Del Nero, Gustavo deverá ser mantido na nova diretoria de Rogério Caboclo, que assumirá a confederação a partir de abril de 2019.

No próximo dia 17, os presidentes de federações e os clubes das Séries A e B do Brasileiro vão eleger o próximo presidente da entidade. Homem de confiança de Del Nero, Caboclo é o candidato único. Diretor Executivo de Gestão da confederação, ele tem o apoio de 27 federações e da maioria dos clubes.

Formado em administração de empresa, Gustavo foi eleito em 2010 deputado estadual em Minas Gerais, com 82.864 votos. Quatro anos depois, ele se candidatou a deputado federal pelo mesmo estado, mas não se elegeu.

RÉU

Gustavo é réu em dois processos na Justiça -um por uso de dinheiro público para fins pessoais e outro pela criação de um cargo fantasma. As ações correm ainda na primeira instância do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

Segundo a primeira acusação, o diretor da CBF seria responsável por desvios de cerca de R$ 15 mil dos cofres públicos para abastecer o helicóptero da empresa da sua família com verba indenizatória da Assembleia durante o seu mandato de deputado.

Ele também é acusado de criar um cargo fantasma para o piloto preso na operação da Polícia Federal em 2013.

Em depoimento a promotores, Rogério Antunes disse que nunca prestou serviço para a Assembleia de Minas Gerais e que sua função era pilotar o helicóptero em viagens até a praia, chácaras de amigos, fazenda da família e compromissos políticos.

Antunes foi nomeado em março de 2013 e só foi exonerado em 25 de novembro de 2013, um dia depois da apreensão da aeronave pela PF.

Figueirense adota modelo de gestão raro no País e vê frutos

Buscar a profissionalização não é uma tarefa fácil no futebol brasileiro, mas ainda há quem acredite e tente fazer algo diferente para mudar a cultura do esporte mais popular do país. Esse é o caso de Claúdio Vernalha, dono da Holding Investimento, que assumiu o Figueirense em meados do ano passado e trabalhou para que o clube se transformasse em Sociedade Anônima, ou seja, uma empresa com fins lucrativos cujo capital financeiro é dividido em ações no mercado, modelo inédito entre os que disputam a Série A e a Série B do Brasileirão.

Atual presidente do Figueira, Vernalha chegou com a responsabilidade de, em um primeiro momento, sanear as dívidas e equacionar a situação financeira do clube, sem que isso deixasse as questões esportivas em segundo plano. Os resultados já começam a acontecer e consequentemente dão tranquilidade para o trabalho ser desenvolvido. Além de ter conseguido a permanência na Série B em 2017, os catarinenses estão na final do campeonato estadual contra a Chapecoense, que será disputada neste domingo.

- Está sendo feita uma gestão profissional, com resultados administrativos e esportivos. Então não acredito que tenha sido sorte o que aconteceu, porque até para contratações há comitês distintos para serem aprovadas, não tem intervenção administrativa no futebol, há uma fiscalização, mas não intervenção. Isso não existe aqui, então eu acho que é uma filosofia adequada, porém completamente distinta do futebol latino-americano, não só de Brasil - disse Vernalha

A oportunidade de entrar no futebol desta maneira, porém, não era algo planejado pelo advogado, que também é conselheiro de fundos de investimentos dentro e fora do Brasil. O que era para ser uma ajuda pontual ao clube, transformou-se em grande negócio após conversa com antigos dirigentes do clube.

Em princípio, a ideia dos mandatários do Figueira à época era pedir emprestada uma quantia em dinheiro para que as dívidas mais urgentes fossem pagas, já que não havia mais crédito com os bancos. Na visão de Vernalha, seria apenas um paliativo, pois logo em seguida o clube precisaria de mais e mais empréstimos. Foi aí que os planos mudaram.

- Na verdade eles já tinham transformado o clube em empresa. A gestão era de uma associação, que detinha 99% do clube e quem mandava era o presidente do clube naquele momento, ou seja, toda a gestão continuava com a política do clube, você tinha uma associação, com um 'conselhão', que fazia seus conchavos para eleger presidentes, diretores, etc, só que com uma carcaça de empresa. Estava ali uma grande oportunidade, em que o clube já era registrado com empresa, os atletas já eram vinculados à empresa e não à associação. Aí eu fiz uma outra proposta, dizendo que eu queria assumir o negócio, precisaria fazer algumas verificações, para saber qual era a verdadeira situação do clube, para ver se nos interessaria. Criamos um período de transição e aí a gente tomaria a decisão se ficaria com o negócio ou não. Nós apresentamos uma proposta para ter o direito sobre a empresa que tinha o clube por um período de 20 anos, renováveis por mais 15, como se fosse uma concessão, não um arrendamento. Assumimos, fizemos duas auditorias nesse período, descobrimos que a dívida era muito maior, porém passível de ser saneada - contou o dirigente.

No entanto, o início de trabalho no clube não foi fácil e contou com, segundo Vernalha, um erro na montagem do grupo que participou desse período de adaptação. Embora alguns membros já tenham sido desligados, o técnico Milton Cruz, escolhido naquele época, permanece no Figueirense e tem sido responsável pelo processo de reestruturação esportiva.

- Montamos um grupo, tivemos um equívoco no começo, trouxemos uma pessoa, o Alex Bourgeois, que se dizia muito entendida, que tinha sido diretor do Santos, do São Paulo, e no final descobrimos que o currículo dele era uma fraude. Ele trouxe uma equipe, que por sinal não sobrou quase ninguém, Fred Mourão (gerente de marketing), Márcio Gomes (diretor comercial)... E esse período durou 60 dias. Aí o Milton Cruz foi o escolhido para ser o nosso técnico, pelo histórico e por ter passado por vários lugares no futebol, ele começou a desenvolver o trabalho, nós gostamos e ele chegou para mim dizendo que o clube era muito legal, que o elenco estava inchado e precisava mudar algumas coisas, então eu disse para ele começar a ver essas coisas enquanto a gente definia o novo diretor de futebol. Eu acabei assumindo a presidência do clube, porque quem veio para fazer isso era o Alex - declarou.

A partir dessas mudanças no planejamento inicial, foi possível dar continuidade ao projeto. Vernalha então tratou de transformar o clube em Sociedade Anônima, ou seja, uma empresa que reparte seu capital em ações, algo raríssimo no futebol brasileiro.

- Descobrimos que a dívida era maior, mas possível de ser solucionada a médio prazo, começamos a trabalhar, a mudar tudo isso, preparamos o projeto como a gente sempre imaginou, transformar o Figueirense em Sociedade Anônima para capacitá-lo para receber investimentos, independentemente do modelo. Reestruturamos 'societariamente' e administrativamente o negócio, tivemos o prazer de ter um estafe muito bom e organizado aqui dentro, aí só determinamos as diretorias, os líderes de cada área, o que vem dando resultado. Então o projeto que a gente topou teve a transição, vimos que era factível, a associação ficou com 5% do negócio e a Holding Investimento tem 95%. A estrutura ficou assim - explicou o presidente.

Para os olhares mais desconfiados em relação ao negócio, Vernalha tenta mostrar que o objetivo principal não é negociação envolvendo jogadores, mas sim fortalecer a marca e o clube a fim de, no futuro, tornar os ativos mais valorizados.

- A gente está concluindo a transformação em Sociedade Anônima e vem atraindo os olhares de muita gente, principalmente fora do Brasil, não para fazer aquisições, mas para fazer parcerias comerciais e esportivas. Não sou empresário de jogador e a nossa visão é mais 'clubista', nós não estamos aqui para ganhar dinheiro com compra e venda de jogador. A ideia é fortalecer a marca e valorizar o todo, ou seja, eu tenho um clube fortalecido, mais divulgado, com mais nome e que ganhe títulos, naturalmente eu vou ter um elenco valorizado desde a base até o profissional, então qualquer negociação se torna mais interessante, essa é a ideia do negócio e ela vem acontecendo - concluiu.

 

 

Fonte: Folhapress/Lance/Municipios Baianos

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