11/04/2018

Bahia: Sucessão baiana já tem seis concorrentes

 

A aproximadamente seis meses das eleições para governador, seis candidatos já se colocaram na disputa na Bahia. Os partidos têm até o início de agosto para realizar convenções, quando terminará o prazo de oficialização das candidaturas. Segundo o calendário, os partidos devem realizar as convenções entre os dias 20 de julho e 5 de agosto.

O último dia para registro é 15 de agosto. Até ontem, entre os concorrentes estão o atual governador da Bahia, Rui Costa (PT), que busca reeleição; o ex-prefeito de Salvador João Henrique Carneiro (PRTB); o deputado federal João Gualberto (PSDB); o ex-prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo; João Santana (MDB) e Marcos Mendes (PSOL). Conheça abaixo mais sobre cada um.

  • Nomes até agora na disputa:

Rui Costa (PT), governador

O governador é filiado ao PT desde os anos 1980. O primeiro cargo público dele foi ocupado 20 anos depois da filiação, em 2000, quando foi eleito vereador da capital e reeleito por mais quatro anos. Em 2016, foi candidato a deputado federal, porém não obteve sucesso no pleito. No ano seguinte, na gestão do ex-governador Jaques Wagner (PT) assumiu a Secretaria de Relações Institucionais. Em 2010, foi eleito deputado federal. Dois anos depois, em 2012, assumiu nova secretaria no segundo mandato de Wagner, desta vez a Casa Civil. Em 2014, Rui se elegeu governador da Bahia em primeiro turno.  Em uma rede social, o governador afirmou que no momento, eleição não seria o foco principal. "Minha prioridade é manter o ritmo ‘correria’ e continuar cumprindo compromissos. Avançamos muito, mas ainda há muito a ser feito", afirmou.

João Gualberto (PSDB), deputado

O deputado federal João Gualberto foi oficializado como pré-candidato ao governo da Bahia pelo PSDB. O tucano é o terceiro nome posto, que pretende disputar a eleição, em oposição ao governador Rui Costa (PT). Além dele, o ex-prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo (DEM), e o ex-ministro da Integração Nacional, João Santana (MDB), também já anunciaram que são pré-candidatos ao Palácio de Ondina.  “A minha candidatura vai até o fim. Não é para negociar. Eu quero ser o candidato da sociedade. Os partido parecem que deixaram a sociedade em segundo plano”, afirmou Gualberto. O PSDB também confirmou a pré-candidatura do deputado federal Jutahy Júnior a Senado.

Gualberto, que é presidente do partido na Bahia, negou que a sua candidatura seja para fazer palanque no estado para o presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB-SP), o ex-governador de São Paulo. “Ninguém está aqui para fazer palanque para ninguém”, assegurou. O tucano se esquivou quando indagado se é a favor da unificação da oposição ou se defende a estratégia de pulverizar as candidaturas oposicionistas. Disse, no entanto, que incentiva os partidos a lançarem candidaturas próprias. “Vamos conversar com todos os partidos do campo de oposição. Eu gostaria de ter o apoio do campo de oposição ao PT. Queria junto comigo”, frisou, ao ressaltar que “jamais” o MDB, do deputado Lúcio Vieira Lima, estará em sua chapa ao governo.

Perguntado se defendia que o Democratas abra mão da candidatura de José Ronaldo para apoiá-lo, Gualberto também despistou. “Eu não quero entrar nessa avaliação. A avaliação é que o PSDB tem candidato”. Ontem, o pré-candidato José Ronaldo apostou na união da oposição. “Eu tenho muita calma dentro desse processo [com o PSDB]. Acho que deve ser feito sem precipitação. Eu não acredito em racha [na oposição] Tenho certeza que as oposições estarão unidas. É claro que, dentro desse universo, existirá muito diálogo e o diálogo vai vencer. Esse partido [PSDB], com certeza, vai compor”, disse.

José Ronaldo (DEM), ex-prefeito de Feira

Foi vereador de Feira de Santana por um mandato, prefeito por dois mandatos consecutivos, durante os anos de 2001 e 2008. Zé Ronaldo foi eleito novamente em 2012, reeleito em 2016 e exerceu o mandato até o último sábado, quando renunciou ao cargo para se candidatar ao governo da Bahia. Ele também ocupou os cargos de deputado estadual e federal.  “A partir de hoje começamos a desenvolver um trabalho intenso de visitar todo o Estado, construindo e apresentando propostas junto com os demais parceiros”, disse, no último sábado, durante anúncio da renúncia.

José Ronaldo quer ‘denominador comum’ em candidatura da oposição

Pré-candidato ao governo do estado após o prefeito ACM Neto desistir da candidatura, o agora ex-prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo (DEM), quer “denominador comum” entre os candidatos de oposição e "não se preocupa" com múltiplos nomes da oposição.

Após o anúncio da desistência, três pré-candidaturas surgiram dos partidos da base de Neto: José Ronaldo do DEM, João Santana do PMDB e João Gualberto pelo PSDB. “Vamos ter tempo para ver isso. E é uma conversa que deve ser feita com calma. Não precisa ter pressa, agonia. Sempre fiz política respeitando e conversando”, afirmou o democrata.

De acordo com José Ronaldo, ele já teve duas conversas com o deputado federal Jutahy Magalhães (PSDB). “Tenho uma amizade e muito respeito por ele, com certeza nós vamos continuar conversando”, disse.

Zé Ronaldo ainda afirmou não “se preocupar” com a quantidade de candidaturas da oposição. “Não me preocupo porque entendo que temos tempo suficiente e chegaremos, sem dúvida, a um denominador comum”.

Com relação à tese de que as três candidaturas seriam uma forma da oposição de “pulverizar” os votos, levando as eleições estaduais a um segundo turno, José Ronaldo não nega que pode ter sido estratégia. “Pode ter sido. Da minha parte não houve isso. Não conversamos sobre essa questão. Foi apenas uma coisa que aconteceu”, declarou.

João Henrique (PRTB), ex-prefeito

Ex-prefeito de Salvador por dois mandatos, João Henrique também esteve na Câmara Municipal da capital baiana por cerca de seis anos, quando interrompeu o segundo mandato, foi eleito deputado estadual e reeleito nos dois pleitos seguintes. Na Câmara, ele foi autor do projeto de lei dos Conselhos Tutelares de Salvador e também recebeu o título de ‘Melhor Vereador do Ano’ durante quatro anos consecutivos. Como deputado estadual, foi premiado como ‘Destaque Parlamentar’, em 1998. Em 2004, foi eleito prefeito de Salvador no primeiro turno; na eleição seguinte, mesmo com popularidade baixa, foi reeleito. Em 2016, João Henrique se candidatou a vereador da cidade, porém sem sucesso.

Marcos Mendes (Psol)

Candidatou-se a deputado federal em 2006. Nas eleições de 2008 e 2012 foi candidato a vereador de Salvador, e, também em 2010 e 2014, disputou o cargo de governador da Bahia. Ele é formado em geologia pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), especialista em meio ambiente, pós-graduado em gestão pública municipal e Governamental, mestre em geologia ambiental. A vida pública de Mendes começou quando ele era estudante e militante do movimento de classe. “Pretendo apresentar uma verdadeira via alternativa para os baianos”, declarou o político durante o 6º Congresso Estadual do SOL-BA, que definiu o nome dele como pré-candidato do partido.

João Santana (MDB)

O MDB baiano oficializou a pré-candidatura do ex-ministro da Integração, e atual presidente estadual da legenda, João Santana, ao cargo de governador da Bahia. Em nota, a sigla afirma que, “por se tratar de um emedebista histórico, a notícia foi recebida com grande satisfação pelos dirigentes estaduais e correligionários da sigla que vieram conversar pessoalmente com o mesmo na sede do partido”. Para Santana, “a pré-candidatura de um emedebista é encarada de forma natural e esperada”. “O MDB é um partido cuja tradição é participar dos processos eleitorais do país, com uma importância política na história do Brasil quando encabeçou a luta contra a ditadura, por ser um partido que está presente em quase sua totalidade no estado da Bahia, e por ser a maior estrutura política do país”, afirmou.

Na manhã de segunda, 9, estiveram na sede da sigla, em conversa com o pré-candidato, lideranças como o ex-prefeito de Canavieiras, Almir Melo, que “veio dar apoio total, integral e irrestrito” à pré-candidatura; José Luiz Jiquiri e Bruno Jiquiri, de Cansanção; Pedro Arnaldo e o pré-candidato a deputado federal Ronaldo Abude, de Itabuna, Osanah Setúval, do MDB de Juazeiro, e Alceu Barros, ex-prefeito de Pedrão.

No final do mês passado, o deputado federal Lúcio Vieira Lima (MDB) já havia anunciado as pretensões do partido. “A Executiva do partido deverá se reunir para decidir, mas já estamos analisando dois nomes, e vamos continuar na oposição no estado. Mas a candidatura do MDB surge por conta do anúncio de Michel Temer em ser candidato a presidente, o partido dele na Bahia tem que formar um palanque para ele”, disse o parlamentar, acrescentando que a intenção não é pressionar o prefeito ACM Neto (DEM). “Quem me conhece sabe que não sou homem de pressionar nem ser pressionado”.  Apesar disso, no entanto, a candidatura não seria consenso na cúpula do MDB nacional, sendo apenas um movimento isolado deflagrado por Lúcio. Segundo a coluna Painel, do jornal Folha de S.Paulo, o artigo 7º da resolução publicada pela sigla não incluiu a Bahia entre os estados onde serão lançados candidatos da legenda.

‘PR foi decisivo para ACM Neto não ser candidato’, afirma José Carlos Araújo

O presidente do PR na Bahia, deputado federal José Carlos Araújo, afirmou que o partido foi decisivo para a desistência do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), da disputa pelo governo da Bahia.

“Até quinta a noite ele era candidato, mas na quinta eu encerrei as conversações com o grupo de Neto. Ele nos disse que sem o apoio do PR ele não seria candidato”, disse.

No entanto, na última sexta (6) pela manhã, quando o gestor soteropolitano anunciou que não iria renunciar à prefeitura, Araújo disse à reportagem que não tinha nada fechado e que iria conversar com o próprio democrata e o governador Rui Costa (PT).

O anúncio de que o Partido da República não marcharia com a base oposicionista no estado foi dado pelo próprio ACM Neto em discurso. Ao ser questionado, durante inauguração de uma passarela nesta segunda (9) como conseguiu manter o PR no grupo, Rui Costa disse foi por “amor pelo nosso trabalho”.

Terça, 10 de Abril de 2018 - 07:20

Sem ACM Neto candidato, oposição vai lutar entre si para não terminar acéfala

A ausência de ACM Neto (DEM) como candidato ao governo da Bahia em 2018 provocou, desde a última sexta-feira (6), uma batalha entre os principais partidos que compõem a oposição ao governador Rui Costa (PT).

Em três dias, três legendas se apresentaram dispostas a encabeçar a chapa adversária do petista e, até o desenrolar da campanha, devem se engalfinhar para chegar a um consenso sob pena de assistir a um baile de Rui nas urnas.

O primeiro a ser citado foi o ex-prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo (DEM). Escolhido por ACM Neto para substituí-lo, Ronaldo enfrenta a rejeição do próprio grupo à decisão do prefeito de Salvador em não lançar seu nome na disputa.

O ex-prefeito da Princesa do Sertão tem um nicho eleitoral bem delimitado na área de Feira e no último pleito que se lançou em âmbito estadual, em 2010, amargou a quarta posição na corrida pelo Senado. É pouco frente à visibilidade e à musculatura política do governador candidato à reeleição.

Outro político apresentado, dessa vez pelo PSDB, foi o deputado federal João Gualberto, que preside a legenda na Bahia. Muito bem avaliado no período em que esteve no comando da prefeitura de Mata de São João – apesar de agora estar sendo alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal exatamente por essa época -, Gualberto está no primeiro mandato na Câmara e possui como grande trunfo o lastro financeiro para participar da disputa.

No entanto, se dinheiro é um grande incentivador para campanha, isolado não ganha eleições. Além de DEM e PSDB, o PMDB resolveu fingir que não existe uma história recente a macular o partido na Bahia: o bunker de R$ 51 milhões que mantém o ex-ministro Geddel Vieira Lima na Papuda desde o mês de setembro. Apresentou o atual presidente do partido, João Santana, desvinculado de escândalos, para tentar se viabilizar como candidato a governador em 2018.

Como lideranças do DEM e do PSDB já apresentaram objeções a uma coligação com o PMDB, Santana não chega a ter um potencial aglutinador entre os adversários de Rui. Já o caso de Ronaldo e Gualberto sinaliza uma consequência direta e imediata da desistência de ACM Neto em disputar o governo: esfacelada, a oposição vai lutar entre si para não terminar acéfala e sem um nome que, ao menos, possa provocar um debate eleitoral com o legado de 12 anos de comando do PT na Bahia.

 

Fonte: A Tarde/Tribuna/BN/Municipios Baianos

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