11/04/2018

Bahia: 19 deputados estaduais trocam de partido na janela

 

Dezenove deputados estaduais aproveitaram o período que foi 7 de março até 7 de abril para mudar de partido. Isso significa que 30% dos 63 integrantes da Assembleia Legislativa da Bahia trocaram de legenda durante a chamada “janela partidária”. Nesse período, tanto os parlamentares estaduais como os federais podem migrar para novas agremiações sem o risco de perder os mandatos ou sofrer qualquer outro tipo de sanção de infidelidade partidária imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Com as mudanças, cinco legendas deixaram de existir na Alba, enquanto uma delas – o PR – voltou a ter representação no parlamento baiano. Quem mais perdeu deputados foi o MDB, que tinha cinco deputados e ficou sem nenhum em função do desgaste provocado pela prisão do ex-ministro Geddel Vieira Lima.

A composição entre as bancadas de governo e oposição teve apenas uma mudança. O deputado Samuel Júnior deixou o PSC, do bloco oposicionista, e se filiou ao PDT, aliado do governador Rui Costa (PT).

Os ex-integrantes do MDB se dividiram entre três partidos. Pedro Tavares, que presidia a sigla, Luciano Simões Filho e Leur Lomanto Júnior seguiram para o DEM, que saltou de seis para dez deputados. Já David Rios seguiu para o PSDB e Hildécio Meireles foi para o PSC, partido que dobrou de tamanho na Assembleia, passando de dois para quatro parlamentares. Além de Hildécio, o PSC filiou Soldado Prisco (ex-PPS) e Sidelvan Nóbrega (ex-PRB).

Os tucanos, por sua vez, tiveram ainda o ingresso de Marcell Moraes, que saiu do PV, outra legenda que deixou de ter representação na Alba.

Atrás do MDB, o PSL foi o segundo que mais perdeu e também ficou sem bancada. O ex-presidente do partido Marcelo Nilo seguiu para o PSB, enquanto Nelson Leal foi para o PP e Reinaldo Braga, para o PR. Os republicanos também tiveram a entrada de Marquinho Viana, ex-PSB, Vitor Bonfim e Paulo Câmara, que deixaram o PDT.

Outro que perdeu representação foi o Pros, partido que era controlado pelo deputado federal Ronaldo Carletto (PP), que articulava para disputar o Senado, mas desistiu. A legenda perdeu os deputados Manassés e Alan Castro, que seguiram para o PSD, sigla que elevou sua bancada de sete para nove parlamentares.

O PPS também deixou de existir na Alba. Além de Prisco, Targino Machado saiu do partido e voltou para o DEM, sigla pela qual foi eleito em 2014. O Podemos, por sua vez, tinha dois parlamentares e ficou com apenas um após a saída de Alex Lima, que migrou para o PSB e compensou o desembarque de Marquinho Viana.

Reta Final

De todas as 19 mudanças, 15 ocorreram na reta final da janela partidária, entre as últimas quinta e sexta-feira. Dentre elas, sete não eram esperadas antes da abertura da janela partidária. Prisco e Targino, por exemplo. Os parlamentares deixaram o PPS após a mudança no comando estadual da legenda. Já Vitor Bonfim deixou o PDT por insatisfações internas na reta final, e ainda levou com ele Paulo Câmera.

Alex Lima foi outro que, descontente com a direção do partido, preferiu mudar para o PSB. Ele chegou a ser especulado no PDT e no PP. Samuel Júnior, que viu o PSC ganhar três novos integrantes, optou por uma legenda com “melhor viabilidade política para sua reeleição”. A mudança de Marquinho Viana também foi encarada como surpresa.

DEM e PR foram partidos que mais cresceram

O Democratas foi o partido que mais cresceu durante a janela, ao lado do PR. Ambos ganharam quatro parlamentares. Com isso, o DEM ultrapassou o PSD e ficou com a segunda maior bancada da Casa, com dez integrantes. O PT segue líder, com 12 parlamentares. O PSD, por sua vez, caiu para a terceira posição, com nove deputados, mesmo elevando a bancada de sete para nove. O PP, que ganhou um parlamentar, aparece na quarta posição, com seis integrantes. Depois vem o PSDB, que tinha três e terminou a janela com cinco representantes. Somente PT (12), PCdoB (3), PRP (1) e Avante (1) não tiveram alterações. O PDT, mesmo com duas baixas, manteve a bancada de três integrantes. PRB e Podemos tinham dois e perderam um cada, ficando com apenas um parlamentar na bancada. Antes da janela partidária, 18 agremiações tinham representação no legislativo baiano. Com a saída de MDB, PPS, PSL, PV e Pros e a volta do PR, agora são 14 siglas com bancada na Alba.

Três federais baianos mudaram

Três deputados federais também mudaram de partido. O primeiro foi Arthur Maia, que presidia o PPS na Bahia e seguiu para o DEM. Por outro lado, os democratas perderam Cláudio Cajado, que migrou para o PP, partido que integra a base do governador Rui Costa. As articulações para a chegada de Cajado no PP foram conduzidas pelo próprio presidente nacional da legenda, o senador Ciro Nogueira.

A terceira mudança foi do ex-presidente do PV na Bahia Uldurico Júnior. No apagar das luzes, o parlamentar ingressou no PPL, partido que vai comandar no estado. A mudança se deu pelo fato de que o PV deve coligar com partidos maiores, o que exigiria dele uma quantidade maior de votos para conseguir a reeleição.

Em todo o Brasil, 59 deputados federais trocaram de agremiação. DEM e PSL foram as siglas que mais cresceram na Câmara: cada uma ganhou sete membros. O DEM subiu de 33 para 40, enquanto o PSL, de 3 para 10. O Pros vem em seguida, com seis filiações. Assim como na Alba, o MDB foi o que mais teve a bancada reduzida no Congresso com a saída de 11 deputados. Por outro lado, a sigla filiou oito  parlamentares e terminou com saldo negativo de três.

Balanço

O número de mudanças pode ser ainda maior, pois a comunicação sobre a troca de agremiações é feita diretamente à Justiça Eleitoral, sem a necessidade de que sejam passadas à Câmara. O balanço total da janela partidária somente será divulgado pelo TSE no dia 18 deste mês. A janela não permite a mudança de vereadores, uma vez que não haverá eleições municipais.

ACM Neto diz que 'alguns nomes do PRB começaram a ser cogitados' para compor majoritária

Após o grupo oposicionista não conseguir atrair o PP e o PR, aliados do governador Rui Costa (PT), o PRB pode conquistar um espaço na majoritária de José Ronaldo (DEM) ao governo do estado. Na manhã desta terça-feira (10), o prefeito ACM Neto (DEM) disse que tem conversado com lideranças do partido, mas desconversou quando questionado se tem um nome preferido.

“Não pode ser da minha preferência, mas uma composição conjunta. Temos alguns nomes que começaram a ser cogitados, não me peçam para fulanizar, mas o PRB tem plenas condições de integrar a chapa”, declarou, durante a entrega de uma geomanta em Cajazeira VI.

“O PRB tem quadros fortes na Bahia, estou conversando com o PRB, nas figuras da deputada Tia Eron, do deputado Marcio Marinho e do presidente nacional Marcos Pereira. Há a possibilidade de o PRB compor a chapa, que vai ser a chapa da oposição”, acrescentou o prefeito.

Neste fim de semana, circulou a informação de que o nome da vereadora Ireuda Silva (PRB) tem sido ventilado para o Senado. Comenta-se que, pelo fato de a edil ser mulher e negra, a presença dela traria maior representatividade à chapa.

João Gualberto rejeita MDB em sua chapa

O presidente do PSDB na Bahia, o deputado federal João Gualberto, não quer o MDB dos irmãos Vieira Lima em sua chapa. Assim como o tucano, o prefeito ACM Neto, presidente nacional do DEM, já externou sua opinião contrária ao ingresso do partido na chapa encabeçada por Zé Ronaldo (DEM).

Nas redes sociais, o deputado federal Lúcio Vieira Lima (MDB) manifestou concordância com ACM Neto justificando que a legenda terá candidato próprio ao governo do estado, o ex-ministro João Santana: "Corretíssimo, se o PMDB terá uma candidatura própria, não poderia estar em outra coligação que tenha candidato a governador".

Gualberto, em entrevista ao programa Se Liga Bocão, na Itapoan FM, engrossou o coro contra a aliança com os emedebistas. "Eu sou um candidato da sociedade. Não quero ser um candidato dos políticos. Jamais estaria o MDB na minha chapa. Jamais chamarei também um partido aliado ao PT", bradou o tucano.

"[O motivo é] Tudo que apareceu da familia Vieira Lima. Acha pouco os R$ 51 milhões, as denúncias? Acho que é preciso ter mais respeito com a população", disparou.

Se eu fosse candidato não ia querer o MDB na coligação, disse ACM Neto

O prefeito ACM Neto (DEM) deixou claro que se fosse candidato ao governo do Estado não gostaria de ter o MDB na coligação. No entanto, disse que não terá como interferir, caso Zé Ronaldo (DEM), pré-candidato ao Palácio de Ondina pelo DEM, aceite se coligar com o partido controlado pelos irmãos Vieira Lima.

“Caberá a Ze Ronaldo decidir quem eventualmente quer integrando a coligação, se eu fosse [candidato] não ia querer o MDB e deixei claro. O partido vive grave crise política. Ele precisa corrigir problemas internos e pensar em construir o futuro. Se eu fosse candidato, seria de não ter o MDB, mas não posso responder por ele. Isso não quer dizer que vá brigar com o MDB. Olhando para o futuro, existem certas coisas com liberdade e leveza para construir uma campanha”.

 

Fonte: Correio/BNews/Municipios Baianos

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