17/04/2018

Entenda os diferentes tipos de vírus da gripe que circulam pelo Brasil

 

Este ano, até 7 de abril, o Brasil contabilizou 286 casos de influenza, comumente conhecida como gripe. Desse total, 117 casos e 16 óbitos foram provocados pelo vírus H1N1, responsável pela pandemia de 2009. Já o H3N2, menos conhecido, registrou, até o momento, 71 casos e 12 mortes no país. Há poucos meses, uma mutação desse mesmo vírus provocou a morte de centenas de pessoas no Hemisfério Norte, sobretudo nos Estados Unidos.

Em entrevista à Agência Brasil, o infectologista e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri, explicou que a principal característica do vírus influenza é sua capacidade de sofrer pequenas mutações e causar epidemias que atingem entre 10% e 15% da população mundial todos os anos. Para o especialista, entretanto, não há motivo para pânico.

Às vésperas do início da temporada de inverno no Brasil, ele alertou para a importância da vacinação, sobretudo para os que integram os chamados grupos de risco. "Assim que a campanha começar, as pessoas devem procurar a vacina e se proteger antes da entrada da estação do vírus", explicou.

O Ministério da Saúde informou que a Campanha Nacional de Vacinação Contra a Gripe deve começar na segunda quinzena deste mês. Idosos com mais de 60 anos, crianças de 6 meses a menores de 5 anos, gestantes, puérperas (mulheres com até 45 dias pós-parto), trabalhadores da área de saúde, professores, detentos, profissionais do sistema prisional e indígenas compõem o público-alvo.

  • Confira os principais trechos da entrevista com o especialista:

Agência Brasil: Quais vírus do tipo influenza circulam no país neste momento?

Renato Kfouri: Existem dois grandes tipos de vírus influenza que acometem humanos: A e B que, por sua vez, possuem diversos subtipos. Eles sofrem pequenas variações todos os anos e é essa capacidade de fazer mutações leves que os faz chegar, no ano seguinte, causando uma epidemia, como se a população não reconhecesse aquilo como uma doença que já teve e acabe adoecendo novamente.

O Brasil é um país continental e, por essa razão, temos variações em relação aos subtipos de influenza que circulam neste momento. Goiânia, por exemplo, abriu a temporada com predomínio de circulação de H1N1. Já em São Paulo, temos casos confirmados e, inclusive, óbitos relacionados ao H3N2. Há, portanto, dentro de um país tão grande quanto o nosso, variações de regiões onde a epidemia anual pode se dar com mais intensidade por um tipo de vírus ou por outro.

A exemplo do Hemisfério Norte, teremos, no Brasil, uma situação fora do comum?

A cada ano, a gente experimenta estações de vírus influenza por vezes mais graves, por vezes mais simples. Este ano, ainda estamos começando nossa temporada. Ainda há poucos casos para se chegar à conclusão de que será uma temporada de predomínio de uma ou de outra variante e com que gravidade.

No Hemisfério Norte, o que circulou na última temporada foi um H3N2 que tinha sofrido uma mutação maior em relação à circulação de anos anteriores e foi, talvez, desde a pandemia de 2009, a pior temporada de influenza que o hemisfério e, especialmente, os Estados Unidos vivenciaram. O que não quer dizer que isso vai se dar também aqui na América Latina. As temporadas dependem muito da migração do vírus, das condições climáticas. Só o acompanhamento da evolução desses casos nos permitirá dizer se essa será uma temporada de predomínio de circulação de H1N1 ou de H3N2.

Quais as diferenças entre os dois tipos de vírus e qual pode ser considerado mais grave?

Não há diferença clínica ou uma série histórica de infecções mais graves por um tipo de vírus ou por outro. Isso depende dessa variação que comentamos. Um vírus que muda muito tende a ser muito diferente e a trazer infecções mais sérias porque não encontra uma memória de proteção na população por exposições anteriores.

Depende muito do tipo de vírus que vai circular. Se houver predomínio de um H3N2 ou um H1N1 muito diferente do que vem circulando até então, as chances de encontrar uma população ainda não exposta e fazer doenças mais graves é maior. Isso teremos que acompanhar durante a estação.

Como fica a vacinação contra a gripe em meio a todo esse cenário?

Temos casos de influenza registrados durante todo o ano no Brasil, mas a grande concentração se dá agora, final do outono e começo do inverno. Por isso, a vacinação é feita exatamente nessa época que precede a estação do vírus. Vamos vacinar no final de abril esperando que, em maio, a população esteja imunizada. Geralmente, de maio a julho é o período de maior circulação do vírus, mas isso é muito variável de ano para ano. Às vezes, começa um pouco mais cedo, às vezes, um pouco mais tarde. Não é uma coisa matemática.

Não há que se ter pânico. Há sim que se vacinar – especialmente aqueles pertencentes a grupos de risco, onde a vulnerabilidade os torna casos com maiores chances de evoluir com gravidade. Assim que a campanha começar, as pessoas devem procurar a vacina e se proteger antes da entrada da estação do vírus. Para os que não pertencem aos grupos de risco e não têm a vacina gratuita, a orientação é procurar os serviços particulares e já se imunizar.

Há outros cuidados a serem tomados na prevenção de casos de gripe?

Além da vacinação, as maneiras importantes de prevenção do vírus da gripe incluem a lavagem frequente de mãos; se estiver doente, evitar ambientes aglomerados e o contágio para outras pessoas; usar sempre lenços descartáveis e desprezar esses lenços; cobrir a boca quando tossir com o antebraço, evitando, com isso, a disseminação do vírus; na impossibilidade da utilização de água e sabão, usar o álcool em gel, que tem uma boa ação para limpeza das mãos; crianças devem ser amamentadas e, se possível, frequentar creches mais tardiamente; não se expor ao cigarro, seja de forma ativa ou como fumante passivo, já que a fumaça é um irritante das vias aéreas e facilita a entrada dos vírus. Esses cuidados são muito importantes também para a prevenção da gripe.

Sobe para seis o número de mortes pela gripe H1N1 na Bahia

Subiu para seis o número de mortes na Bahia pela gripe H1N1. A vítima mais recente é um idoso de 61 anos que foi internado no Hospital Municipal de Serrinha no dia 10 de abril, mas não resistiu e morreu no dia seguinte. A confirmação da doença só foi possível na última sexta-feira (13), após o resultado do exame realizado no Laboratório Central (Lacen).

Há uma mulher de 23 anos internada no mesmo hospital que também já teve o diagnóstico da H1N1 confirmado. No entanto, de acordo com o diretor regional de saúde do núcleo Centro-leste, responsável por 72 municípios nas regiões de Feira de Santana, Serrinha, Seabra e Itaberaba, Edy Gomes, ela apresenta quadro estável e não corre risco de morte."O idoso apresentava febre muito alta, dores no corpo, dor de cabeça e coriza. Na H1N1, a febre muito alta é bem característica", explicou Gomes.

De acordo com o Ministério da Saúde, este ano, até o dia 7 de abril foram registrados 5 casos de H1N1 no estado. A  Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), no entanto, contesta o dado. Segundo a pasta, 36 pessoas foram infectadas com o vírus H1N1, sendo que quatro delas morreram no estado. A Bahia aparece em segundo lugar entre os estados onde o H1N1 mais matou pessoas. O primeiro lugar é de Goiás, com 9 óbitos.

O vírus influenza é uma infecção viral aguda do sistema respiratório, de elevada transmissibilidade e distribuição global. Uma pessoa pode contraí-la várias vezes ao longo da vida e, em geral, tem evolução autolimitada. Porém, em alguns casos, pode evoluir para uma forma grave. Os vírus influenza são transmitidos facilmente por pessoas infectadas ao tossir ou espirar.

Existem três tipos de vírus influenza: A, B e C. O tipo C causa apenas infecções respiratórias brandas, não possui impacto na saúde pública, não estando relacionada com epidemias. O vírus influenza A e B são responsáveis por epidemias sazonais, sendo o vírus influenza A responsável pelas grandes pandemias.

Mais gripe na Bahia

Se considerados todos os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), são 18 mortes na Bahia em 2018, de um total de 215 pessoas infectadas. Ainda segundo o órgão, três pessoas foram infectadas pelo vírus H3N2 e uma delas morreu.

Os números registrados no mesmo período do ano passado - até a primeira semana de abril - são menores na Bahia. Foram 171 casos de Sídrome Respiratória Aguda Grave, que resultaram em 15 mortes, nenhuma delas pelos vírus H1N1 ou H3N2.

Campanha de vacinação

A Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe começa no próximo dia 23 de abril. Em Salvador, costuma ser oferecida em 126 salas de vacina do município. Esse ano, os grupos prioritários são pessoas com 60 anos ou mais; crianças de seis meses a menores de cinco anos; gestantes e puérperas (mulheres até 45 anos dias após o parto); trabalhadores da saúde; professores; indígenas; portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas; adolescentes e jovens de 12 a 21 anos de sob medidas socioeducativas; população privada de liberdade e funcionários do sistema prisional.

A vacina que vai ser distribuída pelo governo é a trivalente, que cobre os três sorotipos: H1N1, H3N2 e o influenza do tipo B Yamagata. Segundo o Ministério, a composição da vacina é feita pela  própria Organização Mundial de Sáude (OMS), que reúne e analisa as informações enviadas por centros de vigilância de todos os países.

Quem não participa desse grupo, pode se vacinar de forma particular, com preço que varia de R$ 100 a R$ 200. Nesse caso, é possível se imunizar com a vacina quadrivalente, que cobre quatro subtipos: H1N1, H3N2, B Yamagata e B Victoria.

“A vacina trivalente  é suficiente e eficaz para nosso país, porque na nossa região não existe o sorotipo que está na quadrivalente, como em outros locais”, diz Bastos.

Combate

A estudante de jornalismo Lyane Menezes, 26 anos, está gripada há uma semana e meia. Ela conta que sempre fica doente por causa da mudança das estações. “Toda vez que a estação muda, eu fico gripada. Dessa vez, eu estou com bastante dor no corpo. Já precisei faltar uns três dias de aula”, contou ela. Apesar das dores, Lyane ainda não foi ao médico. Ela disse que está tomando analgésicos em casa.

A atitude de da estudante é reprovada pela médica infectologista Nanci Silva. Segundo Nanci, as pessoas que tiverem com a doença devem procurar um hospital.

“Uma coisa é estar resfriado e outra coisa é estar gripado. A gripe tem um potencial maior por causa da gravidade da insuficiência respiratória, da febre e do mal estar. Por isso, o paciente precisa procurar assistência médica”, aconselha.

De acordo com o infectologista Claudilson Bastos, a transmissão da gripe pode ocorrer por secreções ou vias respiratórias. “A transmissão ocorre de pessoa pra pessoa, ao falar, tossir e ao espirrar ou também pelo contato pessoal”, explica. Por conta disso, quem deseja fugir da gripe precisa adotar medidas como lavar as mãos, além de evitar contato com objetos pessoais.

Para tratar a gripe, o paciente deve repousar e beber água. Já a medicação deve seguir recomendação médica.

 

Fonte: Correio/Municipios Baianos

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