17/04/2018

Quem vai ficar com o espólio eleitoral de Lula?

 

Sem o ex-presidente, tendência é de pulverização. Em um primeiro momento, Marina é a maior beneficiada, mas saída do petista abriria possibilidades para outros nomes, como Joaquim Barbosa, que começa a despontar.Favorito nas eleições presidenciais deste ano, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou mais distante de ver sua candidatura vingar após ser condenado em segunda instância em janeiro, o que o colocou na rota da Lei da Ficha Limpa.

Preso desde o dia 7 de abril, o petista também arrisca nem sequer participar da campanha eleitoral. Oficialmente, o partido ainda mantém o ex-presidente como pré-candidato e se agarra ao lema "eleição sem Lula é fraude". Nos bastidores, no entanto, alguns membros da sigla já começam explorar silenciosamente cenários em que a candidatura do petista será mesmo barrada. Estão sendo estudadas alternativas como a substituição de última hora de Lula pelo ex-prefeito Fernando Haddad ou pelo ex-governador Jaques Wagner ou até mesmo uma aliança com o pré-candidato à Presidência pelo PDT, Ciro Gomes. Tudo isso para tentar segurar junto ao partido as intenções de voto de Lula, que passam de 30%, segundo várias pesquisas.

Dispersão e anulação

Mas o PT vai enfrentar dificuldades de segurar esses eleitores. Os cenários sem Lula, por enquanto, indicam dispersão dos votos entre vários candidatos - alguns até mesmo de tendência ideológica oposta ao petista - e um aumento gritante de votos brancos e nulos.

De acordo o analista Oliver Stuenkel, da FGV-SP, sem Lula na disputa, a eleição vai ser pulverizada.

Apesar dessa dispersão, já é possível apontar os candidatos que mais se beneficiariam imediatamente da ausência: Ciro Gomes e Marina Silva (Rede). Segundo o instituto Datafolha, Marina poderia herdar, já num primeiro momento, 20% dos votos do petista, aponta levantamento divulgado neste domingo (15/04). Ciro aparece em seguida, com 15%. Segundo o Datafolha, parte do eleitorado de Lula se dispersaria. Eles se mostram dispostos a apoiar até nomes da direita, como Jair Bolsonaro (PSL) e Geraldo Alckmin (PSDB). Sem Lula, Bolsonaro passa por enquanto para a primeira posição isolada em todas as pesquisas. Segundo a última do Datafolha, ele chega a 17% das intenções de voto, em empate técnico com Marina Silva, que teria 15%. Mais chamativo, no entanto, é que mais de um terço dos eleitores de Lula declararam que vão votar branco ou nulo caso o petista fique de fora da eleição. "Isso demonstra que o eleitorado é do Lula, e não do PT. É um eleitorado heterogêneo", diz o cientista político Riscado Ismael, da PUC-Rio.

Segundo o Datafolha, nos cenários sem Lula, um possível substituto petista como Jaques Wagner só seria capaz por enquanto de abocanhar 1% dos votos do ex-presidente. Outro levantamento já havia apontando que o poder de transferência de votos de Lula já não é mais ou mesmo de outrora, quando o petista era capaz de emplacar facilmente desconhecidos do eleitorado como Dilma Rousseff. Entre os lulistas, apenas dois terços dizem que votariam no indicado pelo ex-presidente com certeza. Tal cenário pode ser desestimulante para os petistas que esperam herdar automaticamente os votos, mas também sugere que todos os pré-candidatos têm bastante campo para tentar ampliar seu apelo junto ao eleitorado.

Ciro, Marina e Bolsonaro

Ideologicamente próximo de Lula, Ciro Gomes vem assumindo um protagonismo maior desde que os problemas legais passaram a assombrar a candidatura do petista. No PT, algumas figuras cogitam até mesmo oferecer ao pedetista a cabeça de chapa em uma eventual aliança, com um vice sendo do PT. Contam a favor de Ciro o fato de ele ter experiência em eleições presidenciais (foi candidato em 1998 e 2002) e de o PDT contar com mais 61 milhões de reais do recém-criado fundo de campanhas, além da possibilidade de fechar alianças. No entanto, vários petistas não gostaram de Ciro ter se mantido distante do ex-presidente nas últimas semanas. Ele, por exemplo, não compareceu ao ato de Lula em São Bernardo do Campo antes da prisão.

Segundo Datafolha, sem Lula na disputa, Ciro passaria de cenários em que aparece com 5% para 9% das intenções de voto. Já Marina Silva, a maior beneficiária da saída de Lula nas últimas pesquisas, tem uma trajetória biográfica com o mesmo apelo que a de Lula teve nas campanhas passadas. Ex-seringueira que se tornou senadora e ministra, ela também tem experiência em campanhas presidenciais. No entanto, seu partido, a Rede, sofre com o raquitismo. Sem uma bancada relevante no Congresso, Marina nem sequer conta o número mínimo de deputados para garantir sua presença nos debates na TV. Só deve comparecer se as TVs que organizarem os eventos a convidarem. A Rede também conta com apenas 10 milhões de reais do fundo de campanhas - bem atrás dos mais de 200 milhões da fatia do PT. Sem Lula, ela passaria de 10% para até 15% das intenções de voto.

Bolsonaro, por sua vez, parece à primeira vista o maior beneficiário da saída de Lula, já que passa automaticamente para o primeiro lugar nas pesquisas. Ele chega até a herdar alguns votos do ex-presidente. Segundo o cientista político Carlos Pereira, da FGV-Rio, alguns eleitores de Lula podem se identificar com o discurso de "lei e ordem" do ex-militar. No entanto, adverte ele, a candidatura de Bolsonaro tende a murchar com o tempo, especialmente sem Lula na disputa. "Ele vai esvaziar por não fazer parte de um partido com capilaridade no país e porque seu apelo depende muito de se apresentar como um anti-Lula", afirma Pereira. Bolsonaro é filiado ao PSL, uma sigla nanica, que terá pouco tempo na TV se não fechar alianças com siglas maiores, além de apenas 9 milhões de reais do fundo de campanha. O candidato é conhecido nacionalmente e conta com bastante presença na internet. Mas a falta de estrutura partidária e experiência em campanhas majoritárias ficou evidente em uma viagem recente a Curitiba, quando seus coordenadores locais não conseguiram arregimentar nem um grupo mínimo em um evento no centro da cidade.

Sem Lula, Bolsonaro passaria de 15%-16% para até 17%.

O fator Joaquim Barbosa

Uma das incógnitas da próxima eleição presidencial é se o ex-presidente do Supremo Joaquim Barbosa será candidato, seja como cabeça de chapa ou vice. Em meio à confusão da prisão de Lula, ele se filiou sem alarde ao PSB, que terá 118,8 milhões de reais para o fundo de campanha. Assim como Lula, Barbosa tem potencial para vender uma biografia para o eleitorado. Ele já começa a despontar nas pesquisas. Sem Lula na disputa, ele passa de 8% para 10% das intenções, segundo a última pesquisa Datafolha. De acordo com a consultoria Eurasia, Barbosa não pode ser menosprezado. Um relatório recente apontou que Barbosa pode ter o perfil mais competitivo nesta eleição, já que possui credenciais anticorrupção e pode ser visto como alguém de fora do sistema político tradicional.

Alckmin e os candidatos de centro

Sem Lula na disputa, o tucano Geraldo Alckmin abocanha poucos novos votos por ora. No entanto, Alckmin acredita que pode ampliar sua votação entre os órfãos de Lula. Recentemente, ele passou a fazer mais discursos com temas sociais - ainda que sem deixar de criticar o ex-presidente. Por enquanto, o tucano não passa de 8% das intenções de voto dependendo do cenário. Nesta semana, disse que a seis meses das eleições "pesquisa não representa nada". Seu partido vai contar 185 milhões de reais do fundo de campanha. Segundo o cientista político Carlos Pereira, da FGV-Rio, sem Lula, a tendência é que o segundo turno inclua dois candidatos de centro, sem a presença da esquerda (petista ou não). De acordo com ele, é provável que um desses candidatos seja do PSDB, ou seja, Alckmin, e o outro do governo Michel Temer, que deve recuperar a influência no processo por causa da melhora da economia. "Sem Lula, a esquerda vai perder espaço", completa.

Os votos da esquerda pura

Durante o período em que permaneceu entrincheirado em São Bernardo do Campo aguardando a prisão, Lula fez seguidos elogios aos pré-candidatos Guilherme Boulos (Psol) e Manuela D'ávila (PCdoB). Mas o gesto foi interpretado por analistas como uma tentativa de unificar a esquerda em torno do PT e estava longe de significar que o ex-presidente decidiu apoiar os dois.

Manuela e Boulos, por ora, aparecem como beneficiários modestos da herança de Lula. A comunista só herda por enquanto 3% dos votos. Boulos, apenas 1%. Nas eleições, o partido de Manuela vai contar com 30 milhões de reais do fundo de campanha. O Psol de Boulos, 21,4 milhões. Embora os valores sejam consideráveis para essas siglas, os dois partidos devem encontrar dificuldade para realizar campanhas de estatura nacional. O melhor resultado eleitoral do Psol em uma eleição presidencial foi 2006, quando o partido conseguiu 6,85% dos votos no primeiro turno. A candidata foi a senadora Heloisa Helena, à época muito mais conhecida do que Boulos hoje. O PC do B também está longe de possuir a capilaridade de outros partidos. Tem apenas 80 prefeitos e um governador (Maranhão) pelo país. "O dinheiro, a influência e a presença nos estados e municípios ainda são fundamentais em uma disputa nacional", diz Oliver Stuenkel, da FGV-SP.

Prisão enfraquece candidatura, mas Lula mantém liderança, diz Datafolha

A prisão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfraqueceu sua candidatura à Presidência da República, é o que constata a mais recente pesquisa Datafolha, divulgada no início da madrugada deste domingo. Em janeiro, a mostra indicava que Lula tinha 37% da preferência dos pesquisados, na pesquisa divulgada hoje, que inclui o período de sua detenção na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, o petista registra 31% das intenções de votos no cenário mais favorável entre nove pesquisados. Apesar da queda na pesquisa, Lula continua liderando a corrida ao Palácio do Planalto. O Datafolha traçou 9 cenários na corrida presidencial. Lula aparece em três deles e oscila entre 30% e 31%, na liderança, à frente do deputado Jair Bolsonaro (PSL), que varia entre 15% e 16%, e Marina Silva (Rede), com 10%.

No cenário com Lula, Joaquim Barbosa (PSB) aparece com 8%, Geraldo Alckmin (PSDB) com 6%, Ciro Gomes (PDT) com 5%, Alvaro Dias (Podemos) com 3%, Manuela D’Ávila (PCdoB) com 3%, Fernando Collor de Mello (PTC) com 1%, Rodrigo Maia (DEM) com 1%, Henrique Meirelles (MDB) com 1%, Flavio Rocha (PRB) com 1% e outros, como Paulo Rabello de Castro (PSC) não pontuaram. Brancos e nulos somam 13% e não sabem 3%. Nos outros seis cenários, sem a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Bolsonaro e Marina Silva aparecerem tecnicamente empatados. O deputado federal lidera com 17% e a ex-ministra oscila entre 15% e 16%.

Em todos os cenários sem o ex-presidente Lula, Ciro Gomes (PDT) alcança 9% das intenções de voto, empatado tecnicamente com o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), que varia de 7% a 8%, e o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa (PSB), que oscila entre 9% e 10%. Já o presidente Michel Temer (MDB), que revelou o desejo de concorrer à reeleição, aparece na mostra com apenas 2% das intenções de voto e o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, que deixou o PSD e migrou para o MDB, não passa de 1% das intenções de voto. Na ausência de Lula como candidato do PT, o ex-prefeito Fernando Haddad registra 2% das intenções de voto e o ex-governador da Bahia Jaques Wagner tem 1%. Outros candidatos de esquerda que poderiam substituir Lula também registram desempenho pífio na atual pesquisa. Manuela D’Ávila (PCdoB) atinge 2% e Guilherme Boulos (PSOL) chega a apenas 1%. A nova pesquisa Datafolha, que foi feita entre quarta, 11, e sexta-feira, 13, teve como base 4.194 entrevistas em 227 municípios. A margem de erro é de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob número BR-08510/2018.

Datafolha: 2/3 dos eleitores de Lula diz que votará em quem ele apoiar

A mais recente pesquisa Datafolha, divulgada no início da madrugada deste domingo, mostra que dois de cada três eleitores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silvas (PT) deverão votar em quem ele apoiar nessa corrida presidencial, caso o petista fique impedido de disputar o pleito. E 1/3 afirma que não tem opção e preferem votar em branco ou anular o voto, nos cenários mostrados pela pesquisa. Com a ausência de Lula nessa disputa presidencial, os pré-candidatos que mais se beneficiam são a ex-senadora Marina Silva (Rede) e o ex-ministro Ciro Gomes (PDT). Os dois foram ministros do governo Lula. Marina fica com cerca de 20% das intenções de voto num cenário sem o ex-presidente e Ciro Gomes registra 15%. Em contrapartida, parte do eleitorado lulista, de acordo com o Datafolha, apoiaria até candidaturas como a de Jair Bolsonaro (PSC), Geraldo Alckmin (PSDB) e Joaquim Barbosa (PSB). Os três registraram nesse cenário 5% da preferência, cada um, desse eleitorado.

Mesmo preso, Lula continua com grande poder de influência sobre o eleitorado, diz o Datafolha: 30% dizem que certamente votariam em alguém indicado pelo ex-presidente e 16% talvez. Entre os lulistas, 66% votariam no indicado por ele e 21% talvez. Com relação à indicação do presidente Michel Temer, apenas 3% votariam e 9% talvez. E com o apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, 10% votariam e 21% talvez.

Há uma semana preso, Lula já sente isolamento político

Após 48 horas de refúgio no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, de fazer o "comício" final em ato religioso e negociar o roteiro de sua prisão - estabelecendo algumas condições -, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso pela Operação Lava Jato, permaneceu calado e sério durante o percurso de São Bernardo do Campo (SP) até Curitiba.

O documento de rendição de Lula chegou em um envelope de papel. O ofício foi trazido por um policial federal que voou com o ex-presidente no helicóptero que aterrissou na sede da PF na noite de sábado, 7 de abril. A prisão de Lula foi o desfecho de uma tensa, desgastante e longa negociação entre policiais e emissários petistas iniciada na véspera - ainda no prazo "ofertado" pelo juiz federal Sérgio Moro para Lula se apresentar espontaneamente em Curitiba, o berço da Lava Jato, para início de cumprimento da pena por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso triplex do Guarujá (SP). O ato oficial de rendição assinado por Lula, o mandado de prisão n.º 700004720527, data 6 de abril de 2018. Nele consta também o registro de ciência do advogado Cristiano Zanin Martins, defensor do ex-presidente e genro de Roberto Teixeira, amigo de longa data do petista. O envelope com o documento e o exame de corpo de delito feito ainda na capital paulista foram entregues ao superintendente da PF no Paraná, Maurício Valeixo, logo depois de Lula ser visto pela última vez desembarcando do helicóptero da PF, escoltado por policiais de terno.

Aos 72 anos, o ex-presidente, que ainda buscava disputar mais um mandato no Palácio do Planalto, desceu as escadas do heliponto para desaparecer na porta que dá acesso à "sala de Estado-Maior" preparada para recebê-lo, no quarto andar do prédio - bem abaixo do heliponto. Valeixo e os delegados Roberval Vicalvi e Igor Romário de Paula, além da equipe operacional da PF, foram os responsáveis por recepcionar e efetivar o recolhimento do petista à sua "cela" especial nas primeiras horas do domingo. Lula planejava receber frequentemente na prisão aliados e correligionários, em especial a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR). À partir dali, iniciava-se uma nova fase da execução da pena de Lula, condenado por unanimidade em 24 de janeiro pela Oitava Turma do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) - a segunda instância da Lava Jato - a 12 anos e 1 mês de reclusão em regime fechado.

Sem uniforme

Na primeira noite, Lula desfez a mala de roupas e acessórios de higiene e pessoais preparada pela família. Levou predominantemente peças de agasalho, roupas íntimas, camisetas - na PF não há uniforme de preso - e as organizou no armário embutido da sala que lhe serve de cela, entre sua cama e a parede do banheiro. Fechou a porta quando passava da 1h de domingo. Foi chamado às 8h, quando chegou o desjejum dos presos: café preto, pão com manteiga e uma bolacha - nos dias da semana, o café é servido mais cedo, antes das 7h. Foi no domingo que Lula comeu as primeiras marmitas, as chamadas quentinhas: arroz, feijão, carne, macarrão, chuchu e salada de cenoura. Com garfo e faca de plástico. E um copo de suco de laranja. O ex-presidente não reclamou do cardápio.

Além de banheiro próprio, armário e cama, a cela de Lula tem mesa, cadeira e televisão. As portas e janelas não possuem grades, nem trancas. O local fica isolado da carceragem, o petista passou a maior parte dos dias assistindo TV. O aparelho é até então único "privilégio" concedido pela Justiça. O ex-presidente levou na mala o livro A Elite do Atraso - da Escravidão à Lava Jato, do sociólogo Jessé Souza. Mas a leitura preferida, no entanto, são a das cartas de militantes enviadas por intermédio do advogado ou encaminhadas diretamente para a Polícia Federal. Lula passa o dia com a porta fechada e dois policiais fazem a segurança do lado de fora da porta. A limpeza da sala especial não será feita pelo ex-presidente - na carceragem são os presos que limpam as celas, principalmente por questão de segurança. Funcionárias que fazem os serviços no prédio da PF cuidarão do cárcere de Lula.

Título

Depois de ditar os passos de sua rendição e prisão para a PF, Lula sentiu já no domingo os primeiros efeitos do encarceramento. O ex-presidente pôde receber seu advogado Cristiano Zanin e o amigo, ex-deputado petista e também advogado Sigmaringa Seixas para assistir pela TV o primeiro tempo da final do Campeonato Paulista, em que o Corinthians, seu time do coração, venceu o Palmeiras, nos pênaltis. O gol foi comemorado com os advogados e amigos, mas a conquista do título - no caso contra o arquirrival, o que confere valor redobrado - se deu sem comemoração explícita. Fisicamente as condições da cela especial reservada à Lula são bem distintas da enfrentada pelo antigo companheiro de partido - Antonio Palocci, hoje considerado um "traidor". Também preso na Superintendência da PF, o ex-ministro dorme em um colchão no chão do corredor da carceragem (por opção) sem privilégios.

Na quinta-feira, Lula viu pela primeira vez a família. Três filhos e um neto passaram parte da manhã e da tarde com ele. Além de comida, levaram um cobertor para as frias madrugadas de Curitiba. Anteontem, o ex-presidente foi autorizado a sair da cela para tomar seu primeiro banho de sol. Pela manhã, pôde ouvir o grito de "Bom dia, Lula" dos militantes em vigília no entorno do prédio da PF. O ex-presidente Lula fez chegar aos seus correligionários a mensagem de que o mais importante não é o lugar onde ele está, mas o acesso a ele. Lula não reclama da condição do espaço físico, mas do que considera um isolamento total a que foi submetido. Os petistas classificam o local como uma "solitária". Segundo um integrante da cúpula da sigla, Lula considera "inaceitável" não poder receber visitas. Nove governadores e três senadores foram barrados. "Não há possibilidade de um prédio da polícia virar uma espécie de comitê político partidário, isso está descartado", afirmou ao Estado um policial, que pediu à reportagem para não ser identificado. O isolamento político é a maior preocupação de Lula.

 

Fonte: Deutsche Welle/Agencia Estado/Municipios Baianos

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