19/04/2018

Abelhas da Caatinga são temas de pesquisas no Cemafauna

 

O Laboratório de Entomologia do Centro de Conservação e Manejo de Fauna da Caatinga (Cemafauna Caatinga) tem em seu acervo uma rica representação de insetos da fauna da Caatinga, inclusive, com descoberta importante como o caso da borboleta Melanis caatingensis (Callaghan & Nobre, 2014) encontrada por analistas ambientais da instituição nas matas do município de Brejo Santo (CE) em 2014. Sua coleção científica tem sido majorada, constantemente, graças às pesquisas de estagiárias que são orientadas por analistas e a pesquisadora-colaboradora do Centro a Profa. Dra. Aline Andrade. Contando mais de 540 indivíduos distribuídos entre 48 espécies e 14 gêneros, o acervo tem sido tema de artigos que são apresentados em diversos congressos Nacionais e Internacionais.

A estudante do curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), Khatianne Correia apresentou recentemente seu Trabalho de Conclusão de Curso sobre uma espécie de abelha sem ferrão.  Com o tema ‘Variação estacional na atividade de forrageamento de Melipona mandacaia (Hymenoptera: Apidae: Meliponini)’, Khatianne observou que o comportamento de forrageamento ou atividades externas dessas abelhas, incluindo a coleta de pólen, néctar, resina e barro, é influenciado por fatores microclimáticos, notadamente, umidade, temperatura e precipitação, que, isolados ou em conjunto interferem nas atividades de voo .

Como bem ressalta a pesquisa de Khatianne, o clima da Caatinga é caracterizado por apresentar temperaturas anuais elevadas e longos períodos de escassez de água, com marcada variação estacional distribuída em períodos seco e chuvoso. A intensa produtividade e florações e, consequentemente, a disponibilidade de recurso, está associada ao período chuvoso, de maneira que nestas abelhas, as variações climáticas podem definir um padrão de forrageamento.

O experimento foi conduzido no Setor de Apicultura e Meliponicultura da Fazenda Experimental da Univasf (Campus de Ciências Agrárias) em Petrolina, em que foram observadas três colônias de Melipona mandacaia alojadas em caixas racionais. A metodologia do experimento consistiu na coleta de dados comportamentais feita com amostragem de três dias consecutivos por mês, durante os períodos seco (setembro e outubro de 2017) e chuvoso (dezembro de 2017 a janeiro de 2018). “A coleta de dados foi realizada através de observação direta utilizando o método de varredura (registrando todas as atividades externas das operárias) feito junto à entrada da colônia, entre 5h e 17h, com sessões de 20 minutos a cada meia hora, observando uma colônia ao dia. O registro das atividades de forrageamento foi contabilizado utilizando um etograma (catálogo completo do comportamento de um determinado animal, no caso, a espécie Melipona mandaçaia), quantificando entradas e saídas de recursos como resina, barro, pólen, néctar e lixo. Adicionalmente, dados microclimáticos foram aferidos a cada 30 minutos durante as sessões de observação”, explicou a estudante.

Para coleção, o acervo de abelhas foi montado principalmente com indivíduos coletados em busca ativa, tanto por biólogos quanto por estagiários em áreas de Caatinga nas ecorregiões de Chapada, incluindo a Chapada Norte (Bahia), Chapada Diamantina (Bahia) e Chapada do Araripe (Ceará), assim como nas áreas dos municípios inseridos nos eixos Norte e Leste do Projeto de Integração do Rio São Francisco com as Bacias Hidrográficas Setentrionais (PISF) - uma obra do Ministério da Integração Nacional, nos estados de Pernambuco e Ceará. Os exemplares coletados por eles proporcionam a feitura dessas pesquisas com temas variados como a composição, variação temporal e habilidade de dispersão das populações de abelhas em áreas de Caatinga, realizada pela também estudante do curso de Ciências Biológicas da Univasf e estagiária do Laboratório, Taynara Sales.

As abelhas são animais muito importantes no cenário da biodiversidade: polinizam não apenas as culturas agrícolas como também a flora silvestre. Cerca de 35% da produção agrícola global, bem como 85% das plantas nativas dependem, em algum grau, da polinização efetiva desse grupo. As alunas citadas estão vinculadas ao projeto em andamento, supervisionado pela Profa. Dra. Aline Andrade, vinculada ao programa de Genética e Evolução da UFSCar, em parceria com o Cemafauna e com a FFCLRP-USP. Tal projeto contempla uma análise da estrutura genética, sinalização química e habilidade de dispersão das populações de abelhas em remanescentes relictuais de Caatinga Florestada.

A pesquisadora Aline Andrade explica que os resultados preliminares deste estudo mostraram que as abelhas estão melhor representadas em ambientes onde ainda há conexão entre fragmentos remanescentes, indicando uma tendência à estruturação com redução de dispersão das abelhas entre manchas mais isoladas. Significa então dizer que como efeito da fragmentação de habitat (desmatamento), essas populações podem perder em variabilidade genética por rompimento ou comprometimento do fluxo gênico (troca de material genético).

“Em linhas gerais, a perda da variabilidade genética reduz a habilidade das populações de se adaptarem em resposta às mudanças ambientais (potencial evolutivo). Por exemplo, se alguma mudança ambiental drástica ocorrer, a população com maior diversidade genética apresenta maior chance de possuir pelo menos alguns indivíduos com uma característica genética que lhes permitam viver em tais condições. Se a diversidade genética é baixa, a população corre grande risco de não sobreviver, pois provavelmente não possuirão condições de se adaptarem a tal ambiente. A variabilidade genética, portanto, é importante para a persistência evolutiva das espécies”, conclui Aline.

BENEFICIAMENTO DA CARNE DO BODE É TEMA DA SEGUNDA CAPACITAÇÃO DO PROJETO ‘FORTALECENDO O SEMIÁRIDO’

O projeto ‘Fortalecendo o Semiárido’ levou ao distrito de Juremal na terça-feira (17) no distrito de Juremal, a segunda capacitação sobre o beneficiamento do bode. Contando com duas propostas: beneficiamento da carne de bode e beneficiamento dos frutos e hortaliças, cada curso conterá dez capacitações abrangendo desde a realização de boas práticas, instalações, qualidade da matéria prima, embalagens e o beneficiamento dos produtos (carne, frutos e hortaliças).

“A carne do bode é um produto consumido principalmente no Nordeste brasileiro, onde se concentra a maior parte desse rebanho. Aqui na região do Vale do São Francisco o bode é o ingrediente principal de várias receitas, uma carne extremamente magra, com baixíssimo teor de gordura e de fácil digestão”, explicou a autora do projeto e a tecnóloga em alimentos da ADEAP Ataildes Pinheiro, informando que as capacitações vão além do proposto no projeto, “pois a equipe está atendendo as solicitações de cada comunidade no decorrer do curso”.

Na ocasião foi realizada a dinâmica sobre boas práticas de fabricação para avaliar o nível de conhecimento do último encontro. Em seguida teve início a capacitação com a higienização das mãos e utensílios, a distribuição dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e a produção das receitas sugeridas pela comunidade – pasta de alho, almondegas, tortilhão de abóbora e bode, lasanha de banana com bode e hambúrguer.

Para a cozinheira Maria José, as capacitações vieram para enriquecer e aprimorar a culinária local. “Estamos aprendendo coisas novas que iremos lançar na feira do bode. É uma experiência gratificante, pois veio para aperfeiçoar ainda mais o nosso trabalho”, disse. Já a doceira Ednailde dos Santos Marques falou da importância do projeto. “Para mim é rico demais, pois estou aprendendo coisas que eu não sabia como reaproveitar as cascas dos alimentos que nos traz muita saúde. Só tenho a agradecer a associação e prefeitura de Juazeiro pela aprendizagem de hoje” destacou.

Vinte e uma mulheres de Juremal estão participando dessa etapa do projeto. De acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico, Agricultura e Pecuária, Tiano Felix, uma das finalidades da ação “é reduzir as desigualdades regionais, através de capacitações profissionais em caráter estratégico de políticas que possam incorporar incentivos para proporcionar o desenvolvimento regional da produção da agricultura família”, disse. O projeto conta com dez capacitações e engloba todo o processo de beneficiamento da carne de bode, das frutas e hortaliças.

Produtos derivados de cana-de-açúcar ganham destaque nas redes sociais do Governo do Estado

Da Chapada Diamantina na Bahia para o #PapoCorreria. Nesta terça-feira (17), os produtos derivados da cana-de-açúcar da Cooperativa dos Produtores de Cana e seus Derivados da Micro Região de Abaíra (Coopama), como açúcar mascavo, rapadura, melado, cachaça e licor, foram divulgados no programa do governador Rui Costa, transmitido ao vivo pela redes sociais Facebook, Instagram e Twitter.

De acordo com o presidente da Coopama, Junael Oliveira, os cooperados se juntaram com o objetivo de valorizar a cachaça que é produzida na região e impedir a exploração dos pequenos produtores pelos atravessadores: “Hoje, a cooperativa conta com 33 cooperados, com envolvimento de 144 famílias no processo de produção, de toda a matéria-prima utilizada no processamento dos produtos”.

A Coopama produz cerca de 50 toneladas de rapadura, 50 de açúcar mascavo, 50 de melado e 500 mil litros de cachaça por ano, resultando em uma renda anual de R$12 mil para cada cooperado. Em Salvador, os produtos podem ser encontrados no Mercado do Rio Vermelho, em Salvador.

Apoio

O Governo do Estado, por meio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), vem apoiando a cooperativa em ações como a construção de agroindústrias comunitárias, aquisição de equipamentos, participação em eventos como feiras agropecuárias na Bahia e em outros estados.

Aliança Produtiva

Junael destacou que a cooperativa vai participar do edital Alianças Produtivas, que segue com as inscrições abertas até o dia 04 de maio, pelo site da CAR (www.car.ba.gov.br). Esse edital, no valor de R$ 60 milhões, é o primeiro na Bahia que tem como foco a relação comercial das cooperativas da agricultura familiar e empresas privadas, incentivando a inclusão no mercado e as oportunidades de negócio: “É um edital inovador, que veio para amarrar todas as outras ações dando oportunidade da cooperativa dar um grande passo”.

EMBRAPA REALIZA XXII CURSO DE FERTIRRIGAÇÃO EM PETROLINA

Entre os dias 22 e 25 de maio, a Embrapa Semiárido promove o XXII Curso de Fertirrigação. O evento acontece anualmente e será realizado no Escritório de Apoio da empresa, localizado no Centro de Convenções Senador Nilo Coelho, em Petrolina-PE. A fertirrigação é uma técnica que utiliza a água de irrigação para levar nutrientes diretamente até as raízes das plantas, sendo aplicada através do sistema mais conveniente para a cultura.

De acordo com o coordenador do evento, o pesquisador da Embrapa Semiárido José Maria Pinto, a prática é indispensável para o manejo de culturas irrigadas por ser uma das maneiras mais eficientes e econômicas de adubação, além de possibilitar a aplicação de fertilizantes em qualquer ciclo da cultura e uma melhor distribuição dos nutrientes no perfil do solo, inclusive aqueles considerados de baixa mobilidade.

O evento visa capacitar agrônomos, técnicos agrícolas, extensionistas, agricultores, professores e estudantes de área agrícola para identificação e uso dos equipamentos necessários, dos fertilizantes, e para a realização de cálculos, manejo e monitoramento da fertirrigação em fruteiras e olerícolas, a exemplo do melão.

As inscrições podem ser realizadas presencialmente no local do curso, no horário das 7h30 às 12h e das 13h30 às 17h, ou pelo telefone (87) 3861-4442. As vagas são limitadas e a taxa inscrição é de R$75,00 para professores e estudantes e R$150,00 para produtores, técnicos e outros interessados. O curso tem duração de 30h entre aulas teóricas e práticas.

 

Fonte: Ascom Cemafauna/Ascom Adeap/Secom Bahia/Ascom Embrapa/Municipios Baianos

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