25/04/2018

Bahiafarma inicia fornecimento de insulina para o SUS

 

Com um faturamento previsto de R$ 206 milhões somente este ano, a Bahiafarma, laboratório público do estado da Bahia, em parceria com a empresa ucraniana Indar, começa a fornecer esta semana insulina para atender ao Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o País.

O contrato prevê o abastecimento de postos e demais unidades de saúde com 20 milhões de doses do hormônio essencial para o controle do diabetes: 650 mil doses já serão distribuídas até o final deste mês, passando a dois milhões de doses mensais a partir de maio.

O laboratório baiano fica, portanto, responsável pelo atendimento de 50% da demanda de insulina do Ministério da Saúde e passa a fornecer para o SUS as insulinas de maior uso: a Regular (R) e a de ação prolongada, NPH.

Os produtos, nesse primeiro momento, não serão produzidos na Bahia e, sim, pela empresa ucraniana Indar, que é referência internacional no setor, sendo parceira do governo baiano no projeto de desenvolvimento tecnológico e construção de uma fábrica de insulina, a ser instalada no município de Dias D’Ávila, na região metropolitana de Salvador.

Etapas

“Enquanto a fábrica está sendo construída, vamos primeiro importar a insulina, ficando a Bahiafarma responsável pelo produto no Brasil, inclusive quanto ao controle de qualidade; depois, vamos envazar o produto até, finalmente, começarmos a produção na Bahia”, explica o presidente da Bahiafarma, Ronaldo Dias.

O projeto tem apoio do Ministério da Saúde que vem estimulando o desenvolvimento das chamadas parcerias para o desenvolvimento produtivo (PDPs), a exemplo da firmada entre o governo baiano e o laboratório ucraniano, visando à instalação da fábrica no Brasil.

O objetivo é contar com maior segurança no suprimento do produto com menos exposição às flutuações de preços praticados pelos grandes controladores globais da produção de insulina, já que o País tem grande demanda pelo produto: de acordo com dados do ministério, somente entre os portadores de diabetes tipo 1, dependentes regulares de insulina, já são mais de 600 mil brasileiros.

Novo segmento

Dentre as vantagens mais imediatas está o fato de que, com o fornecimento pela Bahiafarma, o SUS passa a fazer a aquisição da insulina por um preço muito menor, facilitando o acesso do medicamento para milhares de portadores do diabetes.

Ronaldo Dias destaca ainda que, além dos impactos positivos na área de saúde, no caso da economia baiana, a operação representa o desenvolvimento de um novo segmento industrial baiano e a cadeia produtiva. “Mesmo diante da alta tecnologia, a fábrica prevê a geração de até 300 empregos diretos e mil indiretos”, frisa.

Anvisa autoriza venda de novos genéricos para HIV e pressão alta

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu aval para a comercialização de quatro novos medicamentos genéricos. A autorização foi publicada na edição desta segunda-feira, 23, do Diário Oficial da União (DOU). Um deles é o Entricitabina combinado com Fumarato de Tenofovir Desoproxila, produto usado para o tratamento de pessoas que contraíram o vírus HIV. O medicamento de referência é o Truvada, cujas indicações incluem a profilaxia pré-exposição (PReP), usada para reduzir o risco de infecção pelo vírus adquirido sexualmente em adultos de alto risco. No Brasil, a detentora do registro é a Blanver Farmoquímica e Farmacêutica S/A.

Outro produto genérico inédito com registro aprovado pela Anvisa é o Perindopril Erbumina combinado com Indapamida, indicado para o tratamento da hipertensão arterial (pressão alta), que acomete uma a cada quatro pessoas adultas, segundo dados da Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH). A empresa detentora do registro no país é a EMS S/A.

Entre os produtos aprovados pela Anvisa, está também o genérico inédito Bilastina, indicado para o tratamento sintomático de rinoconjuntivite alérgica (intermitente ou persistente) e urticária. A empresa detentora do registro é a EMS S/A. A Anvisa ainda autorizou a venda do medicamento genérico Undecilato de Testosterona. Esse produto é usado em terapias de reposição de hormônio sexual em homens que apresentam hipogonadismo primário e secundário (doença que faz com que homens produzam pouca testosterona). A detentora do registro desse medicamento no Brasil é Eurofarma Laboratório S/A.

Preço

Pela legislação brasileira, o medicamento genérico deve ser disponibilizado no mercado com um desconto de, pelo menos, 35% em relação ao preço máximo da tabela da Anvisa. Somente em 2016, foram comercializadas 1,46 bilhão de embalagens de genéricos no Brasil. Essa quantidade representou 32,4% de todas as vendas efetuadas no ano, de acordo com informações da segunda edição do Anuário Estatístico do Mercado Farmacêutico 2016, lançado do pela Anvisa em 2017.

Vacina contra dengue só pode ser tomada por quem já teve doença, confirma OMS

A vacina contra dengue, vendida na rede privada na maior parte do Brasil, não deve ser tomada por pessoas que nunca tiveram a doença.

A informação foi confirmada na última quinta-feira (19) pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade recomenda, segundo o G1, a realização de um teste antes da aplicação do imunizante.

O Dengvaxia é fabricado pelo laboratório francês Sanofi Pasteur e é a primeira vacina do mundo licenciada contra a dengue. "Agora temos informações mais claras de que a vacina precisa ser tratada de forma mais segura, sendo aplicada exclusivamente em pessoas já infectadas", disse Alejandro Cravioto, presidente do Grupo de Especialistas em Aconselhamento Estratégico da OMS (SAGE), durante um encontro em Genebra, Suíça.

Em novembro de 2017, a própria fabricante realizou análises e chegou à conclusão de que a vacina poderia aumentar o risco de dengue grave em pessoas que nunca foram expostas à doença.

O Ministério da Saúde afirmou que o Comitê Técnico Assessor de Imunizações (CTAI) recomendou a não introdução da vacina para dengue produzida pela Sanofi no Sistema Único de Saúde (SUS) até a finalização dos estudos de custo-efetividade.

Cientistas brasileiros testam combinação de vacinas com resultado duradouro contra câncer

Uma combinação de vacinas contra o câncer tem apresentado resultados duradouros no combate à doença em camundongos.

Desenvolvida por pesquisadores do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), do Centro Nacional de Pesquisa em Energia de Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), a vacina tem o objetivo de estimular o sistema imune contra células tumorais que antes passavam desapercebidas. Uma vez detectadas, o próprio corpo passa a combatê-las.

Esse tipo de estratégia já é conhecida e descrita na literatura médica. O que os pesquisadores brasileiros fizeram foi combinar diversas vacinas e observaram resultados promissores. "Nós combinamos vacinas diferentes que fizemos no nosso laboratório, de modo a verificar a sinergia entre elas. Observamos que algumas combinações, além de muito efetivas para eliminar completamente o câncer, também conseguiram prevenir, evitar que os animais testados desenvolvessem um novo câncer", afirmou o coordenador da pesquisa, Marcio Chaim Bajgelman.

De acordo com ele, os camundongos que receberam a vacina conseguiram combater as células cancerígenas iniciais, mantiveram uma "memória" sobre elas e as eliminaram quando infectadas pela segunda vez.

"Administramos novamente células de câncer e verificamos que houve uma proteção duradoura. Essas células não conseguiram se desenvolver e os animais eliminaram a primeira e a segunda levas de células tumorais", explicou.

Segundo o pesquisador, os pacientes com câncer, em muitos casos, apresentam recidiva – a volta da doença após o tratamento inicial. Muitas vezes o câncer volta mais forte e o medicamento usado inicialmente não surte efeito.

"No nosso caso, verificamos a possibilidade de induzir uma resposta duradora que poderia prevenir essa recidiva", afirmou. Apesar dos bons resultados em roedores, ainda não foi observado o desempenho esperado nos ensaios com humanos.

Redução de peso pode evitar 15 mil casos de câncer por ano no País

A redução de peso poderia evitar ao menos 15 mil casos de câncer por ano no Brasil. Esta foi a constatação de um estudo realizado pelo Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) com colaboração da Universidade de Harvard.

A pesquisa mostrou ainda que, até 2025, casos da doença ligados à obesidade e ao sobrepeso devem chegar perto do dobro, totalizando 29 mil ocorrências. "Nós nos baseamos em diversas bases de dados. Primeiramente, na pesquisa de renda familiar do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2002 e, depois, de 2012. Para dados sobre cânceres, nós usamos dados da Agência Internacional da Pesquisa em Câncer (IARC) e também as estimativas que o Inca (Instituto Nacional de Câncer) produz, porque ele tem dados por Estado", explica o pesquisador Leandro Rezende, um dos autores do estudo, que foi publicado na revista científica Cancer Epidemiology.

"Nós elencamos 14 tipos de câncer estudados, todos cânceres que são associados ou têm como fator de risco o excesso de peso e obesidade. Com os dados da PNS (Pesquisa Nacional de Saúde) 2013, a gente verificou o número de pessoas com sobrepeso. Com isso, chegamos à evolução do câncer nesse período de dez anos. De quantos casos de câncer que ocorreram seriam evitáveis se não fosse o excesso de peso, fizemos a estimativa para 2025 e chegamos à conclusão de que esse número pode dobrar de acordo com a estimativa de crescimento da taxa de sobrepeso e obesidade do País. Rezende afirma que a pesquisa não leva em consideração mudanças neste período, como quedas nos níveis de obesidade.

O estudo, resultado de uma bolsa de pesquisa no exterior da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), apontou que 3,8% dos 400 mil casos de câncer diagnosticados por ano no País estão ligados ao peso elevado. O levantamento também constatou que as ocorrências são mais comuns em mulheres. "Três dos 14 tipos de câncer analisados são quase exclusivamente femininos, por exemplo, o câncer de mama, que pode acometer homens também, mas é mais raro, e ovário e colo do útero. O excesso de peso e obesidade são maiores em mulheres no Brasil. Isso contribui", diz Rezende.

Segundo a avaliação dos pesquisadores, o crescimento no poder econômico dos brasileiros registrado nos últimos anos aumentou hábitos de consumo, mas não fez com que as pessoas buscassem uma alimentação mais saudável. "A aquisição de alimentos ultraprocessados tem crescido e, nesse cenário, é importante haver políticas que regulamentam a venda, publicidade, rotulagem, taxação de certos alimentos, como bebidas açucaradas, que incluem sucos e refrigerantes. Essas medidas têm sido adotadas em alguns países da Europa, no Chile também, e já têm mostrado resultados", afirma.

Para José Eluf Neto, professor titular da Faculdade de Medicina da USP e orientador do estudo, os dados revelam a necessidade de mudança de hábitos, com a inclusão de políticas que incentivem a alimentação saudável e a prática de atividades físicas. "Com o envelhecimento da população já teremos mais casos de câncer, mas a obesidade contribui para aumentar esse número. As pessoas abandonaram o hábito de comer arroz, feijão e verduras. Tem de se estimular a compra direto do produtor rural. Outra questão é o exercício. Deveria ter uma política pública para que as pessoas pudessem fazer exercícios perto de casa em parques, ciclovias, porque a população não tem dinheiro para pagar um personal trainer, até porque a obesidade está mais frequente nas classes mais populares". Os pesquisadores ainda estão verificando a influência de fatores como sedentarismo, tabagismo e consumo de álcool para a incidência de câncer. O objetivo é apontar quantos casos da doença poderiam ser evitados no Brasil.

Tontura muito raramente é sintoma de labirintite, alertam especialistas

Terceira maior queixa dos pacientes em consultórios, a tontura atinge cerca de 30% da população mundial, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Para alertar sobre este sintoma que pode indicar diferentes tipos de doenças, a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia instituiu este ano a data 22 de abril como o Dia da Tontura, cujo lema é "Pare de falar labirintite".

O objetivo desmistificar e chamar a atenção da população de que muitas vezes o sintoma é associado erroneamente com a labirintite – uma doença rara e difícil de ser curada. A confusão pode ocorrer devido a escrita, entre os problemas no labirinto e a própria labirintite, conforme alertam especialistas.

Em entrevista à Tribuna da Bahia, a médica otorrinolaringologista e otoneurologista Ana Maria Moinhos explicou que as tonturas mais comuns são de origem do labirinto ou de origem periférica. O labirinto é uma estrutura localizada na região interna da orelha, ligada à audição, sendo responsável por manter o equilíbrio a partir da percepção de posição do corpo.

Sendo assim, qualquer alteração no corpo, como pescoço, ouvido ou até mesmo na coluna cervical podem causar tonturas. Alterações metodológicas, como na glicemia e no colesterol também podem revelar o sintoma.

De acordo com Ana Maria, muitas dessas labirintopatias, que são doenças ligadas ao labirinto, são erroneamente associadas a labirintite – doença embasada pelo mito de que não tem cura. "Os pacientes desistem de procurar a verdadeira causa e, assim, tentam viver com a doença, usando predicamentos que podem até piorar o quadro. A tontura é um sintoma que pode indicar várias patologias, inclusive doenças graves", esclarece.

“A labirintite é, na verdade, uma inflamação raríssima desse labirinto. Existem diversas outras doenças do labirinto e do sistema vestibular com sintomas parecidos, que têm tratamentos específicos. Há, ainda, a possibilidade de uma tontura ser, na verdade, um problema neurológico, cardíaco ou psiquiátrico”, completou.

Tontura ao ler em movimento não é labirintite

Um erro também bastante comum é associar à labirintite àquela tontura quando se está lendo em movimento durante viagem em algum transporte. Nesse caso, trata-se de cinetose, uma doença causada justamente pela movimentação durante viagens. “Essa doença também é de caráter benigno. O que ocorre é uma dissociação entre os sinais dos olhos com os sinais do labirinto para o cérebro. Enquanto o labirinto diz que estamos em movimento, os olhos dizem que estamos parados – porque estamos com olhar fixo na página. Essas informações truncadas no cérebro dão a sensação de mal-estar, podendo dar náuseas, vômito, sensação de flutuação. Fazemos a reabilitação labiríntica e o paciente fica bom”, detalhou.

Como a tontura pode ser um sinal de doenças graves, os especialistas recomendam sempre uma consulta médica. “Qualquer tontura é bom que se procure um médico. De preferência, um otorrinolaringologista. A maioria das causas de tontura quem cuida é o otorrinolaringologista, porque é de origem labiríntica. E dentro da otorrinolaringologia, tem o otoneurologista, que é o médico que cuida da nossa estabilidade corporal”, destacou Ana Maria Moinhos.

 

Fonte: A Tarde/BN/Tribuna/Municipios Baianos

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