17/04/2018

Médica explica o que ocorre ao corpo no fim da vida

 

Na minha humilde opinião, “morrer não é tão ruim quanto se pensa." Essa é a visão da morte por Kathryn Mannix, médica britânica pioneira em cuidados paliativos, que dedica sua carreira a tratar pacientes com doenças incuráveis nos últimos estágios de sua vida. Para a autora do livro With the End in Mind: Dying, Death, and Wisdom in an Age of Denial ("Com o fim em mente: morrer, morte e sabedoria na era da negação", em tradução livre), a sociedade nos leva a evitar falar desse processo e a substituir a palavra "morte" por eufemismos. E isso torna muito mais difícil lidar com a perda de um ente querido, argumenta Mannix.

A BBC Ideas, plataforma da BBC que explora ideias questionando verdades estabelecidas, traz seu depoimento: "Nós deixamos de falar sobre a morte. Deixamos de usar a palavra 'morrer' e passamos a usar outras similares.

Em vez de 'morto', dizemos 'falecido'. Em vez de dizer que alguém está morrendo, dizemos que ele está 'muito doente'. Quando se usam essas palavras, as famílias não entendem que está se aproximando o momento da morte. Isso é um grande problema porque, quando a família está junto ao leito de alguém prestes a morrer, não sabe o que dizer entre si ou para o próprio doente, que também não sabe o que dizer ou o que esperar. Trata-se de uma cena marcada por tristeza, ansiedade e desesperança. E, na minha humilde opinião, não precisa ser assim.

Acho que perdemos a imensa sabedoria humana de aceitar a morte de um modo normal. Acho que é hora de voltar a falar da morte e recuperar essa sabedoria.

Como é morrer normalmente? Assim como nascer, é apenas um processo. Gradualmente, a pessoa vai se cansando, se esgotando.

À medida que o tempo passa, ela vai dormindo mais, passa menos tempo acordada. A família pode ir aprendendo sobre os melhores momentos para dar os medicamentos (ao paciente) ou deixar as visitas entrarem. Pode acontecer de visitantes ou familiares encontrarem o paciente dormindo. E muitas vezes pode estar acontecendo uma mudança que é pequena, porém muito significativa. É que, em vez de estar dormindo, a pessoa pode estar temporariamente inconsciente. Não podemos acordá-la nem dar a ela o medicamento. Não podemos dizer que chegou uma visita. Ainda assim, quando ela acorda, ela conta que teve um bom sono. Então ficamos sabendo que esse estado de coma não foi aterrorizante. Simplesmente não percebemos esse lapso à inconsciência no momento em que ele ocorre. À medida que o tempo passa, essa pessoa passa menos tempo acordada, mais tempo dormindo, até que, no final, fica inconsciente o tempo todo. Essas pessoas estão tão relaxadas que nem se darão ao trabalho de pigarrear, limpando a garganta, então pode ser que a respiração passe por pequenas quantidades de muco ou saliva na parte de trás da garganta. Isso pode causar um ruído estranho, que muitos chamam de 'estertor da morte' ( death rattle , em inglês).

As pessoas falam desse som como se fosse algo terrível, mas esse som, na verdade, me diz que o paciente está tão profundamente relaxado, e em um estado de consciência tão profundo, que sequer a saliva na garganta o incomoda enquanto as bolhas de ar entram e saem dos pulmões. Então, bem no finzinho da vida, haverá um período de respiração superficial, e uma expiração que não será seguida por uma inspiração. Às vezes é algo tão suave que os familiares sequer percebem.

Por isso, a morte normal é realmente um processo tranquilo - algo que podemos reconhecer, para o qual podemos nos preparar e algo com o que podemos lidar. E isso deveria ser algo a ser celebrado. Algo com o que podemos nos consolar uns aos outros. Mas por muitos considerarem indelicado falar sobre a morte, isso virou, de fato, o segredo mais bem guardado da medicina. Por isso, na minha opinião, morrer é algo que deveríamos recuperar, algo sobre o que deveríamos falar e nos consolar mutuamente."

Sociedades médicas divulgam orientações sobre vacinação contra a febre amarela

Quatro entidades médicas divulgaram uma nota técnica para esclarecer alguns pontos sobre a vacinação contra a febre amarela. O objetivo é dar segurança aos médicos e outros profissionais da saúde envolvidos na orientação da população brasileira para aumentar a adesão à vacinação contra a febre amarela.

Os documentos são assinados pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT), Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). A nota técnica inclui um protocolo inédito para orientar os profissionais que atuam na triagem sobre quem pode ou não ser vacinado.

O guia contém perguntas sobre o uso de medicamentos, presença de determinadas enfermidades e histórico de alergia grave ao ovo ou a algum dos componentes da vacina. Entre os grupos que não devem ser vacinados estão crianças menores de 6 meses de idade, pacientes com reação de hipersensibilidade grave a algum componente da vacina, pacientes em uso de medicamentos biológicos em geral, pacientes em uso de medicamentos imunossupressores e pessoas com história de doença do timo.

Já para os chamados grupos de precaução, a recomendação da vacina de febre amarela precisa ser analisada previamente pelo médico ou profissional da saúde. “Isto acontece naquelas situações em que a contraindicação não deve ser generalizada para todos, mas merece cuidado na avaliação dos riscos (possibilidade de se infectar versus possibilidade de evento adverso grave e os benefícios para seu paciente quando o risco de se infectar é maior que o risco de evento adverso grave)”, informa o documento.

São considerados grupos de precaução: pessoa com doenças imunossupressoras ou em tratamento com medicamentos imunossupressores, gestantes, pessoas maiores de 60 anos de idade, mulheres amamentando lactentes com menos de 6 meses de idade, pessoas que vivem com HIV/Aids e pessoas com doenças autoimunes, como lúpus, doença de Addison e artrite reumatoide.

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil confirmou 1.127 casos e 331 óbitos entre 1º julho de 2017 a 10 de abril deste ano. Os estados do Rio de Janeiro, Bahia e São Paulo estão com a cobertura abaixo da meta, que é de 95%, e 10 milhões de pessoas ainda precisam se vacinar contra febre amarela.Insira o corpo da noticia aqui.

Profissionais de saúde sabem pouco sobre Doença de Chagas, diz estudo

Um estudo desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz em parceria com a organização Médico Sem Fronteiras (MSF), mostrou que profissionais de saúde sabem pouco sobre métodos de diagnóstico e tratamento da Doença de Chagas no Brasil. O resultado da pesquisa foi divulgado na Universidade de Brasília às vésperas do Dia Mundial de Combate à Doença de Chagas, lembrado neste sábado (14).

Entre os profissionais de unidades básicas de Saúde ouvidos em seis municípios brasileiros, apenas 32% conheciam os procedimentos de diagnóstico da doença. Quando questionados sobre o tratamento da doença, 41% afirmaram saber que existe um medicamento específico para a doença, mas somente 14% sabiam dizer o tipo de medicamento indicado.

O epidemiologista da Unidade Médica Brasileira do Médico Sem Fronteiras, Juan Carlos Cubides, explicou que o objetivo do estudo era justamente mostrar a negligência com a doença de Chagas no país e documentá-la, pois faltam números oficiais sobre o problema.

Segundo ele, o resultado do estudo demonstra a invisibilidade da doença nas unidades básicas de saúde. “Muitas vezes o médico tem um paciente com sintomas de Chagas mas ele não pensa na doença. Não sabe fazer o diagnóstico e nem que medicamento utilizar”, disse. “Isso contrasta fortemente com o que acontece nos Centros de Referência, obviamente, onde 90% dos profissionais conhecem os testes de diagnóstico e o tratamento indicado.”

Usuários

O levantamento foi feito com profissionais de saúde, gestores e usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) em seis cidades brasileiras com histórico de casos de Chagas ou que têm centros de referência para o tratamento da doença e demonstrou que entre os usuários também há muita desinformação. Entre os 177 usuários das unidades básicas ouvidos, que não têm a doença, menos de 30% sabiam que é possível curar a doença na fase aguda. No total, foram entrevistadas 269 pessoas, sendo 230 usuários do SUS, 53 pessoas afetadas por Chagas e 39 profissionais de saúde e gestores.

Negligência

A analista em Assuntos Humanitários do MSF, Vitória de Paula Ramos, destacou que a doença de Chagas faz parte da lista de doenças negligenciadas da Organização Mundial da Saúde. “As doenças negligenciadas como um todo fazem cada vez menos parte dos currículos das universidades, então os próprios profissionais de saúde desconhecem o tema”, disse.

Ela explicou que essas doenças afetam populações também negligenciadas, que vivem em situação de pobreza e que têm acesso escasso a cuidados com a saúde. “Além disso, existem poucos recursos para pesquisas e desenvolvimento de novos medicamentos e formas de diagnóstico. Essas doenças são muitas vezes esquecidas nas políticas públicas, há poucas políticas para endereçar e resolver o problema dessas doenças. Algumas podem ser erradicadas, outras não, mas todas podem ser pelo menos controladas, como é o caso da doença de Chagas.”, explicou.

Segundo Vitória, o Brasil evoluiu muito no que diz respeito a frear a transmissão da doença, mas agora precisa avançar no diagnóstico: “Foram feitos muitos esforços em relação ao controle do vetor que transmite a doença, o inseto conhecido como Barbeiro, então nas últimas décadas teve esse investimento muito grande, porém nunca foi dado o segundo passo, que é dar atenção a essas pessoas que foram infectadas há décadas e aos novos casos também.”

Vitória Ramos esclareceu que atualmente ainda há novos casos registrados no país, especialmente pela transmissão oral, que ocorre por ingestão de alimentos contaminados. “É muito menos expressivo do que já foi um dia, mas ainda existe. O que estamos pedindo agora é que as políticas se voltem para as pessoas afetadas por Chagas, que essas pessoas possam ser diagnosticadas e tratadas na atenção básica de saúde.”

A doença

A estimativa da Organização Mundial da Saúde é de que hoje entre 6 e 8 milhões de pessoas no mundo estão infectadas. No Brasil, de acordo com dados do Ministério da Saúde, entre 1,9 milhão e 4,6 milhões de pessoas são afetadas pela doença de Chagas e cerca de 6 mil morrem anualmente devido a complicações crônicas.

A cardiologista Andréa Silvestre de Sousa, pesquisadora em Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz, explicou que a doença de Chagas é uma doença infecciosa causada por um parasita, o protozoário Trypanosoma cruzi, que entra na corrente sanguínea. A doença tem duas fases bem definidas, uma aguda, muitas vezes assintomática, e uma crônica. “Se a doença for diagnosticada na fase aguda há chances de cura com o tratamento”, explicou.

O medicamento usado para o tratamento de Chagas é o mesmo usado há décadas. “Como é uma doença negligenciada, ainda se usa o mesmo remédio que foi desenvolvido na década de 1960, o benzonidazol, mas é importante destacar que ele pode curar ou diminuir as taxas de progressão da doença para a fase crônica”, disse. Se a doença não for tratada, o paciente pode permanecer com o parasita no sangue por décadas de forma latente, sem nenhum sintoma e sem saber que está infectado. “A pessoa não sabe que está infectada, desconhece as consequências da doença caso se torne crônica e não busca esse diagnóstico, até passar para a fase crônica.”

Na fase crônica e sintomática da doença, o indivíduo pode desenvolver cardiopatias e manifestações digestivas, como problemas no esôfago e no intestino. Mas a cardiologista garante que apesar de a cardiopatia causada por Chagas ser muito temida pelo senso comum, ela pode ser tratada e, mesmo que não haja cura, a pessoa infectada pode ter qualidade de vida por muitos anos.

Diagnóstico

“Se a pessoa tem na família casos da doença de Chagas, se viveu em condições de risco no passado em áreas endêmicas da doença no Brasil, deve procurar fazer o exame”, recomenda Andréa Silvestre de Sousa. O diagnóstico é feito por meio de exames de sangue específicos para as fases aguda e crônica. A médica explicou que apesar de a fase aguda ser muitas vezes assintomática, os profissionais de saúde e a população devem considerar o histórico epidemiológico para solicitar o exame. “O Brasil avançou no controle da transmissão. Se a gente controla hoje, é porque sabemos que milhões de pessoas foram infectadas nas décadas passadas e hoje estão vivendo com a doença, muitas vezes sem saber. É preciso disponibilizar o diagnóstico através da busca ativa de casos de pessoas que têm uma história epidemiológica positiva, assim como parentes de pessoas que viveram nessas mesmas condições de vulnerabilidade social, condições inadequadas de moradia, filhos de mães com doença de Chagas, já que existe também uma transmissão congênita. Enfim, é preciso buscar esses casos”, disse Andréa.

Além disso, a médica destaca a importância de os profissionais de saúde serem amplamente orientados. “Também é preciso ter um grau de suspeição diagnóstica entre os próprios médicos, porque as vezes eles estão diante de uma cardiopatia e se esquecem da Chagas como uma possível etiologia base e que demanda intervenções mais específicas”, disse.

 

Fonte: BBC Brasil/Agência Brasil/Municipios Baianos

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