28/04/2018

Propina faz Fifa banir Del Nero para sempre do futebol

 

O presidente suspenso da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Marco Polo Del Nero, foi banido do futebol pelo comitê de ética da Fifa por ter recebido propina, anunciou a federação internacional de futebol nesta sexta-feira.

A Fifa informou que Del Nero foi investigado devido a envolvimento em "esquemas nos quais ele recebeu propina por seu papel na concessão de contratos a empresas pelos direitos de mídia e de marketing de vários campeonatos de futebol".

Del Nero, ex-membro do comitê executivo da Fifa, está entre os 42 dirigentes de futebol e executivos de marketing esportivo indiciados nos Estados Unidos em 2015 em um escândalo de corrupção que provocou a maior crise da história da Fifa.

Del Nero já havia se 'queimado' ao fugir de hotel na Suíça

uma ação rápida na manhã de 27 de maio de 2015, em Zurique, na Suíça, agentes do FBI e da polícia local prendiam vários dirigentes esportivos, entre eles o vice-presidente da CBF, José Maria Marin, acusados de crimes de corrupção. De sua suíte, ainda aturdido com a presença ali de homens fardados e com a ordem de prisão, Marin mal conseguia falar. Solidária e ao mesmo tempo atônita, sua esposa, dona Neusa, tomada por um impulso, tem a ideia de telefonar para Marco Polo Del Nero, hospedado em outro quarto do hotel. Vai lhe pedir ajuda. - Presidente, estão aqui na nossa suíte levando o meu marido preso. Eu não sei o que está acontecendo. Estou muita nervosa. Ele está trêmulo. Por favor, faça alguma coisa.

Do outro lado da linha, Del Nero, então presidente da CBF, já informado por seu assistente Alexandre da Silveira sobre a operação contra a cúpula do futebol mundial, tenta tranquilizar dona Neusa: - Fique tranquila. Estou indo aí.

Del Nero não só não apareceu no quarto de Marin como acelerou sua saída do hotel. Horas mais tarde, viajava de volta ao Brasil, deixando de participar de um congresso da Fifa.

A conversa de dona Neusa com Del Nero foi reproduzida meses depois ao Terra pelo vice da CBF, Delfim Peixoto, que mantinha boa relação de amizade com a esposa de Marin e defendia publicamente a punição para os que haviam se beneficiado da CBF com vantagens indevidas. Delfim morreu na queda do avião da Chapecoense, em novembro de 2016, na Colômbia.

O fato narrado acima nem requer uma interpretação mais aprofundada. Basta que lhe seja aplicada a máxima do ‘quem não deve, não teme’ para que haja uma conclusão sobre a reação de Del Nero tão logo soube da detenção de Marin.

Desde aquela data, Del Nero se viu refém das investigações da Justiça dos EUA. No final de 2015, veio a público a informação de que ele e o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, estavam indiciados pela justiça norte-americana, por crimes de corrupção. Pesam contra eles, entre outras acusações, a de aceitar benefícios ilícitos em transações comerciais envolvendo competições de futebol.

Impedido de sair do Brasil por receio de ser preso pelo FBI, Del Nero esteve ausente em dezenas de compromissos oficiais no exterior pela CBF – assembleias e reuniões da Fifa, da Confederação Sul-Americana de Futebol, jogos da Seleção brasileira, etc.

Temeroso de que uma punição severa da Fifa lhe tirasse do cargo ainda em 2015 ou em 2016, ele fez várias manobras na CBF para se manter no poder. Contou para tanto com o empenho do diretor Rogério Caboclo, seu braço direito na entidade e eleito há duas semanas como o novo presidente da CBF – numa articulação liderada pelo próprio Del Nero.

Projetado como presidente da CBF num acordo com Ricardo Teixeira, Del Nero não conseguiu sair do ostracismo desde abril de 2015, quando tomou posse. Sem poder representar a CBF fora do País, decidiu investir firmemente nas federações estaduais – detentoras de poder suficiente para determinar a quem cabe o controle da CBF. Aumentou por várias vezes o ‘mensalinho’ para essas entidades – hoje recebem por mês R$ 75 mil e seus presidentes ganham por fora mais R$ 25 mil mensais da confederação.

Assim, conseguiu se sustentar no cargo, enquanto preparava Caboclo para alguma eventualidade. Suspenso por 90 dias em dezembro de 2017 pela Fifa, ele anteviu ali seu banimento definitivo do futebol. Por isso, apressou o processo de sua sucessão com Caboclo sob sua tutela. Duas semanas atrás, houve a eleição e os clubes, renegados em toda a discussão eleitoral, acabaram avalizando o candidato da continuidade. Só Flamengo, Corinthians e Atlético-PR não homologaram o nome do novo testa de ferro do futebol brasileiro.

É um grande absurdo, diz Del Nero sobre banimento pela Fifa

Marco Polo Del Nero disse nesta sexta-feira à Reuters que considera a decisão da Fifa de bani-lo para sempre do futebol "um grande absurdo" e vai recorrer da decisão.

Del Nero, que estava afastado da presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) desde que fora suspenso preventivamente por 90 dias pela Fifa em dezembro do ano passado, foi investigado pelo comitê de ética da federação internacional por suspeita de recebimento de propina.

Segundo a Fifa, o dirigente brasileiro foi considerado culpado de participação em "esquemas nos quais ele recebeu propina por seu papel na concessão de contratos a empresas pelos direitos de mídia e de marketing de vários campeonatos de futebol".

"Vi sim a notícia da Fifa e só posso classificar a decisão como um grande absurdo", disse Del Nero à Reuters em rápida entrevista por telefone pouco após o anúncio do banimento.

Del Nero, ex-membro do comitê executivo da Fifa, está entre os 42 dirigentes de futebol e executivos de marketing esportivo indiciados nos Estados Unidos em 2015 em um escândalo de corrupção que provocou a maior crise da história da Fifa.

Os dois antecessores imediatos de Del Nero, José Maria Marin e Ricardo Teixeira, também estão entre os indiciados nos Estados Unidos.

Veja como foi a trajetória de Del Nero até ser banido do futebol

O Comitê de Ética da Fifa anunciou nesta sexta-feira que Marco Polo Del Nero está banido de qualquer atividade relacionada ao futebol pelo resto da vida. Em nota oficial, a entidade informa que o presidente da CBF foi afastado da modalidade pela investigação que o considerou culpado de violar o artigo 15 (Lealdade), artigo 19 (Conflito de Interesses), o artigo 20 (Oferecer e aceitar presentes e benefícios) e artigo 21 (Suborno e Corrupção).

Porém a história de Del Nero no futebol é antiga e começou logo em sua infância. Seu pai, José Del Nero, era jogador profissional e fez sucesso como meia-campista do Palmeiras, se consagrando pentacampeão paulista pelo Alviverde nos anos 1930 e 1940. E foi o mesmo clube que marcou o início da carreira de Marco Polo no futebol nacional. Nomeado como diretor da Comissão de Sindicância do Verdão, o ex-presidente da CBF também exerceu outras funções, como a de diretor de futebol e secretário do Conselho de Orientação, diretor jurídico e Fiscalizador do Palmeiras, até se tornar conselheiro vitalício.

Del Nero passou a integrar o Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Paulista de Futebol em 1985 e foi vice-presidente na gestão de Eduardo Farah, que esteve no poder de 1988 a 2003. Logo após Farah deixar o cargo, Marco Polo foi eleito o novo presidente da Federação Paulista, em 2003, e reeleito em 2010, permanecendo até 2014.

Inúmeras polêmicas marcaram a longa gestão do cartola. Em 1990, Del Nero lançou um Manual da Federação onde o São Paulo figurava como rebaixado na edição daquele ano do Campeonato Paulista. Fato que acabou revoltando os tricolores e fez o clube romper com a Federação por um período.

Outro caso polêmico aconteceu em 2009, também envolvendo Del Nero com o Tricolor, em que ele acabou suspenso pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva por 90 dias. O dirigente acusou o árbitro Wagner Tardelli de receber ingressos para show da cantora Madonna, que aconteceria no Morumbi, e de acordo com ele, os bilhetes teriam sido entregues por uma secretária do São Paulo dias antes da última rodada do Campeonato Brasileiro de 2008, no duelo entre São Paulo e Goiás, partida que acabou garantindo o título da equipe paulista. Atitude que impediria Tardelli de apitar a partida. O juiz chegou a ser afastado mas logo comprovou sua inocência, o que acabou desmoralizando Del Nero que logo entraria com recurso e seria absolvido, retomando o cargo sem qualquer problema.

Antes disso, já havia sido indicado para ser o chefe da delegação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo da Alemanha, em 2006, e atuado como vice de José Maria Marin, momento em que foi ganhando força dentro da entidade máxima do futebol brasileiro e logo foi apontado como substituto de Marin. Assim, o cartola assumiu o cargo mais alto da CBF em 16 de abril de 2015.

Entretanto, logo que assumiu o posto de forma oficial, Del Nero viu o escândalo envolvendo a Fifa explodir. Em maio de 2015, a operação Fifagate derrubou diversos dirigentes renomados, onde foram presos em um hotel de luxo na Suíça, inclusive seu antigo companheiro José Maria Marin estava entre os condenados.

Marin estava sob prisão domiciliar em seu apartamento em Nova York, mas hoje está cumprindo sua pena em uma penitenciária. O cartola foi acusado de fazer parte de esquemas de propinas, recebendo contratos para companhias de mídia e marketing envolvidas com direitos de torneios como a Copa do Brasil, Copa Libertadores e também a Copa América.

Ex-executivos das empresas que tinham direito de competições, Torneos e Traffic, acusaram Del Nero de receber subornos por contratos. Fala-se que o dirigente ganhou US$ 6,5 milhões em propinas por acordos de torneios como a Copa América e Libertadores. O cartola sempre negou as acusações que foram confirmadas pelo comitê da Fifa.

Ato este que fez Marco Polo também ser aguardado pela Justiça norte-americana e desde então não pode deixar o território brasileiro, nem mesmo para viagens da Seleção Brasileira ou eventos da Fifa, já que pode ser preso caso saia do país. Com isso, a Fifa baniu o dirigente de todas as atividades relacionadas ao futebol em 15 de dezembro de 2017, por meio do Comitê de Ética da entidade.

Além do banimento publicado em nota oficial pela Fifa nesta sexta-feira, o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol foi multado em 1 milhão de francos suíços (R$ 3,51 milhões). E a maior entidade do futebol nacional já teve eleito um novo sucessor que só assume em abril de 2019, o ex-diretor Executivo de Gestão da CBF, Rogério Caboclo. Por enquanto Antônio Carlos Nunes, o Coronel Nunes, assume a presidência da CBF.

Copa do Mundo: empresa aérea russa cobra menos de R$ 1 por passagem

O patrão ficou maluco! Principal companhia aérea da Rússia, a Aeroflot fez uma promoção incrível visando os torcedores de futebol que estarão no país para a Copa do Mundo: passagens aéreas por 10 rublos, equivalente a R$ 0,56 centavos.

A intenção da promoção é estimular a participação dos torcedores russos nos primeiros jogos da Seleção no Mundial. Assim, as passagens só são válidas para Moscou, São Petersburgo e Samara, cidades que receberão o time russo na primeira fase da Copa. Já as cidades de origem são as mais diversas, incluindo Vladivostok, cidade mais oriental do país.

  • Vitali Saveliev, presidente da Aeroflot, prevê sucesso na medida:

- Queremos que nossa equipe faça um bom papel e os fãs estejam felizes. Esperamos vender cerca de 70 mil bilhetes promocionais. Estamos depositando grandes expectativas em nosso time. Se a equipe avançar, este número certamente aumentará. Mas estamos partindo desta base de 70 mil.

A promoção, no entanto, só é válida para cidadãos russos que tenham comprado entradas para os jogos e possuam a Fan ID, documento criado pelo Comitê Organizador Local para aumentar a segurança nos estádios. Para torcedores de outras nacionalidades, o meio de transporte mais barato é o trem, que fará conexão entre as cidades-sede gratuitamente para quem tem ingresso.

 

 

Fonte: Reuters/Terra/Lance/Municipios Baianos

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