03/05/2018

5 fatores que podem estar fazendo engordar sem que saiba

 

Muita gente acredita que a luta contra a obesidade é apenas uma questão de força de vontade para manter uma dieta, mas as pesquisas médicas mais recentes sugerem o contrário.

O documentário da BBC The Truth About Obesity ("A Verdade Sobre a Obesidade", em tradução livre), elenca cinco fatores que podem estar afetando o seu peso sem que você saiba.

1. O seu microbioma

O corpo humano é repleto de micro-organismos - há mais células de bactérias, fungos e vírus presentes em nosso organismo do que células humanas. Em número, os micro-organismos são 57% das células no corpo humano, embora as células humanas sejam maiores e representem mais massa e volume.

O entendimento científico dominante hoje é que esses micro-organismos - o chamado microbioma - têm um papel enorme em diversos fatores na nossa vida e na nossa saúde, incluindo o peso.

Afinal, a maior parte desses organismos estão no nosso sistema digestivo.

"Quanto maior a diversidade de microorganismos, mais magra é a pessoa. Se você tem sobrepeso, seus micróbios não são tão diversos como deveriam ser", explica o epidemologista Tim Spector, do King's College, em Londres.

Um exemplo são as gêmeas Gillian e Jackie: são muito parecidas, mas uma tem 41 quilos a mais do que a outra.

Spector acompanhou a saúde das duas durante 25 anos como parte do projeto de pesquisa Twin Research UK, que registra gêmeos no Reino Unido. Ele diz que a diferença de peso entre as irmãs se deve às diferenças em suas faunas microbianas.

Uma análise das fezes das gêmeas mostra que Gillian, a mais magra das duas, tem uma gama muito mais diversa de micróbios, enquanto Jackie tem poucas espécies de microorganismos vivendo em seu intestino.

Um estudo feito por Spector com 5 mil pessoas mostra resultados similares.

Diversos fatores afetam a diversidade dos micro-organismos no corpo humano - do tipo de parto aos antibióticos usados durante a vida.

Parte dos microorganismos são herdados da mãe, durante o parto normal. Outros são adquiridos no ambiente. Mas a maior parte vêm - e se prolifera - pela alimentação.

"Toda vez que você come, alimenta cem bilhões de micróbios. Você nunca janta sozinho", diz Spector.

Uma dieta rica em fibras, por exemplo, ajuda o microbioma intestinal a se desenvolver de maneira saudável.

2. A loteria dos genes

Porque algumas pessoas seguem dietas rigorosas e fazem exercício regularmente e mesmo assim sofrem para conseguir perder peso, enquanto outras se alimentam mal e são sedentárias, mas continuam magras?

Pesquisadores da Universidade de Cambridge dizem que os genes que herdamos têm uma influência de 40% a 70% sobre nosso peso.

"É uma loteria", diz a médica Sadaf Farooqi, pesquisadora da Universidade de Cambridge. "Os genes estão envolvidas na regulação do peso e - se você tem uma falha em alguns genes, isso pode ser suficiente para estimular a obesidade."

Certos genes afetam o apetite - da quantidade de comida que se tem vontade de comer ao tipo de alimento que alguém pode preferir. Outros afetam a forma que queimamos calorias e se nossos corpos administrarão a quantidade de gordura de maneira eficiente.

Há pelo menos 100 genes que podem afetar o peso, incluindo um chamado MC4R. Acredita-se que uma em cada mil pessoal tenha uma mutação no MC4R, que afeta a fome e o apetite. As pessoas com essa mutação tendem a ter mais fome e comer comida mais gordurosa.

"Realmente não há nada que se possa fazer em relação aos genes. Mas, para algumas pessoas, saber que os genes as predispõem a engordar pode ajudar a lidar com a questão da dieta e dos exercícios", explica a pesquisadora.

3. A rotina

Há um fundo de verdade no velho ditado: "tome café da manhã como um rei, almoce como um lorde e jante como um mendigo".

O médico James Brown, especialista em obesidade, diz que quanto mais tarde comemos, maior a probabilidade de que ganhemos peso. Não porque estamos menos ativos à noite, como muitos acreditam, mas por cuasa de nosso relógio biológico.

"O corpo humano está programado de forma que manejamos com maior eficiência as calorias durante o dia, quando há luz, do que à noite, quando está escuro", explica ele.

Durante a noite, nosso corpo tem mais dificuldade de digerir gorduras e açúcares.

Na última década, a hora do jantar no Reino Unido, na média, passou das 17h para as 20h - e isso contribuiu para o aumento nos níveis de obesidade do país, segundo Brown.

4. O efeito visual

O pesquisador britânico Hugo Harper, que pesquisa comportamento, diz que existem formas de mudar o comportamento alimentar insconciente em vez de apenas contar calorias.

Uma estratégia, diz o especialista, é eliminar as tentações visuais. Isso pode ser mais efetivo do que confiar na nossa força de vontade consciente.

Portanto é recomendável simplesmente não ter alimentos pouco saudáveis em casa, no ambiente de trabalho ou na bolsa.

É melhor ter sempre uma fruta ou algo leve por perto, caso tenha fome do caminho para casa ou no trabalho. Na cozinha, deixar os alimentos saudáveis à vista também aumenta as chances de você consumi-los.

Segundo Harper, temos uma tendência de comer sem pensar. Então uma boa ideia é tentar evitar ao máximo o hábito de comer coisas pouco saudáveis "automaticamente" - escondendo comidas gordurosas ou muito doces ou mesmo diminuindo o tamanho do prato.

5. Os hormônios

Nosso apetite é controlado por hormônios, cuja produção pode ser afetada por diversos fatores.

Alguns dos tratamentos para níveis extremos de obesidade funcionam também por controlar os hormônios.

O resultado da cirurgia bariátrica, por exemplo, não se deve apenas à redução do estômago do paciente, mas também ao efeito que ela provoca na produção de hormônios.

A cirurgia bariátrica faz com que os hormônios da saciedade sejam produzidos em maior quantidade e reduz a produção dos hormônios que causam fome.

No entanto é uma operação arriscada, usada apenas em casos graves de obesidade.

Pesquisadores do Imperial College, em Londres, conseguiram recriar os hormônios que provocam a mudança do apetite após cirurgias do tipo com o objetivo de fazer um estudo clínico sobre isso.

A pesquisa envolve dar aos pacientes, com uma injeção, uma mistura de três hormônios. Eles são utilizadas todos os dias, durante quatro semanas.

"Eles sentem menos fome, estão comendo menos e perdendo entre 2 a 8 quilos em menos de um mês", explica a médica Tricia Tan, que participa do estudo.

Ainda é preciso fazer mais testes para comprovar que o tratamento é seguro. Se for o caso, o plano é tratar os pacientes até que alcancem um peso saudável.

Como sua dieta pode influenciar a chegada da menopausa

Uma dieta rica em carboidratos pode provocar menopausa precoce, sugere um estudo da Universidade de Leeds, no Reino Unido, com 914 mulheres britânicas.

Comer muita massa e arroz foi associado à chegada da menopausa um ano e meio mais cedo do que a idade média das mulheres no Reino Unido, de 51 anos.

No entanto, também foi descoberto que uma dieta rica em peixes oleosos, ervilhas e feijões pode atrasar a menopausa natural.

Especialistas dizem, porém, que muitos outros fatores, incluindo genes, influenciam a chegada da menopausa.

Eles acrescentam que a dimensão do peso das escolhas alimentares sobre esses aspecto ainda não está clara e alertam que as mulheres não devem se preocupar em mudar o que comem com base nos resultados do estudo.

Descobertas alimentares

A pesquisa, publicada no Journal of Epidemiology & Community Health, entrevistou mulheres sobre o que costumavam comer.

Uma dieta rica em leguminosas, que inclui ervilhas, feijões, lentilhas e grão-de-bico, atrasou a menopausa em um ano e meio, em média.

Comer muitos carboidratos refinados, particularmente arroz e macarrão, foi relacionado à chegada da menopausa um ano e meio mais cedo.

Os pesquisadores levaram em consideração outros fatores potencialmente influenciadores, como o peso da mulher, a história reprodutiva e o uso de terapia de reposição hormonal (TRH), mas não conseguiram considerar fatores genéticos, que podem influenciar a chegada da menopausa.

O estudo não pôde provar qualquer relação de causa, mas oferece algumas possíveis explicações por trás das descobertas.

Por exemplo, as leguminosas contêm antioxidantes, que podem manter a menstruação por mais tempo.

Os ácidos graxos ômega-3, presentes em peixes oleosos, também estimulam a capacidade antioxidante no organismo.

Os carboidratos refinados aumentam o risco de resistência à insulina, o que pode interferir na atividade dos hormônios sexuais - e aumentar os níveis de estrogênio, que é um desses hormônios. Isso pode elevar a quantidade de ciclos menstruais, levando o estoque de óvulos a se esgotar mais rapidamente.

Implicações para a saúde

A coautora do estudo, Janet Cade, professora de epidemiologia nutricional, disse que "uma compreensão clara de como a dieta afeta o início da menopausa natural será muito benéfica para aquelas que já podem estar em risco ou ter um histórico familiar de certas complicações relacionadas à menopausa".

As mulheres que passam pela menopausa cedo têm risco aumentado de osteoporose e doenças cardíacas, enquanto as que passam por ela tardiamente têm maior risco de câncer de mama, útero e ovário.

"Este estudo não prova uma relação com os alimentos mencionados, mas certamente contribui em relação ao conhecimento limitado que temos atualmente sobre por que algumas mulheres passam pela menopausa mais cedo do que outras", diz Kathy Abernethy, enfermeira especialista em menopausa e presidente da Sociedade Britânica de Manopausa.

Saffron Whitehead, professor emérito de endocrinologia da Universidade de Londres e membro da Sociedade de Endocrinologia, disse que "esta é uma abordagem interessante para investigar o momento da menopausa", mas ponderou: "só que ainda não estou convencido de que a dieta sozinha pode explicar a idade de início da menopausa. Há muitos outros fatores envolvidos ".

Channa Jayasena, clínico-sênior e consultor em endocrinologia reprodutiva e andrologia do Imperial College, aponta que "o metabolismo do corpo desempenha um papel importante na regulação da ovulação e da menstruação".

"É tentador especular que isso forneça uma receita para retardar a menopausa. Mas, infelizmente, uma grande limitação desses estudos observacionais é sua incapacidade de provar que o comportamento alimentar realmente causa a menopausa precoce. Até que tenhamos esse tipo de prova, não vejo razão para as pessoas mudarem as suas dietas."

 

Fonte: BBC Brasil/Municipios Baianos

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