19/04/2018

Salvador: Oito pessoas já morreram este ano com gripe H1N1

 

A Bahia registrou 12 mortes provocadas pela gripe H1N1 até o dia 14 de abril deste ano, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (18) pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesab). Oito dos óbitos ocorreram em Salvador. Os outros municípios foram Camaçari (1); Lauro de Freitas (1); Saúde (1) e Serrinha (1).

Cinco dos 12 óbitos deste ano foram registrados em pessoas maiores de 60 anos, enquanto três deles em menores de 2 anos. Além disso, duas mortes foram em pacientes entre 20 a 29 anos, um óbito na faixa etária de 2 a 4 anos e outra morte notificada entre pacientes de 40 a 49 anos.

De acordo com a Sesab, este ano foram notificados 323 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com 31 óbitos. Dentre esses casos, 65 foram confirmados para Influenza, sendo 53 pelo subtipo A H1N1 - 12 pacientes tiveram a condição de saúde agravada e morreram.

No mesmo período de 2017 foram notificados 146 casos de SRAG, com 11 óbitos. Dentre os casos da Síndrome no ano passado, 13 foram confirmados para Influenza, sendo dois casos de Influenza A H1N1, mas sem registro de mortes.

Entenda os vírus

O H1N1, na verdade, é um subtipo do vírus Influenza do tipo A - o mais frequente a causar a gripe. Na estrutura da molécula do vírus, existem proteínas que diferenciam um tipo de outro, como explica a infectologista Ana Paula Alcântara, professora da Faculdade Bahiana de Medicina e médica dos Hospitais Santo Amaro, Geral Roberto Santos e Aliança. São as proteínas que tornam a estrutura do H1N1 diferente do H3N2, por exemplo, e de outras variedades.

“O vírus Influenza A é caracterizado por epidemias sazonais. Ou seja, acontece de períodos em períodos, geralmente na época de inverno, que, no Brasil é de abril a setembro”, diz Ana Paula.

O que acontece é que os vírus - e, em especial, o da gripe - sofrem muitas mutações e, com isso, têm seu genoma alterado. Por isso, a cada ano, existe uma variação de um grupo viral para outro, segundo o infectologista José Tavares Neto, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (Ufba).

“Isso altera a capacidade que o ser humano tem de combater esse novo sorogrupo. Por isso, os sistemas nacionais isolam esse novo sorogrupo, fazem uma mistura e preparam uma vacina que é anual. Por isso, não pode ser durante muito tempo”, afirma.

A numeração em cada subtipo também é devido ao tipo de proteína - existe uma catálogo internacional com letras e números combinados, segundo José Tavares Neto. Alguns, como o H1N1 e o H3N2, são mais virulentos - ou seja, provocam doença com mais frequência.

“Por isso, o temor do que está acontecendo em Goiânia e na Região Metropolitana de Goiânia. Aparentemente, lá, o H1N1 está causando uma letalidade maior e um tempo de doença maior para aqueles que sobrevivem”, aponta o médico. Em Goiás, pelo menos 13 pessoas já morreram em decorrência do vírus H1N1 este ano - cinco delas apenas na capital.

A última grande pandemia - uma epidemia disseminada em todo o planeta - foi causada justamente pelo H1N1, em 2009. Naquela época, países como Brasil, Estados Unidos e México chegaram a registrar mais de 50 mil casos da doença cada um - só no Brasil, foram pelo menos duas mil mortes confirmadas.

Agora, no biênio 2017-2018, o H1N1 volta a aparecer como epidemia em alguns estados do Brasil. Para a infectologista Ana Paula Alcântara, a situação na Bahia já pode ser caracterizada como epidemia também.

“Uma epidemia significa o aumento do número de casos em relação ao mesmo número do ano anterior. Então, quando você olha o ano passado e agora, você vê a gravidade nesse contexto”, explica a infectologista Ana Paula.

Os sintomas provocados pelo vírus H1N1 são praticamente os mesmos de uma virose respiratória, como febre muito alta, tosse e dor de garganta. A diferença é que a dor de garganta vem acompanhada de dores em outros locais - como a cabeça e o resto do corpo, além de diarreia e náuseas.

“A população precisa se preocupar com a duração da febre e a intensidade. Se forem mais de três dias de febre alta, com mais do que 38, 39 graus, pode ser um sinal”, afirma Ana Paula. O tratamento deve ser feito com medicamentos antivirais - eles podem, assim, evitar os sintomas e que a gripe evolua para formas mais graves.

O tempo de doença varia de 10 a 20 dias - pode piorar a depender da idade da pessoa (quanto mais velha, mais chance de durar mais, especialmente após os 80 anos) e do número de doenças associadas (se a pessoa já tem alguma patologia cardíaca, pulmonar ou renal, por exemplo, há mais riscos de complicações).

“No início, é como uma gripe qualquer, mas, à medida que a doença progride, pode ocorrer uma febre mais elevada e associada à pneumonia, que é a complicação mais temida. Pneumonia não é provocada pelo vírus, mas ele predispõe”, diz José Tavares Neto. A febre causada pelo H1N1 pode chegar a 40 graus.

Não há, ainda, um percentual de letalidade da H1N1 no Brasil, já que isso varia anualmente. Em Goiânia, onde tem mais casos, os números ainda não estão consolidados. No entanto, na Ásia, o índice é de 2,4 a 2,9 mortes para cada cinco mil ocorrências da doença. “Mesmo assim, não são dados comparáveis, por ser uma população completamente diferente da nossa e com diferentes condições sanitárias”, pondera o infectologista.

Bahia registra 12 mortes por H1N1; casos confirmados chegam a 53

A Bahia já registra neste ano 12 mortes causadas pela Influenza A H1N1. De acordo com boletim da Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab), divulgado nesta quarta-feira (18), o estado confirmou 65 casos de Influenza, sendo 53 do subtipo H1N1.

O levantamento também contabiliza, até o último sábado (14), 323 notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com 31 óbitos. No mesmo período de 2017, foram notificados 146 casos de SRAG, com 11 óbitos. Dentre eles, 13 foram confirmados para Influenza sem registro de óbitos, sendo dois casos de Influenza A H1N1.

Neste ano, foram confirmados casos de H1N1 em 16 municípios baianos, com óbitos em Salvador (8), Camaçari (1), Lauro de Freitas (1), Saúde (1) e Serrinha (1). Cinco dos 12 óbitos foram registrados em pessoas maiores de 60 anos, e outros três deles em menores de dois anos.

Vacina da H1N1 provoca corrida às clínicas de saúde em Salvador

A campanha de vacinação contra a gripe H1N1 começará na próxima segunda-feira (23), mas desde o final de março as clínicas particulares de Salvador têm registrado aumento na procura pela imunização. Em alguns locais, a demanda dobrou. A corrida começou depois que 11 mortes foram confirmadas na Bahia por conta da doença.

A juíza Renata Quadros, 43 anos, protege os três filhos todos os anos contra a H1N1. As crianças, de 4, 7 e 9 anos, sempre são imunizadas em maio. Preocupada, este ano a mãe resolveu antecipar a proteção dos pequenos e também aproveitou para se proteger.

"As crianças fazem parte do grupo de risco, então, por conta dessa epidemia, resolvemos vaciná-los mais cedo. Ninguém ficou gripado lá em casa, e a vacina é mais por proteção mesmo. A gente pensa 'qual o risco maior: vacinar ou não vacinar?'. A vacina é segura, então, o risco é maior se a gente não se imunizar", afirmou.

O filho caçula, Pedro, poderia tomar a vacina através da rede pública de saúde, mas ela preferiu não esperar até o dia 23. Assim como Renata, outros pais correram para as clínicas para proteger os pimpolhos. Em uma delas, na Pituba, funcionários contaram que a procura pela vacina aumentou em 100% na última semana.

A advogada Monique Ferreira, 35, contou que no sábado tentou imunizar a filha, Melissa Ferreira, 4, mas desistiu por conta da quantidade de gente na fila aguardando pela medicação. As duas vão viajar para fora do país no final do ano, e a mãe está preocupada com a transmissão da doença.

“A primeira vez que ela recebeu a vacina tinha 8 meses de vida. Todos os anos fazemos a imunização, mas esse ano ficamos mais atentos por conta do noticiário, e porque temos amigos que tiveram a doença. Alguns médicos da família também recomendaram tomar a vacina, então, viemos logo para fazer isso”, disse, enquanto aguardava na recepção da Labchecap.

Animada, Melissa afirmou que a vacina não dói. "É só uma picadinha. Eu não choro, só faço 'ushh'", contou a pequena.

Já a estudante Stephanie Moricy, 21, contou ter tomado a vacina pela primeira vez. "Nunca tinha pensado na importância da vacina até ver a campanha nos noticiários. Meu namorado toma todos os anos, então, resolvi fazer o mesmo. Ela é importante para proteção, mas sou a primeira lá de casa a me vacinar esse ano", disse.

Dúvidas

A enfermeira Leila Brito trabalha na clínica Sabin e contou que desde que a vacina chegou nas unidades da empresa, há 15 dias, o número de atendimento dobrou em relação ao ano passado.

A maioria dos pacientes chega ao local com dúvidas como: qual a idade mínima para receber a vacina? Quem pode receber a medicação? A vacina oferecida na rede particular é a mesma do posto de saúde? E quais são as principais reações?

“Notamos um crescimento acima de 100% na demanda. A procura está muito grande, principalmente, devido ao registro de casos da doença. Tivemos um aumento na sede e nas quatro unidades da Sabin. A composição da vacina muda anualmente, por isso, ela precisa ser tomada todos os anos. A vacina ainda é a melhor forma de prevenção”, afirmou.

A enfermeira contou que a imunização se apresenta de duas maneiras. A trivalente tem três sepas dos vírus da gripe, e previne contra H1N1, H3N2 e uma sepa do tipo B. Já a tetravalente (ou quadrivalente) é mais completa, e tem quatro sepas do vírus contra a H1N1, H3N2 e duas sepas tipo B. A escolha fica a critério do paciente.

Despesas

Cada dose da vacina custa, em média, entre R$ 100 e R$ 130 na rede particular de Salvador. O valor pode ser parcelado, e apenas crianças menores de 9 anos que nunca receberam essa vacina precisam de dose dupla. Para os demais pacientes a dose única é suficiente para fazer a imunização.

Podem ser vacinadas crianças a partir dos seis meses de vida, sem limite de idade máxima. É preciso levar um documento de identificação e o cartão de vacina. Quem tiver alergia a ovo precisa levar também a orientação médica por escrito. O horário de funcionamento alterna de unidade para unidade, por isso, é importante checar com os laboratórios.

  • Confira o valor da vacina em alguns laboratórios da capital:

Labchecap – R$ 120. Pode ser parcelado em até 2x.

Seime – R$ 120. Pode ser parcelado em até 2x.

Leme - R$ 120. Pode ser parcelado em até 2x.

LPC – R$ 130. Pode ser parcelado em até 4x.

Sabin - R$ 100 para crianças de 6 meses à 2 anos e R$ 120 para maiores de 2 anos. Para parcelar a despesa no cartão de crédito é preciso que as parcelas sejam superiores a R$ 70.

O servidor público Varghá Santos, 55, contou que há muitos anos tenta estar com o calendário de vacinação em dias. Ele acredita que a proteção ainda é o melhor remédio.

“Eu sempre tomava a vacina na fase final da campanha, porque a empresa em que eu trabalhava tinha uma parceria para fazer a imunização. Depois que saí da empresa continuei me vacinando, primeiro para me proteger e, segundo, para evitar os sintomas chatos da gripe. Tenho esse cuidado desde os tempos em que fazia concurso, há muitos anos”, disse.

A H1N1 é uma doença viral, que é transmitida através de tosse e espirro. Ela provoca sintomas como calafrios, mal-estar, cefaleia, mialgia, dor de garganta, artralgia, prostração, rinorreia e tosse seca. O paciente pode apresentar ainda sintomas como diarreia, vômito, fadiga, rouquidão, hiperemia conjuntival. Ao contrário do que muita gente pensa, nem todos os doentes apresentam febre.

 

Fonte: Correio/BN/Municipios Baianos

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