10/05/2018

“Wagner seria o nome ideal para substituir Lula”, afirma Leão

 

O vice-governador da Bahia, João Leão (PP), causou burburinho o meio político baiano ontem ao levantar a possibilidade de ser candidato ao Senado na chapa do governador Rui Costa (PT) caso o ex-ministro Jaques Wagner (PT) decida entrar na corrida presidencial no lugar de Lula – que está preso e deve ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa nos próximos meses. Indagado pela Tribuna sobre a possibilidade, Leão, no entanto, amenizou o tom das declarações e disse que o ex-presidente petista segue como candidato e que nada muda na chapa. “O nome de Wagner é o que aglutina, não só no PT, como em todos os partidos. Então, isso é uma definição que se vai ter. Mas eu conversei com Wagner e ele me disse ‘olha, Leão, o candidato vai ser Lula’. Conversei hoje, hoje, hoje...”, reforça.

O pepista corrobora com a tese de que Wagner é o nome ideal para disputar o Palácio do Planalto. Ao lado do ex-governador baiano, o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, também é um nome cotado para assumir o lugar de Lula. “É aquela história: existe a enorme vontade de nós baianos de termos um candidato à Presidência com a figura de Wagner. Acho que o nome ideal para substituir Lula seria o de Jaques Wagner”, analisa. Leão nega que tenha o desejo de assumir uma das vagas à senatoria, ao lado de Ângelo Coronel (PSD). “A minha predileção sempre foi ficar na vice-governadoria. Primeiro que estou aqui na Bahia, junto de vocês, de minha família. Meu filho pede para eu não ir para Brasília. A minha vontade é ficar aqui na Bahia e caminhar. Se Wagner tivesse se candidatando [ao Planalto], aí teríamos que dar uma mexida nisso para fortificar a chapa ao Senado”.

O vice foi sucinto ao ser questionado se a senadora Lídice (PSB) não seria a possibilidade mais tangível caso Wagner entre na disputa nacional. “É uma possibilidade também”, limita-se. Perguntado, ele comentou as manifestações que a parlamentar anda promovendo em defesa da própria candidatura. “Acho que é um direito que ela tem. Agora é aquela velha história: nós temos que definir isso dentro das cúpulas partidárias. Nós temos que reunir, sentar com o grupo político, ouvir o governador, Wagner, Otto, Lídice, Coronel e as outras lideranças políticas. Política você só faz agregando. Nunca você consegue fazer política na base da imposição. O tempo já passou”.

Ex-governador segue em campanha pró-Lula

Envolto nas especulações, Wagner segue oficialmente fazendo campanha para Lula dias depois de visitá-lo na sede da Polícia Federal em Curitiba, onde o ex-presidente está preso. Ontem, nas redes sociais, ele compartilhou uma entrevista do cientista político Alberto Carlos Almeida à Revista Fórum sobre a capacidade de transferência de votos do petista caso não seja o candidato.

"'Com #LulaLivre, é Lula lá. Sem Lula, será quem ele indicar'. Essa é uma das frases que mais tenho escutado nos últimos meses, tanto nas redes quanto nas ruas. E, segundo um dos mais respeitados sociólogos e cientistas políticos do Brasil, ela traduz com perfeição o sentimento de uma parcela considerável do eleitorado brasileiro", escreveu.

No último dia 1º de maio, o ex-governador da Bahia levantou a hipótese de a legenda não ser cabeça de chapa nas eleições e endossou a possibilidade de ser vice na campanha do pré-candidato do PDT, Ciro Gomes. A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, reagiu às declarações do ex-governador. “Mas ele não sabe que o Ciro não passa no PT nem com reza brava?”, reagiu a senadora na imprensa.

Oposição torce para que Lidice fique fora da chapa

O imbróglio que envolve a segunda vaga ao Sena na chapa de Rui Costa pode beneficiar a oposição. Isso porque, acreditam, que se a senadora Lídice da Mata (PSB) for alijada da composição, o atual deputado federal Irmão Lazaro (PSC) poderá se beneficiar na disputa pela Câmara Alta.

Segundo fontes ouvidas pelo BNews, Irmão Lazaro pode herdar os votos que seriam de Lídice. A socialista está lutando por uma vaga na majoritária, mas deve ter o nome preterido pelo do presidente da Assembleia Legislativa, Angelo Coronel (PSD).

“Ele é negro e isso será levado em consideração pela população da Bahia. Além disso, ele tem uma outra vantagem por ser evangélico. Essa possibilidade de Lídice não disputar pode ser muito positivo para o nosso grupo”, analisou um paramentar da oposição.

Se por um lado, existe a crença de que os votos de Lídice migrariam para Irmão Lazaro, a interlocutores, o deputado federal Jutahy Jr (PSDB), que também tentará uma vaga no Senado, diz que o eleitorado de Lídice se dividirá entre ele e o ex-governador Jaques Wagner, que tem vaga garantida na chapa de Rui Costa.

ACM Neto descarta apoio a Ciro Gomes

Presidente nacional do Democratas, o prefeito de Salvador, ACM Neto, descartou, por ora, a hipótese de o seu partido apoiar o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) para presidente da República na eleição deste ano. “O candidato do DEM é Rodrigo Maia. Qualquer outra cogitação, nesse momento, não passa de especulação infundada”, afirmou, em entrevista à Tribuna. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, para evitar uma derrota e o esfacelamento completo do grupo político que hoje se autodenomina de centro, o Democratas, o PP e o PR cogitariam um acordo com o ex-ministro. A possibilidade, de acordo com a publicação, estaria sendo costurada pelo próprio presidente da Câmara dos Deputados e presidenciável do DEM, Rodrigo Maia, com os aliados. Presidente do DEM na Bahia, o deputado federal José Carlos Aleluia também não gostou nada da especulação, e disse desconhecer. “Nunca participei deste tipo de conversa. Tenho dificuldades de apoiar alguém... Tenho que saber quais valores ele defende. Se não apoiar meu valores, eu não posso apoiar. O candidato do meu partido é o Rodrigo Maia”, afirmou.

Já o presidente do PDT na Bahia, o deputado federal Félix Mendonça Júnior, recebeu com surpresa a especulação. “É novidade para mim. Todo apoio é sempre bem-vindo, mas para mim isso é novidade. Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos”, ressaltou o pedetista baiano. O grupo ligado a Maia diz estar ciente de que Ciro tentará, primeiro, fechar acordo com PT e outros partidos da centro-esquerda, já que o ex-ministro é um dos principais herdeiros de voto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), caso o petista fique fora da disputa de outubro. A aposta, porém, é que, se o PT não abrir mão da cabeça de chapa, haverá uma avenida para que parte desse centro migre para a candidatura do pedetista — e ganhe algo com isso.

Parte dos petistas defende que a sigla apoie Ciro Gomes e indique o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), como postulante a vice-presidente da República. A hipótese foi aventada recentemente pelo ex-governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), que sofreu várias críticas dos correligionários após a declaração. O líder do PT na Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta, afirmou que a fala do ex-chefe do Palácio de Ondina “não expressa posição oficial do partido”. A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) preferiu minimizar a posição de Wagner, e ressaltou que o candidato do PT é Lula. "Em tempos normais, acho que ele quis dizer que o PT pode apoiar outro partido e eu acho até que deve [no futuro]. Mas neste momento, nesta conjuntura, esta não é a nossa posição", ressaltou Dilma, no evento Brazil Forum UK.

STF nega pedido para libertar Lula

A maioria dos ministros da segunda turma do STF (Supremo Tribunal Federal) negou pedido de liberdade feito pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Três dos cinco ministros que compõem o colegiado votaram contra o pedido do petista: Edson Fachin, Dias Toffoli e Gilmar Mendes.

Ainda faltam votar Ricardo Lewandowski e Celso de Mello.

Em abril, a defesa do petista apresentou um recurso contra sua prisão e pediu a liberdade de Lula. Ele foi detido em 7 de abril, depois de ser condenado e de ter um recurso rejeitado pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal), a segunda instância da Lava Jato.

De acordo com seus advogados, Lula ainda poderia apresentar outro recurso antes que o TRF-4 considerasse que a possibilidade de recorrer estava esgotada.

Relator da Lava Jato, Fachin remeteu o recurso para o plenário virtual do Supremo. Ele já havia negado recurso anterior apresentado pela defesa do petista. Toffoli, Lewandowski, Gilmar e Celso são contra prisão após condenação em segunda instância.

PLENÁRIO VIRTUAL

A votação é feita por meio de uma plataforma eletrônica interna no sistema do STF que funciona 24 horas por dia.

Os votos são mantidos em sigilo até o fim do julgamento e são computados à medida que os magistrados se manifestam. O prazo para os ministros

votarem termina na quinta (10). Se algum não votar, sua posição será computada como tendo acompanhado o relator.

Caso algum magistrado queira levar a discussão para o plenário presencial, pode pedir vista ou destaque. As sessões das turmas ocorrem nas tardes de terça-feira. Lula foi condenado em segunda instância, em janeiro, a 12 anos e um mês de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex de Guarujá (SP).

PGR pede mais 60 dias para investigar presidentes do Senado e da Câmara

A Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) mais 60 dias para finalizar um inquérito contra os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), e do Senado, Eunício Oliveira (MDB), instaurado com base em delações de ex-funcionários da Odebrecht.

Também são investigados os senadores Romero Jucá e Renan Calheiros, além do deputado Lúcio Vieira Lima, todos do MDB, por um suposto pagamento de propina de R$ 7 milhões da empreiteira em troca da aprovação de uma medida provisória relativa a incentivos tributários a produtores de etanol e à indústria química.

O pedido da PGR será analisado pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF).

MINISTRO PROPÕE ESTENDER RESTRIÇÃO DO FORO PRIVILEGIADO A TODAS AS AUTORIDADES

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), enviou ofício nesta quarta-feira (9) à presidente da Corte, Cármen Lúcia, propondo a aprovação de duas súmulas vinculantes – são regras, baseadas em entendimentos do STF, que devem ser seguidas obrigatoriamente pelas demais instâncias do Judiciário e da administração pública em geral – para estender a restrição do foro privilegiado a todas as autoridades nas esferas federal, estadual e municipal. As súmulas só não valeriam para presidente da República, que tem regra específica na Constituição.

As duas propostas de Toffoli seguem o modelo aprovado na semana passada, quando o Supremo restringiu o foro privilegiado de deputados federais e senadores aos crimes cometidos durante o exercício do cargo e ligados ao mandato.

Segundo cálculos do Senado citados por Toffoli, a restrição em nível federal atingiria 38 mil autoridades. Em nível estadual e municipal, segundo o ministro, há cerca de 16 mil autoridades com foro.

Dependendo do cargo, essas autoridades respondem a tribunais diferentes. Governadores, por exemplo, só são julgados no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Prefeitos, por sua vez, começam a ser processados num Tribunal de Justiça estadual, de segunda instância.

 

Fonte: Tribuna/BNews/Bahia.ba/Bahia Econômica/Municipios Baianos

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