17/04/2018

Bahia sedia evento para debater a economia criativa

 

Somadas, as atividades que têm ideias como capital principal geram na Bahia por ano cerca de R$ 2,5 bilhões em riquezas. É a chamada economia criativa. Isso representa 1% do PIB do estado. Em São Paulo, que tem o maior mercado de criação do país, esse percentual é de 3,9%, segundo o mapeamento da indústria criativa feito pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Fierj).

São pessoas produzindo cenários para filmes, escrevendo peças de teatro, gravando jingles para comerciais. Uma infinidade de atividades criativas que nem sempre têm uma noção do quanto cobrar pelo seu trabalho, cujo valor é calcado na subjetividade. Esse assunto, aliás, é um dos temas que serão abordados durante os eventos do Dia Mundial da Criatividade, 21 de abril, que terá oficinas em 16 cidades, inclusive Salvador.

“Às vezes o cliente pergunta como vou cobrar tal preço por um serviço que demorou 40 minutos. A questão é que para fazer um bom trabalho nesse tempo é preciso ter anos de experiência, conhecimento acumulado”, explica a cenógrafa Renata Matos.

Ela é responsável desde 2014 pela ambientação da Fliquinha, a programação infantil da Festa Literária Internacional de Cachoeira, a Flica, e se tornou um dos nomes mais requisitados da cidade nesse setor. Atualmente, Renata trabalha na nova temporada do programa Brasil Orquestral, na Caixa Cultural.

Apesar das incertezas para quem vive de arte, ela não se queixa da demanda. “Nos dois últimos anos, enquanto todo mundo se queixava da falta de trabalho, eu fiz bastante coisa”, declara.

Se ainda é difícil receber remuneração justa na economia criativa, as possibilidades de criação de novos serviços parecem amplas.

“A criatividade tem sido apontada por diversos profissionais e estudiosos como uma das mais importantes características que temos”, afirma a designer Lívia Fauaze, coordenadora local do Dia Mundial da Criatividade. Para ela, é preciso desmistificar a noção de que a criação está sempre ligada às artes. “A criatividade às vezes surge de algo bem simples”, afirma.

Lívia foi convidada para coordenar o evento em Salvador por Lucas Foster, criador e diretor-executivo do ProjectHub, empresa baseada em São Paulo e que foi primeira rede brasileira a conectar boas ideias com empresários dispostos a bancá-las, os chamados investidores-anjo. O ProjectHub tem cerca de oito mil empreendedores cadastrados, inclusive baianos, como o La Frida Bike Café, empreendimento social voltado para o desenvolvimento de mulheres negras do subúrbio.

“Salvador tem um povo muito criativo e está em condições de empatar ou mesmo ultrapassar Recife como lugar de inovação”, afirma Foster.

Por apostar nisso, o Circo Picolino lançou no início do mês passado a Universidade Livre de Artes do Circo, um espaço em que é possível estudar técnicas circenses para profissionais que atuam em outras áreas, como o cinema, a TV e o teatro. “Oferecemos oficinas de palhaçaria, acrobacia e equilíbrio, técnicas tradicionais do circo”, explica Apoena Serrat, idealizadora do projeto, que fará parte de uma mesa na programação do Dia Mundial da Criatividade em Salvador.

Registro profissional

Uma questão que preocupa Apoena é a possibilidade de que a profissão de artista deixe de ser regulamentada. Uma mudança que traria ainda mais incerteza a uma classe profissional que normalmente atua sem muitas garantias de retorno financeiro. A Procuradoria Geral da República (PGR) enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF 293) que questiona a profissão de artista. A ADPF deve ser votada no próximo dia 26, junto com outra (183) que questiona a profissão de músico.

“É extremamente grave. O registro profissional garante à classe direitos significativos. Vai ser muito mais complicado realizar e captar recursos”, diz Apoena.

“Extinguir a necessidade de registro profissional, entre tantas implicações, reflete que este assunto e a cultura de modo geral não é de interesse e prioridade do atual governo”, completa Lívia.

Criado em 2011, o Dia Mundial da Criatividade era comemorado até o ano passado em novembro. Por decisão da ONU, a partir deste ano comemora-se a Semana Mundial da Criatividade a partir de 15 de abril, data do nascimento do inventor e artista Leonardo da Vinci, terminando a semana no dia 21 de abril, escolhido para centralizar as atividades comemorativas em várias partes do mundo.

  • PROGRAMAÇÃO DO EVENTO

Tropos (Rio Vermelho) - A arte como meio de empreendedorismo (9h30 - 12h); O papel da criatividade nos negócios sociais (13h30 - 15h30); Criatividade e originalidade: encontrando a diferenciação no mundo hiperconectado (16h - 17h30)

Rede + (Barra) - Manhã: (9h - 12h30) Oficina de escrita criativa e oficina de fonte criativa PPT; Tarde: (14h - 17h30) Oficina carimbos e oficina bullet journal

Eba (Canela) - Mesa Processos criativos nas artes e no design (13h - 15h). Antes e depois da mesa, há uma intervenção artística com mágicos. Oficina de stick e lambe, microintervenções cotidianas, colagem e carrinho multimídia

Inscrições para o evento em salvador e outras cidades: www.worldcreativityday.com

População de idosos impulsiona criação de negócios segmentados

A população idosa é um dos grupos populacionais que mais crescem no país. Em outubro de 2017 havia 54 milhões de brasileiros com 50 anos ou mais, e até 2045 deve chegar a 93 milhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Esse grupo está em busca de qualidade de vida, tem renda própria e tempo para consumir e está motivando a criação de ações de venda e novos negócios voltados especificamente para o segmento. Setores como lazer, saúde e bem-estar, beleza e turismo estão sendo impactados por esse público sênior, que busca por muito mais que casas de repouso e assistencialismo.

“Estamos quebrando esse paradigma de que idoso só precisa de fisioterapeuta, cuidador, serviços médicos. As pessoas estão vivendo mais e mudando seu ritmo de vida, buscando fazer exercícios, se alimentar bem, cuidar da aparência, viajar”, conta Anderson Teixeira, consultor do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

A gerontologista Eva Pellegrino investiu nesse mercado e criou há 20 anos a Interativa Viagens, agência de turismo especializada no público acima dos 50 anos. Eva chega a atender clientes com até 90 anos que não querem saber de envelhecer em casa e tem observado um aumento no público de seu negócio.

“Nos últimos 10 anos a procura aumentou muito, e tivemos que criar novos roteiros e viagens, mais caros e mais baratos, para atender vários perfis de cliente”, conta Eva. A agência hoje trabalha com cerca de dois roteiros por mês, com valores entre R$ 677 e R$ 13 mil.

A Interativa tem sido procurada por idosos de várias faixas etárias, atraídos pela possibilidade de viver novas experiências e fazer amigos. Promover a socialização dos viajantes, que muitas vezes buscam fugir da solidão, é um dos trabalhos dos guias. “Sempre buscamos fazer dinâmicas para ajudá-los a se conhecer e socializar. Criamos grupos no WhatsApp e ensinamos eles a manter contato nas redes sociais”, diz Eva.

O cuidado e a atenção conquistaram clientes fiéis, que retornam buscando novos roteiros. Dentre os roteiros mais procurados estão as viagens de São João, como a cidade de Rio de Contas, na Chapada Diamantina, que possui uma famosa festa de Corpus Christi, e os resorts.

O público sênior também tem sido um dos alvos da BEX Intercâmbio Cultural, que criou pacotes específicos +40 e +50 anos, com turmas de idiomas e passeios voltados para as idades. “Tivemos um aumento de 50% na procura da terceira idade. É um público que não quer aprender inglês para o trabalho, ou para pôr no currículo, eles buscam realização pessoal”, conta Flávio Crusoé, diretor da BEX em Salvador.

Na agência, a procura maior do público sênior tem sido por cursos de inglês, em destinos como Malta, Canadá e Austrália. “Achávamos que eles iriam preferir locais como Londres ou Roma, mas a maioria já conhece. São viajantes experientes que buscam algo novo”, diz o diretor.

Os clientes também têm surpreendido na academia Infinity, que criou planos exclusivos para a terceira idade, com passe livre para todas as modalidades da academia. “Não queríamos restringir eles. O mais comum é sugerirem hidroginástica para idosos, e muitos chegam aqui achando que só podem fazer isso e se descobrem em outras aulas”, diz Cláudia Germano, gerente comercial da academia. Modalidades como dança, pilates, e até mesmo musculação têm sido procuradas pelo público.

  • O PÚBLICO NA TERCEIRA IDADE

Exigente - Experiente, o público sênior é mais cauteloso em suas compras e busca produtos e serviços de alta qualidade, mesmo que precise gastar mais. Ele também gosta de serviços personalizados e especializados

Cuidadoso - Em média, os idosos vão a lojas com menos frequência e preferem tocar nos produtos e observar bem antes de comprar. As lojas físicas ainda são preferidas por esse público, que prefere ter certeza do que está adquirindo

Informado - O consumidor idoso costuma ler rótulos e gosta de checar informações e tirar dúvidas. Um bom atendimento é essencial para conquistar esse cliente, que gosta de conhecer o produto e a marca

Fiel - Quando encontra um produto ou serviço de qualidade, o consumidor na melhor idade tem maior tendência a se manter fiel à marca, cultivando o hábito de consumir em alguns poucos lugares regularmente

Antenado - Muitos cidadãos seniores estão se dando bem com as novas tecnologias, estão aprendendo a usar a internet e utilizam smartphones e redes sociais. Lojas online especializadas no público +50 são uma tendência para o futuro

 

Fonte: A Tarde/Municipios Baianos

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