15/04/2018

Marielle Franco, um mês depois e nenhum culpado

 

Muitas incógnitas, milhares de indignados e nenhuma punição. É o resultado do primeiro mês da bárbara execução da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes no Estácio (Rio de Janeiro), assassinatos que abalaram o Brasil, mas que ainda não têm suspeitos. "Este é um caso difícil, não se trata de uma coisa simples. Existem vários fatos que estão sendo estudados, várias perícias que vêm sendo realizadas e vários indícios que estão sendo analisados pelos investigadores e que apontam para que o crime possa ter uma solução", diz o coronel Roberto Itamar, porta-voz do general Walter Braga Netto, interventor federal no Rio e chefe do Comando Militar do Leste. "Não falta empenho por parte da equipe que está trabalhando".

Na noite do dia 14 de março, quando seu carro transitava pela rua Joaquim Palhares, no Estácio, Rio de Janeiro, Marielle foi abordada por um grupo de homens armados em outro veículo e levou quatro tiros na cabeça. Foram, no total, 13 tiros de uma pistola 9mm que também atingiram a cabeça de Anderson Pedro Gomes, seu motorista. Um dia depois, as ruas da capital fluminense e de outras grandes cidades brasileiras foram tomadas por milhares de pessoas que prometiam continuar as lutas da parlamentar, negra, lésbica e oriunda do complexo de favelas da Maré. Exigiam o fim da intervenção federal no Estado do Rio, o fim da guerra contra as drogas, travada nas favelas e periferias e que vitimiza milhares de jovens e negros todos os anos, o fim do racismo e do machismo institucional. Também clamavam por Justiça, com a certeza de que aquele crime era político.

Mas, até hoje, esse é o fim da história. "Todos [os envolvidos na investigação] estamos altamente interessados e empenhados em desvendar esse crime e responsabilizar as pessoas que realizaram esses assassinatos covardes. As investigações estão sob sigilo para que não sejam prejudicadas, mas estão andando bem e o otimismo a gente sempre tem que ter", acrescenta o coronel Roberto Itamar.

Provável envolvimento de milicianos

A principal hipótese levantada pela Polícia Civil é a de que a morte de Marielle foi encomendada por milicianos, grupos paramilitares formados por policiais, bombeiros, militares e agentes penitenciários — alguns ainda estão na ativa e outros não. Marielle trabalhou, em 2008, na CPI das milícias ao lado do seu companheiro do PSOL e deputado estadual Marcelo Freixo. Por não sofrer ameaças, ao contrário de Freixo, a vereadora não contava com um esquema de segurança pessoal e era um alvo fácil. O modo como foi executada indica a participação desses grupos paramilitares.

Um total de 10 vereadores já prestaram depoimentos como testemunhas para a Divisão de Homicídios da Polícia Civil: Tarcísio Motta (PSOL), Ítalo Siba (Avante), Babá (PSOL), Renato Cinco (PSOL), Leonel Brizola Neto (PSOL), Jair da Mendes Gomes (PMN), Val da Ceasa (PEN), Juninho da Lucinha (PMDB), Marcello Siciliano (PHS) e Zico Bacana (PHS). Os últimos três são suspeitos de envolvimento com a milícia do Rio. A polícia também pediu a quebra de sigilo de aparelhos celulares de integrantes do Legislativo carioca, após identificar o número de celular do motorista do carro usado no crime, segundo informou o The Intercept Brasil.

Na noite do último domingo, Carlos Alexandre Pereira Maria, conhecido como Alexandre Cabeça e colaborador parlamentar do vereador Siciliano, foi assassinado a tiros dentro de seu carro. Dois dias depois, na terça-feira, o subtenente reformado da PM Anderson Claudio da Silva, envolvido com milicianos, também foi morto a tiros. A hipótese é a de que ambos os casos sejam uma tentativa de queima de arquivo.

Conforme informou o The Intercept Brasil, milicianos estiveram na Câmara de Vereadores antes dos assassinatos de Marielle e Anderson. Um deles é um ex-policial militar indiciado na CPI das milícias. Ele esteve, horas antes do crime, no sétimo andar da Casa, onde fica o gabinete de Zico Bacana. No dia 7 de março, no mesmo sétimo andar, esteve o ex-vereador Cristiano Girão, condenado por chefiar uma milícia na Gardênia Azul, em Jacarepaguá. O Intercept teve acesso à imagem que mostra o rosto de Girão ao entrar no prédio.

Munições e digitais

Nesta semana, a Polícia Civil conseguiu detectar fragmentos de digitais nas cápsulas encontradas no local do assassinato, segundo informou O Globo. Elas serão comparadas com as digitais de Alexandre Cabeça e de Anderson Cláudio da Silva. A Polícia Civil concluiu, ainda nos primeiros dias de investigação, que a munição utilizada pelos atiradores, de calibre 9mm, pertencia ao lote UZZ-18 vendido pela empresa CBC para a Polícia Federal de Brasília, em 29 de dezembro de 2006, que acabou roubado na Paraíba, segundo o Governo. Foi desse mesmo lote que saiu parte da munição utilizada por policiais na maior chacina de São Paulo, em 2015, na cidade de Osasco. Na ocasião, o ministro Raul Jungmann disse que o lote havia sido desviado dos Correios da Paraíba, algo que foi desmentido pela própria instituição. Correios disse ainda que "não aceita postagem de remessas contendo armas ou munição, exceto quando autorizado por legislação específica".

Testemunhas que viram o crime

No início deste mês, O Globo publicou uma reportagem com o depoimento de duas testemunhas do caso. Elas, que foram ouvidas separadamente, contaram que o veículo onde estavam os assassinos imprensou o de Marielle. Depois, viram um homem negro sentado no banco de trás colocando o braço para fora do veículo com uma arma de cano alongado, semelhante a um silenciador. Elas também asseguram ter visto apenas um carro — as câmeras de segurança mostram dois veículos seguindo a vereadora. As duas pessoas ouvidas pelo jornal também contam ter ficado no local do crime até a chegada da polícia, mas que a PM mandou todos saírem do lugar sem serem ouvidos. Para o coronel Roberto Itamar, porta-voz da intervenção federal, trata-se de um procedimento normal adotado pelos agentes para que o local do crime não seja contaminado. Também acredita que as testemunhas poderiam ser pessoas curiosas que trafegavam pelo local após o crime.

O caso Marielle nas redes sociais

Após o assassinato de Marielle e Anderson, grupos direitistas como o Movimento Brasil Livre (MBL) e outras pessoas - dentre elas uma desembargadora do Rio e o deputado da bancada da bala Alberto Fraga (DEM) -  espalharam mentiras e promoveram uma campanha difamatória contra a vereadora. Mas a família da vítima conseguiu importantes vitórias na Justiça contra eles. O juiz Jorge Jansen Counago Novelle, da 15ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Rio, ordenou na ocasião que o Facebook retirasse do ar todas as publicações "que ofendam a intimidade, a honra e a imagem de Marielle Franco". Determinou ainda que a rede social informasse se o MBL, assim como a pessoa identificada como Luciano Ayan, administrador do site Ceticismo Político, ligado ao grupo, "patrocinaram os posts que impulsionaram a onda de fake news". A Justiça do Rio também determinou que o Google retirasse 16 vídeos do Youtube que continham mentiras contra a vereadora.

CASO MARIELLE: EXECUÇÕES DE SUSPEITOS DE SEREM MILICIANOS PODEM SER QUEIMA DE ARQUIVO

As impressões digitais de Carlos Alexandre Pereira Maria, colaborador parlamentar do vereador Marcello Siciliano, do PHS, e do subtenente reformado da PM Anderson Claudio da Silva serão comparadas com as recuperadas nos cartuchos usados na execução de Marielle Franco. Pereira, conhecido como “Alexandre Cabeça”, e Silva foram mortos a tiros nas noites de domingo e da última terça-feira, respectivamente. Ambos tinham estreita relação com as milícias que tomaram a cidade do Rio de Janeiro. Os paramilitares são a principal linha de investigação do caso. Investigadores conseguiram extrair fragmentos de digitais dos cartuchos de pistola 9 mm encontrados no local da execução de Marielle Franco e de seus motorista, Anderson Gomes. O objetivo agora é saber se o cabo eleitoral e o policial reformado assassinados nos últimos dias tiveram participação na tocaia à vereadora do PSOL. Um eventual resultado positivo indicaria que as execuções de Alexandre Cabeça a de Silva teriam sido queima de arquivo para dificultar a identificação dos mandantes do ataque a Marielle e Anderson.

“Chega para lá que a gente tem que calar a boca dele.”

Alexandre Cabeça foi assassinado dois dias depois que o vereador para o qual ele atuava, Marcello Siciliano, depôs na Delegacia de Homicídios da Capital sobre o caso Marielle. Policiais disseram que, segundo uma testemunha, ele foi executado por um grupo armado. Antes de atirar, um dos assassinos teria gritado: “Chega para lá que a gente tem que calar a boca dele”. Siciliano foi citado em um relatório produzido pela Secretaria de Segurança sobre a influência de paramilitares nas eleições de 2014. A Câmara de Vereadores do Rio está no foco da investigação.

Bonde dos Galáticos

O ex-policial Silva foi fuzilado dentro de uma BMW. Ele era apontado como membro da milícia autodenominada “Bonde dos Galáticos”, que mantém domínio territorial em comunidades nas zonas Norte e Oeste do Rio. Silva foi atacado por três homens. Ele chegou a reagir, disparando contra os agressores. Policiais militares abordaram um carro momentos depois do crime e prenderam o também ex-PM David Soares Batista. Ele estava ferido em uma das pernas, e alegou ter sido vítima de uma tentativa de assalto. Foi hospitalizado e permanece sob custódia.

Mais digitais

Os investigadores também estão comparando os fragmentos de digitais encontrados nos cartuchos da cena do crime de Marielle com as de parte dos 226 indiciados na CPI das Milícias. Marielle, à época assessora do deputado Marcelo Freixo, trabalhou na comissão que desestabilizou temporariamente alguns grupos paramilitares. Desde o início das investigações quase 50 pessoas foram ouvidas, incluindo doze vereadores da Câmara Municipal do Rio. Seis deles eleitos com votos de áreas sob domínio de grupos paramilitares. The Intercept Brasil investigou e publicou com exclusividade a movimentação de ao menos dois milicianos na Casa nos dias que antecederam o crime.

Anistia Internacional: 'Sociedade precisa saber quem matou Marielle e por quê'

A Anistia Internacional cobra as autoridades brasileiras pela resolução dos assassinatos da vereadora Marielle Franco (Psol-RJ) e do motorista Anderson Gomes, que neste sábado (14) completam um mês, sem qualquer avanço significativo no esclarecimento do crime. "A sociedade precisa saber quem matou Marielle e por quê", diz a diretora-executiva da organização no Brasil, Jurema Werneck, que acrescenta que a falta de resposta das autoridades aumenta o risco e as ameaças aos defensores de direitos humanos.  Em nota, a Anistia internacional exige "investigação imediata, completa, imparcial e independente que não apenas identifique os atiradores, mas também os autores intelectuais do crime".

Neste sábado, ativistas, militantes e apoiadores realizam, em pelo menos 80 cidades de oito países, o Amanhecer por Marielle e Anderson, que além de homenagear as vítimas, também cobra punição aos envolvidos no crime. "O Estado deve garantir que o caso seja devidamente investigado e que tanto aqueles que efetuaram os disparos quanto aqueles que foram os autores intelectuais deste homicídio sejam identificados. Caso contrário envia uma mensagem de que defensores de direitos humanos podem ser mortos e que esses crimes ficam impunes", afirma Jurema Werneck.

Para a organização, as características do crime indicam se tratar de um assassinato que foi cuidadosamente planejado, realizado por pessoas com treinamento. A Anistia assinala também que o Brasil é um dos países que mais mata defensores de direitos humanos. Segundo eles, só no ano passado, 58 defensores foram assassinados. "O assassinato de uma vereadora, defensora de direitos humanos, ativista dos movimentos LGBTI e das favelas, negra e lésbica tem, claramente, a intenção de silenciar sua voz e de gerar medo e insegurança. Mas vamos continuar levantando nossas vozes. Desde que Marielle foi morta, as pessoas no Brasil e em todo o mundo, se mobilizaram e não descansarão até que a verdade seja conhecida e a justiça seja feita. Eles tentaram nos calar, mas nós mostramos que não estamos com medo", conclui Jurema.

Assessora de Marielle e o marido deixam o Brasil por medo de represálias

Uma assessora da vereadora Marielle Franco (PSOL) e o seu marido deixaram o país por segurança. A assessora, que tem o nome mantido em sigilo, estava ao lado da vereadora no momento em que quatro tiros atingiram e mataram a parlamentar há um mês, na noite de 14 de março. Dos quatro , três atingiram o motorista Anderson Gomes. "A coisa de sobrevivente me marcou muito. Porque eu queria a Marielle viva. Porque eu queria o Anderson vivo. Porque sobreviver é uma coisa muito cruel. Por que eu preciso sobreviver? Que coisa horrenda é essa? Que violência é essa?" A declaração foi dada pela assessora ao Fantástico, em 18 de março passado, quatro dias após ao crime.

Na ocasião, a assessora contou que se disse "despedaçada" pelo que ocorreu: "Eu estou apavorada. Eu estou despedaçada". A assessora afirmou, na ocasião, ter ouvido uma rajada e não ter se dado conta, inicialmente, de que Marielle havia sido assassinada. A assessora pensava se tratar de um tiroteio na região por onde passava.

O caminho do carro

A Polícia Civil procura descobrir todo o trajeto do carro utilizado para matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, no dia 14 de março. Câmeras de monitoramento flagraram o carro em dois momentos no dia do crime - Itanhangá, na Barra da Tijuca e Tijuca, na Zona Norte. A polícia procura saber agora também o caminho percorrido pelo carro usado no crime depois das execuções, e se o veículo, após o assassinato na rua João Paulo I, voltou de ré e fugiu pela rua Joaquim Palhares em direção à Avenida Brasil. O veículo usado no crime é clonado. A reportagem conseguiu encontrar a compradora do Cobalt original, que foi ouvida na Divisão de Homicídios.

Crime completa um mês

Após um mês do crime, as famílias de Marielle e do motorista Anderson desabafaram sobre a falta de resultados das investigações até o momento: "Tentaram matar uma mulher, ressuscitaram a esperança. E agora a gente ganha mais voz. Porque a voz da Marielle não pode ficar calada com a destruição do corpo dela. Eles, na verdade, mataram a Marielle e deram um megafone para a gente. Para a gente gritar que não vai ficar dessa forma. Não vão nos calar dessa maneira. Então, eu acho que o recado que a gente vem reforçando, diariamente, é que a Marielle não vai ser mais um desses casos. Que isso vai ficar impune. A gente quer o responsável, que atirou e a gente quer, principalmente, quem mandou fazer porque isso é muito grave. O assassinato da Marielle foi um crime gravíssimo à democracia que está escorrendo entre nossas mãos", desabafou Mônica Benício, viúva de Marielle.

Reunidos, os integrantes da família de Anderson aguardam a solução do caso. "Que peguem quem fez isso. É o que a gente espera agora. O Anderson não vai voltar. A gente vai ter que se acostumar com a saudade, com a falta mas que não seja em vão, já que a maioria dos casos que a gente vê, que a gente tem conhecimento, é de não pegar quem cometeu o crime. E a gente só espera que solucione, tanto para ele e para a Marielle. Acho que é o que a gente espera agora", declarou Ágatha Aranaus, viúva de Anderson.

Chorando, a mãe de Anderson, se desesperou com a situação. "Eu não desejo que nenhuma mãe passe por isso. É uma dor muito grande", lamentou Severina Matias, mãe de Anderson.

Ex-caçador de milícias: “A estrutura desses grupos está mais forte do que nunca”

As milícias do Rio voltaram para o centro do debate da segurança pública no Rio de Janeiro após as mortes da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes. Marielle atuou como assessora do deputado Marcelo Freixo na elaboração do relatório da CPI das Milícias, feita pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, que agora completa dez anos. A CPI trouxe um mapeamento dos grupos criminosos que resultaria no pedido de indiciamento de mais de 200 pessoas, entre elas 67 policiais militares, nove policiais civis, dois cabos do Exército, bombeiros e agentes penitenciários, além de 130 civis, boa parte dos quais ex-policiais. Entre os citados nas conclusões da CPI, estão o Coronel Jairo (MDB), que ainda tem mandato de deputado estadual e em 2006 chegou a ser o parlamentar mais votado da zona oeste do Rio, além dos vereadores Zico Bacana (PHS) e Chiquinho Brazão (MDB).

Um dos responsáveis pela investigação sobre as milícias, que ganharia força com a CPI, é o delegado aposentado Claudio Ferraz, conhecido como “o caçador de milícias”, à época titular da Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas), de onde saiu em 2011. “Não voltaria para lá”, afirma. Franco e direto, em entrevista à Ponte, Ferraz afirma que as milícias nunca saíram de cena. “Elas não reapareceram. Elas sempre estiveram aí. O leão sempre esteve aí. Talvez agora mais forte ainda, com dentes saudáveis e afiados, unhas feitas”, dispara. “Podem até mudar os nomes, os atores, mas o núcleo, as estruturas que as sustentam [as milícias] continuam intactas”.

Sobre a prisão de 159 pessoas numa operação contra as milícias, em Santa Cruz, na zona oeste da capital, o delegado aposentado diz que tem acompanhado apenas pela imprensa e avalia que é preciso ser cuidadoso. “Investigação de milícia leva tempo, é preciso identificar as pessoas, entender como operam. Isso não é do dia para a noite”, afirma. “De qualquer forma foi uma ação ousada, dentro de uma área considerada de domínio dos milicianos e que quase culminou na prisão de seu líder máximo [Wellington da Silva Braga, o Ecko]”.

Para o delegado, a CPI deveria ter gerado um trabalho permanente de investigação e repressão. “Não existe organização criminosa que opere sem a anuência do Estado. Isso te falo sem medo algum. De um ou de vários atores do Estado em suas mais diversas esferas”, afirma. Ferraz alerta que, para entender as milícias, é preciso voltar os olhos para o transporte alternativo no Rio de Janeiro: “É a grande fonte de renda”. Quando saiu da delegacia especializada, Ferraz passou a integrar a coordenação de transporte complementar na Secretaria dos Transportes justamente para identificar as possíveis atividades criminosas que pudessem estar ocorrendo na clandestinidade. Aposentou-se há 60 dias.

 

Fonte: El País/RBA/G1/The Intercept/Municipios Baianos

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