10/04/2018

Bahia: Casos de tuberculose causam preocupação

 

O cenário da tuberculose no estado e em Salvador é “preocupante”, alertam gestores ligados aos programas de controle da doença do governo e da prefeitura. Em nível estadual, um plano de controle está sendo elaborado para tentar eliminar a tuberculose até 2035.

Coordenadora do Programa de Controle da Tuberculose da Bahia, Maria Aparecida Rodrigues contou que o objetivo do plano de controle que deverá ser finalizado até junho deste ano é reduzir a incidência registrada em 2017, de 29 casos por 100 mil habitantes, para 10/100 mil.

A taxa de óbitos também é alvo da tentativa de redução, de 1,9 óbito por 100 mil habitantes para 1/100 mil. O abandono do tratamento é outro aspecto que será focado. A taxa atual é de 8% e a meta é chegar a menos de 5%.

Segundo dados da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), a Bahia é o quinto estado com maior número de pessoas com tuberculose e, entre os da região Nordeste, ocupa a segunda posição. Ano passado, foram registrados 357 óbitos por tuberculose. Em Salvador, foram 104.

“A situação é preocupante no estado, assim como no cenário nacional. Há uma tendência de aumento. A tuberculose é uma doença eminentemente de cunho social, associada a vulnerabilidades como condições de moradia e saneamento”, afirmou Maria Aparecida.

O plano de controle envolverá aspectos como os cuidados com as pessoas com tuberculose, além de mobilização e integração com universidades, entre outros.

Dados

Em 2017, a Bahia registrou 4.610 casos novos de tuberculose. Em 2016, foram 4.514 ocorrências. Este ano, já foram computados 615 ocorrências no estado e 230 em Salvador. De acordo com a Sesab, a faixa etária mais atingida é de 20 a 49 anos, onde se concentram 55,2% dos casos. Os dados são preliminares, pois ainda está sendo feito um balanço das ocorrências.

Ainda segundo dados da Sesab, em 2017, Salvador concentrou 35,2% dos casos novos de tuberculose na Bahia. Dos 417 municípios, 30 (lista ao lado) concentram 67,3% dos casos novos da doença no estado.

Com relação à capital baiana, informações da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) dão conta de que Salvador ocupa o quarto lugar no ranking de mortalidade entre as capitais do país.

Em 2017, foram computados 1.613 casos. O número é maior que os 1.606 de 2016, quando ocorreram 84 mortes pela doença. A taxa de incidência informada pela SMS foi a de 2016, com 55,4 casos por 100 mil habitantes.

“A situação de Salvador consegue ser pior que a do estado. A taxa de incidência é praticamente o dobro. Nós estamos capacitando unidades de saúde para diagnosticar os casos e tratá-los. O fundamental é diagnosticar precocemente”, disse o médico clínico Afonso Roberto Batista, integrante do programa municipal de controle da tuberculose.

Incidência

De acordo com a SMS, os distritos sanitários Cabula/Beiru, São Caetano/Valéria e Subúrbio Ferroviário registraram os maiores números de casos. Entretanto, as regiões com maior incidência de tuberculose são os do Centro Histórico, São Caetano, Valéria e Liberdade.

“O tratamento pode ser feito nas 124 unidades básicas de saúde e inclui postos de saúde da família, onde é distribuído o medicamento gratuitamente. A comunidade pode ligar para o telefone 156 e obter as informações sobre as unidades que oferecem o tratamento”, ressaltou, em nota, a SMS.

Professora do Instituto de Saúde Coletiva (ISC) da Ufba, Suzan Pereira destacou aspectos que devem ser observados e que são temas de estudos no instituto. O primeiro deles é a manutenção de programas sociais de redução de desigualdade de renda. “A tuberculose é uma doença sensível às desigualdades sociais. Estudos mostraram que indivíduos em programas como o Bolsa Família reduziram os casos da doença”.

O segundo aspecto é relacionado à adesão ao tratamento de pelo menos seis meses e a necessidade de programas sociais para evitar o abandono. “Por fim, temos a questão do aumento de doenças crônicas não transmissíveis, como a diabetes. A associação entre essas doenças é um fator de risco. Essas pessoas ficam mais suscetíveis à tuberculose”, finalizou.

Interrupção de tratamento dificulta processo de cura

Um dos principais problemas que dificultam o tratamento é, segundo a coordenadora do Programa de Controle da Tuberculose da Bahia, Maria Aparecida Rodrigues, o abandono. Segundo a Sesab, essa taxa chegou a 7,8% em 2015.

Maria Aparecida contou que dentre os motivos de abandono está uma falsa sensação de cura. “A pessoa tem uma melhora e acha que está curada. Isso pode ajudar a criar mais resistência às drogas utilizadas”. Um tratamento convencional, segundo ela, dura cerca de seis meses. No caso de resistência, pode chegar a até dois anos.

Há ainda dificuldades como falta de alimento e de recursos financeiros para se deslocar até o local do tratamento. “Nossa taxa de cura está em torno de 61%, mas levando em consideração os abandonos, transferências e óbitos”, ressaltou a coordenadora.

A tuberculose, segundo o Ministério da Saúde, é uma doença infecciosa e de transmissão aérea. Por ano, são notificados aproximadamente 70 mil casos novos e ocorrem cerca de 4,5 mil mortes. O principal sintoma é a tosse na forma seca ou produtiva por três semanas ou mais. Há outros sinais como febre vespertina, sudorese noturna, emagrecimento e cansaço/fadiga.

  • MUNICÍPIOS COM MAIOR NÚMERO DE CASOS EM 2017

Cidades com 20 ou mais casos, que concentram 67,3% de ocorrências na Bahia

Salvador

Feira de Santana

Itabuna

Camaçari

Ilhéus

Lauro de Freitas

Vitória da Conquista

Porto Seguro

Jequié

Barreiras

Simões Filho

Juazeiro

Teixeira de Freitas

Eunápolis

Candeias

Valença

Itapetinga

Alagoinhas

Itamaraju

Paulo Afonso

Serrinha

Jacobina

Senhor do Bonfim

Irecê

Dias D’Ávila

Santo Antônio de Jesus

Santo Amaro

Ribeira do Pombal

Camacan

Una

Ministério da Saúde confirma 328 mortes por febre amarela no Brasil

O Ministério da Saúde confirma que 328 pessoas morreram entre 1º de julho do ano passado e 3 de abril deste ano em razão da febre amarela. No mesmo período, foram confirmados 1.127 casos da doença no Brasil.

Os números aumentaram em relação ao balanço anterior, quando o registro era de 220 óbitos e 691 casos. Ao todo, foram notificados, neste período, 4.548 casos suspeitos, sendo 2.441 já descartados e 980 ainda em investigação.

As informações foram repassadas pelas secretarias estaduais de saúde sobre a situação da febre amarela no País.

No ano passado, considerando o monitoramento de julho de 2016 a 3 de abril de 2017, eram 691 casos e 220 óbitos confirmados.

Os informes de febre amarela seguem, desde o ano passado, a sazonalidade da doença, que acontece, em sua maioria, no verão. "Embora os casos do atual período de monitoramento tenham sido superiores à sazonalidade passada, o vírus da febre amarela hoje circula em regiões metropolitanas do País com maior contingente populacional, atingindo 35,9 milhões de pessoas que moram, inclusive, em áreas que nunca tiveram recomendação de vacina. Na sazonalidade passada, por exemplo, o surto atingiu uma população de 10 milhões de pessoas", destacou o Ministério da Saúde.

Isso explica a incidência da doença neste período ser menor que no período passado. A incidência da doença no período de monitoramento entre 2017 e 2018, até 3 de abril, era de 3 casos para 100 mil habitantes. Já na sazonalidade passada, entre 2016 e 2017, a incidência foi de 6,8 para 100 mil habitantes.

Todo o território brasileiro será área de recomendação para vacina contra a febre amarela. A medida será feita de forma gradual, iniciando neste ano e sendo concluída até abril de 2019.

A ampliação é preventiva e tem como objetivo antecipar a proteção contra a doença para toda população, em caso de um aumento na área de circulação do vírus. Atualmente, alguns Estados do Nordeste, do Sul e Sudeste não fazem parte das áreas de recomendação de vacina. Com a ampliação, devem ser vacinadas 77,5 milhões de pessoas em todo o País. Confira no site do Ministério da Saúde a distribuição dos casos de febre amarela notificados.

 

Fonte: Sesab/A Tarde/BN/Municipios Baianos

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