08/04/2018

Marta: “esporte pode promover educação e igualdade de gênero”

 

 “O esporte é saúde, é educação, é cultura, é igualdade de gênero”, defende a jogadora brasileira Marta neste 6 de abril, data em que a ONU comemora o Dia Internacional do Esporte para o Desenvolvimento e pela Paz. Em entrevista à ONU News direto de La Serena, no Chile, onde participa da Copa América Feminina, a atleta disse ver com otimismo a crescente presença das mulheres no universo do futebol.

“Lógico que não chegou num nível que a gente espera, mas a gente vê uma diferença absurda. Na minha infância, quando eu jogava lá em Dois Riachos (em Alagoas), nenhuma menina se atrevia a jogar porque era uma discriminação muito grande. E hoje o futebol é praticado por todas lá na cidade”, conta a futebolista, eleita cinco vezes pela FIFA a melhor jogadora do mundo.

Marta também coleciona o título de embaixadora da Boa Vontade do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

“O esporte em si é uma ferramenta muito rica em todos os sentidos, especialmente para que a gente possa desviar os jovens, os adolescentes, do caminho errado”, defende a atleta.

“Quando eu comecei, eu comecei pensando em, de alguma maneira, ajudar a minha família, pois era o único recurso que eu tinha e que eu sabia que eu fazia bem.”

Atualmente, Marta joga na Seleção Brasileira e também no time norte-americano Orlando Pride. Para ela, entrar em campo não significa apenas “jogar e vencer, mas fazer várias pessoas felizes e interagir com gente do mundo inteiro”, levando a “esperança de um futuro melhor”.

No Rio, time gay de futebol defende fim da homofobia no esporte

No país do futebol, os gramados ainda são zona restrita para a população LGBTI. Mas se depender de um time do Rio de Janeiro, o preconceito em campo está com os dias contados. A equipe amadora BeesCats, formada apenas por jogadores gays, não tem medo de levantar bandeiras e de reivindicar que a paixão nacional é para todos, independentemente da orientação sexual e da identidade de gênero dos atletas e torcedores.

“O futebol é um esporte hegemonicamente heterossexual e machista. Ainda”, avalia o jornalista e integrante do BeesCats, Flávio do Amaral. “Tanto que a gente vê esses cânticos de torcida que são homofóbicos e são feitos para insultar o outro chamando de ‘veado’, de ‘bicha’.”

Seu colega de chuteira e fundador do time, o roteirista André Machado, lembra que não há nenhum jogador profissional abertamente homossexual.

“O gay não tem espaço no futebol. Ele tem de jogar dentro do armário. O que a gente quer é que as pessoas sejam elas (mesmas)”, defende.

Criado em maio de 2017, o BeesCats nasceu para chutar a discriminação para escanteio. A equipe reúne homens gays que querem praticar o esporte em um espaço livre da intolerância. Eles se encontram duas vezes por semana na zona sul do Rio de Janeiro. Na quarta-feira, para treinar e se preparar para competições. Na sexta, para uma pelada recreativa aberta a qualquer interessado.

André explica que o time faz parte de um movimento nacional — do ano passado para cá, o número de agremiações amadoras de futebol voltadas para homens gays passou de cerca de meia dúzia para 23 equipes em diferentes estados.

O estabelecimento do BeesCats foi inspirado em outro time, mais antigo, os Unicorns, de São Paulo. Os dois grupos, juntos com o também paulista Futeboys, instituíram a LiGay Nacional de Futebol, que promove em Porto Alegre, na próxima semana (14), seu segundo campeonato.

De acordo com o idealizador da equipe carioca, há quem critique a mobilização dos jogadores gays, acusados de “criar guetos” e aprofundar divisões na sociedade.

“Eu adoraria que não precisasse ter um time só de gay, mas o time tem uma função de militância. Esse movimento é para que, daqui a dez, 15 anos, possa ter um jogador profissional ou na seleção brasileira que seja assumidamente gay.”

Esporte ‘tem que ser libertador’

Entre os atletas do BeesCats, Douglas Braga traz nos calcanhares a experiência de ter corrido nos gramados do Cruzeiro, Madureira e Botafogo, último time pelo qual competiu. Aos 12 anos, ele saiu de Cataguases, em Minas Gerais, para jogar profissionalmente no Rio. Nove anos depois, decidiu aposentar as chuteiras para viver sem ter que se esconder.

“Eu não podia simplesmente demonstrar quem eu era. Eu não podia ter um amigo de quarto com quem eu conversasse sobre as angústias de uma adolescência”, recorda Douglas, atualmente com 36 anos.

Para ele, se assumir quando ainda era atleta de alto rendimento “significava encerrar uma carreira”. A solução era viver “num estereótipo”, saindo com os companheiros de clube e frequentando festas onde todos estavam sempre rodeados por mulheres.

“É o que todo mundo precisa fazer para se manter num meio tão competitivo e heteronormativo”, afirma. “Eu não sei, se eu tivesse seguido a carreira como profissional e tendo que viver maquiado dessa forma, se eu seria feliz.”

Após deixar a camisa alvinegra, Douglas retomou os estudos e se formou em Psicologia. Quando voltou a jogar por diversão, esbarrou mais uma vez na homofobia.

“É muito difícil quando você vai jogar futebol com uma galera e os caras sabem que você é gay porque eles já associam isso a uma promiscuidade ou algo nesse sentido. Já te olham errado, não querem que você vá.”

O ex-goleiro conta que “durante sete, oito anos, eu não encostei o pé na bola porque eu não achava quem jogasse e entendesse que, como gay, eu poderia jogar com eles”.

Com os BeesCats, o ex-atleta encontrou “seu ninho” e aprendeu que o esporte “produz união e alegria”. “Ele tem que ser libertador”, conclui Douglas.

Diversidade no meio gay

Para o capitão dos BeesCats, Rodrigo Ziegler, o time também permite superar preconceitos entre os próprios gays. “Eu nunca imaginei que tivessem (outros) gays que gostassem de jogar futebol”, conta o administrador de empresas, que sempre frequentou estádios e peladas, mas acompanhado sobretudo de homens heterossexuais.

Ele conta que nunca passou por um episódio de preconceito no esporte. “Mas também eu nunca me assumi no futebol.”

“Aqui tem gente de tudo que é lugar, de tudo que é classe social, de tudo que é segmento e nicho dentro do público LGBTI. Todos eles se encontram aqui. O amor pelo futebol reúne vários grupos de gays”, completa Flávio.

Recentemente, o BeesCats ganhou uma equipe feminina, com mulheres lésbicas que também são apaixonadas pelo esporte.

Os treinos femininos acontecem às sextas-feiras, à noite, no espaço Só 5 – Futebol Sem Parar, dentro do Clube de Regatas Guanabara, em Botafogo. No mesmo lugar e horário, ocorre a confraternização semanal aberta a todos os homens e mulheres que quiserem jogar com os BeesCats.

Os treinos masculinos são realizados às quarta-feiras, às 21h, no Aterro do Flamengo, em gramado público, em frente ao Hotel Novo Mundo.

A ONU marcou na sexta-feira, 6 de abril, o Dia Internacional do Esporte para o Desenvolvimento e pela Paz.

Projeto comunitário de taekwondo promove inclusão pelo esporte

No Rio de Janeiro, um projeto de taekwondo vem transformando a vida de crianças e adolescentes em vulnerabilidade. A iniciativa dialoga com os objetivos da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 4, por exemplo, busca assegurar a educação inclusiva e de qualidade. Já o objetivo 16 busca, entre outros aspectos, promover sociedades pacíficas e inclusivas.

Por meio da arte marcial coreana, a Associação Jadir de Taekwondo busca melhorar a qualidade de vida dos seus alunos, proporcionando acesso gratuito ao esporte, incentivando a cultura e oferecendo oportunidades de educação.

“Esse projeto é fruto de uma reunião de pais, ex-atletas e atletas, preocupados com a violência e com as drogas, que resolveram criar a Associação Jadir de Taekwondo e, através dela, desenvolver programas e projetos esportivos, culturais e sociais que têm como objetivo possibilitar o acesso gratuito de crianças e adolescentes à prática esportiva”, disse o Mestre Jadir Figueira, presidente da Associação, ao Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio).

A iniciativa foi fundada em abril de 2000 e, desde então, quase 6 mil alunos foram auxiliados. Ao longo dos anos, foram desenvolvidos projetos de reforço escolar, aulas gratuitas de inglês e até um programa de TV na televisão comunitária.

“Eu queria competir e minha condição para treinar era que eu tivesse um bom rendimento escolar. Eu sempre tive o esporte amarrado à educação. Se não fosse o taekwondo, eu não teria estudado ao ponto de ser doutor”, contou Paulo Eduardo Rocha, professor de engenharia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e ex-aluno do programa.

Atualmente, a Associação tem cerca de 150 alunos matriculados e uma lista de espera de 650 crianças e adolescentes. A única condição para a participação no projeto é a frequência escolar.

“Meus filhos ficaram mais focados, houve uma melhora na escola, na atenção. Eles treinam em casa às vezes, as brincadeiras são em relação ao taekwondo”, contou Janaína Nascimento, mãe de Rafael e de Raphaella, que estão treinando há cerca de um ano.

O rendimento dos alunos é acompanhado por um aplicativo que permite monitorar o desenvolvimento educacional e esportivo. Aqueles com os melhores desempenhos acadêmicos e esportivos são premiados. Ao longo dos anos, mais de 10 bolsas de estudo em instituições privadas de ensino já foram distribuídas.

A iniciativa também tem o compromisso de trabalhar conforme a Agenda 2030 da ONU. Atividades de conscientização e de disseminação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável vêm sendo desenvolvidos com as crianças e adolescentes.

Hoje, o programa tem 2 núcleos nas zonas norte e oeste do Rio de Janeiro: em Madureira e na comunidade do Mato Alto, em Jacarepaguá. Há ainda um núcleo em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Um quarto espaço, no Campinho, tem previsão de abertura para abril.

A ONU marcou nesta sexta-feira (6) o Dia Internacional do Esporte para o Desenvolvimento e pela Paz.

 

Fonte: ONU Brasil/Municipios Baianos

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