07/04/2018

Salvador tem pior Atenção Básica entre as capitais

 

A área da Saúde denominada Atenção Básica, que abrange o primeiro nível de atendimento à população, tem sido motivo de frequentes ataques do governo do Estado à prefeitura de Salvador.

De acordo com levantamento feito pelo Departamento de Atenção Básica do Ministério da Saúde, em janeiro deste ano, o índice de cobertura populacional estimada na Atenção Básica da capital baiana foi de 38,24%.

O número é o menor entre os municípios baianos com mais de 100 mil habitantes e também entre as capitais do Brasil. No entanto, a prefeitura de Salvador tem divulgado que o número atual é de 45%.

Questionado sobre a incongruência nos dados, o secretário municipal da Saúde, José Antônio Rodrigues Alves, explicou ao Bahia Notícias que os resultados são divergentes por estarem baseados em diferentes portarias.

“Quando nós assumimos, em janeiro de 2013, nesse mesmo site [e-Gestor Atenção Básica, do Ministério da Saúde], o número era 18,6%. Em 2014, eles fizeram a Atenção Básica Ampliada, foi exatamente quando fizemos a projeção de nossa cobertura. Pela projeção dos investimentos acertados com o Ministério da Saúde, nós temos 45% de cobertura”, explicou.

O secretário acrescentou ainda que o mais importante, desde que o prefeito ACM Neto assumiu seu primeiro mandato, em 2013, é o crescimento observado na área. “Neste momento, pela portaria de 2014, nós temos 45%. Pela portaria atualizada, do ano passado, nós temos 39%. Em qualquer balizador que você use, tanto na nova portaria quanto na antiga portaria, tem um fato que é incontestável: nós saímos de 18% para cerca de 40%. É o maior crescimento de atenção básica entre as capitais do país”.

No entanto, nota técnica no site do Ministério da Saúde explica que, para os cálculos, são utilizadas portarias 576 e 703, de 2011. O levantamento aponta que, em janeiro de 2013, a capital baiana registrava índice de 24,89% na cobertura populacional estimada na Atenção Básica.

Considerando estes dados, Salvador é apenas a quarta capital com maior crescimento, atrás de Palmas (TO), Fortaleza (CE) e Campo Grande (MS).

Na oportunidade, Rodrigues Alves reforçou o incremento na área da Saúde durante a gestão de Neto. “Para se ter uma ideia, em 2013, nós atendíamos por dia em nossos pronto-atendimentos 2,8 mil pessoas por dia. Hoje, nós realizamos por dia, nas nossas 14 unidades, 7 mil atendimentos. Para se ter uma ideia, em janeiro de 2013, os hospitais públicos estaduais faziam 4 mil atendimentos diários de munícipes de Salvador. Eles caíram para 3,5 mil porque esse é o objetivo da UPA, que o hospital sirva como retaguarda para problemas mais complexos, e a gente poder atender aquela baixa complexidade”, afirmou.

Em janeiro deste ano, durante a reinauguração de uma Unidade de Saúde da Família (USF), o secretário declarou que a meta da prefeitura é alcançar 70% de cobertura da Atenção Básica até o início de 2019

Serviços de Saúde na Bahia são fortalecidos e ampliados

Os investimentos na Saúde realizados pelo Governo do Estado foram abordados pelo secretário Fábio Vilas-Boas, durante audiência pública na Assembleia Legislativa da Bahia, nesta semana. O gestor destacou que, com mais de R$ 15 bilhões aplicados em obras, serviços e recursos humanos na área, entre 2015 e 2018, foram abertas mais de 1.150 leitos no período, sendo aproximadamente 500 em Salvador. “Este é um cenário bem diferente de diversos Estados do Brasil, onde o subfinanciamento do SUS (Sistema Único de Saúde) e a redução de repasses federais têm provocado o fechamento de serviços e unidades de Saúde”, pontuou Vilas-Boas.

Na capital baiana, afirmou o secretário, o investimento em obras e equipamentos no HGE 2 e no Hospital da Mulher totalizaram R$ 130 milhões. Do total de leitos abertos em Salvador, ele disse que muitos foram de Terapia Intensiva (UTI) adulto, pediátrica e neonatal, como nos hospitais Geral Roberto Santos (HGRS), Geral Ernesto Simões Filho (HGESF), Eládio Lassére, bem como em instituições como Martagão Gesteira, referência em atendimento pediátrico, e Hospital Santo Antônio, das Obras Sociais de Irmã Dulce. “Ainda no primeiro semestre deste ano será aberto o novo Couto Maia, unidade referência em doenças infectocontagiosas, com 120 novos leitos e investimento de R$ 109 milhões. Também serão iniciadas as obras da nova maternidade João Batista Caribé, além da reforma e modernização das unidades de emergência de Cajazeiras, Pirajá e Curuzu”, anunciou.

Com o objetivo de mudar a realidade de Salvador - que ocupa, hoje, a pior colocação em cobertura de Atenção Básica à saúde entre as capitais brasileiras, com apenas 36% da população assistida -, o Governo do Estado lançou um programa de construção de Unidades Básicas de Saúde (UBS) e outros equipamentos, conforme Fábio Vilas-Boas. “Ao todo, dentro de um ano, serão entregues à prefeitura municipal seis UBS, duas policlínicas, dois centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e uma Academia de Saúde. Todos serão entregues equipados e prontos para prestar assistência à população”, relatou, afirmando que para a construção e aquisição de todos os aparelhos e mobiliários serão investidos quase R$ 50 milhões, com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e dentro do Programa de Fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) na Região Metropolitana de Salvador (ProSUS).

Ainda durante a audiência pública, o secretário da Saúde afirmou que serão construídos, também, três centros de referência estaduais, ambos na capital, sendo um para atender pacientes portadores de feridas de difícil cicatrização, outro para pessoas com anemia falciforme e um terceiro voltado para quem tem hipertensão e aterosclerose sistêmica. Em relação à falta de serviços de hemodiálise em Salvador, completou, o Estado decidiu abrir, ainda este mês, um centro para atender até 240 pacientes no bairro de Escada, no subúrbio da capital.

Os investimentos na área da Saúde inclui, ainda, a construção do novo Hospital Metropolitano, que contará com 265 leitos. Em ritmo acelerado, com inauguração prevista para o primeiro semestre de 2019, a unidade, a obra terá um investimento da ordem de R$ 180 milhões. “Será o segundo maior hospital público da região metropolitana de Salvador e vai desafogar a demanda do HGE e HGRS”, destacou Vilas-Boas.

Castro Alves receberá investimentos para as áreas de Saúde e Infraestrutura

O município de Castro Alves receberá mais de R$ 3,7 milhões em investimentos em Saúde, Infraestrutura e Educação. A informação é do prefeito Thiancle Araújo e do secretário de Relações Institucionais, Mário Germano, que estiveram esta semana nos Ministérios de Saúde e do Transportes e no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para firmar o recebimento de emendas parlamentares para as três áreas.

Com a ajuda de deputados, destacou o prefeito, importantes investimentos foram garantidos para a cidade. “Além disso, buscamos novos recursos para pavimentar as ruas do município e a regularização da obra da creche da Rua da Corrida, que deve ser retomada em breve. Também solicitamos o estudo de viabilidade para federalizar a estrada que liga Castro Alves ao Paraguaçu. Posteriormente, faremos um projeto de pavimentação para incluir no orçamento”, disse.

Dentre os investimentos na área da Saúde está a construção de uma Unidade Básica de Saúde (UBS), na entrada do Loteamento Edson Costa Leão, sendo R$ 743 mil para as obras e R$ 147 mil para a compra de equipamentos. O custeio em saúde também foi alcançado através de uma outra emenda, no valor de R$ 900 mil, visa destinar recursos para despesas diversas como reformas e reequipamento de outras unidades e postos.

Já os recursos para a infraestrutura contabilizam um investimento de R$ 370 mil, visando a requalificação da rua Coronel Tanajura, com melhorias na praça. O saneamento básico também receberá investimentos no valor de R$ 1 milhão destinado ao sistema de abastecimento de água no distrito de Crussai.

Estudo revela marcador de risco de doença cardiovascular associada a diabetes

Um novo estudo realizado nos Estados Unidos, com participação brasileira, revela que os níveis de determinados aminoácidos no organismo podem ser utilizados como marcadores para o risco de desenvolver doenças cardiovasculares.

De acordo com os autores da pesquisa, publicada recentemente na revista científica Genomic and Precision Medicine, a descoberta poderá ser uma importante ferramenta para rastrear os problemas cardiovasculares de forma antecipada.

Segundo eles, essas doenças se desenvolvem em longo prazo durante a vida de uma pessoa, de forma silenciosa - isto é, quando aparecem os sintomas, o problema já está em estágio avançado - e por isso é importante descobrir novas ferramentas que ajudem a antecipar o diagnóstico.

Em julho de 2017, o cardiologista brasileiro Paulo Harada, do Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica da Universidade de São Paulo (USP), já havia publicado, em parceria com cientistas da Universidade de Harvard (Estados Unidos), um estudo que revelava um novo marcador capaz de prever o risco futuro de diabetes, mesmo antes do exame mostrar glicose alta.

Desta vez, os pesquisadores analisaram aminoácidos de cadeia ramificada que tem sido apontados como marcadores de risco futuro de diabetes e descobriram que o nível desses aminoácidos também está associado ao risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares em mulheres.

Segundo Harada, a associação é especialmente forte nos pacientes que desenvolveram diabetes ao longo do estudo. "Ou seja, esses aminoácidos demarcaram um caminho comum entre o desenvolvimento do diabetes e das doenças cardiovasculares", disse Harada ao jornal O Estado de S. Paulo.

Os aminoácidos de cadeia ramificada - isoleucina, leucina e valina - são considerados aminoácidos essenciais, porque não são produzidos pelo organismo e precisam ser obtidos na dieta. Embora esses aminoácidos sejam utilizados em nutrição esportiva, segundo Harada, o estudo não permite dar nenhuma recomendação sobre redução ou aumento do seu uso.

"Não sabemos se as alterações nos níveis desses aminoácidos são apenas um termômetro, ou se eles são um fator causal das doenças cardiovasculares. Por isso não há como fazer nenhuma recomendação para aumentar ou reduzir a ingestão desses aminoácidos. Nosso estudo não trata desse aspecto e não permite tirar conclusões sobre isso", alerta Harada.

Segundo Harada, o estudo foi possível graças às novas tecnologias de metabolômica - que é o estudo do conjunto das moléculas produzidas no organismo quando alguma substância é metabolizada.

"Com essas técnicas, podemos analisar centenas, às vezes milhares de moléculas de uma vez, a fim de determinar quais têm alguma relevância. Analisando os aminoácidos de cadeias ramificadas, mostramos que sua ocorrência em altos níveis nos permite prever um maior risco cardiovascular", disse Harada.

Como os pesquisadores também observaram que a associação entre o nível dos aminoácidos e as doenças cardiovasculares é mais forte nos pacientes que desenvolveram diabetes, o estudo também demarcou um caminho comum entre as duas doenças. "Há uma sobreposição bem evidente entre as duas doenças.

De um lado, grande parte dos diabéticos têm risco maior de sofrer de uma doença cardiovascular - que é uma das principais causas de morte nesse grupo. Por outro lado, grande parte das pessoas que têm problemas cardiovasculares também apresenta diabetes", disse.

Como essa associação já era conhecida, ela foi o ponto de partida para o estudo, com foco no aspecto sobre o qual havia poucos dados disponíveis: as doenças cardiovasculares. Segundo Harada, houve uma associação do alto nível dos aminoácidos com risco futuro de enfarte do miocárdio, acidente vascular cerebral e revascularização coronariana.

"A parcela de 20% dos pacientes que tinham o marcador em níveis mais elevados apresentou também um risco 30% maior de desenvolver essas doenças cardiovasculares em um período de 18 anos, em comparação à parcela de 20% dos pacientes com níveis mais baixos do marcador", afirmou Harada.

Para confirmar se os níveis de aminoácidos realmente estavam funcionando como marcadores para o risco de doença cardiovascular associada à diabetes, os cientistas fizeram ajustes em modelos estatísticos para outros marcadores que servem exclusivamente para identificar riscos cardiovasculares - como PCR e HDL.

O teste resistiu ao ajuste e a associação foi anulada. "Ou seja, descobrimos que esses aminoácidos marcam exatamente esses riscos e não outras coisas. Por isso percebemos que esse marcador tem o potencial para acrescentar algo: está enxergando coisas que outros marcadores não veem."

Assim como as doenças cardiovasculares, o diabete também é um processo lento e insidioso, que acaba iludindo os exames tradicionais: quando eles detectam o problema, ele já está em estágio avançado.

"É um processo que se estende pela vida toda e parecia absolutamente silencioso. Mas os marcadores que estamos identificando estão mostrando que há uma forma de rastrear essas doenças de forma bastante antecipada", afirmou o cientista. Além de Harada, participaram do estudo Joann Manson, Deirdre Tobias, Patrick Lawler, Olga Demler, Paul Ridker, Susan Cheng e Samia Mora.

 

Fonte: BN/A Tarde/Agencia Estado/Municipios Baianos

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