12/04/2018

Brasil é o primeiro a aprovar novo tratamento contra câncer no sangue

 

Os brasileiros com mieloma múltiplo recém-diagnosticados e que não podem realizar o transplante autólogo de células-tronco, quando o doador é o próprio paciente, serão os primeiros do mundo a se beneficiar de uma nova terapia. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a antecipação do medicamento imuno-oncológico daratumumabe, desenvolvido pela Janssen, empresa farmacêutica da Johnson & Johnson, para esses casos.

A aprovação foi baseada no estudo ALCYONE, apresentado pela farmacêutica durante o último encontro científico da Sociedade Americana de Hematologia, em Atlanta, nos Estados Unidos, em dezembro de 2017. O trabalho demonstrou que daratumumabe em combinação com outros fármacos – bortezomibe, melfalano e prednisona – reduz em 50% o risco de progressão da doença ou de morte nos pacientes com mieloma múltiplo inelegíveis para o transplante quando comparado ao tratamento padrão. Os resultados também foram publicados recentemente no New England Journal of Medicine.

Atualmente, cerca de 7,6 mil brasileiros são acometidos pela doença a cada ano. “Até então, daratumumabe tinha indicação para esses pacientes após falha de um tratamento prévio. Agora, eles não precisarão esperar para utilizar o medicamento e se beneficiar com a terapia”, afirma Telma Santos, Diretora Médica da Janssen Brasil.

Daratumumabe chegou ao Brasil em maio do ano passado, após ser avaliado em regime de priorização pela Anvisa, o que antecipou o acesso dos brasileiros à terapia em um ano e meio, praticamente ao mesmo tempo em que os principais países do mundo. A aprovação do medicamento introduziu, no tratamento da doença no Brasil, o conceito de imuno-oncologia, que usa o próprio sistema imunológico do paciente para combater o câncer. Além disso, por ser uma terapia-alvo, daratumumabe atua especificamente nas células tumorais, na tentativa de tratar as doentes sem atingir as células saudáveis, garantindo, assim, maior precisão, menos efeitos colaterais e, consequentemente, melhora na qualidade de vida do paciente.

A aprovação foi considerada pela comunidade médica um marco na evolução do tratamento para o mieloma múltiplo, renovando a esperança de muitos brasileiros que, até o momento, contavam com poucas opções de terapia. “A qualidade da resposta ao tratamento é extremamente importante, pois pode significar um aumento da sobrevida do paciente, principalmente quando ele não é elegível para o transplante”, completa Breno Moreno de Gusmão, hematologista da Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Câncer agressivo

O mieloma múltiplo é um câncer formado por células plasmáticas malignas. Os plasmócitos normais são encontrados na medula óssea e compõem uma parte importante do sistema imunológico. Embora alguns pacientes com mieloma múltiplo não apresentem sintomas, a maioria é diagnosticada após manifestar fratura ou dor nos ossos, baixa contagem de glóbulos vermelhos, fadiga, elevação de cálcio, problemas renais ou infecções.

 Antes do lançamento do daratumumabe no Brasil, o tratamento do mieloma múltiplo era feito com quimioterapia, drogas antineoplásicas, administração de corticoides ou transplante de medula óssea e afetava células doentes e sadias do organismo do paciente.

Tratamento hormonal na menopausa pode combater a demência na velhice

O tratamento hormonal na menopausa, além de amenizar os efeitos causados pela produção reduzida de hormônios, pode prevenir outra complicação característica do envelhecimento: a demência. Segundo estudo da Academia Americana de Neurologia (AAN), a terapia é capaz de preservar a estrutura do cérebro responsável pela memória e por habilidades de pensamento, além de reduzir o acúmulo de placas beta-amiloides, considerado um dos fatores que desencadeiam o Alzheimer. Os resultados do trabalho foram divulgados recentemente na revista médica Neurology.

O estudo envolveu 75 mulheres saudáveis com idade entre 42 e 56 anos e que estavam na menopausa havia cinco meses a três anos. As voluntárias foram separadas em três grupos: 20 receberam pílulas de estrogênio equino (0,45 miligramas), 22 receberam estradiol (50 microgramas) por meio de adesivos de pele e 33 ficaram com o placebo, substância sem propriedade farmacológica, em forma de pílula ou de adesivo. As mulheres dos dois grupos com tratamento hormonal também ingeriram pílulas de progesterona (200 miligramas) nos 12 primeiros dias de cada mês para manter o endométrio protegido.

 “As mulheres fizeram testes de memória e de pensamento, além de ressonância magnética, em cinco momentos: no início do estudo, depois de 18 meses, depois de três anos, quatro anos após o inicio do tratamento e, então, novamente, três anos após o fim da terapia. O estudo durou sete anos”, detalha Kejal Kantarci, cientista médica do Mayo Clinic em Rochester, Minnesota,  membro da AAN e autora principal do artigo.

Kantarci e colegas mediram o volume do cérebro das voluntárias e o acúmulo de lesões cerebrais usando exame de tomografia de emissão de pósitron. As imagens foram comparadas com as performances nos testes de memória e de pensamento. “Os resultados mostraram que as participantes que tomaram estradiol via adesivo de pele mantiveram, por mais de sete anos, o volume no córtex pré-frontal dorsolateral, área do cérebro que dá assistência à memória, ao pensamento, ao planejamento e ao raciocínio”, conta a pesquisadora.

Os pesquisadores descobriram ainda que as mulheres que começaram a terapia hormonal com estradiol logo no início da menopausa tiveram efeitos mais duradouros no cérebro. No caso do grupo que ingeriu pílulas de estrogênio, o efeito protetivo acabou com a interrupção do tratamento.

Prevenção

Professor do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Fernando Reis ressalta que, no estudo americano, mesmo a terapia hormonal não tendo modificado significativamente o volume do cérebro e as funções cognitivas, o tratamento pode ter funcionado como uma espécie de prevenção ao Alzheimer. “Nesse grupo, quanto menor foi a perda de volume nessa área específica, menor foi a disposição de beta-amiloide no cérebro, um marcador associado com a doença”, explica.

Segundo Reis, existem outros estudos que sugerem que o estrogênio é importante para o equilíbrio metabólico do cérebro. “A redução desse hormônio na época da menopausa provoca alterações da função cerebral em uma parcela significativa das mulheres. Não por acaso, a maioria dos sintomas da menopausa são sintomas neurológicos, a começar pelas ondas de calor”, ilustra.

Para José Maria Soares, professor-associado do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), as novidades do estudo americano são o uso da metodologia sofisticada e a confirmação de hipóteses. “Ele confirma as dúvidas sobre o benefício do estrogênio. A afirmação é que esse hormônio pode melhorar a cognição de mulheres na menopausa”, resume.

Contudo, o professor ressalta que as mulheres na menopausa precisam passar por avaliação médica antes de começar a tomar qualquer hormônio. É preciso considerar, por exemplo, a existência ou predisposição para câncer de mama, doença no endométrio, diabetes, doenças que acometem o fígado, entre outras.

 “Quando o estrogênio é usado de forma correta e adequada, pode trazer vários benefícios, como a melhora na qualidade de vida, nos sintomas vasomotores e na cognição, mas, se a paciente tomar o estrogênio sem a avaliação e tiver as doenças listadas, o hormônio pode agravar o caso”, justifica. Fernando Reis acrescenta que, além de aliviar os sintomas, a terapia hormonal retarda a perda óssea e reduz o risco de osteoporose.

Necessidade de mais estudos

Apesar dos resultados do estudo da Academia Americana de Neurologia, especialistas e os próprios pesquisadores concordam que ainda há caminhos a seguir para responder a determinadas questões sobre o uso da terapia hormonal para proteger o cérebro do Alzheimer.

Segundo Cláudia Barata Ribeiro, neurologista e fisiatra do Hospital Santa Lúcia e presidente regional da Associação Brasileira de Medicina Física, o estudo americano ocorreu em um período muito curto. A médica argumenta que, se tivesse durado alguns anos a mais, os pesquisadores poderiam ter encontrado uma diferença na cognição. “Também tem o fato de que, quando as mulheres decidem tomar a hormonoterapia, não é apenas por quatro anos, como no estudo. Elas fazem o tratamento por mais tempo”, pondera.

Kejal Kantarci, autora principal do estudo, comenta que os próximos estudos envolverão justamente descobrir se esses efeitos no cérebro duram até a idade avançada das mulheres. Outra limitação do estudo, segundo ela, é que todas as participantes estavam com boa saúde cardiovascular. Assim, as conclusões podem não ser as mesmas para aquelas com problemas cardíacos, diabetes e outros problemas no coração.

A autora também coloca que mais pesquisas são necessárias para descobrir as razões biológicas por trás das mudanças que acontecem no cérebro durante o tratamento hormonal. “Futuros estudos também são necessários para definir como diferentes produtos hormonais, pílulas versus adesivos, afetam o cérebro”, defende

O médico Fernando Reis destaca que, com os resultados atingidos até o momento, não é possível pensar em uma aplicação clínica dos resultados. “Isoladamente, esse estudo não basta para orientar nenhuma mudança na prática médica. A própria revista em que o trabalho foi publicado o considerou uma evidência classe III, o que significa que as evidências apresentadas não são fortes o suficiente para embasar decisões terapêuticas”, explica. (SS*)

 

Fonte: Correio Braziliense/Municipios Baianos

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