10/04/2018

Igreja de Sant’Ana homenageia Maria Quitéria e Padre Roma

 

O legado de Maria Quitéria e Padre Roma não será esquecido pelos fiéis da Igreja de Sant’Ana, em Nazaré. Considerados heróis nacionais, os dois ganharam um memorial localizado no ossuário da paróquia, inaugurado na manhã deste domingo (8).  Um monumento de mármore foi colocado nos fundos da Igreja para informar aos visitantes das duas figuras ilustres enterradas ali.

A missa, que também foi realizada por causa do Domingo da Divina Misericórdia, segundo domingo do mês, levou moradores da região e personalidades da política baiana para a Igreja.  "Eu gosto daqui por ser uma igreja tradicional, além de muito bonita. Estou na expectativa para visitar o memorial", contou a técnica de enfermagem Jadiraci Braga, 57 anos, que vem à igreja sempre aos domingos.

A dona de casa Eny Santana, 30, veio à missa acompanhada da filha de apenas dois anos. "Que bom! Quero muito conhecer. Sempre trago minha filha pra essa igreja pra ela aprender desde pequena. Acho importante reservamos um tempo pra Deus", comentou quando soube do memorial.

Descendente do Padre Roma, o ex-chefe de gabinete da Prefeitura de Salvador, João Roma, esteve na celebração de inauguração do memorial. "A alegria nossa enquanto descendente é de ver um resgate desses herois. O orgulho não é só para a família, mas para a Bahia para o Brasil. Tem um pedaço da história muito pouco revelada, pouco divulgada, que são os feitos realizados com a consolidação da independência do Brasil", disse, se referindo a movimentos como a Revolução Pernambucana, que vitimou o Padre Roma, e outros como a Revolução Praieira e o Dois de Julho.

Quem também foi prestar homenagens aos heróis nacionais foi o presidente da Câmara Municipal , Léo Prates (DEM). O vereador completou mais um ano de vida na quinta-feira (5), mas veio receber a bênção do padre neste domingo. "É sempre importante resgatar a história de Salvador e da Bahia nas suas figuras que marcaram a história. São bons exemplos muito importantes pra sociedade", comentou.

O memorial faz parte da restauração de todo o ossuário da Igreja, construída em 1747. A baiana Maria Quitéria morreu em 21 de agosto de 1853; Padre Roma foi fuzilado em Salvador em 29 de março de 1817 e seu corpo foi levado à Sant´Ana por paroquianos que comungavam da sua luta.

Durante a homilia, o pároco da igreja, José Abel Pinheiro, lembrou que nos séculos passados a Igreja Católica exigia que cada paróquia possuísse um cemitério contíguo. No século XX o cemitério transformou-se em ossuário. O costume de enterrar os mortos nas igrejas só foi mudado após a década de 1850, quando começaram a surgir as primeiras noções de higiene pública. Segundo explicações dadas à época, o ar poluído pela decomposição dos corpos poderia disseminar doenças.

O pároco da igreja, José Abel Pinheiro, revelou que no ossuário se encontram ainda os espólios de pessoas importantes para a sociedade da época e também de diversos religiosos. Entre as famílias notórias, se destacam a família Caymmi (1903); família Brigadeiro Francisco Vieira de Faria Rocha (1833) e família Conselheiro João José de Almeida Couto, o Barão do Desterro (1900).

Maria Quitéria (1792-1853): heroína da Independência

A baiana Maria Quitéria de Jesus Medeiros tinha grande habilidade no uso de armas de fogo e lutou como voluntária contra as províncias que não reconheciam Dom Pedro como imperador. Ela teve atuação destacada em lutas importantes. Foi condecorada com a Ordem Imperial do Cruzeiro do Sul. Natural da fazenda Serra da Agulha, na freguesia São José de Itapororocas, (hoje Feira de Santana), tornou-se exemplo de bravura nos campos de batalha, sendo promovida a cadete, em 1823. Maria Quitéria faleceu em Salvador, Bahia, no dia 21 de agosto de 1853, quase cega e em total anonimato.

Padre Roma: fuzilado há 200 anos em Salvador

O advogado pernambucano José Inácio Ribeiro de Abreu e Lima, conhecido como padre Roma, foi fuzilado no Campo da Pólvora, em Salvador, há 200 anos. Ele foi um dos líderes da Revolução Pernambucana de 1817. Viera à Bahia buscar apoio para o levante - irrompido três semanas antes em Recife - que pretendia derrubar a Monarquia, separar o Brasil de Portugal e implantar a República. A Revolução Pernambucana de 1817 forma, ao lado da Inconfidência Mineira (1789) e da Revolução dos Alfaiates, na Bahia (1798), o conjunto das maiores revoltas separatistas ocorridas no Brasil.

Obras raras de Manuel Querino são relançadas

Dois livros raros do intelectual baiano Manuel Querino foram relançados nesta segunda, 9. As Artes na Bahia e Artistas Bahianos, obras de 1909 - fora do prelo há mais de 100 anos - registram a riqueza da produção artística baiana. O lançamento é da Câmara Municipal de Salvador pelo Selo Editorial Castro Alves e tem como objetivo manter viva a memória cultural baiana e brasileira.

“A obra de Querino tem grande importância e realmente merece ser mais divulgada. Seus livros e textos passam pelos estudos sobre a cultura afro-brasileira, mas envolve também temas diversificados, como a vida do operário na República, o cotidiano de Salvador, as artes e os artistas, além da herança africana nos costumes brasileiros”, afirma a professora Maria das Graças de Andrade Leal, que assina a apresentação de Artistas Bahianos. Ela é autora de uma biografia sobre a personalidade histórica, que inclusive  inspirou Jorge Amado na criação do personagem Pedro Archanjo, do romance Tenda dos Milagres, de 1969.

Enquanto Artistas Bahianos é como um dicionário com biografias de diversos trabalhadores e artistas, As Artes na Bahia traça a trajetória do trabalho na Bahia. “Ele mostra quem construiu os principais monumentos daqui e traz a importância dos trabalhadores nas primeiras décadas da República”, comenta Maria.

O presidente da Câmara, vereador Leo Prates (DEM) destaca que as obras republicadas registram a riqueza da produção artística baiana “A vida intensa e produtiva de Querino era reflexo de um gênio fértil, cuja criatividade nos deixou livros de incontestável relevância histórica. Ele também brilhou nesta Casa como vereador”, afirma.

Autor da apresentação de As Artes na Bahia, o professor Luiz Alberto Ribeiro Freire considera que Querino militou efetivamente contra a cultura do esquecimento, tão presente no estado. “Essas foram as contribuições intelectuais de Querino mais sistemáticas, as mais maturadas”, assinala.

Natural de Santo Amaro da Purificação (BA), Querino também foi professor, jornalista, pintor, militante do movimento liberal, líder abolicionista e um dos fundadores da Liga Operária Bahiana e do Partido Operário. Elegeu-se vereador por dois mandatos no final do século XIX, após organizar o Partido Operário e defender os direitos trabalhistas. Negro, ele foi pioneiro nos registros etnográficos e nos estudos sobre história da arte no Brasil. Também fundou o Liceu de Artes e Ofícios e foi membro do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB). Ao longo da vida, ele elaborou e publicou diversos livros, monografias e artigos. Como jornalista, criou os periódicos A Província e O Trabalho, nos quais defendeu a abolição da escravidão.

Poetizando Povoados em Cordel incentiva a poesia nos municípios

A poesia ganha espaço em diversas cidades do estado da Bahia através do edital Calendário das Artes, da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb/SecultBA). Um dos 40 contemplados é o projeto Poetizando Povoados em Cordel, que vai ofertar oficinas de Literatura de Cordel em seis municípios da zona rural do território Velho Chico e em Irecê.

As oficinas serão ministradas em comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas, nos povoados de Ibotirama (Ilha Grande e Aldeia Tuxá), Morpará (Capim de Raiz), Paratinga (Lagoa Dourada), Oliveira dos Brejinhos (Boa Esperança), Muquém do São Francisco (Quilombo Jatobá) e Ipupiara (Sodrelândia), dando acesso a jovens estudantes e demais interessados na arte cordelista. Nesta semana, o projeto segue para Ilha Grande/Ibotirama na quinta-feira (12), às 8h, na Escola Municipal São José, com Adelson Batista de Souza

A Aldeia Tuxã em Ibotirama foi a primeira tribo a participar da programação, que segue para demais cidades, aberta ao público. “Nesse projeto, estaremos construindo junto aos alunos cordéis que relatam a história de suas comunidades e suas realidades. No final, será confeccionado um livreto a ser lançando num recital nas feiras livres de cada cidade”, conta o proponente do projeto, poeta, cordelista e autor do livro de literatura de cordel “Versos entre rimas de cordel”, Josemário Fernandes.

Além dos professores e alunos envolvidos, haverá a participação de poetas convidados nos recitais, visando à valorização dos trabalhos produzidos pelos jovens e a literatura de cordel nas comunidades.

Incentivando e oportunizando maior acesso ao público, o projeto pretende distribuir os livretos gratuitamente nas escolas, bibliotecas e pontos de leitura, além de realizar a divulgação nas redes sociais, para oferecer maior alcance de visualizações pelos mais diferentes cantos do mundo. “O Calendário das Artes tem um papel importantíssimo para nós, pois sinaliza que o projeto está sendo valorizado”. Afirma Josemário.

Programação:

Oficinas de Literatura de Cordel

12 de abril, às 8h - Ilha Grande/Ibotirama - Escola Municipal São José, com Adelson Batista de Souza

19 de abril, às 14h - Lagoa Dourada/ Paratinga - Escola Familiar Agrícola, com Maria Aparecida Vieira Santiago (Cida)

29 de abril, às 14h - Boa Esperança/Oliveira dos Brejinhos - Centro Comunitário, com Uilton Teles de Souza

3 de maio, às 14h - Capim de Raiz/Morpará - Escola Municipal Antônio Cardoso de Almeida, com Carleide Pereira Marques

18 de maio, às 8h - Sodrelândia/ Ipupiara - Escola Municipal Antonio Carlos Magalhães/ Regis Pacheco, Maria Dirce Alves Santos

27 de maio, às 14h - Jatobá/Muquém do São Francisco - Sede da Associação Jatobá, com João Rodrigues da Silva (Almeida)

 

Fonte: Correio/SecultBa/Municipios Baianos

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