12/04/2018

Camaçari: Petrobras dá prazo para a Fafen apresentar soluções

 

A comissão geral no Plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília, discutiu nesta terça-feira (10) a suspensão por 120 dias do fechamento das unidades da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen) nos municípios de Camaçari, na Bahia, e de Laranjeiras, em Sergipe.

A decisão da suspensão, oficializada em 27 de março, visa a obtenção de alternativas à hibernação da Fafen que não tragam prejuízos à Petrobras. A estatal confirmou o prazo de 120 dias, contados a partir de 30 de junho, data para qual estava marcado o início da hibernação. O dia 31 de outubro de 2018 é a data final para apresentação das propostas.

A comissão para discussão de soluções será constituída pela Petrobras, que administra as fábricas, por representantes dos governos da Bahia e de Sergipe, além de membros das federações das indústrias e dos sindicatos das categorias envolvidas.

“A análise em relação às Fafens é bem madura. A decisão do adiamento surgiu a partir do entendimento obtido com a direção da companhia e com as forças políticas que identificaram o impacto e para que a gente discuta de que maneira esse impacto pode ser minimizado”, explica Daniel Sales, gerente geral de eficiência operacional industrial da Petrobras.

Por meio de um ofício, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, oficializou a posição da empresa aos deputados José Carlos Aleluia (DEM-BA) e André Moura (PSC-SE), que encaminharam a proposta de suspensão do fechamento das Fafens para o presidente da estatal.

"Ganhamos um tempo precioso para montar uma força-tarefa com a participação dos governo da Bahia e Sergipe, e as entidades da classe industrial para evitar o desmonte de uma cadeia de produção preciosa para nossa economia”, disse o deputado Aleluia por meio de nota.

“A gente defende que encontremos saída para manter a fábrica funcionando, manter a cadeia produtiva e encontrar soluções. Nós vamos encontrar viabilidade para manter o funcionamento da Fafen sob controle da Petrobras”, explica Radiovaldo Costa, diretor do Sindipetro Bahia.

O advogado Cézar Britto, ex presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e advogado do Sindiquímica/SE desde 1985, ressalta a importância das unidades da fábrica para a agricultura do país. “O Brasil é um país de forte vocação e investimento na agricultura. Se você fecha a Fafen, além de aumentar a dependência de importação de fertilizantes, é fechado um setor que é estratégico para nossa economia”.

Segundo o diretor do Sindipetro Bahia, Radiovaldo Costa, o Brasil é o quarto maior consumidor de fertilizantes do mundo, e apenas 30% do consumo anual do país é produzido aqui. “Essa medida significaria depender de fertilizantes da Rússia e da China”, ele conclui.

Prejuízo

A decisão de hibernar as duas fábricas foi divulgada pela Petrobras em março. Segundo a estatal, em 2017 o prejuízo na unidade baiana foi de R$ 200 milhões e outros R$ 600 milhões no estado vizinho.

“O fechamento prejudicaria dois estados que têm dificuldades em geração de riqueza. Essa decisão eliminava 1.100 postos de trabalho, sem contar a perda na arrecadação de impostos - para a Bahia seriam R$ 60 milhões anuais a menos só de arrecadação”, explica o diretor do Sindipetro.

Ele explica que outras empresas seriam afetadas com a hibernação da Fafen. “Cerca de 15 empresas precisam dos insumos produzidos pela Fafen, como amônia, e não teriam como funcionar sem a fábrica”.

A unidade baiana, localizada no Polo Industrial de Camaçari, produz ureia, amônia e gás carbônico e teve sua parada anunciada no dia 19 de março. Na Bahia, a fábrica emprega diretamente 275 funcionários, sem contar terceirizados. Em Sergipe são 272 empregados direto.

A Fafen iniciou as atividades no município de Camaçari em 1971, produzindo fertilizantes nitrogenados a partir do gás natural dos campos produtores de petróleo da Bahia e de Sergipe.

A fábrica foi pioneira na implantação do Polo Petroquímico. Com a incorporação da Nitrofértil, estatal que tinha personalidade jurídica própria, à Petrobras, em 17 de dezembro de 1993, a fábrica passou a ter a denominação atual.

  • Lembre do caso:

Após prejuízo de R$ 200 milhões, Petrobras fecha fábrica de fertilizantes na Bahia

A Petrobras anunciou na noite de segunda-feira (19) que vai fechar a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA), localizada no Polo Petroquímico de Camaçari, até o final do primeiro semestre deste ano. Tecnicamente, a companhia chama o procedimento de 'hibernação'. "A hibernação consiste na parada de produção de unidade industrial, com a adoção de medidas de conservação para evitar a deterioração dos equipamentos", destacou a companhia.

A decisão de encerrar as atividades produtivas da Fafen-BA se deve às perspectivas de perdas da Petrobras com esta operação. Em 2017, a Fafen-BA apresentou resultado negativo de cerca de R$ 200 milhões. Ao longo dos últimos anos, a Petrobras implementou diversas ações para otimização de custos, aumento de produtividade e melhoria de desempenho operacional, mas o resultado continuou abaixo do esperado e o cenário indica resultados negativos para os próximos anos.

A iniciativa faz parte do processo de saída integral da produção de fertilizantes, conforme anunciado pela companhia em setembro de 2016. “A hibernação da Fábrica de Fertilizantes da Bahia é parte do nosso esforço para focar os investimentos da Petrobras em ativos que tenham menor risco e tragam mais retorno para a companhia. Nosso planejamento estratégico concentra investimentos na produção de óleo e gás no Brasil, incluindo os investimentos para aumento da produção nos campos do Nordeste”, destacou, em nota, Jorge Celestino, diretor de Refino e Gás Natural da Petrobras.

Além da fábrica da Bahia, a decisão também inclui o fechamento da unidade produtiva de fertilizantes de Sergipe. "Em função disso, o resultado anual da Petrobras, divulgado nesta quinta-feira (15/03), apresenta provisão para perda (impairment) com as fábricas de fertilizantes de R$ 1,3 bilhão", diz a Petrobras. 

Importação

Com o encerramento das atividades da Fafen-BA, o abastecimento do mercado de ureia fertilizante será feito por importação - o que impacta na forma produtiva das companhias misturadoras de adubo. A Petrobras informou que realizará investimentos no Porto de Aratu de forma a viabilizar a importação de amônia e o atendimento ao Polo Petroquímico de Camaçari. Para gás carbônico, há alternativas de suprimento no próprio Polo Petroquímico de Camaçari que serão discutidas com os clientes, segundo a companhia.

Até finalizar o processo de interrupção, que deverá ocorrer até o final do primeiro semestre de 2018, a companhia informou que conversará com clientes e fornecedores para encontrar as soluções mais adequadas para a transição.

A Fafen-BA iniciou suas atividades em 1971, com foco na produção de fertilizantes nitrogenados. Os principais produtos da fábrica são amônia, ureia, gás carbônico e Agente Redutor Líquido Automotivo (Arla 32). A unidade conta atualmente com 275 empregados próprios. "A Petrobras vai implementar todos os esforços para a realocação dos empregados em outras unidades da companhia", garantiu, em nota.

  • Relembre mais:

Fechamento de fábrica da Petrobras afetará pelo menos 15 empresas na Bahia

O anúncio do fechamento da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA), localizada no Polo Industrial de Camaçari, impactará no funcionamento de pelo menos 15 fábricas. A Fafen, que é administrada pela Petrobras, produz ureia, amônia e gás carbônico e teve sua parada anunciada no início dessa semana.  Os dirigentes dessas unidades e autoridades públicas estão debatendo o assunto e temem impactos na produção.

Em nota, a Petrobras afirmou que o abastecimento do mercado de ureia fertilizante será feito por importação, “sem prejuízo para as companhias misturadoras de adubo, e disse que realizará investimentos no Porto de Aratu para viabilizar a importação de amônia e o atendimento ao Polo Petroquímico de Camaçari. Para CO2, há alternativas de suprimento no Polo.

Para o diretor industrial da Carbonor, Ascanio Muniz Pepe, a solução apresentada pela Petrobras não é tão simples quanto parece. A empresa é uma das 15 que serão afetadas pelo fechamento da Fafen-BA e, atualmente, importa 100% do gás carbônico utilizado na produção.

"Esse assunto precisa ser debatido com mais profundidade, porque o posicionamento da Fafen foi muito simplista, como se o efeito fosse mínimo, mas não é nem para as empresas nem para as pessoas. Estamos trabalhando para não pararmos nossa produção, temos algumas alternativas, mas essa medida afeta os negócios", disse.

O diretor contou que o efeito dessa medida impacta diretamente na produção de algumas empresas e pode resultar na redução de postos de trabalho, mas disse que será preciso analisar caso a caso. Em relação a Carbonor, ele disse que os dirigentes ainda vão discutir as mudanças. A empresa também vai solicitar uma reunião com representantes da Fafen-BA nos próximos dias para debater o assunto.

Além da Bahia, a Fafen de Sergipe também será fechada. A Petrobrás informou que o fechamento das duas fábricas está previsto para acontecer até o final dos primeiros semestres deste ano.  Um plano detalhado deverá ser divulgado em abril.

Na Bahia, cerca de 700 empregos serão afetados por conta da medida. Só no ano passado foram cerca de R$ 200 milhões de prejuízo na unidade baiana e outros R$ 600 milhões no estado vizinho.

Governo

Nesta quarta (21), a Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia (SDE) reproduziu uma nota do governador Rui Costa sobre o caso. Ele disse que recebeu a notícia com preocupação e indignação, e criticou a decisão, que chamou de "inconsequente e irresponsável", por não pensar nos interesses nacionais.

O petista disse também que vai se mobilizar junto à bancada baiana de parlamentares no Congresso Nacional, e que vai conversar com o governador de Sergipe para reagirem contra essa medida.

"Trata-se de uma resolução do governo federal, que segue na contramão dos interesses não apenas da Bahia e de Sergipe, mas de toda a cadeia do Agronegócio do País, na medida em que estará contribuindo para o desmonte do fornecimento dos principais fertilizantes empregados no campo, levando o segmento a tornar-se cada vez mais dependente dos grupos multinacionais com sede no mercado externo e, consequentemente, dos preços cotados na moeda americana”, diz a nota.

Mobilização

As autoridades do município de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, também se manifestaram sobre o fechamento da fábrica. Nesta quarta, o prefeito Elinaldo (DEM) e o presidente da Câmara de Vereadores, vereador Oziel (PSDB), foram até o Rio de Janeiro para debater com o diretor-executivo de Refino e Gás Natural da Petrobras, Jorge Celestino, sobre o fechamento da Fafen. O encontro está marcado para o final da tarde.

Já o Sindicato dos Petroleiros da Bahia (Sindipetro) vai se reunir no Senado Federal para discutir a mobilização da questão na Casa. Além da Bahia e de Sergipe, os parlamentares do Paraná também vão participar do encontro, estado em que fábricas estão sendo fechadas pela Petrobras. O encontro está marcado para o final da tarde.

Os deputados da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) também vão discutir o assunto. Na edição desta quarta-feira do Diário Oficial do Legislativo, o presidente da Casa, Angelo Coronel, informa sobre a realização de uma sessão especial para debater a decisão que ele classificou como “medida nefasta”. O encontro também vai servir para pressionar o Governo Federal e a Petrobras a repensarem a questão.

 

Fonte: Correio/Municipios Baianos

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