17/04/2018

Golpe e Bolsonaro: cenário favorável à esquerda

 

O novo Datafolha mostra claramente o custo que o impeachment de Dilma Rousseff impôs para a centro-direita brasileira. Se algum candidato de esquerda conseguir deixar o pelotão intermediário e formular um discurso unificador e razoável, será o favorito para vencer no final do ano.

A intenção de voto de Lula caiu depois da prisão, mas ele ainda tem quase o dobro do segundo colocado. Que outro candidato ainda lideraria a pesquisa depois de ser preso? Os candidatos ligados ao governo Temer também manteriam a mesma intenção de voto que têm agora, mas a ciência política já provou que isso é bem mais fácil quando você começa com zero.

Na bolha conservadora, a explicação da persistência do voto lulista é que só a esquerda tem bandido de estimação. Filhão, não é que vocês não tenham bandido de estimação. Vocês não tem bandido que tenha voto, por isso precisam trocar de bandido o tempo todo.

Bolsonaro continua em segundo com um desempenho muito impressionante, mas parece ter atingido seu teto. Se continuar assim, pode ser o maior aliado da esquerda esse ano, dividindo o voto de Alckmin em São Paulo e barrando o crescimento da centro-direita.

Também é possível que, diante da perspectiva de uma vitória da esquerda, a centro-direita perca o pudor e feche com Bolsonaro. Seria mais fácil se Bolsonaro não fosse tão obviamente propenso a dar um autogolpe e fuzilar a centro-direita. De onde Bolsonaro está olhando, Alckmin, Lula, Boulos, são todos parte da conspiração comunista do Soros.

Se o talento de Marina Silva para construir partidos fosse 20% de sua capacidade de atrair votos, a Rede Sustentabilidade venceria a eleição presidencial no primeiro turno. O número de eleitores de Lula que migram para Marina mostra claramente que se, nos últimos anos, a candidata tivesse dito um mero “Oi, sumida” para a esquerda, levaria essa fácil. Talvez ainda leve.

Mas o grande teste para Marina acabou de chegar na cena. Joaquim Barbosa, que não fez campanha nenhuma e anunciou sua filiação ao PSB em um post do Facebook que só seus amigos podiam ler, já entra na pesquisa com quase 10%, mais do que a soma de todos os candidatos governistas acrescida de nove pontos percentuais.

Ciro Gomes começa a colher os frutos da estratégia que adotou até aqui. Ciro vinha fazendo um discurso bem próximo ao do PT, esperando atrair os órfãos do lulismo. Com Lula na campanha, era uma redundância, um quase nanico. Sem Lula, pula para níveis competitivos. Na verdade, a campanha de Ciro só começou para valer agora.

Assim como Marina ainda não sabe o estrago que Barbosa fará sobre sua candidatura, Ciro ainda não sabe o que acontecerá se o PT anunciar um candidato próprio, explicitamente apoiado por Lula.

E, finalmente, temos Alckmin. O ex-governador paulista, que acaba de escapar da Lava Jato daquele jeito maroto, entra na eleição com cartas muito ruins na mão. O PSDB é associado ao governo Temer, mas não tem a máquina federal a seu favor. E Bolsonaro já garante que os tucanos começam a eleição com metade de seu potencial de voto. Alckmin não está errando, mas a subida é íngreme.

A aliança entre o companheiro impeachment e o companheiro Bolsonaro cria um cenário favorável à esquerda. Vamos ver se os outros companheiros não o desperdiçam.

Racista é o .. da mãe, diz filho de Bolsonaro contra PGR

Um dos filhos do presidenciável Jair Bolsonaro, o deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSC-RJ), abespinhou-se com a procuradora-geral da República Raquel Dodge, que denunciou seu pai no Supremo pela prática do crime de racismo. Sem mencionar o nome de Dodge, o pesonagem explodiu no Twitter. Utilizou palavras de calão rasteiro.

”Racista é o cu da sua mãe, militante esquerdista nojento. Jair Bolsonaro foi forjado no quartel, lugar de gente decente, humilde, trabalhadora e cheio de negão!”, anotou o deputado. Na denúncia, Dodge evoca declarações feitas por Bolsonaro numa palestra no Clube Hebraica do Rio de Janeiro, em abril de 2017.

“Eu fui em um quilombola em El Dourado Paulista”, disse o presidenciável, numa das frases reproduzias pela procuradora-geral. “Olha, o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas”. Bolsonaro disse também que os quilombolas “não fazem nada”. Acrescentou: “Nem para procriador eles servem mais”.

No perfil da conta do Twitter em que fez a suposta defesa do pai, Flávio Bolsonaro injetou um ‘Negão’ entre o seu nome e o sobrenome. Ele se define nas redes sociais como reacionário. “Reajo a tudo que não presta, como a esquerda, por exemplo.” Tomado pela reação à denúncia da Procuradoria, o deputado converteu-se numa prova de que quem sai aos seus não endireita.

Mesmo com prisão de Lula, petistas consolidam favoritismo no Nordeste

Mesmo em meio a mais uma reviravolta com o principal líder, o ex-presidente Lula, governadores do PT no Nordeste já consolidaram liderança em busca da reeleição.

A desarticulação das oposições e a ausência de nomes competitivos nas urnas reforçou o favoritismo dos governadores petistas Rui Costa (Bahia), Camilo Santana (Ceará) e Wellington Dias (Piauí) na busca por um novo mandato, segundo a Folha.

Na Bahia, Rui se beneficiou da desistência de ACM Neto (DEM). Com isso, a oposição se esfaçelou e já tem três candidatos: João Santana (MDB), João Gualberto (PSDB) e José Ronaldo (DEM).

No Ceará, o governador Camilo Santana (PT) deve ir para a disputa sustentado por uma chapa heterodoxa com a presença de PT, PDT, MDB e até o DEM.

No Piauí, o governador Wellington Dias tentará um quarto mandato como governador do Estado, em uma chapa que deve inclui PP e MDB.

Além dos estados em que luta pela reeleição, petistas devem disputar os governos do Rio Grande do Norte, com a senadora Fátima Bezerra, e de Pernambuco, com a vereadora Marília Arraes, prima do ex-governador Eduardo Campos.

Eleição presidencial não vai tirar o Brasil da crise

Pesquisa do Datafolha divulgada não traz maiores novidades na corrida presidencial, em relação à pesquisa de janeiro, salvo a presença do ex-ministro Joaquim Barbosa como pré-candidato do PSB.

Como diz o ex-presidente FHC, Barbosa deixou uma “imagem positiva” no país, pois foi o primeiro negro a presidir o STF e o relator do processo do “mensalão”, que mandou para a cadeia os ex-ministro José Dirceu.

Porém, os nomes que estão no páreo não são o mais importante neste processo e sim uma particularidade para a qual a maioria dos brasileiros não está atenta: a falta de apoio do Congresso ao próximo presidente da República, seja ele quem for.

Num quadro fragmentando como o atual, com cerca de 20 pré-candidatos (em 1989 foram 23) e Lula fora da disputa, corre-se o risco de vermos no segundo turno candidatos que tenham obtido no primeiro cerca de 20% dos votos válidos. A menos que um dos finalistas se eleja no 2º com 60% dos votos válidos, o que lhe conferiria uma legitimidade inquestionável para encampar uma pauta de reformas, sendo a principal delas a da Previdência, o país continuará em crise, com um presidente com dificuldades para negociar com o Congresso e descobrindo aos poucos que o caminho menos ruim para traçar seu futuro é o parlamentarismo.  Ou seja, governo ruim é destituído de imediato pelo parlamento e se convoca novas eleições.

Institutos escondem a verdadeira pesquisa – a do voto espontâneo. Por Carlos Newton

Os institutos de pesquisa sempre procuram esconder (propositadamente, aliás) o mais importante indicativo desses levantamentos – o número de indecisos. A pergunta que vale é chamada de “intenção de voto espontânea”, na qual o entrevistador simplesmente indaga em quem o entrevistado pretende votar, sem exibir nenhuma lista de candidatos.

Desde o início das pesquisas o resultado tem sido impressionante. Segundo o Datafolha, na pesquisa anterior, 67% dos eleitores (dois terços) ainda não tinham escolhido o candidato ou pretendiam votar nulo ou em branco.

VOTO ESPONTÂNEO

Este dado é importantíssimo, mas os institutos de pesquisa tentam ocultar, jogam para debaixo do tapete, porque demonstram que os levantamentos ainda não indicam praticamente nada. Por isso, toda pesquisa eleitoral requer tradução simultânea.

Até agora, quando se divulga a mais recente pesquisa, não consegui este resultado da “tendência do voto espontânea” nem mesmo no site da Datafolha, onde só encontrei a pesquisa anterior, quando apenas um terço dos eleitores já havia escolhido candidato.

Segundo o comentarista José Augusto Aranha, nesta nova pesquisa Datafolha o petista Lula teria caído de 17% para 13%, enquanto Bolsonaro subira de 10% para 11%.

TRADUÇÃO SIMULTÂNEA

Já está ficando cansativo. Toda vez que é divulgada uma pesquisa, aqui na Tribuna da Internet somos obrigados a fazer o esclarecimento, pois os números demonstram que a disputa nem começou, porque somente um terço dos escolheu candidato, até agora.

Fiquei aguardando a resposta do nosso amigo Aranha, com os novos números do voto espontâneo, para atualizar este artigo. E a busca  feita por ele também foi decepcionante.

“O Datafolha esconde muito bem. Só encontrei na própria Folha a indicação de que há 21% de votos brancos e nulos, 46% não sabem, 13% apoiam Lula e 11% estão com Bolsonaro. Quanto aos 9% restantes, silêncio total”, respondeu Aranha.

APENAS UM TERÇO

Com a ajuda do amigo, é possível constatar que não mudou nada, pois 67% dos eleitores continuam indecisos ou pretendem votar nulo ou em branco.

Fica confirmada nossa tese de que a eleição não começou, está apenas engatinhando. Mas os petistas enfim começam a perceber que Lula não será candidato, pois os votos dele caíram de 17% para 13%, fora da margem de erro, que é de apenas 2 pontos.

É pena que os institutos de pesquisa escondam justamente os dados mais importantes. E o trabalho deles confirma a teoria de que “estatística é a arte de torturar os números até que eles confessem o resultado que pretendemos”.

Centro-direita depende de aproximação entre Alckmin, MDB e Maia

Desoladora é a pesquisa Datafolha para os dois possíveis candidatos do governo à Presidência. Michel Temer, que flerta com a possibilidade de reeleição, apresenta um teto de 2%. O seu ex-ministro Henrique Meirelles, que deixou há pouco a Fazenda, tem mísero 1%. Ambos são apontados como as apostas do MDB para disputar o Planalto em outubro. Recentemente, no ato de filiação de Meirelles ao partido, os emedebistas aproveitaram para inflar o nome de Temer.

Ficará difícil para a sigla definir quem será o candidato presidencial entre os dois se o critério de decisão for o desempenho em pesquisa. Nem Temer nem Meirelles dão sinais de fôlego eleitoral. Até a ideia de o ex-ministro da Fazenda ser vice do atual presidente soa a delírio sob perspectiva de intenção de voto.

SEM CHANCES

Se tem uma coisa de que o MDB entende (e muito) é expectativa de poder. É custoso acreditar que uma legenda de alta penetração nos rincões do país embarcará em uma candidatura à Presidência incapaz de ser competitiva e ter força de crescimento político-eleitoral.

Em cenário parecido se encontra o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Fracassaram nas ruas seus movimentos desde o começo do ano para tentar alavancar uma pré-candidatura presidencial.

Assim como Meirelles, o deputado aparece com 1%. Não surtiu efeito fora da Câmara, ao menos até agora, a aproximação dele com os partidos do fisiológico “centrão”.

APROXIMAÇÃO

O trio Temer, Meirelles e Maia é posicionado na centro-direita do espectro político. O Datafolha indica que a centro-esquerda se mexe razoavelmente e o principal candidato “puro” de direita, Jair Bolsonaro (PSL-RJ), continua bem colocado.

O tucano Geraldo Alckmin, único da centro-direita de certo modo competitivo, tem dificuldades para crescer. Parece inevitável uma aproximação entre Alckmin, Temer, Meirelles e Maia para que a centro-direita tenha chances reais de vitória.

 

Fonte: Por Celso Rocha de Barros, na Folha/Ação Popular/Folha/Municipios Baianos

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