21/04/2018

Salvador: Obras no aeroporto animam setor turístico

 

Desde que o Aeroporto de Salvador mudou de mãos, a expectativa do trade turístico é de melhora no movimento de turistas na Bahia. Após as primeiras ações da Vinci, que assumiu o Aeroporto Luís Eduardo Magalhães no dia 2 de janeiro deste ano, as primeiras modificações já surtiram efeito, de acordo com o presidente do Conselho Baiano de Turismo (CBTur), Roberto Durán.

“A Vinci fez ações emergenciais para amenizar o caos de janeiro para cá. Com essas ações, o aeroporto já melhorou consideravelmente”, afirma ele. Desde que assumiu no lugar da Infraero, a Vinci fez melhorias nos banheiros do terminal, além de mudanças na climatização e na iluminação.

Embora poucas modificações tenham sido feitas, a operação do aeroporto pela nova empresa deixa o trade otimista. “A Vinci tem know-how, tem conhecimento, tecnologia de ponta e vai promover a vinda de novos voos pra cá, que para o trade é fundamental. Mas queremos que eles pensem na transformação desse aeroporto em um hub [centro de distribuição de voos]”, sinaliza Silvio Pessoa, presidente da Federação Baiana de Hospedagem e Alimentação.

A lentidão das modificações na estrutura do aeroporto, entretanto, é motivo de reclamação. “Era para essas obras terem ficado prontas ontem, porque, logo, logo, vamos ter que pensar no futuro. O aeroporto é de pequeno porte, comparando com outras cidades do mundo, e não é adequado para a maior metrópole do Nordeste. Essas obras são bem vindas, mas temos que pensar a longo prazo”, afirma Pessoa.

Ele destaca que a construção de outra pista deveria ser prioridade para aumentar a capacidade do terminal e evitar problemas no futuro. “Temos que pensar, urgentemente, na segunda pista do aeroporto. Não podemos ficar protelando essa decisão”, defendeu.

A Vinci disse, por meio de nota, que a construção de uma nova pista não é uma prioridade a curto prazo. "Por isso, há tempo para um diálogo aprofundado sobre as melhores soluções para a ampliação da capacidade do aeroporto”, afirmou a concessionária ao Correio.

Atualmente, o terminal conta com duas pistas. A principal tem 3.003 metros e a segunda, para aviões de pequeno porte, tem 1.520 metros. A área total do terminal é de 64.550 metros quadrados.

A expectativa de melhoras para o turismo baiano em 2018, de acordo com Roberto Durán, não se resume às obras que serão iniciadas no aeroporto.

“Há 4 ou 5 anos nós cobramos os governantes a resolução dos nossos dois grandes gargalos turísticos, que são o aeroporto e o Centro de Convenções. A prefeitura já licitou o novo Centro de Convenções (municipal) e o nosso terminal de passageiros será melhor qualificado. Com isso, aumentará significativamente o número de passageiros durante todo o ano, não só em período de férias”, afirma o presidente do CBTur.

Cronograma de obras do aeroporto é inaugurado

Com um investimento de cerca de R$ 2 bilhões durante os próximos 30 anos de concessão, a empresa francesa Vinci Airports inaugurou, nesta quitna-feira, 19, o cronograma das obras, no próprio aeroporto, e divulgou as primeiras ações.

No primeiro momento, serão investidos 700 milhões, a obra inclui a ampliação do terminal em 20 mil metros quadrados, totalizando uma área de 85 mil metros, seis novas pontes de embarque, além da criação de uma segunda pista de pouso. O objetivo é que até outubro de 2019 as obras da primeira fase sejam concluídas.

A empresa planeja promover desenvolvimento econômico e turístico do Aeroporto Internacional de Salvador por meio de melhorias estruturais no terminal. Segundo o presidente do aeroporto de Salvador, Julio Ribas, obras internas estão sendo realizadas desde janeiro, tais como a requalificação de 11 banheiros, ar-condicionado, reparos na pista, elevadores e estrutura do prédio e a instalação de Wi-Fi gratuito.

Para o presidente da Vinci Airports, Nicolas Nortbeart, o aeroporto será um catalisador para a economia da cidade, por meio de uma profunda modernização. “O desafio é mudar a percepção dos visitantes atrair mais pessoas para a cidade, que é muito bonita com combinação de paisagem e cultura. O trabalho começa hoje (quinta-feira) e vamos trabalhar juntos”.

Para os passageiros, a expectativa é de melhora. “Não há como piorar, Salvador possui o pior aeroporto da capital. A estrutura deixa muito a desejar, contrasta com a receptividade dos baianos”, destaca o músico paulista José Dias, 42 anos.

Para além das questões estruturais, a professora mineira Alana Medeiros, 35 anos, critica os preços dos alimentos nos restaurantes. “Os preços são muito caros, comparado a outras cidades e esse não é um aeroporto no qual você se sinta extremamente confortável”, avalia.

O governador Rui Costa destacou a possibilidade de novos negócios e desenvolvimento do setor de turismo. “Esse é um momento que abre as portas de Salvador para o Brasil. Ainda este ano teremos voos novos para outras cidades brasileiras e países. Também pretendemos fazer uma nova concessão para os aeroportos de Vitória da Conquista, Ilhéus e Porto Seguro”.

Também presente no evento, o prefeito ACM Neto ressaltou que as reformas funcionam como via de geração de emprego e renda, além de maior fluxo econômico. "Temos certeza de que Salvador deverá se consolidar como um dos principais destinos do Brasil e ser competitiva também no turismo internacional".

Vinci inicia obras de requalificação do aeroporto de Salvador

Escadas rolantes funcionando, ar-condicionado eficiente, pistas de pouso e decolagem maiores, e mais conforto para os passageiros. Essas são algumas das promessas feitas pela Vinci, na manhã desta quinta-feira (19), para o Aeroporto Internacional Deputado Luís Eduardo Magalhães. A empresa francesa assumiu a administração do espaço desde janeiro deste ano.

Em entrevista ao Correio, na segunda (16), a diretora de comunicação da Vinci Airports e da Vinci Concessions, Anne Le Bour, contou que a empresa aposta em uma receita com quatro ingredientes básicos: o aumento do tráfego aéreo, o desenvolvimento de receitas não aéreas e o desenvolvimento de infraestrutura de forma complementar à gestão e na própria operação do equipamento.

Nesta quinta (19), o presidente global da Vinci Airports, Nicolas Notebart, e da concessionária, Júlio Ribas, anunciaram que o aeroporto será ampliado em mais de 20 mil metros quadrados. A empresa afirmou que vai investir cerca de R$ 2 bilhões ao longo da concessão, que tem validade de 30 anos, sendo que R$ 700 milhões serão aplicados nesta primeira fase, que será concluída no segundo semestre de 2019.

"Vamos aumentar em 20 mil m² a área do aeroporto, ampliando a capacidade comercial e de conforto para os passageiros. As duas pistas passarão por reforma para ampliar a capacidade e também a segurança operacional, além de outras mudanças", contou Ribas.

Ele disse que algumas melhorias já foram feitas no terminal, como mudanças na climatização e na iluminação do aeroporto, além de reformas nos banheiros. Por conta das reformas já iniciadas, as lojas que ficam na área de embarque internacional foram transferidas para o outro lado do saguão.

A empresa afirmou que vai ampliar também o número de fingers (pontes de embarque) do terminal, de 11 para 17 pontos.

Turismo

O governador Rui Costa e o prefeito ACM Neto também participaram do evento, além de deputados, secretários, prefeitos e outras autoridades públicas. O prefeito lembrou que o início das obras nesta quinta-feira coincidiu com as homenagens póstumas ao tio dele. A missa pelos 20 anos da morte do deputado Luís Eduardo Magalhães, que dá nome ao aeroporto, será realizada nesta sexta-feira (20), às 9h, no Mosteiro de São Bento. O prefeito falou também da importância das reformas.

"Isso vai ao encontro do que é hoje a nossa principal preocupação econômica com o futuro da cidade, que é estimular a sua principal indústria: o turismo. Nós temos certeza que com o novo aeroporto, Salvador vai ter a perspectiva de se consolidar como um dos principais destinos do Brasil e ser competitivo em termos internacionais", comentou Neto.

O prefeito contou que montou uma equipe especial na Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur) para avaliar os alvarás e as licenças da obra do aeroporto. O objetivo, segundo o gestor, foi evitar atrasos nessas concessões, agilizar os documentos e trabalhar na desburocratização dos processos.

Neto aproveitou ainda para lembrar que a ordem de serviço para a construção do novo Centro de Convenções municipal será assinada em maio. A obra vai durar cerca de um ano. Depois que estiver pronto, o equipamento deverá atrair, além dos visitantes comuns, turismo de negócios para a cidade.

Licitações

Já o governador Rui Costa afirmou que as mudanças no aeroporto são importantes para atrair mais turistas para o estado e movimentar a economia, e reconheceu a necessidade de reforma do equipamento.

"Há um desejo e uma ansiedade grande de todos os baianos e baianas que esse aeroporto tivesse uma gestão profissional, moderna e inovadora, que realizasse os investimentos que ele precisava há muitos anos. Nos incomodava muito ver a porta de entrada do nosso estado nessas condições", afirmou.

Rui disse também que fará novas concessões para os aeroportos de Vitória da Conquista, no Sudoeste, Ilhéus e Porto Seguro, no Sul do estado. As licitações vão estabelecer também a construção de novos sítios aeroportuários nessas regiões. O governador disse que está em negociação com algumas empresas aéreas para a ampliação do número de voos em Salvador, em troca da redução de ICMS sobre os combustíveis.

Bem-humorado, Rui brincou com os prefeitos ACM Neto, de Salvador, e Moema Gramacho, de Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador: "A prefeita Moema ficou entusiasmada quando o diretor da Vinci falou que o aeroporto foi feito, em 1920, na Santo Amaro de Ipitanga, que é o nome antigo de Lauro de Freitas. Já, já, prefeito, ela vai querer tomar o aeroporto de Salvador... Ela abriu logo um sorriso largo quando foi contada a história da construção em Santo Amaro de Ipitanga. Mas hoje é Salvador, Moema, não tem jeito não", disse Rui, provocando gargalhadas.

Queixas

Quem circula pelo aeroporto, seja a trabalho ou a passeio, disse que a reforma é mais que necessária. A aeromoça Sheyla Oliveira, 30 anos, mora em Brasília (DF), mas trabalha no aeroporto de Salvador há dois anos. Ela passa com frequência pelos principais terminais do país e listou alguns dos problemas percebidos.

"A sala de embarque de Salvador é muito quente. Nesses dias, o clima está mais fresco porque está chovendo, mas no dia a dia é bastante incômodo. É preciso aumentar também a quantidade de fingers (pontes de embarques), e o número de esteiras para embarque”, disse.

O técnico de mineração Marcos Rocha, 31, viajou com a esposa, a corretora Ingrid Rocha, 28, e o filho Heitor, 2, de Minas Gerais para passar uns dias em Salvador. Ele considerou a estrutura do aeroporto soteropolitano boa, mas disse que está atrasada em relação ao de Belo Horizonte.

“A estrutura não é ruim, mas eles precisam melhorar alguns pontos, como a quantidade de locais para fazer o check. As filas estão muito grandes”, opinou Marcos.

Alguns funcionários que trabalham no aeroporto contaram que existem problemas que só aparecem em momentos específicos. A vendedora Rilca Beatriz Santos, 31, trabalha há dois anos em uma loja do prédio e citou alguns deles.

“Quando chove é terrível. Tem goteiras e alagamentos. A gente espera que essa reforma aconteça mesmo, porque o aeroporto precisa e os baianos e turistas merecem. É preciso que exista mais funcionários para orientar os passageiros, porque eles tiram dúvidas com a gente. Aquele pessoal do ‘posso ajudar’ ninguém vê por aqui”, apontou.

Enquanto a Vinci anuncia o início das reformas e promete grandes interferências, passageiros e funcionários fazem planos e sonham alto com as mudanças.

 

Fonte: Correio/A Tarde/Municipios Baianos

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